Por Edição MMA Brasil | 06/06/2019 11:20

Depois de um evento feito praticamente para vender ingresso no Rio de Janeiro, a maior organização do mundo volta com força para o evento numerado seguinte. O card preliminar do UFC 238 está mais forte do que a maioria dos principais de Fight Night.

Duas claras eliminatórias puxam a fila das preliminares. No peso palha, Tatiana Suarez e Nina Ansaroff lutam pelo posto de primeira desafiante de Jéssica Andrade. Já no peso galo, Aljamain Sterling e Pedro Munhoz tentam a vaga para enfrentar o vencedor de Henry CejudoMarlon Moraes pelo cinturão da divisão.

A porção inicial do UFC 238 tem ainda mais três confrontos entre ranqueados. A polonesa Karolina Kowalkiewicz, número 10, encara a mexicana Alexa Grasso, número 13, no peso palha. O 10º dos penas, Ricardo Lamas, defende a posição contra o 15º em Calvin Kattar. Ainda, Katlyn Chookagian, número 2 do peso mosca, bate de frente com a número 6, Joanne Calderwood.

Completando o card, a chinesa Xiaonan Yan enfrenta a americana Angela Hill, no peso palha; o peso médio estadunidense Bevon Lewis recebe o inglês Darren Stewart, enquanto o veterano Eddie Wineland vai se aproximando da aposentadoria diante do russo Grigory Popov, pelo peso galo.

Peso Palha: #2 Tatiana Suarez (EUA) vs. #3 Nina Ansaroff (EUA)

Por Alexandre Matos

Algumas pessoas achavam que Tatiana Suarez (7-0 no MMA, 4-0 no UFC) era muito inexperiente quando entrou no TUF 23, com apenas três combates no MMA profissional. Porém, ela fez no programa o mesmo que fez antes e segue fazendo até agora: passou por cima de geral. Tatiana ainda não sabe o que é passar aperto depois de anquilar Amanda Cooper – na final do TUF -, Viviane Sucuri, Alexa Grasso e Carla Esparza.

Companheira de equipe de um punhado de porradeiros da pesada na Millenia MMA, Tatiana vai se tornando uma máquina de moer gente. Ela é enorme para a categoria, o que ajuda muito a impor a estratégia de derrubar e sufocar no chão, seja com um ground and pound violento ou com botes oportunistas visando uma finalização. Ela é a melhor wrestler do MMA feminino, contando a também medalhista olímpica Sara McMann. Duas vezes medalhista de bronze em mundiais, ela era cotada a subir no pódio em Londres-2012, mas uma lesão no pescoço a fez descobrir um câncer na tireoide. Ou seja, a menina não tem mais a tireoide e ainda assim tem uma produção física assustadora no octógono. Para piorar a vida da concorrência, o muay thai de Suarez evolui a cada luta, deixando de ser uma mera ferramenta de aproximação.

O MMA é farto de belas histórias de recuperação. Quem escreve uma delas é Nina Ansaroff (10-5 no MMA, 4-2 no UFC). A esposa da multicampeã Amanda Nunes chegou ao UFC com 6-3 e perdeu de cara as duas primeiras. Tinha tudo para levar a bota, mas conseguiu uma recuperação incrível, enfileirando quatro triunfos, completando a série com uma vitória dominante sobre Claudia Gadelha, considerada por muito tempo top 3 do mundo.

A atuação contra Gadelha é um retrato fiel do nível que Ansaroff atingiu. Ofensivamente, os jabs foram a ferramenta principal, abrindo caminho para alguns ganchos e diretos, além de eventuais chutes rápidos vindos do taekwondo. Os jabs também tiveram valor no sistema defensivo, freando os avanços de Gadelha com carimbadas no nariz. Quando a brasileira conseguia sair da linha de tiro, a defesa de quedas ajudou Nina a ficar de pé por algum tempo. E quando Claudia aplicou quedas, a americana teve calma para fazer uma guarda apenas para se levantar, diminuindo a possibilidade de sofrer danos. Muita tranquilidade para não se desesperar e esperar a oportunidade para se safar, característica que será fundamental neste sábado.

Nina Ansaroff vs Tatiana Suarez odds - BestFightOdds

Para que se tenha uma ideia da relevância deste combate, apenas três lutadoras ostentam retrospecto recente de quatro vitórias seguidas na categoria: Tatiana, Nina e a campeã Jéssica Andrade.

O serviço de jabs de Ansaroff, tanto ofensiva quanto defensivamente, devem funcionar à perfeição contra Suarez. A adversária deste sábado é mais forte que Gadelha, tem melhor condicionamento cardiorrespiratório, derruba muito melhor e dificilmente perde posições no solo. Portanto, Nina precisa deixar a luta na longa distância, num ritmo de golpes elevado e com muita movimentação lateral, para evitar ser abalroada por Tatiana. Toda tentativa ofensiva de Suarez deve ser retaliada.

No papel é isso aí. Vai dar certo? Por um tempo, deve. Porém, provavelmente Suarez vai acabar conseguindo levar a luta para o chão. E quando isso acontece, acabou chorare. Suarez por decisão é a aposta.

Peso Galo: #3 Aljamain Sterling (EUA) vs. #4 Pedro Munhoz (BRA)

Por Bruno Costa

Aljamain Sterling (17-3 no MMA, 9-3 no UFC) chegou em 2014 ao UFC com status de grande promessa para o peso galo e, em 2019, parece finalmente ter atingido a maturidade técnica – que talvez não seja exatamente à altura do que alguns esperavam. O lutador de origem jamaicana é um ótimo grappler – talvez o melhor da categoria na adaptação ao MMA – e tem melhorado a utilização da boa envergadura em seu favor, ao longo dos combates.

Na troca de golpes, Sterling prefere trabalhar na longa distância e utilizar com boa constância os chutes, para manter a atividade e pontuar ao longo dos rounds. Após a discutível derrota por divisão dividida para Raphael Assunção, passou a utilizar mais o boxe na longa distância, principalmente com golpes retos – com direito a repetidas trocas de base para confundir os adversários. Nas últimas lutas, parece ter incluído inclusive um leque de golpes rodados com alguma efetividade ao seu arsenal. O wrestling ofensivo é de boa qualidade, mas contra oponentes de maior habilidade defensiva possui dificuldade para colocar os adversários de costas para o chão em espaço aberto, funcionando melhor com auxílio da grade. O leque de finalizações é do mais alto nível e o condicionamento físico, que o deixou na mão contra Bryan Caraway ainda no início de sua jornada na organização, parece perfeitamente ajustado.

Pedro Munhoz (18-3-1NC, 8-3-1 NC) conquistou bem ao seu estilo a vitória mais importante da carreira, contra o ex-campeão Cody Garbrandt, em seu último compromisso. Se sua defesa é vazada e parece um convite à agressividade dos oponentes, o queixo e o coração de Pedro são bases fundamentais para implementar o jogo que o alçou ao top 5 da divisão.

Confortável na troca franca de golpes na curta distância, o brasileiro tem excelente poder de nocaute e é um oportunista nato. Além dos punhos pesados, evoluiu muito na confiança e utiliza com inteligência potentes chutes baixos para minar a movimentação dos adversários. Embora tenha ótimo nível de luta agarrada, não utiliza com frequência o wrestling ofensivo para tentar trabalhar evoluções no solo. Com sólida defesa de quedas, Munhoz não chega a precisar demonstrar essa habilidade por causar pavor aos oponentes que pensam em se aproximar com centímetros de pescoço exposto por conta da justíssima guilhotina, sua marca registrada.

Aljamain Sterling vs Pedro Munhoz odds - BestFightOdds

O duelo do sábado promete um tenso e excelente combate, que deverá valer ao vencedor a posição de desafiante ao título, que será disputado na luta principal da noite. A conferir se Sterling tentará levar a luta ao solo ou se a afiada guilhotina de Munhoz exercerá papel preponderante como fator de ameaça ao plano de jogo do americano.

Na troca de golpes, Sterling não pode ser desleixado defensivamente como é, por vezes em seus combates, no momento em que utiliza chutes baixos, uma vez que Munhoz tem totais condições de pegar o tempo de uma dessas ações para contragolpear com violência, levando o adversário a knockdown ou mesmo ao nocaute.

A aposta para o combate é que Sterling tenha condições técnicas para manter o brasileiro na longa distância com utilização de jabs e chutes precavidos, aliados a um trabalho de clinch junto à grade para travar as investidas e tentativas de impor pressão por parte de Munhoz, saindo vencedor em uma decisão dos juízes laterais.

Peso Palha: #10 Karolina Kowalkiewicz (POL) vs. #13 Alexa Grasso (MEX)

Por Rodrigo Rojas

Ex-campeã peso mosca do KSW, Karolina Kowalkiewicz (12-4 no MMA, 5-4 no UFC) teve uma rápida ascensão ao chegar no UFC. Após vencer as duas primeiras lutas, viu-se em um title eliminator contra Rose Namajunas. Vencendo a americana em duelo animado, recebeu a chance pelo título contra a compatriota Joanna Jedrzejcyk, quando chegou a balançar a então campeã, mas acabou derrotada por decisão unânime.

Na luta seguinte, não viu a cor da bola, ao ser finalizada por Claudinha Gadelha ainda no primeiro round. Recuperou-se com duas vitórias sobre lutadoras menos credenciadas até engatar nova má fase: Kowalkiewicz vem para o duelo de sábado com duas derrotas seguidas, sendo uma um nocaute assustador para a atual campeã Jéssica Andrade.

Com base no muay thai, Karolina tem seus melhores momentos quando a luta se mantém em pé. O jogo, bastante agressivo, é baseado no volume, com muitas combinações de mãos, normalmente terminando em chutes em algum dos três níveis. A movimentação é constante e ela utiliza os chutes também para marcar a distância, sem muita efetividade. O clinch, principal responsável pela vitória sobre Namajunas, é bastante efetivo, com joelhadas constantes e alguns socos curtos. O maior problema do striking da polonesa é a falta de poder de definição nos golpes, que parecem ter pouquíssimo poder de machucar as adversárias, o que a levou às 9 decisões em 12 vitórias. No chão, ela sabe se virar e tem uma defesa razoável, mas pode ser derrubada por adversárias mais fortes e não demonstra grande ameaça de costas para o tablado.

Alexa Grasso (10-2 no MMA, 2-2 no UFC) chegou ao UFC com muito hype, muito por conta de seu carisma e atributos físicos. Após vencer em sua estreia, perdeu para a mais experiente Felice Herrig e venceu uma decisão dividida contra Randa Markos. Na última luta, foi alimentada para a duríssima Tatiana Suarez, sendo finalizada pela wrestler ainda no primeiro round.

Treinada originalmente no boxe, Grasso possui qualidade na trocação. Sua potência é acima da média para a categoria, além de ser bastante agressiva e ter uma boa movimentação, sempre buscando encurralar as adversárias para acertar suas combinações. A defesa de golpes não é das mais técnicas, mas Alexa já mostrou capacidade de aguentar muito castigo e manter-se firme. Bastante forte e atlética para o peso, Grasso consegue boas posições no clinch e sabe se levantar quando derrubada. Ainda assim, o grappling é seu maior ponto fraco, como mostrado nas derrotas para Suarez e Herrig.

Alexa Grasso vs Karolina Kowalkiewicz odds - BestFightOdds

Em um confronto entre duas lutadoras com estilos razoavelmente parecidos, mas em momentos distintos da carreira, o mais provável é que o desenrolar da luta ocorra majoritariamente em pé. Ali, Karolina deve movimentar-se mais e acertar um número maior de golpes, ainda que com pouca potência. A “Princesa Polonesa” deve ainda utilizar seu clinch mais técnico para acertar golpes e esfriar a luta quando necessário. Desde que não tenha uma queda brusca de rendimento por conta do atual estágio, Kowalkiewicz deve ser a vencedora em um confronto com bons momentos dos dois lados.

Peso Pena: #10 Ricardo Lamas (EUA) vs. #15 Calvin Kattar (EUA)

Por João Gabriel Gelli

Um dos principais nomes do peso pena nessa década, Ricardo Lamas (19-7 no MMA, 10-5 no UFC) sempre foi um lutador que passou por baixo dos radares como um integrante da elite de sua categoria. Ele possui escalpos importantes no currículo, como Cub Swanson, Charles do Bronx, o então prestigiado Hatsu Hioki, Dennis Bermudez e Darren Elkins. No entanto, sempre falhou quando chegava nos momentos mais importantes de sua carreira por não estar no nível de adversários do calibre de José Aldo, Chad Mendes e Max Holloway, por exemplo. Já no retrospecto recente, sofreu um nocaute brutal em uma grande zebra contra Josh Emmett e, em seguida, foi derrotado por Mirsad Bektic em uma intensa batalha de atrito, mas se recuperou ao nocautear Elkins.

Apesar de não ser o que pode ser considerado um lutador de excelência em nenhuma das fases do jogo, Lamas é muito completo e sabe fazer de tudo em bom nível. Sua principal habilidade está em buscar quedas de maneira incessante e atacar com um ground and pound muito violento e de fluxo constante de potentes cotoveladas, capazes de encerrar combates. De pé, tem técnica básica, mas eficiente e que costuma ser o suficiente para enfrentar a maior parte da oposição e lhe tornar versátil. Também é importante destacar seu grande senso de oportunismo. Seja em pé ou no chão, sempre está de olho em brechas que os oponentes oferecem e costuma capitalizar de maneira devastadora, como pode ser comprovado pelas sete vitórias por interrupção (seja por finalização ou nocaute) no UFC.

Calvin Kattar (19-3 no MMA, 3-1 no UFC) fez uma longa e bem sucedida carreira no cenário regional e chegou ao UFC já experiente e com habilidades bem desenvolvidas. Assim, pode pular algumas etapas e enfrentar rapidamente concorrência da metade superior da tabela do peso pena. Ele estreou com uma boa vitória sobre Andre Fili e, logo depois, nocauteou Shane Burgos. Em seguida, teve um forte começo, mas acabou superado pela estratégia de Renato Moicano. No seu último compromisso, nocauteou Chris Fishgold.

O melhor atributo de sua caixa de ferramentas está no jab. Preciso e versátil, consegue manter adversários afastados ao utilizar socos com velocidade e em diversas situações. Além disso, o complementa com um direto de qualidade. Isto o torna um lutador acima da média na longa distância, com a habilidade para conduzir o combate ou atuar como contragolpeador. Também apresenta um trabalho de pés de técnica adequada e um bom volume. Por outro lado, parece ter algumas dificuldades para mostrar variações ao longo de seus combates. A defesa de quedas foi pouco testada até o momento no UFC e, apesar de parecer sólida, terá seu oponente mais qualificado no quesito neste sábado.

Calvin Kattar vs Ricardo Lamas odds - BestFightOdds

Até agora, Calvin enfrentou no UFC oponentes que eram mais conhecidos pelo amplo volume do que pela capacidade de definição. Este cenário se inverterá no UFC 238, quando enfrentará um adversário oportunista, mas que não deve igualar seu fluxo de golpes. Enquanto a luta estiver de pé, a vantagem deve ser clara para Kattar, mas um ponto importante a ser observado é como ele lidará com chutes nas pernas, que foram um fator fundamental na derrota para Moicano e são uma boa arma de Lamas.

Entretanto, caso o combate atinja o solo, provavelmente será com Ricardo por cima, posição na qual é capaz de gerar grandes estragos. Como Calvin tem a característica de jogar e deixar o adversário jogar, é possível que Lamas encontre alguma brecha para capitalizar em um momento agudo. Contudo, no fim das contas, a aposta fica na vitalidade de Kattar, que deve evitar as tentativas de queda de Lamas e controlar o combate em pé até um nocaute tardio ou uma vitória por decisão.

Peso Palha: #12 Xiaonan Yan (CHN) vs. Angela Hill (EUA)

Por Gustavo Lima

Xiaonan Yan (10-1, 1 NC MMA, 3-0 UFC) tem impressionado desde sua chegada ao UFC e é um dos principais nomes da leva de boas lutadoras chinesas contratadas pela organização após as investidas da companhia neste mercado. Se o cartel e as atuações empolgam, o nível de competição enfrentado até aqui não é o mais avançado para fazer grandes inferências acerca de seu potencial: Kaillin Curran, Viviane Sucuri e Syuri Kondo não ameaçaram a chinesa, mas estão há anos luz de diferença do pelotão de frente da divisão em termos de recursos técnicos. As convincentes três vitórias em sequência garantiram a Yan a décima-segunda posição no ranking do peso palha, marcando a necessidade de testes maiores.

Um dos recursos mais notáveis de Yan é seu arsenal vasto de chutes frontais e laterais, ferramentas das quais usa e abusa para controlar a distância e surpreender as adversárias, abrindo brechas importantes para capitalizar. Estes ataques podem fazer grande diferença contra Hill, especialmente pela queda de rendimento que a americana costuma ter no terceiro round.

Desde sua primeira passagem pelo UFC, Angela Hill (9-6 MMA, 4-6 no UFC) tem encontrado dificuldades com uma oposição mais qualificada. Se, a princípio, era comum ver questionamentos sobre as razões de Hill não ter se estabilizado dentro da maior organização de artes marciais mistas do planeta, o tempo escancarou que adversárias de maior gabarito técnico exploravam algumas falhas defensivas notáveis em seu jogo.

Com 33 anos de idade e bagagem muito maior, a atleta da Alliance MMA tem agora a missão de demonstrar que aprendeu com os erros e evoluiu. O passo pra trás dado ao enfrentar (e vencer) Jodie Esquibel não só permitiu a Hill assegurar sua permanência dentro do UFC, como também pode ter garantido a estadunidense uma nova escalada com passos menos apressados, dado o casamento com Xiaonan.

O casamento é oportuno pelo momento vivido pelas atuais atletas e é um bom teste para o sistema defensivo de ambas, especialmente na luta em pé: se tanto Angela como Yan tem ótimo footwork, velocidade e noção de distância, muitas vezes ambas se abrem a riscos desnecessários na gana de atacar, dando margem a contragolpes que poderiam ser evitados. Hill, por sua vez, possui bom jab e chutes fortes que podem permiti-la tocar a chinesa durante as tentativas de aproximação, dada a quantidade de espaços que atleta originária do sanda abre com seus diretos e cruzados sucessivos na curta distância. A luta agarrada é o grande calcanhar de Aquiles de ambas as competidoras, e dificilmente veremos alguém tentar levar a luta pra baixo.

Angela Hill vs Xiaonan Yan odds - BestFightOdds

Com a premissa de um combate muito movimentado e rápido, acredito que Yan leve vantagem pela explosão que tem, especialmente pela exposição desnecessária que que Hill oferece em algumas de suas investidas ofensivas, mas nenhuma diferença abissal que não possa ser revertida em ajustes estratégicos pela boa trocação de Angela. Favoritismo leve para a ex-peso-palha do Road FC.

Peso Médio: Bevon Lewis (EUA) vs. Darren Stewart (ING)

Por Matheus Costa

Bevon Lewis (6-1 no MMA, 0-1 no UFC) é um dos prospectos revelados pelo Contender Series que mais me agradou. Lewis praticava futebol americano, beisebol e até mesmo wrestling na faculdade. O amor pelo MMA surgiu aos 19, quando o atleta decidiu largar tudo para se dedicar ao esporte. No MMA amador, somou 10 vitórias em 12 lutas. No reality de Dana White, atropelou Elias Urbina e Alton Cunningham e provou merecer uma chance na maior organização do mundo. Em sua estreia contra Uriah Hall, décimo quarto colocado no ranking dos médios, fez dois bons rounds mas acabou sendo nocauteado pelo “Homem Ambulância”.

Sua especialidade é, de longe, na luta em pé. Alto, forte e habilidoso, o “Cavalheiro Extraordinário” (esse é realmente o apelido dele… é sério) gosta de misturar bastante agressividade com a técnica apurada de seus golpes, resultando em um volume bem acentuado na hora de golpear seus adversários. Além do boxe alinhado, chutes e cotoveladas são marcas presentes no seu jogo, utilizados na estreia no octógono, principalmente quando no início do combate, quando imprimiu alto ritmo. Todavia, a parte defensiva de seu striking não é das melhores, e sua movimentação de cabeça nula pode lhe atrapalhar contra adversários capazes de encurtar a distância com maior facilidade.

Darren Stewart (9-4 no MMA, 2-4-1 NC no UFC) é um lutador que está com a corda no pescoço e deve passar no RH do UFC caso saia derrotado na noite de sábado. O “Dentista” não emplacou desde que chegou na organização, e sempre mostrou ser um lutador limitado. Sua primeira vitória veio através de uma cabeçada em Francisco Bodão, revertida posteriormente para um No Contest. Depois, o inglês emendou três revezes consecutivos, e na hora de completar a quadra, nocauteou Eric Spicely e Charles Byrd em sequência para salvar seu emprego. Entretanto, acabou derrotado por Edman Shahbazyan em uma decisão dividida, e uma nova derrota pode significar o fim de sua nada memorável passagem pelo UFC.

Darren se destaca pelo vigor físico e pela força que costuma aplicar em cada movimento feito dentro do octógono. O striking não é muito técnico e não é preciso enfrentar um oponente muito melhor para que ele seja dominado na luta em pé. O jogo de quedas de Stewart é uma qualidade que costuma lhe salvar em algumas oportunidades. Todavia, o jiu-jítsu não é dos melhores e acaba sendo muito básico para ir além da parte de baixo da tabela.

Bevon Lewis vs Darren Stewart odds - BestFightOdds

Este é um confronto de um striker técnico contra um striker bruto que não costuma ter muita noção do que está fazendo. Caso Bevon consiga imprimir seu jogo com a facilidade esperada, o novato americano deve dominar as ações do combate e obter o nocaute. Entretanto, um erro que ele não pode cometer é aceitar a pancadaria franca na curta distância, a maior chance de vitória de Stewart durante o confronto.

Creio que a primeira hipótese prevaleça e que o novato americano não tenha grandes dificuldades na noite de sábado para imprimir seu jogo com perfeição e se apresentar da maneira correta aos fãs do UFC. Portanto, a aposta é em vitória de Bevon Lewis, nocauteando no segundo round.

Peso Mosca: #2 Katlyn Chookagian (EUA) vs. #6 Joanne Calderwood (ESC)

Por Thiago Kühl

Katlyn Chookagian (11-2 no MMA, 4-2 no UFC) chegou no UFC ostentando o título do peso mosca e galo do Cage Fury FC, além de um cartel invicto em sete lutas. Na categoria até 61 kg, venceu Lauren Murphy e perdeu em combate bastante apertado para a ex-desafiante Liz Carmouche. Antes de descer para o peso mosca, mais uma vitória contra Irene Aldana. Já na categoria onde fez a maior parte de suas lutas na carreira, conseguiu duas vitórias e sau derrotada em uma ocasião, em sua última luta contra a atual desafiante Jéssica Eye. Na ocasião, deveria ter saído com a vitória, mas acabou vendo a pouca ação cobrar um preço caro demais quando os juízes viram dois rounds para Evil Eye.

Oriunda do Caratê e campeã do Golden Gloves, Chookagian hoje faz treinos sob comando do excelente Mark Henry na academia de Renzo Gracie. Tem bastante velocidade e capacidade de manter bem as adversárias na longa distância. Outra boa característica de seu jogo, é a habilidade de soltar diversos golpes recuando e em saídas laterais, mas o seu problema é justamente o volume. Em determinados momentos contra Jéssica, deixou o combate muito morno, abrindo espaço para a maior “vontade” da adversária convencer os juízes. Mesmo pecando na falta de agressividade algumas vezes, a novaiorquina consegue encaixar precisos contragolpes com a boa envergadura. Na luta agarrada, tem um bom wrestling e é faixa marrom de Renzo, porém, utiliza as credenciais no grappling mais defensivamente do que para vencer as lutas.

Joanne Calderwood (13-3 no MMA, 5-3 no UFC) chegou à organização com um cartel perfeito e como cabeça de chave número 2 no TUF que introduziu o peso palha ao UFC. Na ocasião não chegou a final, frustrando as expectativas que recaiam em seus ombros. Ainda, apresentou inconsistência no octógono quando enfrentou oponentes de alto nível, como Jéssica Andrade e Cynthia Calvillo, além de ter sido surpreendida por Maryna Moroz. Mesmo em suas vitórias no peso palha, JoJo não teve atuações cheias de segurança. Inaugurou a categoria do peso mosca contra Valerie Letorneau e em sua última luta conseguiu mostrar outra faceta do jogo, se valendo da luta agarrada para controlar a estreante brasileira Ariane Lipski

Talentosa striker, a escocesa demonstrou falta de velocidade e dificuldades em imprimir bom volume de golpes como peso palha, talvez influenciada pelo brusco corte de peso para atingir o limite da categoria. Na divisão das moscas, teve boas atuações, sendo a última, contra Ariane, uma forma de mostrar que ainda tem lenha para queimar, no peso. Mesmo que não se mostre especialista no chão, quando é na trocação, a escocesa pode dar trabalho para lutadoras menos versadas na arte suave ou com defesa de quedas muito esburacada.

Joanne Calderwood vs Katlyn Chookagian odds - BestFightOdds

Com a diferença de tamanho a favor da americana e sua defesa de quedas competente, fica difícil imaginar que JoJo consiga fazer o mesmo jogo que deu a vitória contra Lipski. Por outro lado, caso Katlyn esqueça de tomar as rédeas da luta e deixe de atacar, a escocesa pode muito bem levar a luta na decisão, talvez com mais facilidade que Jéssica Eye.

Apostando que Chookagian tome vergonha na cara após perder a chance de disputar o cinturão, vamos com vitória da americana por decisão.

Peso Galo: Eddie Wineland (EUA) vs. Grigory Popov (RUS)

Por Idonaldo Filho

Eddie Wineland

Os mais desavisados podem pensar que Eddie Wineland (23-13-1 no MMA, 5-7 no UFC), um legítimo veterano do esporte, já está aposentado. Porém, continua na ativa e vem em má fase, com duas derrotas seguidas contra John Dodson e Alejandro Perez, ambas na decisão dos juízes. Contratado pelo UFC após a compra do WEC – onde foi o primeiro campeão dos galos -, Wineland sempre enfrentou os grandes nomes e acabou perdendo, mas vencia os que estavam abaixo de seu nível, se mantendo em uma posição intermediária na divisão dos galos. Com 34 anos, com mais 16 deles dedicados ao esporte, a natural queda de rendimento vem aparecendo, e esse pode ser um dos últimos combates do atleta.

Ex-desafiante de Renan Barão, Wineland é um lutador que gosta de definir os combates, vencendo 18 lutas antes da decisão dos juízes. Eddie sempre preferiu utilizar a trocação em seus combates, com boas mãos e um boxe preciso e potente que dá prazer de assistir. Também está presente o bom uso de contragolpes, garantindo sempre o entretenimento em seus combates, que muitas vezes viravam pancadaria das boas e que rendem alguns knockdowns. Sua defesa de quedas é de bom nível, já a de golpes não é lá essas coisas (principalmente pela inabilidade em esconder as pernas). O queixo segurou a bronca contra Dodson, mas sabe-se lá por quanto tempo. O fator mais relevante que devemos levar em conta é que a longa carreira vem cobrando Wineland, já que ele está bem mais lento, acertável, e essa divisão não perdoa atletas em decadência.

Uma contratação curiosa por parte do UFC, Grigory Popov (14-2 no MMA, 0-0 no UFC) vem da parte asiática da Rússia, mais especificamente da cidade siberiana de Yakutsk, uma das mais frias do mundo. Aos 35 anos, o russo nunca atuou pelas grandes ligas locais, se mantendo em torneios em sua própria cidade e também atuando na China, quase sempre contra oposição deplorável e que não oferecia riscos. Popov treina na Tailândia, na Tiger Muay Thai, um camp conhecido na Ásia e que tem boa qualidade de treinamento, um local por onde vários bons lutadores já passaram, como Valentina Shevchenko, Israel Adesanya, Petr Yan, Mairbek Taisumov e Dan Hooker.

Popov competiu por muito tempo no Muay Thai, que é a principal arte marcial utilizada em seus combates, contando também com passagem por torneios de pancrácio. Grigory é um atleta muito cauteloso, que não aplica muito volume e geralmente utiliza golpes singulares ou contragolpes, muitas vezes permanecendo inativo estudando o adversário. Sua principal habilidade são os chutes baixos, muito potentes e que já foram motivo de vitória, também mesclando com chutes frontais no corpo e menos frequentemente na cabeça. O boxe não é tão desenvolvido mas tem certo poder, e no clinch o que mostrou foi satisfatório – é bom lembrar que sempre contra oposição horrorosa. Só que um detalhe em seu jogo é lamentável: a defesa de quedas fraquíssima e que sempre o deixou na mão contra os adversários de baixo nível, e que no UFC certamente vai ser explorada. Muitos destacam suas duas gogoplatas no cartel, mas pode apostar que em alto nível dificilmente finalizaria assim.

Eddie Wineland vs Grigory Popov odds - BestFightOdds

O UFC certamente contratou Popov por insistência de empresário. Ele não é um prospecto, pelo contrário, já é um atleta velho em uma divisão que a idade conta muito mais, sem falar que, analisando estritamente qualidade, nem isso Popov aparenta ter o suficiente, enfrentando qualquer um e ainda sim mostrando problemas gritantes defensivos, principalmente no solo.

Acho o casamento interessante para Wineland, embora Popov seja bom em chutes na perna – e Eddie seja horroroso em defender – o russo é totalmente o contrário dos últimos adversários de americano, já que não tem nem 1% do volume de Dodson e Perez. Pode aparentar uma luta chata de dois atletas se encarando de início, mas a expectativa é que Wineland saia com uma vitória tranquila.