Por Edição MMA Brasil | 01/03/2019 04:21

Após um primeiro pay-per-view do ano sem muito apelo, o octógono mais famoso do mundo volta para sua principal plataforma de exibição com um card estelar, com duas lutas de cinturão, dois ex-campeões e a estreia de uma das maiores estrelas recentes do MMA. Desde já, o UFC 235, que ocorrerá na T-Mobile Arena, em Las Vegas, é um candidato a melhor evento do ano.

No duelo principal, Jon Jones volta sem demora, desta vez para colocar o recém reconquistado cinturão dos meios-pesados em jogo, numa das lutas por título com a maior disparidade técnica dos últimos tempos. Ele vai encarar o empolgado ex-peso-médio Anthony Smith.

A luta que antecede a entrada de um dos maiores de todos os tempos é a disputa do cinturão dos meios-médios. Após longo inverno, o campeão Tyron Woodley retorna para defender seu ouro e tentar parar a ascensão meteórica do nigeriano Kamaru Usman, em batalha que deve ser muito mais equilibrada que o combate principal.

Ainda no card principal, o ex-campeão da categoria até 77 quilos Robbie Lawler recebe o primeiro lutador a ser trocado pelo UFC, o multicampeão Ben Askren, que finalmente pisará no octógono. Antes deles, há um animado combate pelo peso palha entre Tecia Torres e a promissora chinesa Weili Zhang, além do retorno do ex-campeão do peso galo Cody Garbrandt, que enfrentará o brasileiro Pedro Munhoz na abertura da porção principal do evento.

UFC 235 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. O card preliminar está marcado para iniciar às 20:30h, enquanto a porção principal irá ao ar à meia-noite, sempre no horário oficial de Brasília.

Cinturão Peso Meio-Pesado: C Jon Jones (EUA) vs. #3 Anthony Smith (EUA)

Por Diego Tintin

É difícil argumentar contra os que consideram Jon Jones (23-1 no MMA, 17-1 no UFC) o melhor lutador da história do MMA. Avassalador, Jones varreu a divisão dos meios-pesados desde sua estreia em 2008, passando por cima de nomes como Maurício Shogun, Lyoto Machida, Rashad Evans, Alexander Gustafsson e seu arquirrival Daniel Cormier. Na prática, Bones ainda é invicto profissionalmente, já que sua única derrota aconteceu em uma desclassificação por golpe ilegal no duelo em que surrava inapelavelmente Matt Hamill.

De fato, um bom argumento que pode ser sacado na discussão do parágrafo anterior é que Jones já foi flagrado mais de uma vez em exames antidoping por substâncias que melhoram o desempenho. Com mais diversas confusões e problemas com a justiça criminal, o filme do talentoso lutador ficou muito queimado perante aos fãs e opinião pública de uma forma geral.

Jones é uma soma de habilidades diversas com um físico sob medida para a prática deste esporte. A envergadura inigualável lhe dá vantagem no alcance contra qualquer atleta que já pisou em um octógono. O campeão apresenta um wrestling capaz de dizimar quase todo mundo que divide a jaula com ele e que foi capaz de dar jogo contra um monstro da luta olímpica como Daniel Cormier, ex-capitão da seleção estadunidense. Some a isto um muay thai agressivo, criativo e de alto poder de definição. Quando a conversa está difícil, basta uma cotovelada para Jones retomar o controle, como sentiram na pele Gustafsson e Machida. Para completar, o condicionamento sempre foi suficiente para sustentar o ritmo por cinco rounds e Jonathan já provou ter coração e inteligência para sair de situações difíceis.

Aos 30 anos, Anthony Smith (31-13 no MMA, 7-3 no UFC) vive o melhor momento de sua longa e intensa carreira. Depois de ocupar por muito tempo os lugares intermediários do peso médio, Smith decidiu rumar para a divisão de cima, aproveitando o escasso talento presente na divisão atualmente.

Venceu os veteranos Rashad Evans e Mauricio Shogun com a facilidade de quem come um Chicabon™, o que lhe valeu um grande atalho para uma eliminatória contra o bruto, porém limitado Volkan Oezdemir. Uma submissão na metade final do duelo foi o suficiente para o valente texano conseguir sua inesperada chance de lutar pela coroa do monarca mais intimidador do MMA mundial. Como curiosidade, as três derrotas no octógono foram para lutadores brasileiros: Antônio Braga Neto, Cezar Mutante e Thiago Marreta.

O maior ganho de Smith como meio-pesado foi no condicionamento físico. Antes um atleta que perdia vivacidade nas metades finais dos combates, mostrou contra Oezdemir que pode lutar em alto ritmo por mais tempo mantendo-se mais próximo de seu peso natural. A experiência adquirida também tem papel importante nesta evolução, uma vez que parece escolher melhor ultimamente os momentos de buscar a definição das lutas.

Tecnicamente, Tony tem bom arsenal ofensivo. Tanto na luta em pé, com potentes golpes retos e combinações simples, quanto no chão, com oportunismo contra a turma menos talentosa neste aspecto. A defesa de quedas não é muito evoluída, o que pode ser um grande transtorno neste sábado, mas ele até consegue, hoje em dia, se defender no chão com alguma decência, após um início de carreira desastroso nesta área. E o “Coração de Leão” faz jus ao seu apelido, com uma entrega e durabilidade acima da média, como ficou claro no combate contra Oezdemir.

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É difícil evitar o lugar-comum de dizer que Jones é muita areia para o caminhão de Smith. Superior em todas as áreas, o campeão só precisa evitar que a situação saia da normalidade, para ter uma de suas disputas de cinturão mais tranquilas. O caminho claro é levar Smith para o chão e arrancar a vitória com seus cotovelos afiados e precisos. Para o desafiante, resta esperar uma situação anormal, coisa que Bones nunca está muito longe de proporcionar, a julgar pela quantidade mastodôntica de encrencas em que se mete. Tem ainda a famosa chance de SE A MÃO ENTRAR, mas como diz o grande filósofo contemporâneo Alexandre Matos: se depender disso aí, melhor nem sair do conforto de sua casa.

Cinturão Peso Meio-Médio: C Tyron Woodley (EUA) vs. #2 Kamaru Usman (NIG)

Por Alexandre Matos

Pouca gente lembra daquele Tyron Woodley (19-3-1 no MMA, 9-2-1 no UFC) amedrontado, que levou um vareio de Rory MacDonald. Os bons resultados se acumularam até o americano acabar com a aura de matador de Robbie Lawler, nocauteando o então campeão. Desde então já foram quatro defesas, com um empate e três vitórias, as duas mais recentes, contra Demian Maia e Darren Till, de modo dominante.

Os bons resultados são fruto de uma evolução técnica e mental de Woodley. O “Escolhido” era um wrestler fisicamente muito forte e que buscava decapitar os oponentes com uma marretada. Principalmente depois que se juntou à Roufusport, onde evolui o striking com o ex-campeão Duke Roufus, Tyron foi ficando mais calmo, capaz de combinar melhor os golpes e se movimentar lateralmente. Continua com enorme potência, o wrestling segue sendo o porto seguro, mas hoje ele é um lutador menos previsível e repleto de confiança.

 

Quando Kamaru Usman (14-1 no MMA, 9-0 no UFC) surgiu primeiro no extinto Legacy FC, depois no TUF 21, a expectativa era grande em cima de um sujeito ainda muito cru, mas já mostrando forte nível no wrestling. Com a carreira cuidadosamente conduzida, o nigeriano deu um salto de qualidade de Emil Weber Meek até Demian Maia e Rafael dos Anjos.

Campeão nacional uma vez e All-American três vezes na Divisão II da NCAA pela Universidade de Nebraska em Kearney, Usman adaptou muito bem o folk wrestling ao MMA, se mostrando muito forte no controle posicional, especialmente na riding position. O ground and pound é bastante violento, assim como o direto e o cruzado em pé. Pupilo de longa data de Henri Hooft, “Kamarudeen” aprendeu a se movimentar e a lançar combinações, que ainda não são das mais versáteis, mas já sólidas o suficiente para garantir o controle da distância contra não-especialistas.

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Há uma certa esperança nos confrontos entre dois wrestlers muito fortes que podem descambar para a pancadaria franca. No atual estágio técnico e tático de Woodley, essa possibilidade diminui significativamente.

No confronto corpo a corpo, será muito interessante ver qual dos colossos conseguirá derrubar o oponente – a aposta é que isso vai acontecer raras vezes, se acontecer. Podemos esperar um duelo travado no clinch, com Woodley reduzindo o ritmo quando estiver na longa distância, até chegar à vitória por decisão. Há ainda a possibilidade de a vantagem na velocidade faça com que Woodley exploda num cruzado longo e leve Usman ao nocaute. Porém, a torcida é para o cenário inicial de tiroteio e seja-o-que-deus-quiser.

Peso Meio-Médio: #6 Robbie Lawler (EUA) vs. Ben Askren (EUA)

Por Alexandre Matos

Um minuto de silêncio em memória ao tempo em que Robbie Lawler (28-12 no MMA, 13-6 no UFC) aterrorizava a divisão. Ele se tornou campeão espalhando sangue dele e da concorrência pelo caminho. Porém, a guerra contra Rory MacDonald deixou marcas indeléveis em ambos. Robbie perdeu o cinturão nocauteado no primeiro round por Woodley, venceu Donald Cerrone sem brilho e foi dominado por Rafael dos Anjos. Em nenhum momento, mostrou a alma demoníaca de antes.

Ofensivamente falando, Lawler é um lutador com muitas ferramentas. O kickboxing é a melhor arma. Ele mescla bem os chutes com os socos, usa as cotoveladas como poucos e tira joelhadas mortais. Com o passar do tempo, desenvolveu uma veia contragolpeadora que encontrou eco no queixo de aço e na raça sobre-humana. Seu wrestling é subestimado, porém útil ofensivamente. Na defesa, melhorou assustadoramente na arte de impedir quedas neste retorno ao UFC. O jiu-jítsu, que segue sendo seu maior calo, tanto ofensiva quanto defensivamente – e isso pode ser um problema sério neste sábado. Infelizmente, porém, o corpo tem demonstrado sinais de putrefação, o que é natural para um sujeito que se mete em guerras antológicas há quase 20 anos.

Os fãs até já tinham perdido as esperanças de ver Ben Askren (18-0 no MMA, 0-0 no UFC) entre os melhores do mundo. Antes tarde do que nunca. Depois de perder tempo no ONE, quase um ano e meio desde a última luta, o nocaute sobre o pequeno Shinya Aoki, finalmente o ex-campeão do Bellator chegou ao maior palco do esporte.

É exagero dizer que Askren é o melhor grappler da divisão? Os fãs de Demian Maia não vão gostar, mas a vantagem que o paulista tem na arte suave é perdida no wrestling, então a parada é dura. Askren, que foi bicampeão da Divisão I da NCAA e atleta olímpico, soma as duas vertentes da luta agarrada como raros fazem no MMA atual. Se estiver com o timing em dia, é difícil vê-lo perder uma viagem rumo ao solo, onde fatalmente ele chega em posição de domínio e raramente é removido de lá. O “Funky” aplica uma pressão sufocante, dá giro o tempo todo e está sempre em busca da posição para finalizar. No meio disso tudo, aprendeu a aplicar um sonoro ground and pound. O striking está longe do nível do grappling, mas Askren não é mais podre trocando golpes como foi um dia. Melhorou um tiquinho, o suficiente para encurtar com propriedade e até para mandar corpos ao chão (não o de Lawler).

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Fosse disputado há uns quatro anos, este combate teria contornos dramáticos para Askren. Derrubar Lawler não era tão fácil e o demônio estava no auge de atrair a concorrência para sua zona de (des)conforto. Porém, o tempo é implacável, assim como as marcas das batalhas.

Askren é um atleta muito mais saudável e menos desgastado que Lawler. Ainda que possa sentir uma perda de ritmo, não só pelo tempo parado, mas por ter enfrentado oponentes menos desafiadores nos últimos tempos, Ben ainda tem todas as ferramentas para estrear com sucesso no MMA e fazer valer o que sempre garantiu: que era o melhor meio-médio do mundo, mesmo na época de Georges St. Pierre.

Salvo se Lawler se mostrar fisicamente inteiro, o que acho pouco provável, Askren deve encontrar algum problema para encurtar no começo do combate, enquanto analisa a movimentação de Lawler e lida com os octagon jitters da estreia. No entanto, quando decidir derrubar, provavelmente o ex-Bellator atingirá o intento e, uma vez no chão, fará da vida de Lawler uma depressão até o fim dos 15 minutos regulamentares.

Peso Palha: #7 Tecia Torres (EUA) vs. #15 Weili Zhang (CHN)

Por Thiago Kühl

Tecia “The Tiny Tornado” Torres (10-3 no MMA, 6-3 no UFC) é mais uma das lutadoras que chegou no UFC muito nova por meio do TUF 20 – tinha 24 anos na época – e evoluiu muito desde então, sendo parada apenas pela elite. Após perder para a ex-campeã Carla Esparza nas quartas-de-final do reality show, emendou três vitórias e perdeu para atual campeã Rose Namajunas. Depois, mais três vitórias, desta vez contra concorrência melhor do que na primeira vez, credenciaram a americana para adentrar no top 5 da divisão, ali perdeu para Jessica Bate-Estaca e Joanna Jedrzejczyk. As derrotas interromperam a boa ascensão de Tecia, mas é importante lembrar que deu trabalho para ambas: roubou um round de Bate-Estaca e entregou uma luta duríssima para a ex-rainha do peso.

A evolução de Torres apareceu em todos os ramos do jogo. No striking, seja no boxe ou no clinch, mostrou evolução a ponto de atrapalhar as aproximações de Jessica e dificultar a vida de Joanna. Sua movimentação tem se tornado também um bom ativo para controlar as lutas, pois se no passado sua abordagem de combate parecia conservadora demais, hoje consegue trabalhar tanto agressivamente quanto em uma postura de contragolpeadora. No grappling, tem uma defesa de quedas decente e um forte jogo de clinch, uma vez no solo, não teve tantas oportunidades para mostrar suas habilidades, mas a faixa azul de jiu-jítsu foi suficiente para conseguir uma rápida transição para as costas e um mata-leão na faixa marrom Juliana Lima.

Após a estreia de Weili Zhang (18-1 no MMA, 2-0 no UFC) no octógono, ao vencer com alguma dificuldade Danielle Taylor, não se imaginava que a chinesa faria o que fez contra a antiga número 1 do mundo Jessica Aguilar. No primeiro combate, três rounds de trocação, mostrando muita agressividade mas sem muita preocupação defensiva. No segundo, uma surra no ground and pound, com direito à banho de sangue na ex-campeã do WSOF, que acabou em uma bela finalização ainda no primeiro round.

Os pouco mais de 20 minutos da chinesa no octógono apresentam-na bem ao público. Agressiva, dona de alta potência, capacidade de derrubar a partir do clinch e bom controle posicional tornam Weili uma lutadora divertidíssima de se ver lutar, porém, é temerário que tenha as mesmas abordagens contra gente do alto nível. Isso porque pelo lado defensivo, ela ainda demonstra muita imaturidade. As entradas em pé são estabanadas por diversas vezes, e contra Danielle mesmo, perdeu um round só na base dos contragolpes de encontro. No chão, por mais que consiga fazer pressão de forma eficiente, precisa tomar cuidado para não deixar se levar pelas posições de vantagem e perder bons momentos na luta.

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Eu ficaria muito surpreso se tivéssemos uma luta ruim aqui. Tecia deixou o conservadorismo de outrora e aprendeu a adaptar seu jogo para conseguir vantagem nas lutas. Weili não precisa de motivos para ser agressiva, assim temos uma receita pronta para uma ótima luta.

O confronto de estilos não é novo para Torres, por quase 5 minutos a americana soube lidar com a lutadora mais agressiva da categoria de uma ótima forma, se o fizer novamente, terá condições de vencer a chinesa, que é bem menos técnica que Jessica Andrade. Pelo lado de Zhang, seria melhor ter uma abordagem mais parecida com a luta contra Aguilar, tratar de se aproximar, conseguir uma queda e trabalhar no solo, por cima, seria a melhor solução, correr atrás de Tecia por 15 minutos e ser alvo do bom boxe da americana não fará bem para sua saúde. Dentro destes cenários, me parece mais provável que Tecia consiga implementar o seu jogo e vencer na decisão, mas tomando alguns sustos no percurso.

Peso Galo: #2 Cody Garbrandt (EUA) vs. #9 Pedro Munhoz (BRA)

Por João Gabriel Gelli

Em uma trajetória meteórica, Cody Garbrandt (11-2 no MMA, 6-2 no UFC) deixou um rastro de destruição no peso galo, com nocautes sobre Thomas Almeida e Takeya Mizugaki para chegar a uma disputa de cinturão. Nela, teve uma das melhores atuações dos últimos tempos no esporte ao superar Dominick Cruz de maneira enfática e conquistar o título. No entanto, o que veio a seguir escancarou alguns dos problemas de Garbrandt, e ele acabou sendo destronado logo na primeira defesa ao encarar o rival TJ Dillashaw. Com uma revanche imediata, Cody não conseguiu evitar os mesmos erros e saiu nocauteado mais uma vez.

O grande traço do jogo de Garbrandt é o boxe. Ninguém no UFC tem mãos tão rápidas quanto ele, o que lhe torna capaz de furar quase qualquer bloqueio e atingir oponentes sem que estes saibam de onde o golpe saiu. Além disso, costuma mostrar um trabalho de pernas intenso e preciso, que ajuda a cobrir espaços com elevada velocidade e também contribui para que consiga esquivas visualmente muito bonitas. Ainda pode ser adicionado o fato de que sua defesa de quedas se mostrou ótima até o momento e tem-se um lutador muito ameaçador. Por outro lado, os confrontos com Dillashaw deixaram alguns questionamentos quanto a sua capacidade de suportar dano e também de variar a abordagem quando necessário.

Depois de um começo claudicante no UFC, com retrospecto de 1-2 e uma suspensão por doping, Pedro Munhoz (17-3 no MMA, 7-3 no UFC) se estabeleceu como um top 10 no peso galo com atuações muito boas recentemente. Ele emendou quatro vitórias com uma boa dose de oportunismo contra concorrência respeitável, como Rob Font e Justin Scoggins, mas viu a sequência interrompida por John Dodson em duelo muito parelho. A recuperação veio em uma surra sobre um resiliente Brett Johns. Na última aparição, se tornou o primeiro e, até agora, único a nocautear Bryan Caraway no octógono.

A melhor qualidade de Pedrinho está em atacar brechas pequenas para encerrar combates. Ele tem um excelente instinto finalizador e usa as credenciais no jiu-jítsu para tal, com uma guilhotina que encerrou seis de seus combates. Contudo, não costuma ter a iniciativa de buscar a luta agarrada com frequência e seu wrestling ainda precisa de evolução. De pé, que é a forma que tende a atuar na maior parte do tempo, não é o lutador mais dinâmico, mas aplica uma boa dose de pressão e parece adepto da filosofia de “tomar um para dar um”. Mesmo assim, mostrou avanços tanto ofensivos quanto defensivos ao longo dos últimos anos.

Cody Garbrandt vs Pedro Munhoz odds - BestFightOdds
 

Esta luta tem tudo para ser uma boa forma de Garbrandt se recuperar do par de derrotas recentes e voltar ao caminho do cinturão, mas vem com algumas armadilhas. Caso o ex-campeão fique excessivamente confortável na curta distância e se submeta a trocas de golpes prolongadas nela, pode ser atingido por um golpe vadio de Munhoz e se tornar mais uma vítima do oportunismo do brasileiro. Contudo, a expectativa é que a diferença de velocidade seja tão grande a favor de Cody que furará as barreiras defensivas de Pedrinho sem problemas e abrirá o caminho para um nocaute ou para uma larga decisão.