Por Edição MMA Brasil | 12/12/2019 23:46

O UFC 245, último evento numerado do ano de 2019, chega com alto calibre de três lutas por cinturão encabeçando o card principal. A nova principal casa do maior evento do mundo, a T-Mobile Arena em Las Vegas deverá estar completamente lotada para receber grandes combates.

Como luta principal o mais novo dono de uma “aura” de invencibilidade, Kamaru Usman, fará sua primeira defesa de cinturão nos meios-médios, depois de uma atuação estelar contra Tyron Woodley, do outro lado do octógono estará o polemico, porém extremamente competente, Colby Covington, que tenta conseguir de uma vez por todas o cinturão que já teve o gostinho de ostentar por alguns meses quando venceu o título interino.

Antes deles o havaiano Max Holloway fará sua quarta defesa de cinturão no peso pena, desta vez contra o australiano Alexander Volkanovski, que vem de ótima vitória sobre José Aldo. Fechando a trinca de disputas de título a brasileira Amanda Nunes coloca um dos seus dois cinturões em jogo em uma revanche. Tentando conseguir um triunfo no peso galo, a ex-campeã peso pena, Germaine de Randemie terá que vingar o nocaute sofrido em 2013.

As duas lutas que abrem o card, se não tem um título em disputa, tem nomes gigantes da história do MMA. Um embate de brasileiros com Marlon Moraes recebendo José Aldo no peso galo promete entregar momentos históricos, antes deles o ascendente Petr Yan busca colocar seu nome de uma vez por todas no radar ao enfrentar Urijah Faber, um dos grandes nomes das categorias mais baixas, que voltou da aposentadoria em 2019.

O UFC 245 terá transmissão na íntegra neste sábado pelo Canal Combate, se iniciando às 20:00 e com a porção principal do evento indo ao ar a partir de meia-noite, sempre no horário de Brasília.

Cinturão Peso Meio-Médio: C Kamaru Usman (NGR) vs. #2 Colby Covington (EUA)

Por Thiago Kuhl

Kamaru Usman (15-1 no MMA, 10-0 no UFC) se tornou uma força da natureza. Desde a vitória contra Hayder Hassan que lhe deu o título do TUF 21 traçou uma caminhada extremamente consistente que o colocou em condições de disputar o cinturão do peso. Um par de vitórias sobre os tops Demian Maia e Rafael dos Anjos o credenciou definitivamente para enfrentar o campeão Tyron Woodley. Se a disputa parecia parelha nas prévias, durante a luta o que foi visto foi um dos domínios mais impressionantes de um desafiante sobre o campeão. Usman tomou a frente das ações e dominou Woodley em cada uma das fases do jogo. Seja no clinch, nas quedas, no chão ou no striking, Kamaru tomou o cinturão e criou sobre si uma aura de invencibilidade gigante.

Desde o longínquo 2015 o jogo de Usman se vale de um físico extremamente privilegiado, partindo daí, se destaca o bom wrestling, de quem já foi campeão e all-american da Divisão II da NCAA. Com o passar do tempo foi lapidando o jogo de striking e clinch nas mãos de Henri Hooft para incluir uma movimentação e jogo de combinações bastante interessante, tornando cada vez mais complicado para os adversários tirarem Kamaru do seu caminho de destruição.

Colby Covington (15-1 no MMA, 10-1 no UFC) já teve o gostinho de ter um cinturão da maior organização do mundo envolvendo sua cintura. Venceu Rafael dos Anjos e conquistou o cinturão interino em junho de 2018. Na época tinha conseguido a chance após momentos dantescos no pós luta do UFC São Paulo. Com um trash talk sem tanto apelo, mais baseado na ofensa gratuita mesmo, conseguiu pular alguns degraus e já tem mais conquistas que gente bem mais talentosa, ainda mais considerando a selva que é o meio-médio do UFC. Colby chegou no evento seis meses antes do campeão e demorou a pegar concorrência de bom nível. Após perder para Warlley Alves no final de 2015, deu início a uma boa caminhada, com cinco vitórias seguidas em dois anos, entre 2016 e 2017, sedimentou o caminho corado com as mesmas vitórias de Usman. Ademais, conseguiu parar o ex-campeão Robbie Lawler em agosto e tem agora o teste da vida a sua frente

Se enganam aqueles que acham que o americano, Wrestler All-American da Divisão I da NCAA, tem mais língua do que força. Covington é muito bom, tem um jogo muito intenso e grande força no clinch e nas quedas. A capacidade de se manter em pé também merece destaque, uma vez que tome controle das ações no grappling, consegue fazer bom uso do boxe de curta distância e também causa muitos danos no ground and pound. O volume imenso do strking atrapalha demais contragolpeadores, sem dar espaço aos adversários, consegue encobrir a falta de uma técnica e uma defesa de trocação mais apuradas pelo ritmo alto, o que acaba colocando os adversários em situações difíceis antes que suas deficiências apareçam.

Colby Covington vs Kamaru Usman odds - BestFightOdds
 

O problema do combate para Colby é que numa primeira vista parece que tudo que ele pode fazer já foi de alguma forma endereçada por Usman. É muito improvável que Covington consiga sobrepujar a força do campeão, nesse caso, o que sobraria, é se valer do striking para tentar tirar o impeto do nigeriano, o que permitiria ao americano ter vantagem mais para o final do combate.

Mesmo assim, contra alguém com vigor físico como de Kamaru, mesmo que se coloque um enxame de golpes, é difícil vislumbrar uma abertura, já que na movimentação e no striking em geral, Usman tem mais versatilidade. Para o nigeriano o caminho é evitar as volumosas sequencias do americano, impor sua pressão e o jogo sufocante que o trouxe para o topo da categoria. Apostando que continuaremos com um campeão africano até 77 kgs, imaginamos que o desfecho da luta será com Usman de braço levantado após dominar muito bem o combate por 25 minutos.

Cinturão Peso Pena: C Max Holloway (EUA) vs. #1 Alexander Volkanovski (AUS)

Por Bruno Costa

Max Holloway (21-4 no MMA, 17-4 no UFC) busca a sua quarta defesa do cinturão do peso pena e décima quinta vitória consecutiva na categoria no próximo sábado. Um dos lutadores que chegou ao UFC com menor nível experiência na história da organização, o havaiano apresentou melhora de desempenho constante e teve uma corrida impressionante contra adversários de alto nível antes de se tornar campeão da categoria batendo o brasileiro José Aldo.

Talvez o lutador que consiga imprimir o ritmo mais forte em 5 rounds no MMA mundial e dono de resistência sobre-humana, Holloway é um lutador cerebral que melhora o desempenho no decorrer dos seus combates após detectar padrões de atuação dos rivais nos minutos iniciais. O boxe flui naturalmente num volume doentio e com movimentação constante, o que dificulta demais eventuais tentativas de colocá-lo de costas para o chão – diga-se aqui que a defesa de quedas que já foi uma deficiência perceptível a olho nu, mas corrigida há tempos com muita competência.

Se o grappling defensivo já foi problema, contra Andre Fili e Cub Swanson, Holloway demonstrou oportunismo e saiu vitorioso com guilhotinas bem ajustadas, demonstrando que ofensivamente é capaz de capitalizar contra oponentes menos qualificados na defesa. Muito embora tenha evoluído muito na luta agarrada, é difícil imaginar um cenário em que o campeão tenha necessidade de buscar essa estratégia de início ou mesmo no decorrer de seus combates.

Alexander Volkanovski (20-1 no MMA, 7-0 no UFC) teve sólida e bem trabalhada evolução técnica e no nível de adversários em sua carreira. A vitória sobre José Aldo foi o último passo para garantir a posição de desafiante ao título de Max Holloway.

Muito forte e resistente, o que parecia ser um grinder de capacidade física diferenciada tem se tornado um lutador de muitas habilidades que possibilitam a variação das ações, colocando para jogo wrestling de ótimo nível, aliado ao boxe cada vez mais refinado e explosivo e trabalho de clinch exemplar. No último combate, apresentou o chute baixo e jabs como novas armas confiáveis para pontuar contra um adversário muito perigoso. A principal característica de Volkanovski é a pressão constante que parece ser capaz de impor ao adversário.

Além da ótima capacidade de machucar os oponentes na luta em pé e o ground and pound aterrorizante que já demonstrou, o australiano demonstra a cada luta melhoras defensivas na trocação e está se consolidando como um dos lutadores com melhor capacidade estratégica e inteligência para se adaptar às qualidades e deficiências dos oponentes enfrentados.

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Holloway parece ter vencido essa luta em diversas ocasiões da carreira. Um adversário mais baixo, que utiliza o jogo de pressão e força preferencialmente, com mãos pesadas e muita potência física. Contudo, Volkanovski apresenta perigos e ameaças reais que o diferem dos adversários já enfrentados pelo campeão.

O australiano vive seu auge físico e é o único rival que iguala o nível de resistência do campeão. O jogo de clinch executado com muita calma e eficiência, com força surreal para o peso pena, aliado à serenidade que apresenta para implementar seu plano de ação e até mesmo fazer ajustes durante a luta serão bons testes para Holloway.

A dificuldade reside em conseguir fazer ao menos três rounds travando o ritmo sobrenatural de Holloway, que parece cada vez mais à vontade no octógono, fazendo seu ritmo fluir naturalmente e com gás infinito mesmo com o corte de peso que parece cada vez mais árduo.

A única ocasião em que saiu derrotado nos últimos 6 anos foi lutando na categoria de cima e contra um adversário com técnica e potência na luta em pé suficientes para quebrar o volume de Holloway, o que não deve ser o plano de ação do próximo oponente. A aposta é que, em um duelo muito equilibrado pelas condições técnicas e físicas de ambos, Holloway vença três rounds e continue campeão em uma decisão sem larga margem.

Cinturão Peso Galo: C Amanda Nunes (BRA) vs. #1 Germaine de Randamie (HOL)

Por Gabriel Fareli

Amanda Nunes (18-4 no MMA, 11-1 no UFC) está de volta ao octógono para defender sua coroa do peso galo pela quinta vez. A maior lutadora da história do MMA feminino, campeã de duas categorias, vem embalada por nove vitórias consecutivas e atuações cada vez melhores e mais convincentes.

A “Double champ” venceu suas três últimas luta com uma autoridade impressionante. Dominava Raquel Pennington quando nocauteou no quinto round e atropelou Cris Cyborg e Holly Holm em cinco minutos somando as duas lutas.

Amanda gosta da luta em pé, tem mãos pesadas e golpes certeiros. Costuma usar os chutes como arma para abrir espaços para atacar. A “Leoa” passou a dominar o reino das mulheres que pesam 61 kg depois que foi treinar na American Top Team e ser apadrinhada por Conan Silveira. O seu jogo em pé evoluiu enormemente, passou a ser rápido e potente e sua defesa de quedas é eficiente o suficiente para conseguir manter a luta no seu habitat natural. Ainda espera-se que Amanda apresente evolução do seu preparo físico, já que esta deficiência quase lhe complicou em algumas oportunidades, porém como tem terminado as lutas de modo rápido, não é possível determinar se a brasileira endereçou o problema.

Germaine de Randamie (9-3 no MMA, 6-1 no UFC) vai disputar o cinturão do UFC pela segunda vez. No UFC 208, venceu Holly Holm por decisão e se tornou a primeira campeã da categoria peso pena feminino. Após diversas recusas (e desculpas) para enfrentar Cris Cyborg, teve seu título retirado por Dana White. Depois de 21 meses afastada do octógono por lesão, voltou e venceu Raquel Pennington e Aspen Ladd e conquistou o direito a disputar o título dos pesos galo.

A “Dama de Ferro” foi multicampeã de muay thai antes de migrar para o MMA, conquistou um campeonato nacional, três europeus e dez mundiais antes de migrar de modalidade. Com alguém tão condecorada, seria óbvio dizer que sua principal qualidade é a luta em pé, mas Randamie vai um pouco além disso, tem uma boa noção de movimentação, onde tem facilidade para achar golpes e sair antes do contra ataque.

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Germaine deve controlar a distância, usar bem os chutes e tentar levar pros rounds de campeonato contra a brasileira. Amanda precisa ser rápida e potente, como tem menor envergadura, vai ter que ser eficiente para entrar no raio de ação da holandesa. A aposta aqui é que a campeã deva encontrar esse espaço para conseguir uma blitz como contra Cris Cyborg e irá vencer novamente a atleta europeia por nocaute.

Peso Pena: #1 Marlon Moraes (BRA) vs. #3 FW José Aldo (BRA)

Por Rodrigo Rojas

O “Magic” Marlon Moraes (22-6 no MMA; 4-2 no UFC) deixou um rastro de destruição rumo à disputa de título dos pesos galo. Depois de estrear perdendo uma decisão controversa para Raphael Assunção e recuperar-se vencendo John Dodson nas papeletas, Marlon nocauteou brutalmente Aljamain Sterling e Jimmie Rivera, antes de finalizar o antigo algoz Assunção após um violento knockdown no primeiro round. Na disputa pelo cinturão vago contra o “Triple C” Henry Cejudo, fez um bom começo de luta, até que morreu no gás e acabou dominado pela pressão do americano.

Ex-lutador de muay thai e faixa preta de jiu jitsu, Marlon busca a interrupção a todos os custos, o que faz dele um dos lutadores mais violentos do plantel do UFC atualmente. Honrando suas origens, Moraes brilha com chutes em todos os níveis, joelhadas de encontro e overhands brutais. Além disso, tem talento para catar pescoços alheios, com seis vitórias por finalização na carreira.

Toda a agressividade na busca pelo nocaute e a alta quantidade de massa muscular cobram seu preço e Moraes costuma sofrer com o condicionamento quando não conquista a interrupção no começo da luta. Além disso, expõe-se para contragolpes e quedas, principalmente quando está cansado.

José Aldo Júnior (28-5 no MMA; 10-4 no UFC) dispensa apresentações. Um dos maiores nomes da história do esporte, o manauara conquistou o cinturão peso pena do UFC duas vezes, defendendo-o em seis oportunidades. No UFC, dominou nomes como Ricardo Lamas, Chad Mendes, Frankie Edgar e Zumbi Coreano. O cartel na organização, que era impecável, foi maculado por seus nêmesis Conor McGregor e Max Holloway. Mais recentemente, foi dominado pelo desafiante Alexander Volkanovski em uma atuação apática no Rio de Janeiro. Agora, tenta uma sobrevida na carreira com um difícil corte de peso para a categoria dos galos.

Em forma, Aldo é um dos lutadores mais brilhantes da história. O brasileiro foi campeão mundial de jiu jitsu e é conhecido pela sua defesa de quedas impenetrável. Apesar disso, sua verdadeira força está na trocação: o muay thai e o boxe são de altíssimo nível, com excelentes combinações de mãos aliadas a chutes baixos devastadores.  Para piorar para os adversários, a defesa de golpes também está entre as melhores, complementada com excelentes contragolpes. Apesar da fase mais conservadora quando era campeão, Aldo é um nocauteador nato, com 17 vitórias pela via rápida dolorosa na carreira.

Quanto aos pontos fracos, o condicionamento já se mostrou preocupante, mas não deve ser um fator em uma luta de três rounds. O queixo pode ser questionado, especialmente na fase mais recente, já que o manauara foi nocauteado em 3 de suas 4 derrotas no UFC. Esse fator pode ser ainda mais agravado pelo brutal corte de peso para 61kg. Além disso, um gênio da trocação como Max Holloway foi capaz de explorar os defeitos de Aldo ao pressioná-lo com golpes retos, passando por cima dos chutes baixos e da manutenção de distância do brasileiro. Volkanovski usou a mesma pressão para encurtar a distância, porém, o fez para chegar à luta agarrada, onde travou o brasileiro.

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O casamento de compatriotas promete ser um prato cheio para os fãs de MMA, já que ambos lutadores têm muita qualidade em todas as áreas do jogo, com muitas características parecidas. Uma grande diferença é a pressa de Marlon rumo ao nocaute, contra o jogo de mais longo prazo praticado por Aldo. Ainda, o grande asterisco dessa luta é o corte de peso de José Aldo: o ex-campeão já sofria para bater o limite dos penas, e parece estar sofrendo muito para chegar aos 61kg.

Fosse essa luta no peso pena, a aposta segura seria em José Aldo, utilizando os contragolpes e a brilhante defesa para vencer um Marlon cansado. Entrentanto, é impossível ignorar a condição física do manauara. Por isso, apostamos que o corte de peso vai enfraquecer ainda mais o já baleado queixo de José, abrindo espaço para um nocaute de Moraes no primeiro round de uma luta disputada inteiramente na trocação, com ambos alternando momentos de domínio. Caso isso não aconteça, Aldo, o lutador mais técnico dos dois, tem todas as ferramentas para dominar o carioca com um jogo mais conservador.

Peso Galo: #4 Petr Yan (RUS) vs. #12 Urijah Faber (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Um dos prospectos mais fortes da excelente categoria dos galos, Petr Yan (13-1 no MMA; 5-0 no UFC) vem traçando uma bela trajetória dentro do UFC, chegando ao top 5 da complicada divisão. Tendo seu talento trabalhado pela organização, o russo vem enfrentando oponentes cada vez mais duros, sempre impressionando. Com o que tem mostrado, o teto do jovem parece muito alto, já sendo cotado entre os postulantes ao cinturão com apenas 26 anos.

Bom base no boxe, o jogo de Yan é marcado pela pressão e pelo ímpeto. Ele anda sempre para frente, com combinações incessantes de diretos e cruzados, além de bons chutes e quedas pontuais. Na parte defensiva, foi muito pouco testado, mas conseguiu defender as quedas e levantar-se com facilidade contra John Dodson, além de ter dominado em pé.

Como é característico de seus compatriotas, Petr parece incansável e imparável, não se afetando pelas iniciativas de seus adversários, mantendo-se ativo e na ofensiva do primeiro ao último round. Pode pecar pelo excesso de agressividade – algo normal para um jovem talento – mas ainda não foi punido por isso.

Urijah Faber

Profissional desde 2003, Urijah Faber (35-10 no MMA; 11-6 no UFC) foi um dos grandes nomes da história das categorias mais leves do MMA. Carismático e com estilo empolgante, o californiano é um dos maiores responsáveis pelo ganho de notoriedade da categoria dos galos. Depois de alguns anos de aposentadoria, voltou com sucesso a atividade, nocauteando Ricky Simon no primeiro minuto de luta.

Campeão dos galos do KOTC e dos penas do WEC, enfrentou os melhores lutadores que sua geração tinha a oferecer, perdendo apenas para grandes nomes. Saiu derrotado de grandes lutas contra Frankie Edgar, José Aldo, Renan Barão e Dominick Cruz, embora tenha chegado a finalizar o último no primeiro encontro entre os dois. No auge, venceu  gente como Eddie Wineland, Takeya Mizugaki e Brian Bowles, todos ex-campeões ou desafiantes da categoria. Apesar disso, acabou sempre batendo na trave no maior palco do mundo, perdendo dois pares de disputas de cinturão, contra Cruz e Barão.

Wrestler da primeira divisão da NCAA, Faber destacou-se muito pelo jogo de grappling, sendo conhecido por seus estrangulamentos afiadíssimos, especialmente a guilhotina e o mata-leão, que viraram suas marcas registradas. As quedas e o ground and pound foram muito efetivos, mas foram prejudicadas pelo declínio na parte final de sua carreira. A trocação, apesar de não ser de elite, sempre foi de bom nível, priorizando acertar seu overhand e encurtar a distância. O jogo de clinch também tinha qualidade, com boas joelhadas e cotoveladas na curta distância.

O atleticismo foi muito acima da média, com muita força explosiva e condicionamento excelente, apesar de ter arrefecido com a idade. O jogo completo de Faber atravessou gerações, competindo com bons nomes desde o início da última década, chegando a disputar um cinturão do UFC em 2016 e a vencer o prospecto Ricky Simón em seu retorno, mas é inegável que já está mais para do que para cá em uma divisão recheada de jovens prospectos.

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O duelo de sábado é marcado pelo confronto de gerações: pioneiro do esporte, Faber já tem 40 anos, enquanto Yan está no começo de sua escalada aos 26 anos. Esse cenário só agrava o provável desfecho da luta – por suas características, Yan seria favorito mesmo contra um Urijah no auge.  Exceto no caso de algum coelho absurdo tirado da cartola por Faber, o resultado da luta parece bastante previsível: Petr Yan defendendo as quedas e solapando o veterano com volume de golpes e combinações, pressionando incansavelmente rumo a uma vitória por decisão unânime.