Por Edição MMA Brasil | 17/01/2020 14:02

Peso Meio-Médio: #4 LW Conor McGregor (IRL) vs. #5 LW Donald Cerrone (EUA)

Por Alexandre Matos

Faz tempo que McGregor (21-4 no MMA, 9-2 no UFC) não aparece para uma luta de MMA. Desde que conquistou o cinturão dos leves, em novembro de 2016, o irlandês fez apenas um combate, quando desafiou o campeão Khabib Nurmagomedov. Depois da coça que o russo lhe aplicou, foram mais 15 meses afastado, tomando conta de sua marca de uísque ou mesmo curtindo a vida de milionário sem precisar levar soco na cara. Porém, o UFC precisa de sua maior galinha-dos-ovos-de-ouro, então eis que a maior estrela da história do esporte está de volta, apesar das inúmeras polêmicas que andou aprontando fora do octógono.

Antes que alguém venha reclamar, obviamente trata-se da maior star power de todos os tempos, não do maior talento que o MMA já viu. Mas é bom sempre lembrar que talento também sobra em McGregor. O carateca que pouco variava seu jogo foi se tornando cada vez melhor, fechando alguns buracos notórios – especialmente a defesa de quedas – e explorando novas nuances. O direto de esquerda lançado na base falsa do caratê continua sendo a principal arma do ex-champ champ, mas hoje ele tem um wrestling ofensivo decente e uma boa capacidade de atuar no clinch contra a grade. No meio disso, os chutes continuam sendo de enorme valia, especialmente contra o oponente deste sábado.

Em todo o período no qual McGregor lutou apenas uma vez, Cerrone (36-13 no MMA) subiu 11 vezes ao octógono mais famoso do mundo – neste sábado, ele voltará a ser o recordista isolado de lutas disputadas no UFC, com 33. Neste tempo, ele percebeu que era muito pequeno para o meio-médio e que também não tem mais pujança para encarar as principais forças do peso leve. Este retorno para o limite de 77 quilos, contra um oponente de seu porte físico, é um reconhecimento financeiro por todo o serviço prestado pelo Cowboy ao UFC.

Cerrone sempre teve uma caixa de ferramentas ofensivas maior que a de McGregor, embora não tenha alcançado o nível de maestria em nenhuma área como Conor chegou no striking. Assim como o europeu, Donald também andou fechando importantes buracos – a inaptidão de encarar pressionadores como o mais relevante deles. Hoje, o Cowboy consegue lidar com pressão de seres humanos normais, o que não é o caso de Justin Gaethje e Tony Ferguson. O americano passou a usar a cabeça na manutenção de distância, usando seu frame alongado para evitar a aproximação da concorrência. Ele continua com um bom wrestling ofensivo, um diversificado jogo de solo, defesa de quedas digna e, apesar de já ter virado a curva para a descendente, ainda tem capacidade física para encarar um não virtuoso como McGregor.

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As odds seriam mais parelhas se estivéssemos falando de um duelo de submission – na verdade, Cerrone seria o favorito com alguma sobra. Porém, aqui é a mistura de todas as artes marciais e modalidades de infligir danos físicos a outrem. Quando somamos tudo, a avaliação muda.

Os dois costumam começar de modo mais lento, mas Cerrone deve ser quem ditará o ritmo se quiser ter sucesso. McGregor tem dois caminhos para vencer. O primeiro envolve cercar Cerrone, enquadrá-lo entre seus dois pés e deixar o punho esquerdo voar em linha reta. A outra é explorar a linha de cintura vulnerável do americano com algum de seus vários chutes no corpo. Como chegar a estas posições? Conor pode tanto imprimir volume usando sua vantagem de alcance, tornando Cerrone novamente vulnerável a este tipo de pressão, como pode também utilizar a estratégia de cercar e dar um bote explosivo.

Para o Cowboy, o melhor é trabalhar dentro do raio de ação de McGregor, diminuindo o impacto de seus golpes, ao mesmo tempo em que tenta cansar os braços do rival no clinch. E como não estamos numa competição de submission, Cerrone encontrará dificuldades para chegar ao chão por cima.

Colocando tudo para bater no liquidificador, sai um nocaute em menos de dez minutos para Conor McGregor.

Peso Galo: #3 Holly Holm (EUA) vs. #5 Raquel Pennington (EUA)

Por Diego Tintin

Holly Holm (12-5 no MMA, 5-5 no UFC) já era uma estrela do boxe profissional e tinha carreira também no kickboxing, quando decidiu se aventurar nas artes marciais mistas. Depois do título do Legacy, chegou ao UFC com muito cartaz e causou furor ao desbancar a então dominante Ronda Rousey. Perdeu o cinturão na primeira defesa contra Miesha Tate e desde então não consegue ter resultados em sequência. Até esteve próxima de conquistar o cinturão peso pena por duas vezes, mas sucumbiu diante de Germaine de Randamie e Cris Cyborg. Nos últimos quatro anos, venceu apenas duas lutas, contra as limitadas Bethe Correia e Megan Anderson, acumulando suas cinco derrotas no período.

Como é de se supor, o ponto forte de Holly está na troca de golpes em pé. Suas mãos são precisas, as combinações de socos e chutes são bonitas e têm razoável potência. O jogo de pernas é precioso, virtude que ajuda na construção de ataque e no sistema de defesa de quedas. Se não é virtuosa, a luta agarrada dá para o gasto, quando não enfrenta gente da elite neste aspecto. O problema da “Filha do Pastor” é a dificuldade em aumentar o volume de golpes. Quando tenta, costuma se expor defensivamente. Neste cenário, acaba tendo uma postura hesitante que deixa algumas de suas lutas em um ritmo monótono. Outra questão a se observar é uma certa falta de atleticismo, pois costuma perder a disputa quando exigida em alto nível de fisicalidade.

Revelada pelo TUF 18, o início de Raquel Pennington (10-7 no MMA, 7-4 no UFC) no octógono foi problemático. Contudo, com seu trabalho duro e circunstâncias favoráveis, Raquel conquistou quatro vitórias seguidas, a última delas sobre a ex-campeã Miesha Tate. Naquele momento, o peso galo perdeu muita gente da elite para outras divisões, além das aposentadorias de Tate e Ronda Rousey. Depois de seguidos problemas com outras possíveis desafiantes (Julianna Peña, Cat Zingano), o caminho se abriu para Pennington, que foi para a disputa de cinturão contra Amanda Nunes. Contra a baiana, foi corajosa, mas não evitou o nocaute no round final para a campeã. Nos últimos combates, uma derrota para Germaine de Randamie, em que não conseguiu bater o peso e uma vitória apertada sobre Irene Aldana.

Raquel é forte fisicamente, tem versatilidade no clinch e de lá, faz uso dos punhos, busca quedas e impõe pressão. Na média para a longa distância, o boxe tem problemas, já que a movimentação deficiente impede que os golpes, que até são bem executados, sejam combinados de forma mais fluida. O já citado coração lhe garante uma enorme força de vontade, o que a torna uma adversária difícil. Apesar de ter começado no boxe, o apelido de “Rocky” não tem a ver com o icônico personagem, pois é egresso da dificuldade que os americanos têm de pronunciar seu nome.

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Em circunstâncias normais, Raquel é uma presa sob medida para a habilidade de Holm na luta em pé: mais valente que técnica e não tem um grappling de elite para deixar a loirinha com receio de soltar o jogo. Porém, Holm tem tanta dificuldade de ganhar confiança que Raquel pode se tornar uma adversária perigosa na base do trabalho duro e empolgação. Haja paciência para tanta decepção com Holly, mas sob o risco de mais uma vez quebrar a cara, vamos apostar em uma vitória dela por decisão.

Peso Pesado: #12 Alexey Oleinik (RUS) vs. Maurice Greene (EUA)

Por Idonaldo Filho

Alexey Oleinik (57-13-1 no MMA, 6-4 no UFC) é um dos maiores veteranos do MMA mundial. Com mais de setenta lutas na carreira, o russo de 42 anos está vindo de derrotas consecutivas e brutais, podendo essas acelerarem o término de sua carreira – que em condições normais já deveria ter acontecido. Sempre envolvido em desfechos de combate digamos…exóticos, Oleinik foi atropelado por Walt Harris em apenas doze segundos, um dos nocautes mais rápidos da categoria.

A trocação de Oleinik é tosca e inclusive já teve a proeza de levar o russo ao Barangão Awards™. Praticamente o que ele faz é fechar o olho e largar a mão, resultando overhands cômicos, mas que já vitimaram certos pesados por aí – só nessa categoria isso seria possível. Mas não se engane, Alexey é um grappler de altíssimo nível e um dos melhores em achar finalizações atualmente no evento. O wrestling não ajuda, mas Oleinik tem uma habilidade sobrenatural no solo para encaixar estrangulamentos grosseiros e raros, que mesmo se tornando manjados são armadilhas extremamente perigosas para lutadores sem o devido conhecimento para defender submissões. Com a idade avançada e os sempre existentes problemas de condicionamento, não dá para confiar na durabilidade de Oleinik.

Maurice Greene (8-3 no MMA, 3-1 no UFC) é ex-kickboxer, lutou no Glory – perdendo para Bradock Silva e Chi Lewis-Parry – e foi desafiante do LFA. Fã de crochê, Greene entrou no UFC através do TUF 28: Heavy Hitters. Na casa venceu a primeira luta por nocaute mas levou um atropelo do campeão Juan Espino na semifinal. Chamado para ao TUF 28 Finale, encerrou a luta contra o wrestler olímpico Michel Batista com um triângulo, forma totalmente inesperada para um striker de origem. Posteriormente acumulou mais duas vitórias e, no maior desafio da carreira, sucumbiu para o russo Sergey Pavlovich.

Alto (2,01m) e de boa envergadura (2,08m), Greene é um kickboxer competente ofensivamente com destaque para os bons chutes baixos e atuando na longa distância. Contando com bom poder de nocaute, Greene não é tão rápido se comparado com seu homônimo do atletismo, mas sabe quando deve explodir e, por ter capacidade física de nível um pouco acima da média atual da categoria, se destaca. O principal problema de Greene é defensivo tanto em pé quanto no chão, possuindo também um queixo suspeito. Também vale mencionar que não é um lutador lá muito inteligente e isso é um perigo contra o “Boa Constrictor”.

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O corpo de Oleinik já está podre e ele não mostra resiliência alguma hoje em dia. Em suas últimas lutas encarou strikers de potência e atléticos e acabou levando duas surras. Greene também prefere a trocação, só que é menos experiente do que Overeem e Harris, também já mostrou que não é muito forte mentalmente – na casa do TUF era de longe o mais problemático. Eu diria que é o típico lutador que cai na cilada mais querida do UFC e dá os três tapinhas sem saber como foi finalizado. Assim, Oleinik encaixa mais um ezequiel no primeiro round.

Peso Palha: #6 Cláudia Gadelha (BRA) vs. #11 Alexa Grasso (MEX)

Por Rodrigo Rojas

Uma vez considerada discutivelmente a melhor peso palha do mundo, Cláudia Gadelha (17-4 no MMA; 6-4 no UFC) chegou invicta ao UFC. Depois de estrear com vitória, enfrentou uma certa polonesa chamada Joanna Jedrzejczyk, perdendo uma luta apertadíssima. Recuperando-se com uma vitória sobre Jessica Aguilar, foi alçada a uma disputa de cinturão contra a algoz Joanna, novamente perdendo por margem muito apertada. Ainda venceu bem Cortney Casey e a ex-desafiante Karolina Kowalkiewicz, até que foi tratorizada por Jéssica Bate-Estaca. Desde então, alterna derrotas e vitórias em atuações abaixo da média.

Campeã mundial de jiu-jitsu, Claudinha destaca-se pela força física muito acima da média para a categoria. A força é traduzida em quedas explosivas e um excelente jogo de clinch, além do grappling ofensivo de alto nível. Cria da Nova União, a potiguar desenvolveu o jogo de muay thai clássico da academia, complementando sua ótima luta agarrada com boas combinações de golpes retos e chutes baixos. A massa muscular e a explosão cobram seu preço no cardio, que costuma falhar em lutas mais longas e custou as derrotas para Joanna.

Alexa Grasso (11-2 no MMA; 3-2 no UFC) chegou ao UFC com muito hype, muito por conta de seu carisma e atributos físicos. Após vencer a estreia, perdeu para a mais experiente Felice Herrig e venceu uma decisão dividida contra Randa Markos. Na última luta, foi alimentada para a duríssima Tatiana Suarez, sendo finalizada pela wrestler ainda no primeiro round. Mais recentemente, mudou de patamar ao superar a ex-desafiante Karolina Kowalkiewicz com facilidade, mostrando enorme evolução em seu jogo, mas acabou superada por Carla Esparza em decisão controversa.

Treinada originalmente no boxe, Grasso tem uma boa trocação. A potência é acima da média para a categoria, além de ser bastante agressiva e ter uma boa movimentação, sempre buscando encurralar as adversárias para acertar suas combinações, além de boa técnica para entrar batendo e sair sem ser tocada. A defesa de golpes não é das mais técnicas, mas ela já mostrou capacidade de aguentar muito castigo e manter-se firme. Bastante forte e atlética para o peso, Alexa consegue boas posições no clinch e sabe se levantar quando derrubada. Ainda assim, o grappling é seu maior ponto fraco, como mostrado nas derrotas para Suarez e Herrig.

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O confronto de gerações entre a brasileira que se aproxima da fase final da carreira e a promissora mexicana de apenas 26 anos promete ser bastante movimentado. Caso ainda tenha condições físicas e esteja preparada, Claudinha tem todas as armas para encurtar a distância, jogar Grasso de bunda no chão com facilidade e trabalhar uma finalização. Porém, não será surpresa se a vitalidade de Alexa for o diferencial nessa luta, utilizando a velocidade superior e a movimentação para conseguir uma vitória na decisão. Ainda assim, a aposta é na veterana Gadelha, muito por conta da deficitária defesa de quedas de sua adversária.

Peso Leve: #11 Anthony Pettis (EUA) vs. Carlos Diego Ferreira (BRA)

Por Rodrigo Rojas

Um dos maiores nomes da história da categoria dos leves, Anthony “Showtime” Pettis (22-9 no MMA; 9-8 no UFC) busca voltar à coluna das vitórias após uma derrota para Nate Diaz, em seu último combate. O outrora campeão do UFC e do WEC vive uma péssima fase desde que perdeu seu cinturão para Rafael dos Anjos, em 2015. Após perder para o brasileiro, emendou mais duas derrotas, até que decidiu tentar o corte para a categoria até 66 kg – tentativa da qual, de acordo com o próprio, nunca se recuperou fisicamente. Desde então, alterna vitórias e derrotas, passeando entre os penas, leves e meio-médios.

Faixa preta de tae kwon do, o americano é conhecido por seus golpes mirabolantes, como o chute saindo da grade que deu origem ao seu apelido. Tendo os chutes como marca registrada, Pettis acabou tornando-se muito dependente de um golpe que definisse a luta, perecendo frente a lutadores de volume e pressão consistentes. O boxe não está no mesmo nível que o resto da trocação, mas o jogo de mãos mostrou estar melhor na luta contra Tony Ferguson. Além disso, tem como principal trunfo a brilhante capacidade de tirar coelhos da cartola, como o superman punch que vitimou o meio-médio Stephen Thompson. Tendo o wrestling como um dos pontos fracos, o  jiu-jitsu do americano acaba salvando-o em muitas ocasiões, como nas vitórias contra Ben Henderson, Gilbert Melendez, Charles Oliveira e, mais recentemente, Michael Chiesa. A decadência recente de Pettis levanta enormes dúvidas – será um declínio físico por conta das surras levadas? Questões psicológicas após ser dominado? Ou um declínio técnico, tendo seu jogo decifrado ao longo dos anos? A dúvida é tanta que o ex-campeão tornou-se um azarão de 3 para 1 nas casas de aposta para a luta de sábado.

Ex-campeão peso leve do Legacy, o brasileiro Carlos Diego Ferreira (16-2 no MMA; 7-2 no UFC) chegou ao UFC impressionando com uma finalização em menos de 1 minuto e um nocaute sobre Ramsey Nijem, quando provou não ser apenas um faixa preta de jiu-jitsu. Então, foi alçado a vôos mais altos, e acabou dominado por Beneil Dariush e Dustin Poirier. Depois de recuperar-se com uma bela vitória sobre Olivier Aubin-Mercier, recebeu uma suspensão por doping que o forçou a ficar parado entre 2016 e 2018. Desde que voltou, conquistou 4 vitórias seguidas, incluindo a mais importante da carreira, sobre Rustam Khabilov. Mais recentemente, mostrou grande evolução no jogo em pé ao vencer Mairbek Taisumov em Abu Dhabi.

Oriundo da arte suave, CDF desenvolveu um jogo em pé bastante funcional, aliando um volume maior ao seu conhecido poder de nocaute. O wrestling é útil para sobreviver contra boa parte da categoria, apesar de não ser de elite. O jiu-jitsu é de qualidade e oportunista, com especial habilidade nos scrambles, de onde costuma chegar a boas posições de vantagem ou até a finalizações.

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O duelo de sábado confronta dois lutadores em momentos distintos da carreira. Enquanto Pettis já está muito distante da melhor fase, Ferreira parece surfar em um bom momento, o que o levou ao combate contra o ex-campeão em um card principal. O brasileiro tem habilidade para pressionar Anthony por três rounds com volume de jogo e quedas – e é nisso que acreditam as casas de aposta. Porém, Pettis ainda é o lutador mais habilidoso em virtualmente todas as áreas do jogo – suas derrotas foram todas para o creme de la creme da categoria. A não ser que o ex-campeão vire a chave definitivamente, apostaremos no azarão, seguindo a tônica de intercalar vitórias e derrotas, já que tem capacidade tanto de encerrar a luta com brilhantismo quanto de controlar o amazonense com um jogo mais técnico, como fez contra Jim Miller.