Por Edição MMA Brasil | 16/08/2019 10:15

Depois de alguns eventos que não empolgaram tanto os fãs, chegou a hora de voltar as atenções para mais um forte card. O UFC 241 acontece neste sábado no Honda Center, em Anaheim, Califórnia, trazendo um duelo gigante na luta principal e mais um punhado de combates relevantes e lutadores ranqueados.

A luta principal marca a segunda defesa do cinturão dos pesados de Daniel Cormier. O desafiante será Stipe Miocic, exatamente a quem o campeão desbancou para conquistar o título, em julho do ano passado.

Um incrivelmente relevante confronto no peso meio-médio entre dois leves naturais será disputado entre o ex-campeão Anthony Pettis e o ex-desafiante Nate Diaz. Eles sucederão o combate que deve apontar o próximo desafiante do peso médio entre o veterano Yoel Romero e o embalado Paulo Borrachinha.

Dois outros prospectos estarão em ação nos combates que abrem o card principal. No primeiro, Ian Heinisch mira o top 10 dos médios contra Derek Brunson. Em seguida, Sodiq Yusuff pega Gabriel “Moggly” Benítez, pelo peso pena.

O UFC 241, que será transmitido ao vivo e na íntegra pelo canal Combate, terá início às 19:30h. Já a porção principal do evento está marcada para ir ao ar a partir das 23:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Cinturão Peso Pesado: C Daniel Cormier (EUA) vs. #1 Stipe Miocic (EUA)

Por Alexandre Matos

Fazer história é com Cormier (21-1 no MMA, 11-1 no UFC). Em 2018, ele se tornou o primeiro a começar o ano defendendo o cinturão dos meios-pesados e a terminar defendendo o dos pesados, que foi conquistado no meio da temporada. Isso fez dele o primeiro campeão simultâneo das duas categorias mais pesadas do UFC e, na época, o segundo a ter dois cinturões ao mesmo tempo na história da maior organização do MMA mundial. No ano passado, ele nocauteou Volkan Oezdemir, finalizou Derrick Lewis e aplicou um nocaute sensacional no oponente deste sábado.

Não só os resultados históricos, mas o talento raro fazem de Cormier um dos maiores lutadores de todos os tempos, peso por peso. O wrestling sempre foi e será o principal aspecto do jogo do ex-capitão da seleção americana de luta olímpica, quando foi semifinalista em Atenas. Daniel é um mestre do go-behind, de chegar às costas e de encontrar pontos para finalizar ou nocautear no ground and pound. Estar no clinch com ele é como chamar o diabo para dançar: DC pode derrubar de qualquer posição e ainda dispara socos curtos, especialmente o uppercut, com uma potência capaz de tombar búfalo. Apesar do físico que engana os desavisados, Cormier é muito ágil, rápido e ataca muito bem também na longa distância, capaz até de chutes altos. Ele não tem uma defesa de quedas inexpugnável e tem um ponto fraco visível na linha de cintura. Porém, encaixa golpes como poucos, com um queixo duro de dar medo.

Recordista de defesas consecutivas no peso pesado, Miocic (18-3 no MMA, 12-3 no UFC) estava chegando naquela aura de invencível, depois de superar uma Arena da Baixada lotada para nocautear Fabricio Werdum e enfileirar Junior Cigano, Francis Ngannou e Alistair Overeem em seu reinado. Foi quando esteve diante de Cormier, que o nocauteou de forma brutal na metade do primeiro assalto do UFC 226.

Para se tornar um dos maiores pesados da história do UFC, Miocic levou o feijão com arroz a um nível de requinte muito elevado. Seu jogo é basicamente definido pela tradicional escola americana, que soma o boxe com o wrestling. Porém, Miocic executa as duas modalidades à perfeição no MMA. Ele tem um jogo de pernas fluido, que permite o lançamento de combinações longas, de muita potência e excelente precisão, mesmo quando está recuando. Essa movimentação ainda o auxilia a conseguir entradas de queda com tempo muito bem executados e que são difíceis de se prever e defender. Inclusive o fator surpresa de seus ataques é uma chave para o sucesso do descendente de croatas. Defensivamente, ele desguarnece o bloqueio quando retorna de um soco, o que causou o nocaute contra Cormier.

Daniel Cormier vs Stipe Miocic odds - BestFightOdds
 

Sábado será um belo dia para se estar vivo.

Para Miocic conseguir um resultado diferente atuando do modo de sempre, é preciso refletir sobre dois pontos. Cormier já foi derrubado, mas isso aconteceu quando estava fragilizado pelo corte de peso. Com a vantagem da força, é mais complicado acreditar que Stipe conseguirá suplantar um oponente claramente superior no wrestling.

O outro ponto é o boxe. Na teoria, Miocic tem maior capacidade de controlar a distância, mas estará diante de um sujeito mais rápido e provavelmente com maior capacidade de produzir nocaute. Para piorar a situação do desafiante, Cormier tem como uma de suas especialidades encurtar a distância. Enquanto o duelo estiver na distância, Cormier deverá cortar em ângulos para atingir o desafiante com algum petardo de dentro do raio de ação, forçando Miocic a encarar o combate corporal que tanto agrada o detentor do cinturão.

Miocic é um grande lutador, mas Cormier é superior. Se o campeão não sentir a idade e a última cirurgia, a aposta é que mais uma vez DC vai chegar ao pocket, mas agora aplicará uma queda e vencerá no ground and pound no terceiro assalto.

Peso Meio-Médio: #9 LW Anthony Pettis (EUA) vs. Nate Diaz (EUA)

Por Gustavo Lima

Apesar do extenso currículo e dos cinturões conquistados ao longo de sua jornada nas artes marciais mistas, não é exagero dizer que Anthony Pettis (22-8 MMA, 9-7 UFC) vem de um dos maiores resultados de sua carreira. Após retrospecto irregular em suas últimas lutas como peso leve, a tentativa improvável e arriscada nos meios-médios terminou bem-sucedida, com o “Showtime” anotando um dos nocautes mais notáveis do ano contra o talentoso Stephen Thompson.

Mesmo levando para casa a bolada de U$ 50 mil pelo desempenho da noite na ocasião, a atuação de Pettis no primeiro round aliada a queda de produção que vimos do ex-campeão nos últimos três anos continua levantando muitos questionamentos a respeito do quão longe o mesmo pode chegar em sua nova faixa de peso.

Outrora temido por seu estilo de striking arrojado e rápido, sempre auxiliado por sua inventividade em pé e consistência no jiu-jitsu, o atleta da Roufusport tem deixado a desejar desde que perdeu a cinta para Rafael dos Anjos em 2015. Ainda que todos os seus algozes tenham sido atletas de primeira linha dentro da organização, Pettis teve algumas atuações muito aquém do esperado. Nesse meio tempo (que ainda inclui uma passagem frustrada pelo peso-pena) não era atípico ver Anthony desacreditado pelas casas de apostas e analistas, com atuações lentas e sem foco.

Nesse contexto, podemos dizer que o UFC foi um bocado generoso com o ex-campeão ao oferecer um duelo contra Nate Diaz (19-11 MMA, 14-9 UFC). Sujeito de forte apelo midiático, o mais novo dos irmãos de Stockton vem de um longo período de três anos sem pisar no octógono, quase sempre envolvido em negociações de luta frustradas e um tom latente de quem realmente não tem mais todo esse interesse em competir no alto escalão do MMA.

Diaz retorna ao peso meio-médio após os dois combates contra Conor McGregor. O dado de que ambos os atletas foram consagrados na categoria de baixo até poderia ser interpretado com certa simetria, não fosse a performance incrível que Pettis teve contra Wonderboy. Embora tenha em seu histórico uma passagem breve pela faixa de peso até 77kg, Nate nunca conseguiu vencer alguém com tanta relevância assim.

Ainda que consideremos todos os altos e baixos vivenciados por Pettis em sua carreira recente, o mesmo é um lutador ativo, perigoso e motivado, adjetivos que não podem integralmente serem encaixados em Diaz nesta situação. Obviamente não podemos desconsiderar o talento que Nate possui tanto no boxe quanto no chão, mas a disparidade soa muito grande quando consideramos os 36 meses de ausência e a conduta midiática de atleta semi-aposentado que não parece se importar mais com muita coisa além do holerite.

Na revanche contra McGregor, último duelo antes da pausa, vimos um Nate pesado e lento, com condição física abaixo da ideal para utilizar satisfatoriamente todos os bons fundamentos que possui. Apesar da maior envergadura e da excelente qualidade de seu boxe, a probabilidade de enxergar Diaz sendo superior a Pettis por 15 minutos quando analisamos todas as variáveis em jogo aqui é consideravelmente menor. Nocaute ou finalização, menos ainda.

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Pettis pode estar muito longe de ser o bicho-papão que foi um dia no peso leve, mas ainda está muito longe de ser um refugo dentro do MMA. Um lutador que nos últimos três anos tem finalizações contra Charles do Bronx e Michael Chiesa e vem de nocaute sobre Stephen Thompson, não deve ser subestimado. Apesar do talento de Diaz e do divertido duelo que seu estilo agressivo e imprevisível pode oferecer, seria loucura não acreditar que Pettis é favorito nesse confronto, inclusive com chances consideráveis de vitória pela via rápida.

Peso Médio: #2 Yoel Romero (CUB) vs. #7 Paulo Borrachinha (BRA)

Por Pedro Carneiro

Depois de trocentas tentativas, parece que finalmente essa luta vai sair do papel (sai zica!) e Yoel Romero (13-3 no MMA, 9-2 no UFC) enfrentará o desafeto brasileiro. O cubano que por muito pouco não foi obrigado a subir de categoria pelo UFC, volta um ano depois de um dos melhores combates de 2018, na disputa de cinturão contra Robert Whittaker.

Após a chegada no UFC, o “Soldado de Deus” teve uma trajetória impressionante para um sujeito que fez a sua estreia no MMA aos 32 anos e chegou ao UFC aos 36. Aniquilou Clifford Starks, obliterou Ronny Markes, fez maldade com os cotovelos contra Derek Brunson, distribuiu quedas contra Brad Tavares e nocauteou violentamente Tim Kennedy após ficar atordoado por um golpe limpo do ex-militar que segurou a luva do cubano e receber mais tempo para descansar entre os rounds em uma atuação do árbitro que homenageou as compensadas dos juízes do futebol brasileiro. Todas essas vitórias o colocaram no caminho da realeza da divisão, e Yoel fez jus a oferta tratorizando Lyoto Machida, vencendo Jacaré em uma luta polêmica e subtraindo a longevidade de Chris Weidman com uma joelhada voadora que parecia um tiro. A disputa de cinturão veio, e a primeira derrota no UFC também, mais um nocaute violento, mais uma carreira abreviada, dessa vez nocauteando Luke Rockhold e o cubano recebeu mais uma chance pelo cinturão, onde foi mais uma vez derrotado por Robert Whittaker.

As credencias no wrestling são excelentes: medalhista de prata nas Olimpiadas de Sydney, campeão, duas vezes prata e duas vezes bronze, no mundial, campeão pan-americano e por aí vai. Era conhecido no esporte olímpico por gostar de dar show – o que muitas vezes colocava em risco até mesmo o resultado das lutas, e na adaptação ao MMA não foi diferente. As quedas além de eficientes, são plásticas, a aproximação, controle e tudo mais são do nível estelar que se esperava de um medalhista olímpico. O jiu-jitsu é razoável, principalmente defensivamente, o que permitiu que o cubano sobrevivesse até aos ataques de Jacaré. Como se todo o passado na luta agarrada não fosse o suficiente, o irmão de Yoel se aposentou como campeão mundial de boxe da IBF e The Ring, isto significa que Yoel usa muito bem o boxe, com combinações simples, mas que se tornam mortais, graças a um poder de nocaute monstruoso. O preparo físico é ótimo para um sujeito de 42 anos de idade, e a queda de rendimento que costuma aparecer nesse estágio da carreira ainda não apareceu, embora haja uma grande dificuldade no que se refere a bater o peso da categoria.

Apontado como uma das esperanças de renovação no MMA brasileiro, Paulo Borrachinha (12-0 no MMA, 4-0 no UFC) enfrentará o maior desafio da sua carreira no próximo sábado. O mineiro iniciou seu relacionamento com o UFC através do TUF Brasil 3, quando fez parte do time de Wanderlei Silva e foi derrotado já na primeira luta, contra Márcio Lyoto. Ainda estava imaturo no esporte, e após quatro vitórias por interrupções (3 nocautes e 1 finalização), recebeu o convite para enfrentar Garreth McLellan no UFC Fortaleza. Com uma atuação agressiva, Borrachinha foi agraciado com o bônus de desempenho da noite e partiu para uma ascensão meteórica. Nocaute sobre Oluwale Bamblose em junho de 2017, nocaute sobre o ex-campeão Johny Hendricks três meses depois e mais um nocaute e um novo bônus de desempenho da noite no último compromisso, contra Uriah Hall, ano passado no UFC 226.

Carismático, jovem e com um estilo de luta que agrada o público, Borrachinha ainda aparenta ser um lutador unidimensional, é necessário porém mencionar que o brasileiro ainda não permitiu que os adversários o forçassem a usar outras ferramentas, e o físico robusto também deixa indícios que a grande quantidade de massa muscular torna inviável o alto desempenho em lutas longas e cansativas. Isto posto, Paulo Borrachinha possui uma virtude que atenua dificuldades técnicas, que é a capacidade de atrair os adversários para o olho do furacão. Um pouco pelo estilo de luta, um pouco pela linha afiada, mas o importante é que até hoje os adversários não se contiveram e entraram em conflito aberto contra o mineiro e aí a força, explosão e precisão permitiram que o nocaute chegasse. O estilo é baseado em golpes fortes, principalmente os retos, com chutes potentes, com destaque aos de linha de cintura. Paulo gosta de pressionar os adversários, buscando a troca franca, o que o torna muitas vezes passivo quando o adversário recusa o convite para a pancadaria. O wrestling e o jiu-jitsu ainda não nos foram apresentados, embora a iniciativa do brasileiro em ir treinar nos Estados Unidos com Eric Albarracin revele ao menos um interesse em melhorar e um entendimento de onde há necessidade de fechar os buracos do seu jogo.

Paulo Costa vs Yoel Romero odds - BestFightOdds

O combate tem muitos “poréns” que inviabilizam a simples análise de quem é mais técnico para definir o vencedor. Qualquer observador que entenda o mínimo do mínimo de luta consegue compreender que Yoel Romero é mais técnico que Borrachinha em todos os aspectos do jogo, e com larga margem. O problema é que muitas perguntas cercam o cubano; ele irá conseguir bater o peso? Se bater, os efeitos do corte não irão interferir no seu desempenho? Até quando um atleta de 42 anos irá lutar sem virar o fio? O jeito showman e maluco de Yoel não é arriscado demais? Enfim, todas e cada uma dessas respostas podem interferir demais na peleja.

Romero é maluco, mas não é burro. Caso resolva ir para dar show na troca de golpes e resolva deliberadamente entrar na zona de conforto de Borrachinha, as chances de ser nocauteado são grandes. Nós já vimos o cubano abalado depois de duros golpes de Kennedy e Ronaldo Jacaré. Yoel também costuma se poupar em momentos da luta para explodir de repente, isto precisa ser feito com muita cautela, para não permitir que o brasileiro use a explosão de vários golpes para implodi-lo. O condicionamento físico de ambos também é um fator importante, já que em um confronto de matadores, se cansar tem o mesmo efeito que apontar uma arma para a própria cabeça.

Contudo, Romero possui uma perícia que o coloca em vantagem no combate; o wrestling. Em uma abordagem mais conservadora, ou para sair de uma situação de risco, é muito provável que nem a enorme força de Borrachinha o deixe de pé e, a partir disso, o “Soldado de Deus” tem uma clínica geral de golpes violentos para acabar com a luta. Além disso, qualquer queda de condição física de Borrachinha, ou simplesmente uma desatenção, são um pedido para as famosas explosões de Yoel, que até hoje levaram todos os seus oponentes para um tour pelo inferno.

Por conta de todos os fatores citados e por razão do estilo de ambos afetar no casamento da luta, Borrachinha tem chances reais de vencer, mas a aposta aqui e a maior probabilidade é a de que a técnica e experiência definirão a luta a favor de Yoel Romero.

Peso Médio: #8 Derek Brunson (EUA) vs. #10 Ian Heinisch (EUA)

Por Bruno Costa

Derek Brunson (19-7 no MMA, 10-5 no UFC) parece cada vez mais consolidado como porteiro da categoria. O explosivo peso médio chegou a ostentar uma bela sequência de cinco vitórias com direito a quatro interrupções consecutivas, mas sempre que teve a oportunidade de enfrentar um lutador integrante da elite da divisão acabou barrado.

Se no início da carreira e chegada ao UFC Brunson se caracterizava como um wrestler pouco empolgante e que dependia muito das quedas para sair vencedor do octógono, após descobrir a potência dos punhos e aprender a utilizar melhor sua força física e explosão, se apaixonou pela arte de deitar corpos no chão e abandonou as origens.

Com boa base no wrestling e ótima capacidade de ameaçar arrancar a cabeça dos oponentes, falta a Brunson capacidade de mesclar as ações entre troca de golpes e jogo de chão. Quando tentou as quedas em seus últimos desafios, acabou telegrafando demais as entradas e teve mais dificuldades para finalizar os movimentos. Na troca de golpes, falta volume e aposta excessivamente em um golpe derradeiro que ponha fim ao combate. Quando não funciona, acaba acuado pelos adversários e as dificuldades técnicas beiram o constrangimento, tamanha a falta de ideias do americano.

Aprovado com sobras em duros desafios nos dois primeiros combates no octógono, Ian Heinisch (13-1 no MMA, 2-0 no UFC) busca a terceira vitória consecutiva para se firmar como um top 10 legítimo no peso médio da organização.

Muito explosivo e com bom condicionamento físico, o “Furacão” busca incessantemente pressionar seus rivais contra a grade se utilizando da ameaça que representa sua dura mão direita. De lá, além do perigo que representa trocando porradas na curta distância, tem facilidade em buscar quedas e trabalhar com violência absurda no ground and pound. A agressividade que apresenta no cage pode custar caro, uma vez que por diversas ocasiões se expõe em excesso e possibilita ao adversário que se coloque em posição de vantagem.

Contudo, demonstrou contra dois jiu-jiteiros de muito boa qualidade e competentes entradas de quedas que evoluiu muito tecnicamente no grappling defensivo. Apesar de ter sido colocado de costas para o chão, não sofreu perigo real de finalização mesmo contra Cara de Sapato, um dos melhores lutadores de solo da divisão.

Derek Brunson vs Ian Heinisch odds - BestFightOdds

A maior dificuldade de Heinisch será se proteger com competência da sua própria agressividade, que dará chances a Brunson se utilizar do que tem de melhor: contragolpes potentes com a mão esquerda.

Mantendo a pressão e o alto ritmo em que gosta de trabalhar, a aposta é que Heinisch imprima um volume de ações que não permita ao oponente ter tranquilidade para encontrar seu queixo, uma vez que apesar de muito potente, falta a Brunson refino técnico e precisão para acertar os rivais enquanto caminha para trás sendo pressionado contra as grades.

Peso Galo: #3 Raphael Assunção (BRA) vs. #9 Cory Sandhagen (EUA)

Por Rodrigo Rojas

Contender perene da categoria dos galos, Raphael Assunção (27-6 no MMA; 11-3 no UFC) figura na maior organização mundo desde 2011. Oriundo do extinto WEC, o brasileiro estreou com uma derrota para Eric Koch por nocaute. Desde então, emendou duas sequências de vitórias muito expressivas, interrompidas por derrotas para TJ Dillashaw e Marlon Moraes – ambas em revanches de lutas que Raphael havia vencido.

Oriundo do jiu-jitsu, Assunção evoluiu a ponto de tornar-se um dos lutadores mais completos da categoria. A luta agarrada, que segue de elite, é apoiada por um wrestling bastante efetivo, com excelente defesa de quedas e capacidade de derrubar os adversários quando julga necessário.

O ponto de maior evolução, porém, foi o jogo em pé. O muay thai de Raphael hoje é suficiente para bater de frente com os supracitados Marlon e Dillashaw, especialistas na área. Ele conta com uma movimentação efetiva e golpes precisos, aliando as combinações de boxe aos chutes para quebrar o ritmo dos oponentes. Apesar disso, o jogo poder ser um tanto burocrático, já que Assunção dificilmente busca a interrupção, preferindo controlar o adversário e pontuar, evitando maiores riscos.

Se tem um peso galo que antagoniza jogos burocráticos, este é Cory Sandhagen (11-1 no MMA; 4-0 no UFC). O americano de 27 anos estreou no ano passado e, depois de apenas quatro lutas na organização, já é cotado entre os 10 melhores da categoria, recebendo grandes oportunidades, como a última luta, em que conquistou a maior vitória da carreira – contra John Lineker – e o duelo deste sábado.

O prestígio de Sandhagen é gerado justamente pelo estilo de luta animado: ele costuma jogar toda sorte de golpes para cima dos oponentes, incluindo socos, chutes e joelhadas voadoras, além dos agressivos botes em finalizações. A resistência e o coração mostraram-se muito acima da média contra Iuri Marajó, ainda que a parte técnica não seja das mais finas, especialmente no âmbito defensivo. Cory engole muitos golpes em pé, além de ter uma defesa de quedas deficitária.

Em contrapartida, a parte ofensiva é bonita de se ver. Ele combina os golpes em pé muito bem, mesclando ataques em todos os níveis com uma pressão incessante, além de fluir muito bem entre o a luta em pé e a luta agarrada, onde já mostrou que sabe se virar.

Cory Sandhagen vs Raphael Assuncao odds - BestFightOdds

A luta de sábado parece ser um confronto de opostos. Raphael, já veterano, tem um jogo burocrático e cadenciado. Além disso, mostrou-se muito consistente e, mesmo assim, não recebeu grandes impulsos da máquina promocional do UFC. No outro lado, o recém-chegado Sandhagen tem um estilo totalmente voltado para o entretenimento e, talvez por isso, já figura no top 10 com pouco mais de um ano dentro da organização.

É difícil prever como Assunção aparecerá depois da derrota acachapante na última luta. Caso consiga atuar como de costume, o brasileiro tem totais condições de dominar o agressivo adversário, tanto em pé quanto no chão. Por isso, a aposta é em Raphael, em uma decisão confortável, freando a ascensão meteórica de Cory. Porém, não será surpresa se a chave do veterano já tiver virado e Sandhagen vença por interrupção.