Por Edição MMA Brasil | 06/03/2020 15:13

A T-Mobile Arena, em Las Vegas, Nevada, será a casa de mais um importante evento do UFC. O UFC 248 promoverá duas disputas de cinturão, nos médios e palhas, em duelos que prometem ser empolgantes.

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O duelo principal da noite trará a primeira defesa de cinturão dos médios por parte de Israel Adesanya. O recém-coroado campeão unificado terá pela frente um duro teste em Yoel Romero. Já no combate coprincipal, a chinesa Zhang Weili também protegerá seu reinado pela primeira vez no peso palha. Sua adversária será Joanna Jedrzejczyk, a maior lutadora da história da categoria.

Outras lutas interessantes também movimentarão o card principal. No peso leve, Beneil Dariush encara Drakkar Klose podendo valer um lugar no top 15. Além disso, os meios-médios abrem a porção, com duelos entre Neil Magny Li Jingliang e entre o brasileiro Alex CowboyMax Griffin.

O UFC 248 terá início às 20:30h com o card preliminar e a porção principal do evento está prevista para ir ao ar por volta de meia-noite, sempre seguindo o horário oficial de Brasília.

Cinturão Peso Médio: C Israel Adesanya (NIG) vs. #3 Yoel Romero (CUB)

Por João Gabriel Gelli

A ascensão de Israel Adesanya (18-0 no MMA, 7-0 no UFC) rumo ao cinturão do UFC foi assustadora. Em um período de cerca de 20 meses saiu de estreante a campeão após evoluir em ritmo estrondoso. Em 2019, superou seu ídolo Anderson Silva, conquistou o título interino em uma das melhores lutas do ano contra Kelvin Gastelum e unificou o reinado ao nocautear Robert Whittaker.

Kickboxer de elite, Adesanya está em um nível diferenciado quando se trata de trocação no MMA. Seu arsenal ofensivo é completo, com a habilidade de conduzir o combate ou atuar em contragolpes. O controle da distância é feito com maestria graças a um forte jogo de jabs e trabalho de pernas preciso que fazem uso dos braços e pernas compridos. Sua defesa costuma ser mais reativa com esquivas do que proativa, no geral, mas mostrou bom sinais de se tornar mais completa no duelo contra Whittaker. Além disso, também exibiu uma capacidade melhorada de enxergar durante o tiroteio na curta distância, como foi o caso na sequência em que conseguiu o nocaute que lhe rendeu o cinturão. Por outro lado, ainda parece ficar confortável em excesso em algumas ocasiões, o que pode ser um perigo considerável contra o adversário desse sábado.

Na luta agarrada, Israel começou a carreira sofrendo contra wrestlers que não tinham grande capacidade, como Rob Wilkinson e Marvin Vettori. No entanto, evoluiu no combate de mãos no clinch e usa as joelhadas como ótimas armas. Quando cai de costas para o chão, costuma buscar espaço para levantar rapidamente e não aceita o jogo de guarda. A defesa se mostrou o suficiente até o momento, mas vai ter pela frente o wrestler mais gabaritado até aqui.

Vindo de duas derrotas seguidas, Yoel Romero (13-4 no MMA, 9-3 no UFC) foi uma escolha controversa para ser o primeiro desafiante de Adesanya. Os resultados negativos vieram em guerras contra Robert Whittaker e Paulo Borrachinha. No entanto, como o brasileiro está em recuperação de lesão, Romero era de fato, em termos de casamento, o confronto mais interessante para o campeão.

Um dos melhores que nunca conquistaram um cinturão de alto nível, Romero já mostrou diversas habilidades ao longo da carreira. Foi um wrestler de elite, inclusive com uma medalha de prata olímpica e um título mundial. Sua principal característica é a explosão para cobrir terreno em espaços curtos de tempo e entrar nas pernas dos adversários. Ele já mostrou a capacidade na luta agarrada contra Brad Tavares, mas no geral usa as quedas como um ponto complementar da abordagem. Quando está por cima no chão, costuma atacar com potência e buscar interrupções. Contudo, o controle posicional muitas vezes deixa a desejar.

Apesar de todo o histórico no wrestling, a preferência de Romero está na luta em pé. Ele é um lutador cauteloso, que gosta de usar fintas e coletar muitas informações acerca das reações dos adversários. Quando acha que já mapeou o oponente, ataca com explosão e poder de definição. Capaz de nocautear com socos, cotoveladas ou joelhadas, também já deu sinais de que pode buscar uma abordagem um pouco diferente dos tradicionais golpes singulares. Contra Borrachinha, atacou mais em combinações e exercendo pressão, algo que não fazia com frequência anteriormente.

Israel Adesanya vs Yoel Romero odds - BestFightOdds
Este é um duelo extremamente intrigante. Por mais que Romero não seja o maior merecedor da disputa de cinturão no momento, o destino nos brindou com um excelente casamento que deve render ótimos momentos.

Ambos são adeptos de coletar múltiplas leituras e não são os lutadores mais acelerados no começo dos combates. No entanto, Adesanya deve ter a iniciativa de conduzir o duelo. O maior volume do nigeriano deve se manter ao longo do combate. O problema reside no instante em que Romero começar a avançar, uma vez que se Israel estiver confortável demais, pode deixar brechas. Caso o cubano encontre o queixo do campeão, ninguém duvida de sua capacidade de nocautear. Além disso, Yoel pode causar receio em Adesanya ao ameaçar com quedas, o que pode deixar o gatilho do nigeriano mais tímido.

Dito isso, a expectativa é de que a maior consistência em termos de volume de Adesanya e um cuidado defensivo mais elevado farão com que ganhe mais rounds e saia com a vitória por decisão. Entretanto, isto não deve vir sem sustos e Romero é, definitivamente, um azarão vivo no combate.

Cinturão Peso Palha: C Zhang Weili (CHN) vs. #6 Joanna Jedrzejczyk (POL)

Por Rodrigo Rojas

Zhang Weili chegou como um meteoro na divisão dos palhas do UFC. A chinesa, que tinha um cartel de 16 vitórias e apenas 1 derrota, estreou vencendo Danielle Taylor, subindo de nível de oponentes gradualmente até chegar ao cinturão. Ela venceu Jessica Aguilar com facilidade e dominou Tecia Torres, recebendo a chance de disputar o cinturão em sua terra natal contra Jéssica Bate-Estaca. Contra a brasileira, a asiática impressionou com um nocaute em menos de um minuto, colocando seu nome entre as campeãs da maior organização do mundo.

Com origem no sanda, Zhang tem suas maiores qualidades na trocação. Em pé, ela conta com combinações velozes de socos e chutes, sempre buscando exercer pressão para encurralar as adversárias e com muito talento para controlar a distância e um bom trabalho de fintas, raramente desperdiçando energia, apesar da agressividade. A campeã tem, ainda, a distinção de atuar com muita qualidade andando para trás, com habilidade para atuar nos contragolpes quando a oponente avança contra ela. Alguns de seus melhores momentos são no violento jogo de clinch, com cotoveladas e joelhadas brutais – como as que vitimaram Jéssica Andrade – e um bom trabalho de enquadramento. Além disso, a faixa roxa de jiu-jítsu adaptou bem o jogo de chão, contando com finalizações oportunistas e boas quedas, além de um ground and pound violento.

Joanna Jędrzejczyk é, sem dúvida, uma das maiores lutadoras da história do MMA. A polonesa foi por muito tempo o bicho papão do peso palha. Defendeu o cinturão cinco vezes, sempre deixando um rastro de destruição. Joanna encontrou sua nêmesis em Rose Namajunas, que a nocauteou em 2017 e a superou em uma revanche em 2018. A polonesa recuperou-se com uma vitória sobre Tecia Torres, recebendo a chance de disputar o cinturão inaugural da categoria de cima, na qual foi dominada por Valentina Shevchenko. Novamente entre as palhas, venceu Michelle Waterson na última luta, conquistando a chance de disputar novamente o cinturão da categoria.

Campeã mundial de kickboxing e seis vezes campeã mundial de muay thai, Joanna é a rainha da violência da categoria. A ex-campeã conta com um jogo muito sólido em pé, com ótimos contragolpes e uma pressão gradual, que engole as adversárias no decorrer da luta. Suas combinações são muito precisas, mesclando golpes retos com chutes em todos os níveis, além de um bom jogo de clinch, como é esperado de uma lutadora de elite do muay thai. Joanna desenvolveu uma boa defesa de quedas com o tempo e ainda conta com excelente condicionamento físico. O ponto de interrogação vai para o queixo, já que ela sofreu knockdowns em boa parte de suas lutas – o que não parece melhorar com o tempo.

Joanna Jedrzejczyk vs Zhang Weili odds - BestFightOdds
O confronto entre duas das melhores lutadoras femininas do plantel do UFC deve ser um deleite para os fãs da luta em pé. Espere uma luta muito movimentada, com bons momentos dos dois lados, tanto na distância quanto no clinch. Com lutadoras de tão alto nível, o desfecho da luta é praticamente uma incógnita. Joanna parece ser a lutadora mais técnica em pé, mas Zhang tem poder para mudar o rumo da luta em um piscar de olhos. Assim, sem muita certeza, apostaremos na campeã mantendo seu cinturão em uma decisão com margem apertada, acertando os golpes mais potentes enquanto a europeia aposta no volume. Não se surpreenda, no entanto, se Jedrzejczyk fizer o suficiente para retomar o cinturão que um dia foi seu.

Peso Leve: Beneil Dariush (IRI) vs. Drakkar Klose (EUA)

Por Tiago Paiva

É sempre um deleite ver o assírio Beneil Dariush (17-4-1 no MMA, 11-4-1 no UFC) lutar no octógono mais famoso do mundo. “Benny” aparenta estar voltando a pavimentar o caminho esperado por inúmeros fãs e analistas após enfileirar Anthony Martin, Carlos Diego Ferreira, Daron Cruickshank, Jim Miller e Michael Johnson entre 2014 e 2015 — a sequência brilhante foi interrompida por Michael Chiesa no ano seguinte.

O pupilo de Rafael Cordeiro na King’s Muay Thai vem de três triunfos consecutivos na divisão dos leves, abatendo Thiago Moisés, Drew Dober e Frank Camacho. Bastante técnico tanto em pé quanto no chão, Dariush além do grau preto de muay thai, também ostenta uma faixa preta de jiu-jítsu sob a batuta do multicampeão mundial Rômulo Barral. Extremamente arisco nas duas áreas, até mesmo em situação adversa — como quando pressionado e andando para trás, ou de costas chapadas no tablado — “Benny” tem no grappling sua arma mais perigosa, conseguindo arrancar três tapinhas do oponente com extrema facilidade.

Assim como seu oponente, Drakkar Klose (11-1-1 no MMA, 5-1 no UFC) também vem embalado numa ótima sequência de três vitórias sobre Lando Vannata, Bobby Green e, mais recentemente, Christos Giagos. É válido citar que este mesmo combate já esteve marcado anteriormente, mas acabou não acontecendo devido a uma lesão do assírio. Inclusive, este foi o último camp de Klose na The MMA Lab, sob a batuta do ex-campeão do UFC Benson Henderson. Agora, Drakkar faz parte da Fight Ready MMA, equipe cujo grande destaque é o campeão dos galos Henry Cejudo.

Klose é um atleta completo. A trocação, o grappling e o jogo de quedas são bastante efetivos, e, apesar de ser um lutador sem grande poder de definição, o feitio para trocar sopapos e saraivadas de forma agressiva é presença constante em seu jogo. Sua capacidade cardiorrespiratória é exemplar, sempre fechando os últimos rounds sem perdas consideráveis de ritmo.

Beneil Dariush vs Drakkar Klose odds - BestFightOdds
O ponto central deste interessante combate será a capacidade de resposta de Beneil Dariush. O americano deverá tomar as rédeas do confronto, colocando pressão desde a autorização inicial do árbitro. Caso Benny emule o sistema de David Teymur — único homem a derrotar Klose — e seja efetivo golpeando ao mesmo tempo que anda para trás, é possível que uma decisão sem muitos sustos venha ao seu favor. Porém, considerando que Drakkar tenha sucesso em pé, sempre devemos considerar a capacidade de recuperação e botes ariscos do assírio, que leva vantagem na luta agarrada sobre o americano.

Por fim, acreditamos que, embora Drakkar Klose seja um ativo muito bom nesta divisão, o encaixe de jogo com Benny Dariush não é um dos melhores, entrando naquela velha tônica de divisões abarrotadas de ótimos nomes e, mais do que nunca, estilos fazem lutas. Com isso em mente, apostamos em Beneil Dariush por decisão unânime.

Peso Meio-Médio: Neil Magny (EUA) vs. Li Jingliang (CHN)

Por Gustavo Lima

Após mais de um ano afastado da jaula do UFC por problemas com a USADA, Neil Magny (21-7 MMA, 14-6 UFC) tem pela frente a missão de sacudir a poeira e voltar à coluna das vitórias. Em sua última atuação, em um longínquo novembro de 2018, o americano foi derrotado por Santiago Ponzinibbio no combate principal do UFC Buenos Aires.

Por muito tempo, o atleta da Elevation figurou entre o top 10 da disputada divisão de meios-médios da organização, embora sempre tenha sido brecado ao enfrentar atletas do primeiro escalão. Nos últimos dois anos, porém, o pelotão de frente da categoria passou por uma boa renovação, contando com alguns lutadores que trocaram de faixa de peso e promessas que se tornaram realidade.

Mais do que nunca, Magny precisa provar que ainda pertence a esse time, pois, apesar dos resultados majoritariamente positivos em suas últimas lutas, a sensação que fica é que a barra precisa subir. As últimas quatro vitórias de Neil envolvem, além do tenebroso Craig White, os decompostos Carlos Condit, Johnny Hendricks e Hector Lombard.

Do outro lado, temos Li Jingliang (17-5 na carreira, 9-3 no UFC) embalado por três triunfos, vindo de sua maior vitória e mirando uma vaga no quadro de 15 melhores atletas até 77Kg. As derrotas pontuais para nomes modestos ao longo de sua passagem pela organização acabaram por cortar as sequências do chinês de 31 anos rumo a desafios mais altos. Todavia, pudemos notar que o “Sanguessuga” aprendeu e evoluiu muito em suas últimas atuações, se tornando um atleta cada vez mais confiável quando comparado ao lutador que, anos atrás, ganhou muitos fãs em suas viradas insanas.

Como supracitado, Jingliang vive o melhor momento de sua carreira, tendo vitimado o ótimo Elizeu Capoeira por nocaute no último mês de agosto. Para alguém que precisou de algumas boas vitórias e atuações memoráveis para se credenciar a um combate contra um atleta de nome, o lutador da China Top Team finalmente encontra em Neil Magny um bom adversário, um atleta renomado e que pode elevar seu patamar na carreira.

Apesar de ser um grande lutador, sempre tive a impressão de que Neil demonstrou fazer tudo que é possível no cage em um bom nível, mas nada excepcional a ponto de capacitá-lo a derrotar atletas de calibre mais alto. O volume de vitórias conseguido por Magny, porém, permitiu que o mesmo se mantivesse em evidência por um longo tempo, segurando sua posição no ranking por algum período. Sua maior vitória até hoje veio, indiscutivelmente, sobre Kelvin Gastelum, que, em 2015, era um meio-médio bem diferente do grande peso médio que conhecemos hoje.

Neil possui como carro chefe de sua estratégia na luta em pé a manutenção da distância, fazendo bom trabalho com jabs e maximizando a vantagem que seus mais de 2 metros de envergadura lhe garantem. O estilo agressivo de Jingliang, alternando jabs e diretos e buscando explorar falhas defensivas, porém, soa como muito favorável para esta situação, pois Magny não se comporta tão bem contra adversários que o encurralam e conseguem anular sua estratégia na longa distância.

Apesar de não ser um estrategista dos chutes baixos, Li também possui um bom arsenal com as pernas. Contra um atleta grande como Magny, a estratégia pode vingar bem. Inclusive, foi o que abriu o caminho das pedras para os dois últimos atletas que saíram com a mão levantada contra o americano: Santiago Ponzinibbio e Rafael dos Anjos.

No topo do bolo, temos o wrestling sólido e boa habilidade de Jingliang no jiu-jitsu, que, quando aliados a sua força e resiliência, podem trazer a Magny maus momentos. Apesar de usar e abusar de seu bom sanda, o chinês trabalha na luta agarrada há muito tempo e, assim como Magny, já começou no MMA como um “atleta moderno”.

Apesar de habilidoso e consistente, Neil Magny me parece um atleta com limitações muito pontuais acerca de seu jogo. Inclusive, se estivesse fazendo a prévia de uma luta sua contra um atleta de capacidade técnica similar a Jingliang, mas menos agressivo ou mais estático, eu provavelmente apostaria no norte-americano. Li, por sua vez, dificilmente daria dor de cabeça para a maioria dos atletas presentes no top 15 hoje, mas possui características muito perigosas em seu jogo que o tornam um lutador – em certo nível – subestimado.

Li Jingliang vs Neil Magny odds - BestFightOdds
A dinâmica existente entre alguns dos detalhes citados no jogo dos dois me leva a crer que Jingliang tem total capacidade de derrotar Magny. Embora não seja um palpite tão seguro e certeiro, vislumbro uma grande possibilidade de o jogo de pressão impresso acabar encurralando Neil e culminar com o asiático colocando mais um grande nome em sua lista de vítimas.

Peso Meio-Médio: Alex Cowboy (BRA) vs. Max Griffin (EUA)

Por Thiago Kuhl

Alex “Cowboy” Oliveira (19-8-1 no MMA, 9-6 no UFC) entra no seu quinto ano consecutivo de contrato com o UFC e já acumula 15 lutas no cartel, número expressivo que demonstra sua semelhança com o cowboy mais famoso do MMA. “Pau-pra-toda-obra”, chegou a fazer oito lutas em dois anos e nunca foi de escolher adversário, o que pode ter pesado um pouco no seu histórico, mas também rendeu bons momentos. Fora do octógono criou problemas com a justiça, o que pode ter reduzido as aparições e impactado os resultados mais recentes, com três derrotas seguidas. É verdade que não foram atuações ruins, principalmente as últimas duas lutas, contra Mike Perry e Nicolas Dalby.

O homem de Três Rios tem bom kickboxing, com precisão e alta potência e adora uma pancadaria, tendo conseguido bons nocautes na sua caminhada. Na luta agarrada, não é muito técnico, mas tem oportunismo para achar brechas e finalizar os incautos mais desatentos. Quando encontra gente muito talentosa sofre bastante, mas nunca desiste e tem uma condição cardiorrespiratória boa, em que pese o fato de ter faltado um pouco de gás no final da luta contra Dalby.

Como já falamos outras vezes por aqui, Max Griffin (15-7 no MMA, 3-5 no UFC) vai montando um cartel “gangorra” na categoria dos meios-médios, a dinâmica não muda muito. Quando enfrenta gente de qualidade, sofre para impor seu jogo e sai derrotado. Se enfrenta lutadores menos talentosos, vence bem. O perde-e-ganha dá a toada da carreira do americano no evento, em que somente repetiu resultado uma vez, quando emendou duas derrotas para Curtis Millender e Thiago Pitbull. Nas últimas duas lutas, uma vitória contra Zelim Imadaev e uma derrota contra Alex Morono, ambas em 2019.

No ínicio de sua caminhada no UFC, Griffin demosntrava um estilo bastante agressivo, com base no incomum “bok-fu-do”, que reúne aspectos do kung fu, taekwondo, kempo e jujutsu. Bom striker, com respeitável poder de nocaute e uma boa condição cardiorrespiratória, fazia alegria da galera, porém, como não tinha muito cuidado defensivo, acabava muito atingido. Quando encontrou alguém mais maluco que ele – Mike Perry – soube tomar as ações de modo menos precipitado. O problema é que falta para o americano saber dosar a estratégia e ofensividade. Talvez o início mais efusivo tenha dado uma impressão errada, mas a luta desse final de semana pode nos tirar essa dúvida.

Alex Oliveira vs Max Griffin odds - BestFightOdds
A análise desse casamento de estilos, ao meu ver, passa muito pela capacidade de Griffin cozinhar a luta. O Cowboy tem condições de transformar tudo em uma pancadaria e, até mesmo, achar uma queda e finalizar o americano, que não tem tanta qualidade no chão. Por outro lado, se Griffin explorar algumas falhas defensivas e conseguir deixar a luta em banho-maria, pode sair com o braço levantado em uma decisão. Apostando na primeira hipótese, vamos de Cowboy por interrupção na segunda parcial.