Por Edição MMA Brasil | 26/12/2018 21:45

Após uma semana conturbada, com a mudança do local do evento de última hora, o UFC montará seu octógono em Inglewood, na California, para sua última edição no ano de 2018. O card preliminar do UFC 232 conta com oito lutas, algumas delas envolvendo veteranos de longa data, como o duelo de pesos pesados entre Andrei Arlovski contra Walt Harris e o de leves, com o interminável BJ Penn enfrentando Ryan Hall.

Antes de Amanda e Cris disputarem o cinturão, Cat Zingano tentará vida nova na categoria do peso pena feminino, encarando Megan Anderson, luta que acontecerá logo após o termino do combate entre Douglas D’Silva e Petr Yan, no peso galo.

Pela mesma categoria teremos ainda duas outras lutas: Andre Ewell contra Nathaniel Wood e Brian Kelleher contra Montel Jackson. Entre essas lutas, teremos ainda dois outros combates: nos médios Uriah Hall enfrenta Bevon Lewis e, nos meios-médios, Curtis Millender encara Siyar Bahadurzada.

O card preliminar do UFC 232 irá ao ar no Canal Combate a partir das 21:30h, no Horário de Brasília.

Peso Pesado: #13 Andrei Arlovski (BIE) vs. Walt Harris (EUA)

Por Pedro Carneiro

É sabido que o ex-campeão dos pesados Andrei Arlovski (27-17 no MMA, 16-10 no UFC) está na reta final de sua carreira. Na realidade, se não lutasse em uma categoria tão sofrível quando os pesados, o bielorrusso dificilmente ainda seria empregado do UFC. Porém, como nem tudo são flores, Andrei parte para sua terceira luta em um intervalo de 6 meses.

No passado, o Pitbull já foi um lutador com ótima forma física para um sujeito entre 93 e 120 quilos. Possuidor de uma técnica acima da média na luta em pé, ele tinha boas combinações de golpes em consonância com uma movimentação lateral bem eficiente. Mesmo que Arlovski tenha perdido um pouco destas características com o passar dos anos, ainda são esses diferenciais que o mantém competitivo. Por outro lado, seu eterno problema segue firme e forte (ou seria frouxo e fraco?). Sim, estamos falando do queixo, ou melhor dizendo a absorção de golpes, o maior empecilho que o bielorrusso teve ao longo de seus quase 20 anos de carreira. E esse queixo é o responsável pelo terrível retrospecto de 2-7 nos últimos 2 anos.

Walt Harris

Walt Harris (11-7 no MMA e 4-6 no UFC) é mais uma evidência da vergonha que são os pesos pesados no MMA. Conhecido por uma peculiar ausência de sinapses neurais durante os combates, o “Big Ticket” possui um forte poder de nocaute e uma resistência cardiorrespiratória incomuns para categoria, que algumas vezes são abandonadas pela propensão do americano de tomar as decisões erradas nos momentos errados.

Após uma vitória contra Daniel Spitz, que provavelmente lhe salvou o emprego após uma sequência de duas derrotas, Harris tem no bielorusso uma boa oportunidade para vencer um lutador tecnicamente superior, dada as características de cada um dos envolvidos. O poder de nocaute e explosão são armas suficientes para enfrentar Arlovski, mesmo que Harris tenha um arsenal ofensivo baseado em combinações simples, usados apenas para abrir espaço para acertar um golpe com a mão forte.

Andrei Arlovski vs Walt Harris odds - BestFightOdds
 

Arlovski é um lutador com um refino técnico amplamente superior ao de Walt Harris e o combate teria tudo para ser um vareio do bielorrusso se o tal queixo de Andrei não fosse de vidro. É possível uma vitória do ex-campeão? Sim. O problema é que ele precisará de um combate quase perfeito defensivamente, já que se Harris conseguir acertar uma bomba, Arlovski despertará do sono dos justos com a lanterninha do médico nos olhos, e essa é a aposta para esse combate.

Peso Pena: #5 BW Cat Zingano (EUA) vs. Megan Anderson (AUS)

Por Thiago Kühl

“Alpha” Cat Zingano (10-3 no MMA, 3-3 no UFC) é uma das mais antigas lutadoras do plantel, tendo estreado na segunda luta feminina da história do UFC, demolindo Miesha Tate com joelhadas e cotoveladas. Ocorre que, do longínquo 2013 para cá, muitos problemas pessoais e lesões permitiram que ela fizesse apenas quatro lutas nos seus cinco primeiros anos na organização, incluindo uma disputa de cinturão contra Ronda Rousey. No derradeiro evento de 2018, Zingano fará sua terceira luta no ano, sendo que as duas primeiras foram uma derrota para Ketlen Vieria e uma vitória contra Marion Reneau, ambas no peso galo, categoria na qual atuou por toda a sua carreira até agora.

Finalmente a falta de ritmo não deve ser um problema para Cat. Após tanto tempo no evento, fazer três lutas no mesmo ano poderá ser interessante para que a americana não sinta o ring rust, podendo mostrar a vera seu bom jogo ofensivo. Zingano é bastante agressiva, possuindo um wrestling forte, uma trocação de bom volume e potência, além de um jiu-jitsu alinhado. Para ajudar, ela tem um coração gigante e sede de sangue, e estas características a levaram às maiores vitórias da carreira – contra Miesha e Amanda – mas também foram responsáveis pela ridícula derrota em 16 segundos para Ronda.

Megan Anderson

Desde a contratação de Cris Cyborg, se ventila a possibilidade de uma luta entre a brasileira e Megan Anderson (8-3 no MMA, 0-1 no UFC), tanto pelo fato que a australiana é uma das poucas lutadoras de bom nível que – de fato – fazem parte do minúsculo universo do peso pena, quanto por ter sido a sucessora de Cris como campeã do peso pena no Invicta. Entretanto, ao chegar no evento, Anderson viu que o nível no octógono é outro, levando um passeio de Holy Holm no chão.

Megan é bem grande e tira boa vantagem do porte físico. Seja num striking muito potente ou em um jogo de clinch e grappling bem grosseiro, a australiana conseguiu acabar com grande parte da concorrência que enfrentou durante sua carreira. Seus problemas residem no lado defensivo: ela engole uma quantidade desnecessárias de golpes e sofre para defender as quedas. Uma vez no chão, não tem condições técnicas para se defender de lutadoras mais versadas na arte suave, mas até consegue se levantar na base da grosseria.

Cat Zingano vs Megan Anderson odds - BestFightOdds
 

Mesmo com a idade mais avançada e provavelmente tendo perdido seus melhores dias para lesões e outros problemas, Cat Zingano será, sem dúvidas, a lutadora mais técnica e experiente no cage. Porém, não pode cair na besteira de partir para cima da australiana, ou irá acordar com a lanterninha do médico. Considerando que a americana fará um jogo inteligente, apostamos em uma vitória de Cat por decisão, após três rounds amassando a australiana no chão, ou até mesmo conseguindo uma finalização caso a oportunidade se mostre no decorrer dos 15 minutos.

Peso Galo: #14 Douglas D’Silva (BRA) vs. Petr Yan (RUS)

Por Thiago Kühl

Pela primeira vez desde que foi contratado em 2014, Douglas D’Silva (25-2 no MMA, 3-2 no UFC) fará duas lutas no mesmo ano. Nas suas cinco aparições no octógono, ele perdeu a estreia para Zubaira Tukhugov, venceu Cody Gibson e Henry Briones e, então, subiu de nível, encontrando em Rob Font uma barreira maior do que poderia transpor. No início deste ano, lutando em seu estado de nascimento, conseguiu voltar ao caminho das vitórias levando uma decisão sobre Marlon Vera, em frente à torcida paraense.

O brasileiro é um lutador com estilo de luta muito interessante. Ofensivo e agressivo, Douglas é daqueles que tem como estratégia de defesa ir para cima e atacar seu oponente, transformando a luta em uma pancadaria e saindo vitorioso do pocket. Em lutas bem casadas, D’Silva será definitivamente um prato cheio para a torcida, já que sempre irá entregar um espetáculo quando lutar contra quem aceitar sua proposta caótica. O problema é que defensivamente, o paraense tem muitos buracos, os quais serão sempre explorados por gente mais talentosa e cuidadosa.

Um dos grandes prospectos da categoria dos galos, o ex-campeão do ACB Petr Yan (10-1 no MMA, 2-0 no UFC) tem feito jus às expectativas que foram colocadas sobre ele. Após um bom nocaute sobre Teruto Ishihara, o russo teve luta marcada com Douglas para o UFC em Moscou mas, com a lesão do brasileiro, acabou enfrentando Jin Soo Son e o venceu na decisão em uma luta bastante animada.

Yan é um excelente striker, acertando golpes dos mais variados ângulos. Ele possui uma movimentação muito boa, tanto para encontrar caminhos para golpear, quanto para usar como forma de defesa de quedas. O problema é que, defensivamente, Yan aceita muitos golpes e também gosta de uma trocação dentro do pocket, o que fez com que sofresse em alguns momentos em sua última luta contra o sul-coreano.

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Se os deuses do MMA gostarem de nós, o grappling deverá ser completamente ignorado neste combate. Considerando o estilo de luta de ambos, é muito possível que este confronto se transforme em um belo arranca rabo em alguns momentos, pelo menos enquanto o russo permitir que assim seja. Isto porque Petr tem uma movimentação bem mais fluida que o brasileiro, podendo evitar a trocação na curta distância.

Imagino que haverá certa variação de momentos de pancadaria insana com outros de maior movimentação do russo. O resultado da luta dependerá muito de quanto Douglas irá conseguir manter a desordem, tornando a luta uma verdadeira loteria. De toda forma, o maior talento de Yan deverá prevalecer ao final de 15 insanos minutos.

Peso Leve: BJ Penn (EUA) vs. Ryan Hall (EUA)

Por Diego Tintin

Quem vê BJ Penn (16-12-2 no MMA, 12-11-2 no UFC) se arrastando pelos octógonos há pelo menos cinco anos, talvez não imagine que este é um dos lutadores mais talentosos que o MMA já viu. Campeão mundial de jiu-jítsu na faixa preta, ele conquistou o cinturão do UFC em duas divisões de peso (leve e meio-médio) e travou batalhas históricas com gente como Georges-St-Pierre, Matt Hughes, Renzo Gracie, Takanori Gomi, entre muitos outros. O problema é que há mais de oito anos o camarada não tem seu braço erguido ao fim de uma luta e venceu apenas um de seus nove últimos combates em um distante novembro de 2010.

Nos bons tempos, o “Prodígio” era veloz, técnico e oportunista na luta em pé, mesmo enfrentando na maioria das vezes lutadores maiores e mais fortes. No solo, era considerado o melhor entre os pesos mais leves, além de apresentar defesa de quedas imponente e criatividade marcante. Todavia, tudo isso faz parte de um passado cada vez mais distante. Hoje em dia, o havaiano parece um espectador leigo atirado por engano para dentro da jaula para enfrentar lutadores profissionais. Sem esboçar reação, foi espancado sistematicamente em cada uma das últimas cinco lutas. Outrora um dos mais populares atletas do esporte, atualmente não consegue oferecer nada além de um espetáculo de tristeza e agonia para seus fãs de longa data.

Ryan Hall (6-1 no MMA, 2-0 no UFC) deixou o jiu-jítsu de competição para se dedicar integralmente ao MMA somente  em 2015, ao conseguir uma vaga no TUF 22. Entrou no programa como um dos azarões, chegou a ser eliminado nas quartas de final para Saul Rogers, mas deu sorte de herdar a vaga do mesmo Rogers na final, por questões burocráticas. Não deixou a chance passar e dominou Artem Lobov, conquistando assim o contrato com a organização. Um fato curioso é que o nativo da Virgínia ficou famoso em um vídeo que viralizou em 2011, quando imobilizou um valentão que o importunava em um jantar.

Como já mencionado, a praia de Hall é a arte suave. Campeão mundial com e sem quimono na faixa roxa, ele possui um jogo de guarda muito perigoso. Até parecia ter um jogo de quedas decente, mas no seu último combate, contra Gray Maynard, ficou claro que contra oponentes de base mais sólida, dificilmente vai derrubar. Passou a luta se deitando e chamando Maynard para duelar no chão, virando alvo de vaias da torcida. Contra Maynard até obteve o triunfo, graças a alguns chutes bem colocados, mas esta não é uma estratégia sustentável a longo prazo.

B.J. Penn vs Ryan Hall odds - BestFightOdds
 

Hall não pode reclamar dos casamentos de luta que recebeu após vencer o reality show promovido pelo UFC. Penn, assim como Maynard, tem poucas condições de dividir o octógono contra um lutador no nível competitivo do UFC, e estou sendo muito generoso aqui. Lamentavelmente, o grande BJ campeão da década passada não existe mais e o veterano vai amargar mais uma derrota constrangedora.

Peso Galo: Nathaniel Wood (ING) vs. Andre Ewell (EUA)

Por Rafael Oreiro

Nathaniel Wood (14-3 no MMA, 1-0 no UFC) chegou ao UFC em 2018 como uma das maiores promessas do MMA inglês. Com 25 anos, o “Prospecto” vinha de cinco vitórias seguidas em sua carreira, neste meio tempo tendo conquistado o cinturão do Cage Warriors e o defendido duas vezes – conseguindo nocautes no primeiro round nestas três lutas. Já enfrentando em sua estreia um veterano e ex-top 15 em Johnny Eduardo, Wood passou por alguns apuros, mas conseguiu um belo estrangulamento d’arce no segundo assalto para finalizar o brasileiro e ainda levar a bonificação de performance da noite.

Pupilo de Brad Pickett na academia Titan Fighter MMA, o londrino começou nas artes marciais mistas bem cedo, aos dezessete anos e hoje, ainda relativamente novo, já construiu um jogo bem completo. Em pé, Wood apresenta uma postura clássica de boxeador inglês, fazendo bastante uso de ganchos, variando estes entre a cabeça e o tronco, além de abusar dos chutes nas pernas. Ele possui mãos bem velozes e potentes, mostrando o seu melhor quando entra com combinações rápidas no pocket. Entretanto, com a tendência de sempre pressionar e encurtar a distância, o inglês acaba se perdendo com frequência, se empolgando e passando a trocar golpes de maneira franca, abrindo buracos gigantes em sua defesa.

Nathaniel não busca tanto as mudanças de nível, talvez por ainda não ter um arsenal confiável de quedas. Porém, o chão é provavelmente a área onde o inglês tem mais técnica, com transições fluídas e botes de finalização bem rápidos. Sua defesa de quedas é razoável, mas ainda não foi testada por competição de alto nível.

Se Wood teve um adversário experiente logo em sua estreia, Andre Ewell (14-4 no MMA, 1-0 no UFC) teve um desafio ainda mais complicado. Também tendo chegado a organização como campeão de uma boa organização regional no CES MMA, o americano teve a difícil missão de viajar para o Brasil e, com pouco tempo de antecedência, enfrentar o – bastante decadente – ex-campeão Renan Barão. Após um começo de combate complicado, Ewell impressionou ao vencer as duas últimas parciais – a última inclusive de forma dominante – para levar a vitória na decisão dos juízes.

Gigante para o peso galo – com 1,91 metros de envergadura, a maior atualmente na categoria – Andre possui um jogo bastante eficiente na longa distância, deixando suas mãos baixas e apostando em combinações pouco ortodoxas e variadas, misturando socos e chutes. Quando encontra a distância e seu ritmo na luta em pé, Ewell pode ser bastante difícil de se lidar. Sua principal deficiência é ter uma defesa de quedas apenas razoável e um jogo de chão não muito eficiente, apesar dele por vezes conseguir usar suas pernas longas para tentar botes e se levantar do tablado.

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Na luta em pé, teremos um confronto de estilos bastante difícil de se prever. Wood nunca enfrentou ninguém com os desafios que Ewell apresenta, mas possui características que podem o ajudar neste desafio. Com o costume de andar sempre para frente e pressionar, é necessário que o inglês faça isso com responsabilidade para não deixar Andre confortável na distância, o que seria totalmente desastroso para suas chances no combate. Caso Nathaniel dê espaço ou acabe se empolgando e indo para a briga, Ewell possui ferramentas para levar a vitória.

O inglês tem como seu principal trunfo na luta o jogo de chão, que provavelmente não será usado de imediato, mas sim a partir da metade do segundo round. Se conseguir botar Ewell de costas no tablado, Wood tem altas chances de conseguir uma finalização.

Em um combate bem disputado, apostamos aqui que Wood conseguirá levar vantagem por ter capacidade de misturar mais as valências do MMA, conseguindo vantagem em pelo menos dois rounds para levar a vitória na decisão dos juízes.

Peso Médio: #14 Uriah Hall (JAM) vs. Bevon Lewis (EUA)

Por Diego Tintin

Uriah Hall (13-9 no MMA, 6-7 no UFC) ficou famoso com seus nocautes assustadores no TUF 17, competição na qual que era favorito destacado e perdeu a final para o hoje desafiante Kelvin Gastelum. Depois de um início difícil na organização, o jamaicano teve seu melhor momento ao conquistar cinco vitórias em seis lutas. Além de bater nomes importantes como Gegard Mousasi, Thiago Marreta e Chris Leben, sua única derrota neste período foi uma decisão controversa para o brasileiro Rafael Natal. Mas uma derrota para Robert Whittaker o lançou em um momento com viés negativo, com apenas uma vitória nos últimos quatro combates.

O estilo de luta de Uriah é baseado em sua capacidade de gerar máxima potência em golpes isolados. E nisso, o sujeito é um dos mais impressionantes que já pisaram no octógono, capaz de derrubar um animal de grande porte com uma patada solitária. Nas combinações, vem mostrando alguma evolução, embora o mesmo não possa ser dito de sua defesa de quedas e desenvoltura no solo. O condicionamento físico nunca pareceu dos melhores, mas nos últimos combates, realmente comprometeu suas atuações. Hall vem ficando vulnerável ainda muito cedo nas pelejas, perdendo velocidade e explosão.

Bevon Lewis (6-0 no MMA) estreia no UFC também credenciado por nocautes brutais, tendo imposto interrupções contra Elias Urbina e Alton Cunningham no Contender Series. Antes de entrar no programa e fazer um acordo de desenvolvimento com a organização, Lewis fez 14 lutas no MMA amador, com doze vitórias. O americano passou a se dedicar às artes marciais somente com 19 anos, já que antes disso dividia suas atividades atléticas entre o futebol americano e o beisebol, com algumas experiências isoladas no wrestling.

Alto, forte e habilidoso na luta em pé, é bem provável que alguns mais apressados venham a comparar Lewis com Anderson Silva ou Jon Jones. O mais prudente, ao menos por enquanto, é ver nele um estilo parecido com o de seu oponente neste combate, até pela facilidade em gerar potência e punir os oponentes que cometem erros de controle de distância. Golpeador de qualidade, vale se apostar nele para o futuro, mas antes disso é necessário observar como vai se comportar com o aumento do nível de competição.

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Embora Hall não seja um lutador de elite, é consolidado no UFC e muito melhor que tudo o que Bevon viu pela frente até o momento. Existe uma ideia de equilíbrio neste combate que poderá parecer tosca após a luta, uma vez que é provável um dos atletas terminar com a lanterninha do médico nos olhos. Como estou cansado de apostar no jamaicano e terminar desapontado, vamos aqui depositar uma confiança no novo. Pela renovação do peso médio, o palpite é em um nocaute do estreante.

Peso Meio-Médio: Curtis Millender (EUA) vs. Siyar Bahadurzada (AFG)

Por Matheus Costa

Siyar Bahadurzada

Buscando uma maior frequência de lutas, Baharduzada (24-6-1 no MMA, 4-2 no UFC) fará sua segunda luta no mesmo ano, fato que não acontece em sua carreira desde 2013. Todavia, o afegão de 34 anos vive boa fase, com três vitórias consecutivas, sendo a última delas sobre o brasileiro Luan Chagas por nocaute técnico.

A principal qualidade de Baharduzada, sem dúvida alguma, é o boxe. Mesmo com pouco volume, as mãos do atleta são bem poderosas e sempre buscam o nocaute até os últimos instantes do confronto. Entretanto, Baharduzada acaba se expondo por ser lento demais, e isso pode ser um ponto a ser explorado por Millender. O atleta possui um chão não muito chamativo e uma defesa de quedas bem fraca.

Curtis Millender (15-3 no MMA, 2-0 no UFC) chegou ao UFC após se destacar no cenário americano, anotando seis vitórias consecutivas no cenário regional dos Estados Unidos. No UFC desde fevereiro, Millender brutalizou a face de Thiago Alves com cruéis joelhadas no primeiro round, além de neutralizar o bom Max Griffin por decisão unânime em julho.

Dono de um físico muito avantajado para a categoria, Millender se destaca bastante no jogo em pé, principalmente pela potência de seus golpes e pela variedade de combinações, além do controle de distância devido aos seus 1.93m de envergadura. Seu principal defeito é a luta agarrada, mesmo que não ainda tenha sido explorado por um especialista na área.

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O segundo duelo da noite promete muita ação para os amantes da luta em pé, já que pela deficiência dos indivíduos na luta agarrada, dificilmente veremos algum tipo de grappling aqui. Como os dois são strikers de muita potência, a esperança aqui é que tenhamos uma luta cheia de trocação, com cada um tentando implementar seu jogo de striking, nessa toada. A aposta aqui vai para Millender, que deve controlar a luta na longa distância rumo a decisão unânime.

Peso Galo: Brian Kelleher (EUA) vs. Montel Jackson (EUA)

Por Bruno Costa

Brian Kelleher (19-9 no MMA, 3-2 no UFC) é mais um dos divertidos operários da categoria dos galos no UFC. Um finalizador nato de combates que chegou à organização com considerável nível de experiência na carreira, “Boom” conta com boas vitórias contra os experientes e reconhecidos Iuri Marajó e Renan Barão.

Kelleher é um lutador de ritmo intenso que prefere trabalhar na curta distância pressionando os rivais. O excelente preparo físico e queixo privilegiado garantem que esse tipo de estratégia seja bem sucedida. Seu grappling é uma ferramenta mais utilizada quando por iniciativa dos adversários, com ótima noção nos scrambles e tendo a guilhotina como especialidade da casa. Na luta em pé, ganchos e cruzados são as principais armas quando chega à sua distância preferida, invadindo o raio de ação dos rivais.

Muito embora seja ofensivamente um lutador de boas ferramentas e estratégia bem definida, a parte defensiva não é bem elaborada e provavelmente não sofrerá alterações relevantes nessa fase da carreira. Sua defesa de quedas é esburacada e pode ser bem explorada por rivais conscientes e com habilidade o suficiente para tanto, além de ter sofrido em algumas ocasiões contra oponentes metódicos no controle de distância.

Montel Jackson (6-1 no MMA, 0-1 no UFC) é um talentoso e gigantesco peso galo em busca da sua primeira vitória na organização. Na aparição no Contender Series que garantiu uma chamada posterior do UFC, o “Rápido” teve atuação sólida desde o início da luta até conseguir nocautear Rico DiSciullo no terceiro round no combate.

Em sua estreia no UFC, fez um duelo movimentado e de bom nível entre dois jovens promissores contra Ricky Simon, onde acabou derrotado. Agora, Jackson recebe como presente um duelo que é capaz de vencer, mas contra um adversário experiente e de boas qualidades que não condizem com o estágio de desenvolvimento de sua carreira.

Jackson é um canhoto forte, alto e que possui poder de nocaute acima do normal para a categoria. Pela envergadura pouco usual à faixa de peso, ele prefere controlar os adversários na longa distância com jabs e chutes frontais, preparando território para os potentes ganchos e diretos que costumam render interrupções em seus combates. A defesa de quedas vinha se demonstrado suficiente em sua curta carreira, mas chegou a ser um problema quando pressionado à exaustão por Simon em sua estreia no octógono.

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Para o duelo de sábado, as estratégias parecem claras: Jackson precisa manter a distância com paciência em virtude da durabilidade do seu adversário, enquanto Kelleher tentará impor um ritmo intenso e pressionar o rival contra as grades para alcançá-lo.

Jackson provavelmente é o lutador de potencial mais alto, mas pode sofrer pela diferença de experiência. Kelleher é um adversário comprovadamente talentoso que, ao menos em teoria, oferece brechas exploráveis por alguém com as características do oponente. Embora se tratem de dois lutadores com habilidades para finalizar o combate antes dos 15 minutos de luta, ambos já demonstraram bom preparo físico e resistência. Em um duelo muito parelho, a expectativa é que Jackson consiga controlar as ações do combate em ritmo mais desacelerado e saia vitorioso em uma apertada decisão.