Por Edição MMA Brasil | 05/07/2019 10:58

A semana mais importante do calendário anual do UFC chega ao seu momento de ápice. No próximo sábado, a imponente T-Mobile Arena será palco do UFC 239, principal evento da 2019 International Fight Week, que terá duas disputas de cinturão e confrontos valiosos nos pontos de vista esportivo e de entretenimento.

O UFC 239 será liderado pelo retorno do maior de todos os tempos. Jon Jones fará a segunda defesa do cinturão reconquistado dos meios-pesados diante da surpresa Thiago Marreta. Antes deles, Amanda Nunes colocará a coroa do peso galo em disputa diante da ex-campeã Holly Holm.

Visando o posto de desafiante dos meios-médios, Ben Askren, número cinco do ranking, tem seu segundo compromisso na organização, agora contra Jorge Masvidal, que está uma posição à frente do rival. Este duelo será precedido pela estreia de Luke Rockhold como meio-pesado diante de Jan Blachowicz, sexto do ranking. Abrindo o card principal, os meios-médios Diego Sanchez e Michael Chiesa prometem uma batalha na luta agarrada.

O UFC 239 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. O primeiro duelo das preliminares está marcado para às 19:15h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir das 23:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

Cinturão Peso Meio-Pesado: C Jon Jones (EUA) vs. #2 Thiago Marreta (BRA)

Por Alexandre Matos

É uma relação de amor e ódio acompanhar a trajetória de Jon Jones (24-1 no MMA, 18-1 no UFC), sem entrar no mérito das bobagens que ele faz na vida pessoal. Profissionalmente falando, Bones é capaz de ter atuações primorosas contra competição do nível de Daniel Cormier ou Alexander Gustafsson, mas pode também lutar de modo pífio como fez contra Ovince St. Preux e Anthony Smith. Por causa de seu comportamento, fez uma luta por ano de 2014 a 2017 e só conseguiu lutar em 2018 no último sábado do ano. Em compensação, já vai para a segunda apresentação de 2019.

Em ritmo de luta, com 31 anos, Jones é o melhor que o MMA já produziu até hoje, sem entrar no mérito do quanto anabolizantes podem tê-lo ajudado. De qualquer maneira, é um sujeito com uma caixa de ferramentas ofensivas interminável, capaz de atuar com maestria em todas as distâncias. Toda raça de chutes e joelhadas, mais um mar de socos e cotoveladas fazem dele um terror em pé. De quebra, Jones é muito forte fisicamente, com senso de equilíbrio muito apurado, capaz de derrubar com facilidade a partir do clinch. Defensivamente, se protege com a maior envergadura da história do UFC, mas é um alvo acertável especialmente quando o oponente consegue engatar uma sequência maior que dois golpes. Este é o principal ponto a se prestar atenção neste sábado.

Jamais será cansativo aplaudir a caminhada de Thiago Marreta (21-6 no MMA, 13-5 no UFC) no octógono. Ninguém botava fé que ele sequer faria uma luta após o TUF Brasil 2. A estreia foi decepcionante, assim como a segunda derrota, na terceira luta. A partir dali, o carioca da Cidade de Deus conseguiu três séries de quatro vitórias interrompidas por revezes por nocaute no round inicial. Neste momento, Marreta ostenta quatro triunfos seguidos, os três últimos como meio-pesado recebendo bônus. Era difícil acreditar que ele chegaria ao posto de desafiante no UFC e é igualmente difícil negar que ele merece estar aí.

Depois que diminuiu o corte de peso, Marreta se tornou um matador, uma máquina de aplicar nocautes avassaladores. O muay thai desenvolvido por Phillip Lima e aprimorado na American Top Team se tornou uma ferramenta definitiva. Thiago aprendeu a conter o ímpeto, se desgastar menos e explodir em momentos cruciais. Aprendeu também que não precisa focar apenas nos chutes, por mais que eles sejam devastadores. A luta agarrada continua sendo seu maior problema, especialmente a defesa de quedas – esta deve ter sido treinado à exaustão no camp preparatório.

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A grande maioria considera esta luta como favas contadas, praticamente desprezando as chances de Marreta triunfar. Realmente, a missão do desafiante é para lá de espinhosa. Nem mesmo a falta de ritmo que acometeu Jones nos últimos tempos estará ao lado do brasileiro.

Isto posto, há um caminho que pode levar Thiago à glória maior da história do MMA. O ponto falho de Jones de ficar exposto a combinações mais longas encaixa com a capacidade destrutiva de Marreta. O problema será chegar lá. O desafiante terá que evitar ficar muito próximo, sob pena de ser derrubado e aniquilado no ground and pound. E, para ficar na distância, terá que se movimentar muito para não ser jantado pelos jabs, diretos, chutes no abdômen e pisões no joelho que Jones aplica com precisão. Neste carrossel, terá que estudar os movimentos do campeão para saber a hora exata de explodir. Bem, ninguém disse que seria fácil.

Na prática, Marreta vai conseguir alguns bons momentos, mas a aposta é que Jones logo estabeleça o controle da distância, defina o ritmo da luta, varie kickboxing com quedas e chegue à vitória por submissão no terceiro assalto.

Cinturão Peso Galo Feminino: C Amanda Nunes (BRA) vs. #2 Holly Holm (EUA)

Por Diego Tintin

Amanda Nunes (17-4 no MMA, 10-1 no UFC) escreveu seu nome na história do MMA ao atropelar as três mais famosas lutadoras da organização: Ronda Rousey, Miesha Tate e Cris Cyborg. No caminho, conquistou as coroas do peso galo e do peso pena, juntando-se a uma seleta lista que conta com apenas mais seis nomes, todos homens, a conquistar dois cinturões. Sua lista de vítimas inclui ainda a campeã dos moscas Valentina Shevchenko, a ex-campeã Germaine de Randamie, além das desafiantes Sara McMann e Raquel Pennington.

Amanda levou a imposição física a outros níveis no MMA feminino. Forte como cachaça barata, a “Leoa” combina pujança com técnica e inteligência para impor uma pressão quase insuportável às colegas de divisão. O sistema defensivo não é o mais sofisticado, mas ela conta com excelente poder de absorção, que funcionou até contra outro dínamo físico como Cyborg.

A campeã prefere a luta em pé e faz bom uso de seus punhos pesados e razoavelmente precisos. Os chutes, principalmente nas pernas, podem causar estragos e até já lhe renderam um raro nocaute sobre Shayna Baszler. Na luta agarrada, é oportunista e consegue se defender de forma competente. Se há um calo em seu acervo é o condicionamento físico, responsável por sua única derrota no octógono e alguns momentos de grande sufoco. O aspecto positivo é que apresentou melhor dosagem de energias nas lutas contra Pennington e na segunda contra Shevchenko.

Holly Holm (12-4 no MMA, 5-4 no UFC) já era uma estrela do boxe profissional e tinha carreira também no kickboxing quando decidiu se aventurar nas artes marciais mistas. Depois do título no Legacy, chegou ao UFC como candidata a destronar a rainha Ronda Rousey e não decepcionou. Uma surra na medalhista olímpica e Holm garantiu seu lugar na história, apesar de ter perdido a coroa em sua primeira defesa contra Miesha Tate. Na sequência, ficou próxima de conquistar o cinturão peso pena por duas vezes, mas sucumbiu diante de Germaine de Randamie e Cris Cyborg. Nos últimos três anos, venceu apenas duas lutas, contra as limitadas Bethe Correia e Megan Anderson, mas engana-se quem imagina que Holm possa ser luta fácil para qualquer oponente, uma vez que até nas derrotas, a loirinha teve seus bons momentos e jamais ficou muito longe de vencer estes duelos.

Como é de se supor, o ponto forte de Holly está na troca de golpes em pé. Suas mãos são velozes e precisas, as combinações de socos e chutes são de almanaque. O jogo de pernas é precioso, virtude que ajuda na construção ofensiva e no sistema de defesa de quedas. A luta agarrada não é mais um ponto fraco, já que Holm consegue se defender de forma decente e só falhou já muito cansada, no quinto round contra Tate. O problema da “Filha do Pastor” é a dificuldade em aumentar o volume de golpes. Quando tenta, costuma se expor defensivamente. Neste cenário, acaba tendo uma postura hesitante que deixa algumas de suas lutas em um ritmo monótono.

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Amanda está 5-0 contra as lutadoras responsáveis pelas derrotas profissionais de Holm. Então esta luta é uma barbada para a brasileira, certo? Talvez, se MMA fosse ciência exata, e se estilos não tivessem tanta interferência no andamento dos combates. A adversária mais difícil para Nunes nestas oito vitórias seguidas (Valentina Shevchenko) foi justamente uma habilidosa striker, com técnica apurada e velocidade de combinações – um pacote também sustentado por Holm. Neste cenário, a abordagem da campeã precisa ser cautelosa, porém não pode lhe tirar o que ela tem de melhor, que é a agressividade e capacidade de pressionar. Para Holly, o mais indicado é contra-atacar a baiana assim que esta iniciar o movimento ofensivo, para repetir a receita dos melhores momentos de Valentina no segundo encontro com a atual monarca. Por não estar confiante em uma postura mais categórica da americana, vou apostar em vitória de Amanda por decisão.

Peso Meio-Médio: #4 Jorge Masvidal (EUA) vs. #5 Ben Askren (EUA)

Por Alexandre Matos

Veterano com mais lutas que aniversários, Jorge Masvidal (33-13 no MMA, 10-6 no UFC) é um baita sujeito, daqueles que dificilmente vão perder o emprego. Ele fica por ali ganhando umas lutas do nada, e também perdendo outras do nada. Jorge tem a manha de perder pro Rodrigo Damm e Lorenz Larkin, assim como pode lascar a porrada em gente como Donald Cerrone e Darren Till. Desse jeito, engrossando para Demian Maia, entregando para Al Iaquinta, ele vai empolgando o povo (nem sempre) e mantendo o posto no elenco do UFC.

Nem é preciso dizer que Masvidal é muito inconstante. Ele tem boa técnica no boxe, coragem adquirida nas brigas de quintal, mas poderia chutar mais. Suas habilidades no chão são notórias, tanto a capacidade de capitalizar os botes quanto para escapar de berimbolos e pressões. Porém, o wrestling poderia ser melhor para que ele não dependesse de sofrimento para chegar às posições de definição. O condicionamento físico melhorou como meio-médio, mas nem sempre ele consegue aplicar pressão necessária – às vezes falta a explosão que sobrou contra Till e Cerrone.

Depois de varrer o Bellator, embolsar rios de dinheiro no ONE e ser xingado de tudo o que é nome por Dana White, parecia que Ben Askren (19-0 no MMA, 1-0 no UFC) tinha encerrado suas atividades no MMA. Porém, para surpresa de todos, ele foi trocado pelo ex-número um peso por peso Demetrious Johnson. Com mais de um ano parado, deram Robbie Lawler na mão dele, com intenção clara que enterrar o antigo desafeto. Realmente, Askren chegou até a sentar no colo do palhaço, mas acordou a tempo e virou uma luta perdida com uma finalização que o filho do capeta reclama até hoje.

Bicampeão da Divisão I da NCAA, duas vezes vice, duas vezes vencedor do Dan Hodge Trophy como melhor wrestler universitário do ano, campeão americano sênior, multimedalhista no circuito mundial, campeão mundial de grappling, integrante da seleção olímpica dos Estados Unidos. Podemos dizer que Askren conhece uma coisa ou duas da principal ferramenta do MMA. Sempre faltou a ele capacidade técnica na troca de golpes e não vai ser agora depois de velho que isso vai mudar. Porém, convenhamos, nunca lhe fez falta, tamanha a facilidade de ter os oponentes debaixo de si. O que ele melhorou nos últimos anos foi o senso de urgência no ground and pound.

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Taí uma luta interessante demais. Na teoria, Askren passaria por cima da falta de wrestling de Masvidal e o jantaria no chão. Porém, o “Gamebred” teve três momentos cruciais nos últimos dois anos e meio que fazem com que este cenário de facilidade não se concretize.

Demian, um gênio do jiu-jítsu, teve enormes dificuldades para lidar com a astúcia defensiva de Masvidal. Isso significa que, por melhor que Askren seja no controle posicional em relação ao brasileiro, Jorge pode escapar. Uma vez saindo de baixo do ex-campeão do Bellator, os duelos contra Cerrone e Till mostram que Masvidal pode fazer o que Lawler não conseguiu: promover o encontro do “Funky” com o fundo da vala.

Tendo a apostar em Askren por decisão, mas a possibilidade de Masvidal nocauteá-lo é concreta.

Peso Meio-Pesado: #6 Jan Blachowicz (POL) vs. Luke Rockhold (EUA)

Por Pedro Carneiro

Jan Blachowicz (23-8 no MMA, 6-5 no UFC) vinha de uma série de quatro vitórias, batendo em sequência Devin Clark, Jared Cannonier, Jimi Manuwa e Nikita Krylov, até ser nocauteado por Thiago Marreta, em fevereiro deste ano. A derrota ocorrida em Praga atrapalhou a ascenção do polonês, que começava a se destacar em uma categoria terraplanada por Jon Jones e Daniel Cormier.

Ex-campeão do KSW, Blachowicz se destacou com um kickboxing de volume e habilidade, estreando com um rápido nocaute com chute no corpo sobre Ilir Latifi, algo que foi se desvanecendo nas primeiras lutas no UFC. O desvio de rota foi corrigido ao se adicionar um eficiente, porém burocrático, jogo de quedas e um jiu-jítsu metódico, treinado com o brasileiro Joe Moreira, que deu a faixa preta ao polonês na modalidade. A mudança o transformou em um lutador menos previsível e permitiu que Jan tivesse mais recursos na sua caixa de ferramentas. Não a toa, o polonês conseguiu duas finalizações – ambas muito peculiares, diga-se de passagem – nestas quatro últimas vitórias, estrangulando Devin Clark com uma gravata de porteiro em pé, e Krylov com um triângulo de mão partindo de uma posição pouco tradicional.

Estreando na categoria dos meio-pesados, Luke Rockhold (16-4 no MMA, 6-3 no UFC) tenta se reinventar após as traumáticas derrotas para Michael Bisping e Yoel Romero, intercaladas pela vitória contra David Branch. O primeiro revés, que lhe custou o cinturão dos médios, foi em um contrangedor nocaute marcado pela displicência que o californiano apresentou durante a luta. Já contra Yoel Romero, Luke até começou bem, mas foi obliterado pela explosão e violência do cubano em um dos nocautes mais violentos do ano passado.

Rockhold é um excelente exemplar da safra de lutadores modernos que praticam o MMA de forma fluída, sem necessariamente vir de um estilo originário. A troca de golpes é marcada por um excelente controle de distância, potencializado pela boa envergadura do americano. Os chutes são variados tanto em variedade quanto em altura, além disso, Luke sabe trabalhar muito bem na curta distância. No chão, também é versátil, seja com finalizações agudas e objetivas ou com um ground and pound agressivo. No que se refere aos problemas, destacam-se as brechas defensivas na trocação, onde em algumas situações a guarda fica exposta e vulnerável para receber golpes, além do início lento que já o colocou em problemas em algumas oportunidades.

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Não sabemos como Rockhold irá se encaixar na nova categoria; como vai lidar com a maior quantidade de massa, como estará o condicionamento físico, como resistirá aos golpes mais pesados dos adversários. Contudo, considerando que Luke sempre aparentou ser um lutador profissional e que pensa nos passos que vai dar na carreira, vamos considerar que ele chegará bem no combate. Sendo assim, o americano é melhor que o polonês em todas as áreas do jogo e deve usar o domínio de distância para levar a luta na decisão, ou usar o seu jiu-jítsu para findar a luta com uma das suas finalizações rápidas e oportunistas. Caso o antigo Blachowicz decida dar as caras, teremos um combate de excelente nível em pé, e aí os descuidos de Rockhold com a guarda podem cobrar um preço alto. Porém, a aposta aqui é a de que Luke conseguirá o seu primeiro triunfo na categoria.

Peso Meio-Médio: Diego Sanchez (EUA) vs. Michael Chiesa (EUA)

Por Thiago Kühl

É muito fácil apresentar Diego Sanchez (29-11 no MMA, 18-11 no UFC). Na organização desde 2005, ano em que foi campeão da primeira edição do TUF ainda como peso médio, Diego chegou a disputar o cinturão dos leves contra BJ Penn em 2009. É conhecido também por ter feito lutas antológicas, como a recém promovida ao rol da fama contra Clay Guida e a pancadaria desenfreada contra Gilbert Melendez. Anos atrás, desceu aos penas, perdendo para Ricardo Lamas em sua estreia na categoria e imediatamente retornando ao peso leve. Nos últimos dois anos, voltando à categoria dos meios-médios, ele guarda um cartel de 2-2, tendo vencido apenas o limitado Mickey Gall e o já demitido Craig White, com derrotas por nocautes brutais na conta de Al Iaquinta e Matt Brown.

Agressivo ao extremo, com punhos rápidos, explosão e capacidade de impor pressão, Diego tinha também um queixo resistente como aço, adorando uma pancadaria e não fazendo muita questão de se defender. Além disso, sempre teve um bom nível de wrestling e um jogo de chão invejável, deixando claro que se tivesse se preocupado mais com o lado defensivo, poderia ter chegado ainda mais longe. O problema de Sanchez é que os 37 anos já pesam nas costas de um veterano com 40 lutas na carreira. O queixo já esta totalmente arrefecido e a pressão e agressividade não são mais as mesmas. O condicionamento físico, se comparado ao passado, também deixa muito a desejar. Assim, sobra em Diego um ótimo grappler que, se subestimado, pode dar trabalho para incautos descuidados.

Michael Chiesa (15-4 no MMA, 8-4 no UFC), assim como seu adversário, é mais um daqueles carregadores de piano que o MMA dá aos fãs como um presente. Com um coração do tamanho do mundo, o americano foi campeão do “TUF 15: Live” num dos momentos mais emocionantes da série, se mantendo no programa mesmo após a morte do pai e, na final, batendo o favorito Al Iaquinta. Após o programa, venceu sete das onze lutas que realizou no UFC, sendo as dez primeiras como peso leve. Ele chegou a flertar com a elite ao emendar três vitórias seguidas, mas as derrotas para Kevin Lee e Anthony Pettis, aliadas a uma grande dificuldade de cortar o peso até 70kgs, fizeram Chiesa decidir subir para os meios-médios. Na nova categoria, estreou com vitória sobre Carlos Condit, em dezembro.

Mike sempre foi um lutador praticamente unidimensional. Pouco versado na arte da trocação, ele se valia da maior força e tamanho para levar os adversários para o solo e implementar um jogo de chão com boas transições e extremamente oportunista. Em alguns momentos dos últimos anos, pareceu começar a mostrar evolução, dando a impressão que tinha condições de disputar um espaço na parte mais alta do ranking. Porém, sempre que esteve a frente de oposição de boa qualidade, sofreu derrotas claras, como nos combates contra Lee e Pettis, colocando dúvidas sobre a real possibilidade de Chiesa alçar voos mais altos no evento.

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Uma luta que envolva dois grapplers com corações tremendos, ainda mais sendo os dois aqui envolvidos, pode facilmente descambar para uma pancadaria sem limites, acabando com alguém esticado no chão ainda no primeiro round. Se isso acontecer, aposto que a maior resiliência de Chiesa deve prevalecer. Diego não tem mais a capacidade de absorver golpes como no passado e, mesmo na base da grosseria e zero técnica, não duvidaria de um nocaute de Mike. Porém, não acredito que este seja o cenário mais provável. Até pode ser que vejamos alguma trocação, mas o esperado é que aconteça uma batalha no grappling, com o maior porte físico do Maverick se sobressaindo e com ele conseguindo uma vitória na decisão ou numa finalização tardia.