Por Edição MMA Brasil | 11/04/2019 00:28

Antes das duas lutas principais – que devem prender os fãs no sofá – o card preliminar do UFC 236 também apresenta alguns atrativos interessantes. Exemplos são a porradaria entre Jalin Turner Matt Frevola, o duelo brasileiro de grandes implicações no peso mosca entre Wilson Reis Alexandre Pantoja, além dos carniceiros Max Griffin e Curtis Millender, que encaram Zelim Imadaev Belal Muhammad, respectivamente.

As primeiras pelejas da noite estão marcadas para ter início às 19:00h no Horário de Brasília, com transmissão ao vivo do Canal Combate.

Peso Leve: Jalin Turner (EUA) vs. Matt Frevola (EUA)

Por Bruno Costa

Após receber a duríssima missão de estrear no UFC em cima da hora contra o ótimo Vicente Luque uma categoria acima da sua, Jalin Turner (8-4 no MMA, 1-1 no UFC) voltou ao peso leve e fez o que se esperava dele. No UFC 234, ele dizimou em menos de um minuto o australiano Callan Potter, lutador de nível baixo para o que se espera de alguém que entra no octógono.

Em suas aparições na maior organização de MMA do mundo, Turner demonstrou seus atributos vistos anteriormente e não escondeu suas falhas, muitas típicas de um talentoso e inexperiente trocador. O “Tarântula” é um lutador de excelentes habilidades ofensivas na luta em pé, que sabe como utilizar sua excelente envergadura com rapidez e precisão nos golpes retos, jabs e diretos alinhados – vistos no início de seu combate contra Luque – mostrando até trocas de base bem feitas, algo menos comum no MMA. As joelhadas são perigosas, se aproveitando de sua altura, e aplicadas principalmente em meio a sequências longas de combinações, em busca do fim do combate pela via rápida.

Contudo, Turner sofre por não ser um lutador que dê a devida atenção à fase defensiva do seu jogo. A superexposição decorrente da mentalidade ofensiva deixa muitas brechas a serem aproveitadas por oponentes com bom nível de inteligência de luta, tanto para contragolpes com ganchos e overhands, quanto no wrestling ofensivo.

Matt Frevola (6-1-1 no MMA, 0-1-1 no UFC) parece a caminho de se consolidar como um divertido lutador de ação para o plantel do UFC. Contra Marco Polo Reyes, ele tentou exercer pressão sobre o adversário e aceitou a troca de golpes na curta distância sem qualquer sucesso. Depois, contra Lando Vannata, mais um combate com algumas francas trocas de sopapos – dessa vez tentando atuar mais na postura de contragolpeador – e um empate no cartel do “Streamrolla”. Muito embora seu estilo de luta seja agradável aos fãs, seria importante que as atuações empolgantes eventualmente se tornem, ao menos uma porção, em vitórias.

Frevola é um bom grappler que consegue quedas essencialmente à base da pressão, encurtando a distância ao ameaçar os adversários e sendo destemido na troca de golpes à curta distância. Também demonstra alguma potência nos punhos e se mostra confortável trabalhando com bom volume de golpes, muito embora a defesa tenha demonstrado buracos a partir do momento em que passou a encontrar adversários mais dotados de técnica. Um inconveniente reside na dificuldade em exercer o plano de jogo contra oponentes de alto nível, como será pelo menos em maior parte de sua passagem pelo octógono.

Jalin Turner vs Matt Frevola odds - BestFightOdds
 

O caminho para vitória parece claro para cada um dos lutadores. Turner precisa manter a distância com golpes retos e potentes para capitalizar no ponto fraco do seu adversário. Para Frevola, a maior dificuldade é conseguir entrar no raio de ação do gigantesco oponente para trabalhar quedas ou acertar petardos em forma de ganchos e cruzados. A previsão é que Turner consiga encontrar o queixo desprotegido de Frevola e saia vitorioso com um nocaute no primeiro round.

Peso Mosca: #4 Wilson Reis (BRA) vs. #5 Alexandre Pantoja (BRA)

Por Gustavo Lima

Ainda acontecendo na incerta categoria de peso dos moscas do UFC, esse duelo muito bem casado coloca frente a frente dois atletas que rondam a mesma faixa do ranking – Reis é o quarto colocado enquanto Alexandre ocupa a quinta posição. O momento da carreira de ambos, todavia, é um bocado diferente.

Wilson Reis (23-9 no MMA, 7-5 no UFC) já possui 34 anos e tem jornada de doze lutas em seu retrospecto dentro do UFC. Ex-desafiante ao cinturão em um tempo onde ainda perdurava o reino de terror de Demetrious Johnson, o paulista chegou a encarar sequência recente de três derrotas – Johnson, Henry Cejudo e John Moraga – antes de se recuperar contra Ben Nguyen em dezembro.

Wilson é um atleta com jiu-jítsu fora de série, mas suas limitações são bem conhecidas e não dão grande sinal de evolução há algum tempo. O ex-desafiante costuma ter dificuldade pra derrubar atletas com um nível um pouco mais consistente de defesa de quedas, além de possuir uma trocação muito limitada, que sofre especialmente com a falta de velocidade e movimento defensivo – confiando muitas vezes mais do que o prudente em atributos como volume e força física.

Dadas essas condições, o quadro aponta para uma superioridade teórica de Alexandre Pantoja (20-3 no MMA, 4-1 no UFC) na luta em pé, atleta que possui retrospecto positivo dentro da organização, sendo Dustin Ortiz o único nome em sua coluna das derrotas – em uma luta na qual o ex-campeão do RFA foi quedado sete vezes e poderia ter mostrado muito mais. Ligeiramente mais alto e um pouco mais esguio que seu adversário, o preparo físico também pode ser um fator notável para que a consistência da trocação de Alexandre prevaleça caso Wilson tenha dificuldades de se aproximar e colocar pra baixo.

Também um grande jiujiteiro e com diversas finalizações na carreira, é quase impossível acreditar que Pantoja será presa fácil de Reis no chão, e o quadro também não é favorável para que o Wilson exerça longos periodos de controle posicional e pressão jogando sobre o adversário sobre a lona. Os scrambles no chão e diversas tentativas de queda podem render uma luta um bocado divertida, até com os momentos mais burocráticos sendo relativamente ofensivos, pois ambos são lutadores com veia agressiva muito forte e só costumam parar quando caem ou estão exaustos.

Alexandre Pantoja vs Wilson Reis odds - BestFightOdds
 

Vislumbro favoritismo de 60-40 para Pantoja, com boa parte da luta perdurando de pé. Wilson tem chances altas de levar vantagem nas quedas, mas deveria usá-las para pontuar e cansar o oponente ao máximo. Como supracitado, ambos são grandes finalizadores, então um erro pode ser fatal para ambas as partes, embora seja improvável que atletas com rodagem no MMA e grappling tão bem adaptado deem sopa em condições normais.

Peso Meio-Médio: Max Griffin (EUA) vs. Zelim Imadaev (RUS)

Por Thiago Kühl

Seis luta depois de sua estréia, Max Griffin (14-6 no MMA, 2-4 no UFC) vai se estabelecendo no “meio de tabela” da categoria dos meios-médios. Quando esteve a frente de gente mais talentosa, sofreu para conseguir impor seu jogo e, quando viu adversários mais acessíveis, venceu bem. Por causa disso, até sua última luta, manteve-se num perde-ganha, com derrotas para Colby Covington, Elizeu Capoeira e Curtis Millender, intercaladas por vitórias contra Erick Montaño e Mike Perry. Em seu último combate, a sina deveria seguir, mas Griffin acabou derrotado em uma duvidosa decisão contra Thiago Pitbull, em Fortaleza.

Em suas três primeiras lutas, Griffin demonstrou um estilo bastante agressivo, com base no incomum “bok-fu-do”, que reúne aspectos do kung fu, taekwondo, kempo e jujutsu. Ele se mostrava um bom striker, com respeitável poder de nocaute e uma boa condição cardiorespiratória, mas sem muito cuidado defensivo. Contra Perry, soube evitar a pancadaria e vencer a luta com inteligência, o que também tentou fazer contra Pitbull e Millender, mas sem conseguir levar vantagem o suficiente para convencer os juízes. Seu grappling é precário, mas este não deve ser um problema na luta de sábado.

Checheno, invicto e campeão russo de boxe e kickboxing. Zelim Imadaev (8-0 no MMA, 0-0 no UFC) é uma máquina de nocautes, que até hoje nunca viu uma luta acabar que não fosse pela via rápida dolorosa, sendo que cinco delas terminaram ainda no primerro round. Zelim fez todas as suas lutas em solo russo, sendo as três últimas pelo Fight Nights Global. Para sua estreia no UFC, buscou treinos na Xtreme Couture, nos Estados Unidos, principalmente com o ex-treinador da Blackzillians, Roberto Flamingo.

Definir o russo não é tão díficil assim: nocauteador, explosivo e agressivo. Ele não impõe tanto volume, mas sua trocação é bem técnica, precisa e potente. Na parte defensiva, Imadaev se abre bastante para trazer os adversários para o olho do furacão, mas até hoje não viu efeitos adversos desta postura displicente. No grappling, o espaço amostral para análise é pequeno. Por mais que ele tenha sofrido um pouco com o clinch em algumas lutas, é bem difícil determinar em que ponto se encontra sua evolução na luta agarrada – e provavelmente também não será neste sábado que teremos resposta para isso.

Max Griffin vs Zelim Imadaev odds - BestFightOdds
 

Quando enfrentou um lutador agressivo, Griffin conseguiu manter a luta em banho maria e vencer bem, impondo um controle de distância e diminuindo o ímpeto de Mike Perry. A estratégia para enfrentar Imadaev não deve ser diferente. Pelo lado do russo, o caminho se mostra na tentativa de impor uma trocação mais franca, encontrar o queixo do americano e fazer prevalecer sua potência. Entretanto, mesmo que consiga chegar à pancadaria, Zelim não tem garantia de vitória, já que Max é perigoso também na curta distância.

Em lutas onde o encaixe de jogo não demonstra nenhuma grande vantagem para nenhum dos lados, gosto de confiar no lado mais talentoso ou na maior experiência. Considerando isto, de forma bem vacilante, apostarei numa vitória do americano, mas sem grande certeza.

Peso Galo: Boston Salmon (EUA) vs. Khalid Taha (ALE)

Por Rafael Oreiro

Depois de quase dois anos contratado pelo UFC, finalmente parece que chegou a hora da estreia de Boston Salmon (6-1 no MMA, 0-0 no UFC) na organização – só espero não estar zicando. Uma das indicações do Top 10 do Futuro em 2017, o havaiano foi um dos primeiros participantes do Contender Series a receber contrato com o UFC, após uma impressionante vitória em cima de Ricky Turcios, na decisão dos juízes. Porém, das três lutas que teve marcadas desde então, duas acabaram canceladas por conta de lesões de seus oponentes, a outra tendo sido desmarcada por conta de uma lesão em seu joelho – que necessitou de cirurgia e o deixou quase um ano parado.

Atleta da Xtreme Couture, Salmon é um lutador de ótima técnica no boxe, modalidade na qual competiu de forma amadora quando era adolescente. Hoje com 28 anos, o “Boom Boom” é um peso galo com combinações de socos muito precisas e rápidas, sempre se mantendo frio e calmo para achar brechas nos ataques de seus adversários para contragolpear. Porém, o havaiano acaba por vezes se mantendo passivo demais ao atuar como contragolpeador, o que pode ser explorado por oposição melhor qualificada. Ele também peca ao não variar tanto seus golpes, priorizando completamente os socos, o que pode deixar seu jogo mais previsível.

Possuindo uma excelente movimentação, ele acaba tendo a tarefa de defender quedas auxiliada pela facilidade que tem em antecipar as ações de seus oponentes. Porém, novamente, esse aspecto pode ser vazado uma vez que Salmon enfrente adversários de melhor qualidade, uma vez que ele não teve seu grappling realmente testado até este ponto de sua carreira. Ele possui também um condicionamento físico acima da média, que o permite manter o mesmo rendimento durante os três rounds de combate.

Também um lutador com pouca experiência na casa, Khalid Taha (12-2 no MMA, 0-1 no UFC) fez sua carreira praticamente inteira em eventos pequenos na Europa. Depois de construir um cartel invicto de 10 vitórias, o alemão de origens libanesas recebeu o convite para atuar no Rizin FF, onde estreou com vitória, mas acabou sofrendo a primeira derrota de sua carreira na sequência. Voltando ao caminho das vitórias em sua estreia no Brave CF, ele acabou sendo chamado de última hora para estrelar um card do UFC na Alemanha, sua terra natal. Fazendo sua estreia no octógono, ele acabou desapontando seus compatriotas ao ser dominado pelo inglês Nad Narimani.

Taha é outro lutador cuja especialidade é a troca de porradas em pé, sendo um atleta bastante explosivo, que joga bastante potência em cada golpe. Um atleta bastante forte para a divisão, o alemão é extremamente ofensivo no striking, sendo na maioria das vezes descuidado ao jogar suas combinações, deixando brechas grandes para contragolpes. Ainda assim, sua principal deficiência está no grappling, área que foi buscar melhorar ao fazer seu camp na Tristar Gym com Firas Zahabi. Sua defesa de quedas é muito mais baseada na sua força física do que na técnica e, uma vez no chão, Taha possui um jogo de chão totalmente básico, somente mostrando o suficiente para não passar vergonha.

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Temos aqui uma bela possibilidade de troca de catiripapos constante durante os três rounds. Ambos os lutadores tem pouca tendência em levar o combate para o chão, mostrando preferência pela luta em pé, e dificilmente veremos uma mudança nessa oportunidade. Taha possuirá vantagem na potência dos golpes, enquanto o “Boom Boom” será inquestionavelmente muito mais técnico do que o alemão. Assim, após três rounds de luta animada, vejo Boston Salmon aproveitando as diversas brechas que Taha costuma dar para contragolpear, dominando os três rounds de combate e vencendo na decisão dos juízes.

Peso Meio-Médio: Curtis Millender (EUA) vs. Belal Muhammad (EUA)

Por Bruno Costa

Curtis Millender (17-4 no MMA, 3-1 no UFC) teve uma boa caminhada em suas três primeiras lutas no octógono, vencendo Thiago Pitbull, Max Griffin e Siyar Bahadurzada. Com boa trocação, nível de experiência ótimo para quem chega a uma grande organização e bom casamento de estilos contra adversários experientes, “Curtious” teve  performances corretas que garantiram a oportunidade de enfrentar Elizeu Capoeira – que carregava seis vitórias consecutivas – em um confronto que garantiria uma posição no ranking da categoria para o vencedor.

Contra o brasileiro, ele mostrou seu crônico problema da péssima defesa de quedas – baseada unicamente na movimentação – e jiu-jítsu defensivo abaixo do aceitável para um lutador de bom nível, acabando facilmente finalizado por Capoeira. Millender é bom striker, capaz de manter a distância com golpes retos, joelhadas de encontro, além de ter conquistado nocautes espetaculares com chutes altos em combates no cenário regional.

Belal Muhammad (14-3 no MMA, 5-3 no UFC) teve interrompida uma boa sequência de quatro vitórias conquistadas quando bateu de frente com Geoff Neal. Nas três ocasiões em que saiu derrotado no UFC – para Neal, Vicente Luque e Alan Jouban – Belal teve dificuldade quando não conseguiu misturar as ações e acabou envolvido em batalha unicamente de striking.

Na troca de golpes, ele trabalha com chutes baixos potentes, jabs precisos e em alto volume, de preferência exercendo pressão sobre o adversário. A partir do clinch, consegue trabalhar quedas que resultam em bom controle posicional e poucas tentativas efetivas de finalização, algo que pode ser alterado pelo cenário do próximo combate, diante das vulnerabilidades de seu oponente. Muhammad já demonstrou também muita capacidade em absorver danos e continuar na luta em condições de ameaçar o rival.

Belal Muhammad vs Curtis Millender odds - BestFightOdds
 

Millender tem condições de controlar a distância, golpeando seu rival e evitando contra-ataques, variando socos retos e joelhadas de diferentes ângulos para não se deixar ser mapeado. Contudo, Muhammad é um lutador muito resiliente e focado no plano de jogo a ser implementado para vencer lutas. Em que pese tenha saído derrotado em três ocasiões no octógono contra bons strikers, a característica da boa defesa de quedas do oponente não estará presente no próximo sábado. Com chutes baixos potentes, pressão constante e jabs precisos, a tendência é Muhammad consiga chegar a posições no clinch para trabalhar quedas, começando a dominar o combate a partir da segunda metade e resultando em uma finalização no terceiro round.