Por Edição MMA Brasil | 06/09/2019 14:00

Ainda longe de sua principal casa, o UFC chega pela terceira vez em sua história em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, para realizar o UFC 242. A cidade incrustada no deserto verá pela segunda vez uma disputa de cinturão e, pela segunda vez, será do lutador mais dominante de sua época. Após Anderson Silva em 2010, o russo Khabib Nurmagomedov tentará manter seu reino de destruição em unificação do cinturão dos pesos leves contra o talentoso campeão interino Dustin Poirier, que passa pela melhor fase de sua carreira.

Antes do embate de campeões, o brasileiro rei dos chutes Edson Barboza busca voltar ao caminho das vitórias contra Paul Felder, cedendo a revanche de um quebra pau épico que aconteceu em 2015 e que esperamos que se repita. Outro peso leve brasileiro, Davi Ramos, tem missão muito mais ingrata na luta que antecede a coprincipal do evento, enfrentando o excelente Islam Makhachev.

Ainda no card principal do UFC 242 veremos um duelo de pesos pesados em Curtis Blaydes contra Shamil Abdurakhimov e mais um brasileiro em ação, também nos pesos leves Carlos Diego Ferreira enfrenta mais um russo que compõe o card, Mairbek Taisumov.

O UFC 242 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate na manha de sábado. A primeira preliminar está marcada para iniciar às 11:00h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir das 15:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Cinturão Peso Leve: C Khabib Nurmagomedov (RUS) vs. CI Dustin Poirier (EUA)

Por Alexandre Matos

Khabib Nurmagomedov

O que se imaginava de Nurmagomedov (27-0 no MMA, 11-0 no UFC) desde o começo de sua trajetória no UFC vem se concretizando. Um a um, ele derrubou (literalmente) todos os oponentes que ficaram à sua frente até chegar ao cinturão da divisão mais forte do MMA. Passaram grapplers, strikers, lutadores mistos, lesões graves e a dúvida persiste: como vencer o russo que trocava esgrima com um filhote de urso quando tinha 9 anos de idade?

O jogo de Khabib orbita basicamente ao redor do wrestling dos mais bem adaptados para o MMA na história do esporte. O campeão tem um vasto repertório de entradas de queda que confundem as defesas adversárias. Ele consegue atacar as pernas, entrar em single leg cruzado, evitando uma joelhada ou uppercut de encontro, é capaz de derrubar do clinch e tem força de core – principalmente abdômen e lombar – para poder emendar uma tentativa de queda na outra sem precisar recuperar a base de equilíbrio. Seu striking evoluiu de rudimentar para razoável: é plasticamente feio, mas bastante funcional especialmente para controlar distância. De quebra, tem potência para causar incômodo. No solo, Khabib mistura controle posicional com um ground and pound sufocante, criando uma armadilha que só é desarmada quando acaba o round.

Outro de quem se esperava muito desde o começo foi Poirier (25-5 no MMA, 17-4 no UFC). Desde muito jovem ele mostrava talento e versatilidade, mas demorou um pouco mais para se tornar a força imaginada. O ponto de virada foi a subida para o peso leve. Com menos corte de peso, só sofreu uma derrota, venceu nove e uma terminou sem resultado por uma joelhada ilegal de Eddie Alvarez, que acabou nocauteado na revanche. O “Diamante” conquistou o cinturão interino após trucidar o campeão dos penas, Max Holloway, entregando ao havaiano uma dolorosa soma de volume de golpes com potência não vista na divisão de baixo.

Poirier é um lutador mais versátil que Khabib, capaz de transitar com qualidade em todos os ramos do MMA. Porém, não apresenta uma qualidade tão acentuada quanto o wrestling do russo – mas quem consegue? O americano iniciou com um jogo mais centrado na luta agarrada, com boas quedas e muito talento para encontrar oportunidades de finalização. Com o tempo, desenvolveu o kickboxing a ponto de usá-lo como principal ferramenta na atualidade. De quebra, mostra capacidade de entrar em guerras e manter a compostura, conseguindo raciocinar sob fogo cruzado, o que é um talento raro no MMA.

Dustin Poirier vs Khabib Nurmagomedov odds - BestFightOdds
 

Este é um combate muito aguardado por um motivo: Poirier talvez seja, dentre os oponentes que se apresentaram a Khabib, o que tem mais capacidade de vencer. Será fácil? Longe disso.

Para tirar o cinturão do russo, o americano deve explorar o boxe de alto volume e potência nos golpes, mas principalmente explorando a zona abdominal do campeão. Poirier tem talento para suportar a pressão inicial do jogo agarrado de Khabib, o que certamente lhe ajudará na primeira metade do combate.

O grande problema para o desafiante é que a vantagem no condicionamento físico está muito ao lado de Nurmagomedov – mas muito mesmo. Para piorar, Khabib tem um queixo dos infernos, o que dificulta a tarefa de Poirier conseguir um nocaute. Sendo assim, por mais que o americano se saia bem nos três primeiros assaltos, a tendência é que ele chegue muito mais cansado nos rounds de campeonato, quando ficará mais suscetível ao jogo de quedas do campeão. Neste cenário, a aposta é que Nurmagomedov leve na decisão – depois de aplicar dois 10-8 nos rounds finais – ou vença por nocaute técnico na parte final do duelo.

Peso Leve: #7 Edson Barboza (BRA) vs. #10 Paul Felder (EUA)

Por Diego Tintin

Depois de chegar próximo de virar desafiante algumas vezes em sua bonita trajetória, Edson Barboza (20-7 no MMA, 14-7 no UFC) parece distante deste objetivo no momento atual. Com três derrotas dentro da elite nas últimas lutas e só uma vitória sobre Dan Hooker, Edson perdeu algumas oportunidades de se colocar entre os postulantes ao título. Cada vez mais o friburguense se consolida como uma garantia de ação e um dos principais fornecedores de highlights do UFC.

Edson é um artista dos chutes, em qualquer dos três níveis. A destruição que causa nas pernas, tronco ou cabeça dos oponentes tem poucos paralelos dentro da organização. O jogo de mãos teve algumas melhoras visíveis, mas ainda está em um nível mais baixo. A luta agarrada e defesa de quedas são suficientes contra a maioria da divisão, mas podem ser exploradas por grandes especialistas nestes assuntos. Não é o mais veloz ou intenso dos pesos leves, por isso costuma ficar à procura de um golpe definitivo.

Outro promissor nocauteador que não deu o passo definitivo para a elite, mas faz a festa da moçada é Paul Felder (16-4 no MMA, 8-4 no UFC). Dono de alguns bonitos nocautes no octógono, o “Dragão Irlandês” chegou a tentar a sorte nos meios-médios, mas foi mandado de volta aos leves após derrota para Mike Perry. Na sua divisão habitual, está invicto há quatro lutas, desde que se recuperou do único nocaute sofrido na carreira, contra Francisco Massaranduba.

Assim como Edson, Felder é um striker por natureza e vocação, faixa-preta segundo dan de taekwondo e com base também no caratê. Sua especialidade são contragolpes velozes e precisos, que normalmente interrompem combinações de seus oponentes. Os cotovelos são armas letais que lhe renderam nocautes sobre Alessandro Ricci, Stevie Ray e Charles Oliveira em sequência. Quando toma o controle das ações, os jabs e os chutes baixos costumam ser bem cominados e incomodar. Por outro lado, ele evita a luta agarrada com uma sólida defesa de quedas, também eficiente contra a maioria da turma, mas que pode ser insuficiente contra as feras desta área.

Edson Barboza vs Paul Felder odds - BestFightOdds
 

Esta revanche entre dois veteranos talentosos e um tanto inconsistentes é uma ótima sacada da organização. Na luta de 2015, o público foi presenteado com uma boa pancadaria de quinze minutos. Como estão em uma área comum da divisão, tem idades, tempo de carreira e aproveitamento parecidos, nada mais justo que um repeteco que deve separar o espectador do encosto de sua poltrona. No aspecto técnico, é um encaixe interessante de um contragolpeador contra um lutador de iniciativa, o que ajuda a tornar o duelo equilibrado e imprevisível. Um pouco mais versátil, o brasileiro leva uma pequena vantagem, mas nada que torne uma vitória do americano algo fora de questão.

Peso Leve: #15 Islam Makhachev (RUS) vs. Davi Ramos (BRA)

Por Rodrigo Rojas

Peso leve daguestani, treinando na AKA, criado por Abdulmanap Nurmagomedov, faixa preta de judo e campeão mundial de sambo. Apesar da semelhança, dessa vez, não estamos falando de Khabib Nurmagomedov.

Um dos principais nomes da invasão russa no UFC, Islam Makhachev (17-1 no MMA; 6-1 no UFC) é figura quase inseparável do campeão da categoria. Tendo tratorizado todos os adversários que enfrentou na carreira – à exceção de Adriano Martins, que acertou um overhand no contragolpe que desligou o russo -, Islam vem ganhando espaço a passos largos na categoria mais populosa da organização.

Como não poderia deixar de ser, o jogo de Makhachev lembra muito o do amigo Khabib. O jogo de grappling sufocante é possibilitado pelas tentativas de quedas incessantes, com preferência por entradas de single leg emendadas em double legs, quando o oponente defende a entrada original, além das quedas de quadril de grande amplitude a partir do clinch. Por cima, ele trabalha as posições de vantagem magoando os adversários no ground and pound até chegar a uma finalização.

Em pé, Islam mostra-se mais agressivo do que Khabib, utilizando muito os chutes para medir a distância, além de cruzados e uppercuts bastante abertos, que abrem o tipo de brecha que Martins explorou ao nocautear o russo. A derrota serviu para tornar Makhachev mais consciente na trocação. Hoje, ele aposta menos na agressividade em pé, utilizando os golpes para esconder suas tentativas de queda. O condicionamento e o ímpeto, como é característico dos lutadores de sua região, são virtualmente infinitos.

Um dos melhores competidores do jiu jitsu a migrar para o MMA, Davi Ramos (10-2 no MMA; 4-1 no UFC) chegou na maior organização de MMA do mundo pouco tempo depois de sagrar-se campeão do ADCC, competição de grappling mais importante do circuito.

Na estreia, Davi perdeu uma luta de kickboxing amador para o também jiu-jiteiro Sérgio Moraes. Desde então, passou por cima de todos seus adversários, finalizando três dos quatro oponentes que enfrentou. O retrospecto impressionante é posto em cheque ao analisar-se o cartel do brasileiro, que conquistou suas vitórias enfrentando alguns dos piores lutadores do plantel do UFC.

O jogo de Davi é o esperado de um ás do jiu-jitsu: boxe rudimentar, quedas decentes – mas não excelentes – e um jogo de chão muito acima da média. O jogo em pé melhorou depois da atuação vergonhosa contra Serginho, mas continua abaixo da média para a categoria, dependendo das mãos pesadas. As quedas foram eficientes contra os adversários mais fracos, mas não devem ser suficientes contra lutadores de maior nível – quem dirá contra um campeão mundial de sambo. O diferencial de Ramos é justamente sua arte marcial de origem. No chão, implementa raspagens belíssimas e tem transições fluidas, com preferência por chegar nas costas dos oponentes e apertar seus respectivos pescoços.

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O duelo de sábado é um passo (muito) maior do que a perna para o brasileiro. Davi vem de vitórias sobre John Gunther (!) e Austin Hubbard para pegar um top 15 da categoria mais encardida da organização. As tentativas de queda de Ramos não devem incomodar Makhachev, que também não deve se arriscar no chão contra o faixa preta. Assim, o duelo deve desenrolar-se (infelizmente, já que uma disputa de grappling entre os dois seria algo lindo de se ver) majoritariamente em pé, onde Islam, apesar de não ser dos mais técnicos, tem ampla vantagem. Nesse cenário, Islam Makhachev deve conquistar a vitória em uma decisão tranquila, sem passar por muitos sufocos.

Peso Pesado: #4 Curtis Blaydes (EUA) vs. #9 Shamil Abdurakhimov (RUS)

Por Bruno Costa

Um dos raros sopros de juventude e atleticismo no peso pesado, Curtis Blaydes (11-2, 1 NC no MMA, 6-2, 1 NC no UFC) é também um dos poucos lutadores com bons dotes técnicos na categoria. Com o típico jogo de wrestling muito bem mixado com boxe, Blaydes executa com competência e inteligência o plano de jogo, sendo que tem constantemente melhorado o footwork e a capacidade em trocar golpes com os adversários na longa distância – apesar das duas traumáticas experiências contra Francis Ngannou, que renderam as únicas derrotas da carreira até o momento.

Com movimentos muito explosivos e boa resistência física, o americano consegue com boa constância colocar os adversários de costas para o solo. Dali, muita potência para trabalhar socos e cotoveladas com potencial para encerrar o combate da posição. Defensivamente deixa pouco espaço para os oponentes trabalharem, seja na troca de golpes ou tentando algum movimento da guarda (boa sorte tentando lidar com o cavalo uma vez que consiga a queda).

O daguestani Shamil Abdurakhimov (20-4 no MMA, 5-2 no UFC) é um wrestler de origem que, posteriormente, se especializou no sanshou e no kickboxing. A predileção do experiente e bruto sujeito que busca a quarta vitória consecutiva é por buscar um combate em ritmo baixo, preferencialmente se utilizando de potentes contragolpes como forma de ter atenção do seu oponente, e a partir disso tentar surpreender utilizando seu jogo de quedas. Além de ser conservador no número de ações durante a luta, Shamil não costuma movimentar mais do que o necessário para atingir seu fim, que é buscar o clinch para colocar o adversário de costas para o chão e desgastá-lo a partir dali. Contudo, chegou a demonstrar a potência dos punhos contra adversários mais lentos e com pobreza técnica no jogo defensivo.

Defensivamente, se vira como pode ficando longe do raio de ação dos seus oponentes, e movimenta muito pouco a cabeça. O gás já o deixou na mão quando precisou, mesmo mantendo suas lutas em baixo ritmo, e o queixo não é exatamente o que se chama de uma fortaleza.

Curtis Blaydes vs Shamil Abdurakhimov odds - BestFightOdds
 

Apostando em uma abordagem agressiva de Blaydes desde o início da luta, a aposta é de que testemunharemos mais um passeio do jovem talento no octógono. Contudo, Abdurakhimov pode oferecer ao menos por curto período alguma resistência ao Wrestling ofensivo do americano que obrigue a demonstrar mais um passo na evolução do jogo de boxe. Mesmo que o russo tente apostar numa estratégia defensiva sólida no começo, com movimentação e controle de distância, a tendência é que Blaydes passe a dominar o combate a partir da segunda metade do primeiro round e parta dali para domínio completo e interrupção no segundo round da luta.

Peso Leve: Mairbek Taisumov (RUS) vs. Carlos Diego Ferreira (BRA)

Por Tiago Paiva

Já faz quase um ano que vimos o chechêno Mairbek Taisumov (27-5 no MMA, 7-1 no UFC) lutar no UFC. Inclusive, a falta de um visto americano para o atleta faz com que o mesmo não possa atuar com a frequência necessária tanto para sua carreira, quanto para o deleite dos fãs do esporte. Em seu último combate, o “Beckan” desmantelou Desmond Green por decisão unanime. Antes disso, Taisumov enfilerou cinco corpos por via rápida dolorosa, colocando-se como uma das das mãos (e pernas, joelhos, cotovelos) mais perigosas e potentes da categoria.

Bastante calmo e cerebral, o peso-leve de 31 anos não tende a ser muito agressivo, trabalhando em busca de um contra-ataque certeiro que lhe renda a vitória – e quem sabe um bônus de performance da noite, como os três conseguidos após os brutais nocautes em Alan Nuguette, Damir Hadzovic e Felipe Silva. Em suma, o checheno é um lutador completo, com boa noção de distância e uma defesa de quedas que já parou 87% das iniciativas dos oponentes, algo crucial para o combate deste sábado.

Faixa-preta terceiro grau de jiu-jítsu, Carlos Diego Ferreira (15-2 no MMA, 6-2 no UFC) atravessa uma ótima fase dentro do UFC, vindo de quatro vitórias consecutivas. O manauara teve uma oportunidade de tentar adentrar ao top 15 da divisão dos leves, porém um problema renal o tirou de seu combate contra Francisco Massaranduba no UFC 237, em maio deste ano.

Ex-campeão do Legacy MMA, Carlos Diego tem na luta agarrada a sua principal arma, mas ultimamente mostrou uma boa evolução e mais confiança na trocação, especialmente devido a sua hiper-agressividade. O brasileiro consegue fazer bem o combo tipicamente brasileiro de jiu-jítsu com muay thai, porém o wrestling ainda é deficitário, dificultando a possibilidade de transição entre as áreas do jogo.

Diego Ferreira vs Mairbek Taisumov odds - BestFightOdds
 

A receita para derrotar Taisumov já foi ditada pelo brasileiro Michel Trator, responsável pela única derrota do checheno no UFC: paciência e bastante isometria para quedar e manter a luta no solo. Caso o brasileiro faça um outro combate com todo o excesso de agressividade que apresentou em últimos combates, poderá sofrer graves consequências, visto que o representante da Tiger Muay Thai é especialista em capitalizar nesses casos. É nesse cenário que apostamos: Mairbek Taisumov por nocaute no primeiro ou segundo assalto.

Peso Mosca: #5 Joanne Calderwood (ESC) vs. #6 Andrea Lee (EUA)

Por Gustavo Lima

Mesmo com a derrota recente para Katlyn Chookagian, Joanne Calderwood (13-4 MMA, 5-4 UFC) vive a fase mais estável de sua carreira desde que chegou ao UFC. Enfim na categoria de peso correta e em momento em que o peso-mosca começa a tomar forma, “JoJo” se encontra atualmente na quinta posição do ranking nesta divisão. Todavia, conforme a “escada” para o cinturão começa a ficar delineada em uma categoria nova, os desafios tendem a ficar mais complicados.

A escocesa chegou ao status atual que tem na categoria após vencer Valerie Letorneau (num longínquo 2016, primeira luta nesta faixa de peso dentro do UFC), Kalindra Faria e Ariane Lipski. Mesmo após a derrota recente para Chookagian, Calderwood ainda se encontra uma posição acima de Andrea Lee no ranking, o que torna este desafio um bocado complicado para uma luta – em teoria – de recuperação.

Calderwood tem um nível técnico de striking ímpar e carrega em seu histórico uma carreira duradoura e vitoriosa competindo em muay thai e kickboxing. Todavia, a transição para o MMA de JoJo não foi tão fluída assim, deixando desde os tempos de peso palha a impressão de que o potencial da escocesa na trocação ficasse um tanto subutilizado pela dificuldade de lidar com elementos exclusivos do MMA.

Apesar da faixa-azul de BJJ e de um conhecimento trivial da arte suave (que rendeu uma vitória por finalização sobre Kalindra Faria, inclusive), a mistura entre striking e luta agarrada pode trazer alguns problemas para Calderwood. Outra dificuldade que JoJo mostrou até aqui – e inclusive foi crucial para sua derrota contra Katlyn Chookagian – é o problema para encontrar a distância contra atletas de maior estatura. Por vezes muito dependente da aproximação, a atleta engoliu vários golpes significativos na cabeça contra a americana que lhe renderam a derrota.

Após grande começo de carreira entre Invicta e LFA, Andrea “KGB” Lee (11-2 MMA, 3-0 UFC) chegou no UFC ascendendo no ranking do peso-mosca de maneira louvável. Mostrando nível técnico cada vez mais polido, aliado a uma capacidade física notável, a texana carrega atualmente uma sequência de sete vitórias dentro do cage.

Mesmo com estilo de luta baseado primariamente no muay thai, o grappling de Lee tem tido uma melhora significativa nos últimos anos de sua carreira. A loira chegou a anotar uma quantidade considerável de vitórias por finalização antes de chegar ao UFC, o que pode ser um grande diferencial no combate deste sábado.

Andrea Lee é dona de maior estatura/envergadura e não demonstra até aqui uma dependência tão grande de estar no pocket para exercer efetividade na trocação, o que nos leva a crer que apesar do equilíbrio de nível técnico, o filme pode voltar a se repetir. JoJo gosta de chutar, especialmente baixo, o que pode abrir brechas não só para contragolpes por cima, mas para a estadunidense arriscar a luta agarrada, parte do jogo onde é definitivamente favorita contra Calderwood.

Andrea Lee vs Joanne Calderwood odds - BestFightOdds
 

JoJo é perigosíssima e tem fundamentos de sobra em pé, mas a sua capacidade sempre parece subutilizada pela dificuldade que tem de se adaptar ao estilo de luta das adversárias e a pouca inventividade demonstrada dentro do cage. A sensação é sempre a mesma: a escocesa faz seu pão com manteiga, ganha de atletas que aceitam esse jogo, mas tem grande dificuldade contra oponente que estão um pouco acima da curva e/ou sabem explorar essa fraqueza.

Por mais que JoJo tenha um striking mais completo e polido que Andrea Lee, todos os pontos supracitados fazem com que seja muito mais fácil apostar na KGB. Veredito: Andrea Lee por decisão