Por Edição MMA Brasil | 13/12/2019 18:25

UFC 245, último evento numerado do ano de 2019, chega com alto calibre de três lutas por cinturão encabeçando o card principal. Entretanto, o card preliminar do evento também proporciona confrontos bem interessantes para o público.

A principal luta da porção preliminar é o confronto dos meio-médios entre Geoff NealMike Perry, que promete um duelo animado por três assaltos. Outro confronto relevante marca o retorno da brasileira Ketlen Vieira, que volta após quase dois anos para enfrentar a mexicana Irene Aldana pela categoria dos galos.

Por fim, Brandon MorenoKai Kara-France prometem um duelo bastante divertido, válido pela categoria dos moscas, com o vencedor sendo lançado ao topo da categoria do campeão Henry Cejudo.

Peso Meio-Médio: #14 Geoff Neal (EUA) VS. Mike Perry (EUA)

Por Bruno Costa

O texano Geoff Neal (12-2 no MMA, 4-0 no UFC) conquistou quatro vitórias no mesmo número de lutas no UFC com alguns desempenhos memoráveis no caminho, que acabou por garantir um lugar no ranking de uma das divisões mais concorridas do MMA mundial.

Ótimo trocador e cada vez mais inteligente no octógono – com exceção do último combate contra Niko Price, um espetáculo absolutamente maravilhoso e grotesco, fora dos padrões -, Neal melhorou também o condicionamento físico para se tornar um dos mais interessantes prospectos da categoria. Com combinações curtas, muita explosão e variação de golpes, domina com muita competência a distância, entrando para golpear e saindo com maestria do raio de ação dos adversários.

O jogo de chão foi apresentado em nível mais alto no meio do caos da última batalha, e serviu como arma para conquistar a dura vitória com ground and pound de muita violência. O wrestling defensivo é efetivo, mas o índice de procura por quedas ou sequer luta no clinch não é constante.

O violentíssimo Mike Perry (13-5 no MMA, 6-5 no UFC) é garantia de diversão quando entra no octógono. Com vitórias sobre alguns bons lutadores de ação na divisão, sofreu com a escalada rápida no nível de adversários, em sua maioria trocadores superiores capazes de contragolpear se aproveitando do excesso de agressividade característico de “Platinum”.

Perry aposta basicamente no boxe agressivo muito baseado em ganchos com mãos pesadíssimas para sair vitorioso em seus combates, mas demonstra cada vez mais conforto trabalhando no clinch – tendo tornado a cotovelada nessa posição uma de suas principais armas – e até mesmo o wrestling ofensivo, ainda dependente de cinturadas e potência surreal para um peso meio-médio.

Na parte defensiva necessita de melhoras com urgência na troca de golpes para que possa de alguma forma estender a carreira, uma vez que tem sofrido muito prejuízo no octógono deixando todo o sistema de proteção para o queixo exposto. A volta ao octógono apenas quatro meses após ter o nariz quebrado por Vicente Luque não parece, inclusive, um bom sinal de que Perry entenda a necessidade de cuidar do corpo para continuar atuando por maior período.

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Embora ambos os lutadores tenham predileção pela trocação, o plano de jogo e execução diferem muito. Enquanto Perry tem capacidade para encerrar a luta com um só golpe e mãos e cotovelos muito pesados, Neal aposta no volume e bom controle de distância para controlar os oponentes em busca de nocautes.

A vantagem técnica do combate é inteira de Neal, e o seu estio favorece para não cair em eventuais armadilhas do alucinado Platinum, visto que é exatamente o tipo de oponente que derrotou Perry até o momento. Com provável domínio desde o início da luta, a aposta é que Neal saia vitorioso por uma confortável decisão mas com um combate tomado por um elevado nível de tensão por conta da agressividade e até boa efetividade de Perry.

Peso Galo: #2 Ketlen Vieira (BRA) VS. #10 Irene Aldana (EUA)

Por Matheus Costa

Após mais de um ano com uma lesão na mão que lhe fez perder tempo e uma possível disputa de cinturão na categoria dos galos, a brasileira Ketlen Vieira (10-0 no MMA, 4-0 no UFC) está de volta ao batente no UFC 245, dando um bom gás no topo da divisão reinada pela compatriota Amanda Nunes.

Com uma bela ascensão na categoria, a faixa-preta de judô trouxe uma dinâmica interessante ao topo da divisão, oferecendo resistência a diferentes tipos de estratégia. Bem paciente e estratégica, a brasileira se destaca na luta agarrada, tanto na parte ofensiva como na defensiva. Em pé, Ketlen tem uma boa noção de controle de distância e possui um arsenal competente de combinações no boxe, embora ainda tenha dificuldades contra adversárias mais velozes.

Outra que vive uma crescente na divisão é a mexicana Irene Aldana (11-5 no MMA, 4-3 no UFC), que soma quatro vitórias nas últimas cinco lutas dentro do octógono mais famoso do mundo. Em sua última aparição, triunfou sobre a brasileira Vanessa Melo sem grandes dificuldades.

Especialista na luta em pé, Irene se institui em sua acentuada envergadura para impor o boxe, que é potencializado por suas pesadas mãos para o padrão da categoria, sempre impondo um bom ritmo, embora deixe a desejar por não ser uma striker veloz. Um ponto que pode lhe complicar contra Ketlen é sua defesa de quedas, que não é muito boa, principalmente quando enfrenta wrestlers que pressionam na curta distância.

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O confronto oferece dois pontos chave: como Ketlen Vieira vai se comportar no confronto depois de quase dois anos inativa e como estará o nível da defesa de queda de Irene Aldana, que certamente será testada ao longo do confronto.

Acho que até pelo tempo fora, Ketlen terá uma postura um pouco mais conservadora e evitará riscos, optando pela luta agarrada. Aposto na vitória da brasileira por decisão unânime.

Peso Mosca: #5 Brandon Moreno (MEX) VS. #6 Kai Kara-France (NZE)

Por Idonaldo Filho

Sempre presente em lutas empolgantes, o mexicano Brandon Moreno (15-5-1 no MMA, 3-2-1 no UFC) é um dos que ainda resistem nas ruínas do peso mosca no UFC. Após ser demitido de forma inexplicável do evento em 2018 em meio à crise na divisão, Moreno fez uma luta no LFA e se tornou campeão ao nocautear o wrestler olímpico Maikel Perez. Recontratado para participar do UFC México, enfrentou o ótimo Askar Askarov em um duro confronto, que terminou em empate.

Muito dinâmico, Moreno é um grappler extremamente talentoso mas que tem predileção pela pancadaria. Sua defesa é uma negação, só segurando a onda pelo bom queixo. Porém, o arsenal ofensivo impressiona bastante, com sequências violentas de cruzados e ainda com poderosos chutes, que já surpreenderam alguns adversários – Dustin Ortiz que o diga. O wrestling de Moreno é pouco eficiente e não é muito costumeiro que o mexicano tenha como objetivo constante derrubar o oponente. Pode melhorar a defesa de quedas também, mas não deve se preocupar muito com esse aspecto neste confronto em específico.

Kai Kara-France (20-7 no MMA, 3-0 no UFC) assinou com o UFC após inúmeros pedidos de fãs, pois se tratava de um dos principais prospectos da divisão e um lutador muito divertido. Parceiro de treinos de Dan Hooker e Israel Adesanya na City Kickboxing, Kai também teve passagem pela Tiger Muay Thai e fez algumas lutas de boxe enquanto esteve pela academia tailandesa. O retrospecto invicto de Kaiwhane no UFC impressiona, iniciando com o excelente duelo contra Elias Garcia e terminando na vitória contra Mark De La Rosa em agosto desse ano.

O neozelandês circula muito bem no cage, possuindo uma trocação de primeira que é o sua principal ferramenta. O pouco volume espanta se tratando de um peso mosca, mas Kai preza pela precisão nos golpes e contundência, contando com alguns violentos nocautes no cenário regional. Vez ou outra Kara-France também aplica alguns chutes na perna, também já tendo arriscado alguns golpes plásticos na carreira. A defesa de golpes não é tão boa, nem o jogo de chão, só que temos um lutador muito resistente, perigoso e que cresce na luta. Seu QI de luta se mostrou suspeito com algumas entradas de quedas estranhas e inoportunas em lutas recentes.

Brandon Moreno vs Kai Kara-France odds - BestFightOdds
 

Em luta de participantes do TUF 24, não é o melhor dos casamentos para Moreno. Kara-France é melhor striker, contragolpeia com muita eficiência e se movimenta bem o suficiente para evitar possíveis quedas. Como a diferença de tamanho é significativa à favor do mexicano, caso siga uma estratégia mais conservadora e baseada no clinch, pode se dar bem. A tendência no entanto é que Brandon seja mais agressivo e tenha o rosto carimbado com frequência, acertando pouco e sendo muito acertado, ocasionando a vitória de France na decisão.