Por Edição MMA Brasil | 28/12/2018 00:48

O UFC 232 é a reafirmação do último fim de semana do ano como uma das datas mais importantes do calendário da maior organização do MMA mundial. O evento deste sábado, que teve sua localidade alterada para o Forum de Inglewood, nos arredores de Los Angeles, traz duas disputas de cinturão das mais aguardadas liderando um card repleto de grandes lutas de ponta a ponta.

Puxando a fila, a revanche da melhor disputa de cinturão da história dos meios-pesados. O ex-campeão Jon Jones, que se meteu em mais uma polemica, encara seu maior pesadelo, Alexander Gustafsson, em busca do cinturão que Daniel Cormier deixou vago. Antes deles, Cris Cyborg defende a coroa do peso pena contra a campeã da categoria de baixo, Amanda Nunes, no duelo mais importante do MMA feminino nacional em todos os tempos.

Confronto de estilos empolgantes é a temática do encontro de meios-médios entre o ex-campeão interino Carlos Condit e Michael Chiesa. Colisão de wrestlers de abordagens diferentes é o que envolve o duelo entre o sueco Ilir Latifi e o americano Corey Anderson, pela divisão dos meios-pesados. Abrindo o card principal, a batalha de gerações do peso pena ganha mais um capítulo quando o ex-desafiante Chad Mendes enfrentar Alexander Volkanovski.

O UFC 232 terá transmissão ao vivo e na íntegra no canal Combate. O card principal está previsto para ir ao ar a partir de 01:00h da madrugada do domingo, pelo horário oficial de verão de Brasília.

Cinturão Peso Meio-Pesado: #1 Jon Jones (EUA) vs. #2 Alexander Gustafsson (SUE)

Por Alexandre Matos

O tempo passa rápido. Já se vão quatro anos desde que Jones (22-1 no MMA, 16-1 no UFC) venceu Daniel Cormier e sua vida virou um inferno. Neste longo intervalo, o ex-campeão subiu apenas duas vezes no octógono, mas só uma valeu. Na primeira, teve a pior atuação da carreira diante de Ovince St. Preux. Na revanche contra Cormier, foi pego no doping mais uma vez. Neste tempo, teve problemas com a polícia, com a justiça, com o código de conduta do UFC. Decepcionou uma paca de gente e, pior, privou os fãs de acompanhar sua genialidade em seu ápice físico. Para completar, não conseguiu licença para lutar em Vegas depois que vazou a informação que ainda há vestígios da substância que lhe causou a última suspensão.

Privar os fãs de acompanhar sua genialidade toma dimensões dramáticas em Jonny Bones. Estamos falando aqui do produto mais bem acabado da história do MMA, um sujeito tão bom quanto sua capacidade de fazer merda. Sua composição física é o arquétipo ideal para o esporte: alto, com membros longos, sem excesso de massa muscular (exceto na luta contra OSP), mas com força física suficiente para elevar a vantagem técnica e com quinas que mais parecem navalhas.

Tecnicamente falando, Jones não é o melhor em nenhuma das valências do jogo individualmente, mas faz tudo com habilidade rara. Foi um wrestler de meio de tabela na universidade, mas se tornou um monstro no MMA. Começou a aprender muay thai no YouTube e se transformou num dos maiores pelas mãos de Mike Winkeljohn. O jiu-jítsu foi raramente avaliado, mas ninguém conseguiu mantê-lo de costas para o solo.

Para piorar a vida dos oponentes, ele é um lutador inventivo e tão confiante que normalmente seus movimentos menos ortodoxos como cotoveladas rodadas ou jab-direto de cotovelo, que fariam a maioria dos mortais passar vergonha executando, saem com malícia e potência suficientes para alterar o andamento de um combate. Se isso tudo já não fosse suficientemente aterrorizante para os adversários, Jones ainda tem queixo de concreto e coração de campeão. Em resumo, o melhor de todos os tempos – com o devido asterisco de todos os dopings flagrados, que levantam a dúvida nos que não foram flagrados.

Jones não é o único pouco assíduo na luta principal do UFC 232. No mesmo intervalo de três anos, Gustafsson (18-4 no MMA, 10-4 no UFC) realizou iguais duas lutas que o rival, mas pelo menos pode se orgulhar de não ter feito a pá de bobagens de “Bones”. Contra Jan Blachowicz, o sueco mostrou que andou variando as ferramentas para dominar o polonês. Diante de Glover Teixeira, o Gustafsson craque de sempre aplicou um vareio no brasileiro e o nocauteou depois de pouco mais de 21 minutos de surra.

Se eu fosse traçar um paralelo do jogo de Gustafsson com um elemento fora do MMA, compararia a uma orquestra sinfônica. O sueco tem um jogo baseado no boxe clássico, com uma movimentação tão bem sincronizada com as combinações de golpes que mais parece um conjunto guiado por um maestro. Além disso, Alex tem um sólido jogo de joelhadas no corpo e dirty boxing quando está no infighting; sabe aplicar bons chutes, embora devesse lançá-los mais; e tem um arsenal de quedas subestimado – além de ter dado conta de Blachowicz, Gustafsson é o único lutador que tem no currículo quedas sobre Jones e Cormier.

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Talvez não haja uma luta em que prever os desdobramentos seja uma loteria tão grande quanto nesta, em que não há uma linha de tendência recente a seguir. Jones tem duas lutas em quatro anos e uma delas foi a pior atuação de sua carreira. Quem garante que ele não terá outro desempenho ruim? Para diminuir as condicionais, vou levar em consideração que Bones esteve melhor na última apresentação (que não valeu) por ter motivos pessoais contra Cormier acima do que tinha contra St. Preux. Levarei em consideração que vencer Gustafsson, depois da primeira luta parelha, tem contornos semelhantes.

Isto posto, a capacidade de adaptação de Jones terá que funcionar à perfeição. Gustafsson não é melhor que Cormier, mas é o maior pesadelo estilístico para Jones. A disputa na longa distância favorece o sueco, mais rápido, mais técnico e de melhor movimentação lateral, capaz de fazer o americano caçá-lo e desperdiçar golpes – e energia – no caminho. Caberá a Jonny quebrar o espaço entre os lutadores, ainda que isso lhe custe a vantagem no alcance. Dentro do raio de ação, o trabalho no thai clinch, na pressão do collar-tie e nos golpes curtos, principalmente o uppercut, a cotovelada e a joelhada, atividades que requerem mais força física e equilíbrio, tende a favorecer o ex-campeão, que poderá inclusive mudar de nível e levar o combate ao solo com menos dificuldades que na primeira luta, quando ele insistiu no erro de se jogar nas pernas de longe.

O cenário inicial que imagino é Gustafsson levando vantagem na primeira metade do combate controlando a distância e o ritmo das ações, usando muitos socos em linha com chutes baixos, enquanto Jones sofre para desenferrujar. A segunda metade pode seguir dois caminhos. No primeiro, Gustafsson entra em modo cruzeiro, sem cometer erros ou apresentar queda brusca de rendimento, e vence por decisão. No outro, Jones finalmente consegue quebrar a distância, aplica um violento serviço de clinch que muda o destino do combate e chega à interrupção no último assalto.

Cinturão Peso Pena: C Cris Cyborg (BRA) vs. C BW Amanda Nunes (BRA)

Por Diego Tintin

Cris Cyborg

Cristiane Justino (20-1 no MMA, 5-0 no UFC) é a monarca soberana no peso pena feminino desde que demoliu Gina Carano em 2009, ainda pelo extinto Strikeforce. Sua única derrota no MMA ocorreu em um longínquo maio de 2005, no seu debute profissional. Desde então, Cyborg deixou um rastro de corpos pelo caminho, coroando sua carreira com o cinturão do maior evento do mundo, conquistado contra Tonya Evinger e defendido contra a estrela Holly Holm em uma dura batalha de cinco rounds. Em março deste ano, mandou também Yana Kunitskaya para a vala, consolidando seu reinado.

O domínio físico imposto por Cris é sem precedentes no MMA moderno. Mesmo Jon Jones e Brock Lesnar foram apresentados a criaturas tão inexplicáveis fisicamente quanto eles, diferente de Cristiane. Mais forte e mais atlética que suas concorrentes, a curitibana já intimida antes do combate de fato começar. Contudo, o domínio não seria tamanho sem um suporte técnico dos mais desenvolvidos, moldado na histórica Chute Boxe da capital paranaense. Lá, aprendeu com os mestres Rudimar Fedrigo e Rafael Cordeiro e aprimorou sua técnica em algumas importantes academias nos Estados Unidos. Cyborg é mortal na luta em pé, com potência inigualável e velocidade incrível para alguém de seu tamanho. A luta contra Holm mostrou que a técnica no kickboxing e o condicionamento físico também se encontram em alto nível. Completam o arsenal um wrestling defensivo bem evoluído nos tempos de treinos com Tito Ortiz, além de uma faixa marrom de jiu-jítsu sob a supervisão de André Galvão.

Amanda Nunes (16-4 no MMA, 9-1 no UFC) teve um início de carreira fulminante nos eventos nacionais e sempre foi uma grande aposta para ser uma estrela internacional. Ainda muito jovem, sofreu um baque com o aumento de nível quando migrou para o Strikeforce e, posteriormente, para o Invicta. Contudo, ao chegar no octógono, a “Leoa” jogou para escanteio a fase irregular e se consolidou como uma das melhores lutadoras do mundo, mesmo enfrentando a nata do MMA feminino.

O cinturão veio após uma surra aplicada em Miesha Tate na luta principal do UFC 200. Com outro massacre, dessa vez sobre Ronda Rousey, Amanda somou vitórias contra as duas maiores estrelas femininas da história da organização. Além da derrota para Cat Zingano, após uma queda de rendimento brusca durante o combate, sua maior rival até agora na organização foi Valentina Shevchenko. A quirguiz entregou duas guerras contra a baiana, trazendo inclusive controvérsia quanto à vencedora do segundo duelo entre as duas. Na última aparição, uma exibição protocolar que terminou em um nocaute no quinto round contra a valente Raquel Pennington.

Assim como sua rival deste sábado, Nunes impõe a força física em sua divisão. Porém, esta vantagem estará do outro lado neste duelo e o desafio da campeã dos galos é se adaptar a esta condição. Entusiasta da luta em pé, Amanda não nega a tradição soteropolitana de bons boxeadores, com punhos pesados e precisos. Os chutes, principalmente nas pernas, também são motivos de preocupação para as oponentes. Na luta agarrada, sabe finalizar e tem capacidade para se defender sem passar muito sufoco, mas esta não é uma prioridade em suas estratégias. Quando leva para o chão, prefere sentar a mamona a buscar transições ou refinar posições. Ela já teve problemas com a dosagem das suas energias, com momentos de afobação que levaram a um esgotamento prematuro, aspecto em que vem apresentando evolução. Após sair do Brasil, Nunes passou a treinar na AMA Fight Club com os veteranos Jim Miller e Jamie Varner e migrou posteriormente para a prestigiada American Top Team.

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O duelo de brasileiras campeãs deve ser marcado pela tensão, uma vez que a capacidade de definição de ambas é suficiente para que as barbas fiquem de molho por todo o tempo. A vantagem física, o corpo acostumado com o peso e a tendência de uma abordagem mais cautelosa são aspectos favoráveis a Cyborg. Seu trabalho será facilitado caso evite as tentativas de quedas de Amanda e a luta siga em um ritmo mais lento na trocação. Para Nunes, o ideal é derrubar e trabalhar seu ground and pound pesado, mas a tarefa não é nada simples, diante da boa defesa de quedas de Cris. Na luta em pé, o melhor cenário para a desafiante é transformar tudo em uma pancadaria de alta voltagem, o que traz maior imprevisibilidade para a mesa. Amanda é valente, tem suas chances reais, mas a aposta segura aqui é que Cris mantenha a sua coroa com um nocaute técnico em um dos rounds de campeonato.

Peso Meio-Médio: Carlos Condit (EUA) vs. #9 LW Michael Chiesa (EUA)

Por Pedro Carneiro

Carlos Condit (30-11 no MMA e 7-7 no UFC) é um dos lutadores mais agressivos e versáteis que o MMA já viu. Com uma caixa de ferramentas lotada de socos e chutes dos mais diversos ângulos, cotoveladas que saem do mais profundo abismo do inferno e uma guarda bastante agressiva, Condit é uma máquina de machucar pessoas. Ex-campeão do WEC e tendo conquistado o cinturão interino do UFC, a cada luta o desempenho do americano deixa nítido que sua jornada no MMA se aproxima do final.

O “Assassino por Natureza” vem de resultados irregulares nos últimos combates. Após uma atuação magistral há dois anos e meio no espancamento aplicado em Thiago Pitbull, em Goiânia, ele foi superado pelo ex-campeão Robbie Lawler numa luta apertada, foi completamente anulado por Demian Maia no ano passado – que expôs as dificuldades do americano quando pressionado nas costas – e, por fim, foi superado pelo wrestling de Neil Magny.

Se aventurando no peso meio-médio após sofrer problemas com a balança na categoria de baixo, Michael Chiesa (14-4 no MMA, 7-4 no UFC) não vive o seu melhor momento dentro do octógono. Após a vitória contra Beneil Dariush em 2016, Chiesa se apresentou no UFC mais duas vezes e saiu derrotado em ambas as oportunidades. Todavia o vencedor do TUF 15 – em uma das mais belas histórias de superação do esporte, quando Michael fez diversas lutas durante o período de luto pela morte do pai – sempre esteve no bolo dos ranqueados no peso leve. Resta saber como ele encarará a mudança de categoria.

Chiesa é um lutador unidimensional, buscando sempre as quedas e transições para uma posição onde possa submeter o adversário. A altura e o corpo longilíneo eram usados para encurtar a distância e derrubar os adversários, o que talvez não seja tanta vantagem na categoria de cima onde enfrentará atletas com um porte físico semelhante.

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Mais um capítulo do interminável duelo entre striker e grappler se apresentará no UFC 232. Se Carlos ainda estivesse no seu apogeu o favoritismo estaria do seu lado. Contudo, no último combate contra Neil Magny, o veterano sofreu demais com as quedas e aqui o cenário é ainda mais perigoso. É possível que um lutador agressivo e implacável como Condit consiga um nocaute, mas o mais provável é que Chiesa o deixa de costas pro chão e consiga uma submissão ou um 30-27 na decisão dos juízes.

Peso Meio-Pesado: #5 Ilir Latifi (SUE) vs. #10 Corey Anderson (EUA)

Por Idonaldo Filho

Treinando wrestling desde criança e já tendo participado do ADCC, Ilir Latifi (14-5 no MMA, 7-3 no UFC) é o brucutu favorito de muitos fãs de MMA. Conhecido pela sua notória grosseria, Latifi não poderia ter estreado de melhor forma no MMA. Lutando contra o não menos bruto Blagoi Ivanov, ele conseguiu a proeza de arrebentar o ringue em uma disputa de clinch, ganhando de prêmio um no-contest para seu cartel. No UFC, o baixinho anotou quatro nocautes e duas finalizações, vindo de sequência recente bem positiva. Em sua última luta, fez os restos mortais de Ovince St.Preux apagarem em uma guilhotina e, antes disso, frustrou Tyson Pedro, barrando as tentativas de ataque do australiano e conquistando uma vitória confortável.

Não é preciso nem falar que o sueco é um lutador de muita força física. Com base na luta greco-romana, Latifi é capaz de arremessar corpos no chão de forma plástica, utilizando inclusive suplês como mostrou em sua luta contra Gian Villante. Entretanto, ele mostra um boxe decente e explosão considerável para alguém de seu peso, o que, aliado com o grande poder que tem nas mãos, se torna uma combinação fatal na curta distância e no clinch. Defensivamente, Ilir ainda tem buracos na luta em pé, dando brechas para sofrer golpes bobos, mesmo tendo uma envergadura até que razoável de 1,86m para sua altura. Porém, a pressão que ele consegue impôr ameniza um pouco esse problema.

Campeão do TUF 19 pelo time de Frankie Edgar, Corey Anderson (11-4 no MMA, 8-4 no UFC) pode dizer que foi o único lutador decente que saiu dessa edição do programa, embora isso não signifique muito. Wrestler universitário, Corey entrou no UFC pouco experiente, com apenas três lutas profissionais, se desenvolvendo quase que totalmente dentro do líder do mercado. Atualmente, o ex-“Beastin 25/8” que se tornou um insosso “Overtime”, está com duas vitórias seguidas, ambas conquistadas neste ano de 2018. Ele dominou fisicamente Patrick Cummins e Glover Teixeira, em lutas chatas, mas que serviram de recuperação depois de ter sofrido dois nocautes brutais contra Jimi Manuwa e Ovince St.Preux.

Anderson gosta muito de jogar na pressão, indo para a frente e levando o adversário para grade, onde busca incessantemente chegar ao solo, procurando posições de domínio e aplicando um ground and pound um pouco preguiçoso, que não é muito difícil de se defender. Como é um lutador fisicamente e atleticamente privilegiado, ele muitas vezes consegue dominar os adversários e impôr o seu jogo físico e ainda vem melhorando gradativamente a sua trocação, embora ainda não use os seus dois metros de envergadura com todo o potencial. Até então, Corey parece ser um lutador que pode muito bem chegar ao top 5, mas algumas características barraram a sua ascensão. Anderson é um lutador que toma inúmeras decisões duvidosas na luta, muita das vezes se abre sem necessidade alguma e possui alguns problemas de absorção de golpes. A falta de QI de luta e de defesa é gritante, e isso impede que ele chegue a voos mais altos.

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Os dois são wrestlers que têm um plano de jogo diferente. Latifi se sente confortável em pé e utiliza o wrestling mais defensivamente, enquanto Corey Anderson gosta de disputar forças na grade e levar o oponente ao solo, para dominar posições. Vendo essas características, imagino que essa luta irá acontecer em pé, e nessas condições quem deve ter vantagem é o sueco.

Com mais potência nos socos, imagino Latifi abordando a troca de golpes com cautela, buscando conectar um clássico overhand na têmpora de Corey. O americano já mostrou que não possui muita resistência a golpes e se defende mal, além de não ter demonstrado até agora habilidade para ser capaz de manter o sueco fora de alcance. Então, a aposta é que Latifi consiga o nocaute, talvez ainda na primeira etapa.

Peso Pena: #5 Chad Mendes (EUA) vs. #10 Alexander Volkanovski (AUS)

Por Alexandre Matos

Uma vez citado pelo antigo rei dos penas, José Aldo, como o “príncipe” da categoria, Mendes (18-4 no MMA, 9-4 no UFC) chegou três vezes ao posto de desafiante, mas esbarrou no brasileiro nas duas vezes oficiais e em Conor McGregor na disputa interina. Quando tentava reiniciar a corrida, levou um nocautaço de Frankie Edgar e amargou dois anos de suspensão por doping. O retorno aconteceu apenas no meio de 2018, quando precisou de pouco menos de três minutos para nocautear Myles Jury.

All-American na Divisão I da NCAA pela Politécnica da Califórnia, Mendes conseguiu uma bela virada na carreira ao deixar de ser o wrestler voluntarioso, porém quase unidimensional, para se tornar um striker mortal, de imensa potência nos punhos e habilidade no muay thai obtida no tempo em que Duane Ludwig liderou os treinos no Team Alpha Male. Chad poderia ser cunhado de lutador completo se não apresentasse a complicação de variar a estratégia de luta durante um combate. Apesar de ser um excelente wrestler e ter se tornado um ótimo striker, ou ele atua como um, ou como outro.

Em dois anos de carreira na maior organização do MMA mundial, Volkanovski (18-1 no MMA, 5-0 no UFC) passou de prospecto a integrante do top 10 do futuro e agora é considerado um sério candidato na divisão que fica cada vez mais forte. Em cinco lutas, foram cinco vitórias unilaterais, a maioria assustadora. Nos dois últimos combates, combateu ferro com ferro contra o grappler Jeremy Kennedy e depois se mostrou um lutador versátil no atropelamento diante do velho de guerra Darren Elkins.

Quando chegou no UFC, Volkanovski, que também é wrestler de origem, era um cavalo de guerra forte como o diabo, dono de um jogo implacável de quedas, controle posicional firme e provavelmente o ground and pound mais devastador da divisão. Com o tempo, adquiriu novas habilidades e mostrou que sabe boxear na longa distância com muita competência, mandando o duro na queda Elkins a knockdown em duas oportunidades mesmo sofrendo uma lesão na costela dias antes do combate. O condicionamento físico é privilegiado – ele já foi campeão australiano de rúgbi, inclusive sendo o melhor em campo na final.

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Este é um belo teste para ambos. Volkanovski nunca enfrentou alguém no nível de elite de Mendes, ainda que não se saiba se o americano ainda está naquele nível pré-2015. Por outro lado, Alexander The Great é fisicamente muito forte e impositivo para não só anular o wrestling de Chad, mas para levar vantagem neste aspecto.

Isso faz acreditar que o duelo, pelo menos em seu começo, se dará na troca de golpes em pé. Aqui, Mendes terá a vantagem na técnica e na velocidade, mas pode sentir o ritmo de quem lutou apenas três minutos em três anos. Por ser o cara mais ativo e mais fresco, Volkanovski pode igualar as ações, mas apenas para buscar quebrar a distância, maltratar Mendes no clinch e dizimá-lo no ground and pound. Pode parecer uma aposta ousada, mas seguimos firmemente na pauta da passagem de bastão no peso pena.