Por Edição MMA Brasil | 06/12/2018 00:50

Com duas lutas valendo cinturão no topo de sua porção principal, o UFC mais uma vez montará seu octógono em Toronto, no Canadá, para a sua edição em pay-per-view número 231. O card preliminar do UFC 231 conta com um bom duelo entre as pesos palhas Claudinha Gadelha e Nina Ansaroff, além de uma possível eliminatória no peso mosca entre Katlyn ChookagianJessica Eye.

Gilbert Durinho é outro brasileiro em ação, encarando o dono da casa Olivier Aubin-Mercier pela divisão dos leves. Eles subirão no cage imediatamente antes do duelo entre Elias Theodorou e Eryk Anders pelo peso médio. Um pouco mais cedo que Durinho teremos uma boa luta de pesos galo entre Brad Katona e Matthew Lopez

Estarão em atividade no card ainda mais dois brasileiros, Carlos Diego Ferreira contra Kyle Nelson pelo peso leve e, uma categoria acima, Dhiego Lima contra Chad Laprise. Completam o card os meios-pesados Devin Clark e Aleksandar Rakic.

Peso Palha: #3 Claudia Gadelha (BRA) vs. #11 Nina Ansaroff (EUA)

Por Anderson Cachapuz

Foi-se o tempo em que Claudinha Gadelha (16-3 no MMA e 5-3 no UFC) era maior esperança do Brasil conquistar um cinturão nas divisões femininas. Sem perder nenhuma luta nos seus tempos de Invicta FC e passando o carro sem dó na concorrência, a brasileira era um dos principais nomes na categoria a ser inaugurada dos pesos palhas. No mini-torneio que definiu a primeira desafiante de Carla Esparza, ela venceu Tina Lahdemaki em atuação conservadora e fez a eliminatória contra uma (quase) desconhecida polonesa que viraria a pedra no seu sapato. Perdeu na decisão dividida para Joanna Jedrzejczyk em um ótimo combate, mas que atrasou o caminho até o título. Após uma nova vitória teve chance da revanche, mas acabou derrotada uma segunda vez pela polonesa. A recuperação veio com duas boas vitórias contra Courtney Casey e Karolina Kowalkiewicz, mas a caminhada parou na melhor atuação da vida de Jessica Bate-Estaca. Vindo de vitória sobre Esparza, Claudinha ainda tem idade suficiente aos 29 anos para dar mais um sprint rumo ao título.

Gadelha é uma lutadora excepcional, dona de qualidades que a posicionam como uma top na categoria e justificam a expectativa criada em torno de seu nome. Dona de um jiu-jitsu de muita qualidade, uma movimentação de alto nível resguardada por um ótimo condicionamento físico e um jogo em pé que, mesmo com a falta de potencia, é muito bem alinhado, consegue controlar bem os combates e dominar as ações em diversas fases do jogo.

A atuação não tão convincente contra Esparza em junho preocupa um pouco por não sabermos se Claudinha foi afetada pelo mesmo mal que atingiu Renan Barão, que depois de sofrer uma derrota acachapantes  nunca mais foi o mesmo. No caso da brasileira ainda há mais um agravante: uma cirurgia no joelho após sua última luta deixa tudo ainda mais incerto.

Do outro lado do octógono estará a reinventada Nina Ansaroff (9-5 no MMA e 5-3 no UFC). Após estrear com duas derrotas (Juliana Lima e Justine Kish) e dar a impressão de que não teria vida longa na organização, a americana intensificou os treinos com a namorada Amanda Nunes, e tem evoluido a passos largos. Já são três vitórias em sequência, contra Jocelyn Jones, Angela Hill e Randa Markos. Nina agora dará um grande salto em seu nível de concorrência para saber se já está preparada para frequentar o topo da categoria.

Se Nina tem uma característica acima da média, é o grande coração. A americana é uma verdadeira lutadora. Na parte ofensiva tem um arsenal interessante, o striking é bem técnico, sem muito volume, mas com uma taxa de acerto acima da média. Ela consegue atingir as adversárias fazendo uma movimentação fluida que serve também como um primeiro nível de defesa de quedas, e seus chutes baixos servem tanto para desgastar, quanto para marcar a distância. No chão, Ansaroff tem ficado cada vez mais agressiva – conseguindo finalizações contra desavisadas – e apresentando guarda ativa que permite algumas raspagens. O problema reside no lado defensivo do grappling, mesmo com uma melhora na defesa de quedas, ela sofreu com a pressão feita por Randa em sua última luta, enquanto a iraniana ainda tinha pernas.

Claudia Gadelha vs Nina Ansaroff odds - BestFightOdds
 

O X da questão nesse combate vai ser, basicamente, perceber como será o retorno da brasileira ao octógono após a cirurgia no joelho. Contra Esparza, o ritmo mais lento deixou a impressão de que ela poderia estar impactada pela derrota anterior, mas também não da para saber se já havia algum problema físico incomodando a brasileira. Se Claudia voltar a velha forma, ditando o ritmo como no passado com aproximações rápidas e entradas de quedas explosivas, pode até conseguir uma vitória fácil.

A americana, por sua vez, precisa manter a distância e evitar a pressão de Gadelha caso queira algum sucesso. Desgastar a brasileira como fez no segundo round contra Markos é um caminho a ser seguido, apostando em uma diminuição do vigor físico de Claudinha para conseguir uma vitória na decisão.

No final das contas o fiel da balança no combate será a condição física de Claudinha. No auge, daria cabo da luta ainda na sua primeira metade e, apostando que será esta a condição em que se apresentará, acredito que veremos Gadelha conseguir uma interrupção ainda no primeiro round.

Peso Mosca: #3 Katlyn Chookagian (EUA) vs. #9 Jessica Eye (EUA)

Por Thiago Kühl

Katlyn Chookagian (11-1 no MMA, 4-1 no UFC) chegou no UFC ostentando o título do peso mosca e galo do Cage Fury FC, além de um cartel invicto em sete lutas. Na categoria até 66 kgs, venceu Lauren Murphy e perdeu em combate bastante apertado para a ex-desafiante Liz Carmouche, antes de descer para o peso mosca conquistando mais uma vitória, contra Irene Aldana. Já na categoria onde fez a maior parte de suas lutas, já tem duas vitórias e ostenta a terceira posição no ranking, se colocando como uma das forças da divisão que terá seu cinturão disputado neste mesmo sábado.

Oriunda do Karatê e campeã do Golden Gloves, Chookagian hoje faz treinos sob comando do excelente Mark Henry na academia de Renzo Gracie. Ela tem bastante velocidade e consegue fazer um controle de distância muito bem. Com golpes recuando, chutes e uma excelente movimentação pelo octógono, Katlyn deu cabo de Alexis Davis em sua última luta. Mesmo pecando na falta de agressividade algumas vezes, a novaiorquina consegue encaixar precisos contragolpes com a boa envergadura. Na luta agarrada, tem um bom wrestling e é faixa marrom de Renzo, porém utiliza as credenciais no grappling mais defensivamente do que para vencer as lutas.

A carreira de Jessica Eye (13-6 no MMA, 3-5 no UFC) talvez tivesse muito mais tranquila se ela houvesse feito toda sua trajetória no peso mosca. Das seis derrotas de sua carreira, cinco aconteceram no peso galo, enquanto o UFC não abria a categoria até 62 kgs. Assim como muitas outras meninas, grandes demais para cortar para o peso palha e com muita diferença de força para a categoria onde reinava Ronda Rousey, Eye chegou a ter uma sequencia de quatro derrotas. Desde que desceu de peso, conseguiu duas boas vitórias, contra Kalindra Faria e Jessica-Rose Clark.

Antes do UFC ter categorias femininas, Jessica estava dentre o rol das melhores do mundo, sendo dona de um ótimo boxe, com condições de causar muito dano em quem decidir trocar na curta distância. A preferência pela pancadaria que a precede também cobra seu preço. Muitas vezes exposta, Eye passa apertos que poderiam ser evitados se utilizasse uma estratégia mais comedida. Quando se vê em perigo, ela possui condições técnicas para quedar suas adversárias, ainda mais com a vantagem de força e tamanho que adquiriu no peso mosca. O grappling está longe de ser eficiente contra gente do ramo, mas é suficiente para manter posição e conseguir causar dano num feroz ground and pound.

Jessica Eye vs Katlyn Chookagian odds - BestFightOdds
 

O que vimos dar certo contra Katlyn? Pressão na grade, imposição física, quedas e mais pressão no solo. Liz Carmouche soube manter a “Blonde Fighter” longe da sua zona de conforto por três rounds, mas mesmo assim quase foi pra vala após um contragolpe que só não encerrou a luta graças ao grande coração da ex-desafiante do peso galo. O que vimos dar errado contra Katlyn? Correr atrás dela por três assaltos, buscando transformar a luta em pancadaria, como Alexis Davis fez. No fim, acabou com o rosto moído de tanto ser golpeada.

Respondidas tais questões, esperar que Jessica Eye consiga transformar a luta em uma pancadaria é bastante difícil. Chookagian nunca aceitou sair na mão alucinadamente e não me parece que no sábado o fará. Eye até pode tentar fazer o jogo que deu vitória para Liz Carmouche, mas não tem explosão e técnica para tal. No final das contas, devemos ver mais uma boa vitória de Katlyn após 15 minutos bailando no octógono, já que a resiliência de Evil Eye a manterá de pé até o soar da última buzina.

Peso Médio: #14 Elias Theodorou (CAN) vs. Eryk Anders (EUA)

Por Bruno Costa

Elias Theodorou (15-2 no MMA, 7-2 no UFC) não é reconhecido exatamente por ser um lutador empolgante. Contudo, busca aumentar sua boa sequência para três vitórias consecutivas em uma categoria em que não muitos alcançam essa condição.

O canadense baseia seu jogo no alto volume de chutes sem grande potência, momentos de controle no clinch e quedas pontuais. Contra oponentes de baixo nível, por vezes até apresenta agressividade (atípica) no ground and pound. Por não ter especialidade notória em qualquer fase do jogo, Theodorou se aproveita do fôlego e consciência de luta para cumprir à risca o plano de ação previamente traçado.

A troca de golpes na curta distância é evitada a todo o custo nessa fórmula, já que o boxe é muito pouco polido e a falta de confiança, defensiva e ofensiva, é notória. A defesa de quedas é regular e, quando foi necessário, soube se defender de boas tentativas de finalização no combate contra Cezar Mutante. As dificuldades residem quando encontra adversários com boa força física e que conseguem impedir seu trabalho no clinch, além de entrar no raio de ação de Theodorou com golpes de alta potência, impedindo seu trabalho em alto volume.

Eryk Anders (11-2 no MMA, 3-2 no UFC) chegou com status de importante prospecto e os primeiros compromissos demonstraram habilidades físicas que pareciam confirmar as expectativas. Teve então uma abrupta mudança no nível de competição e foi alçado à posição de protagonizar uma luta principal contra um veterano ex-campeão, quando sofreu derrota controversa em uma luta de pouca ação contra Lyoto Machida. Na sequência, teve um combate mais duro do que o esperado contra Tim Williams (com a ressalva de ter finalizado a contenda em um provável candidato a nocaute do ano) e uma rápida volta ao octógono como meio-pesado, com uma semana de preparação contra Thiago Marreta.

Anders é um atleta de elite que demonstra boa capacidade de pressionar os rivais. Muito explosivo, é capaz de encurtar a distância diante da forte ameaça que a mão esquerda representa. Os jabs são sólidos o suficiente para manter o adversário preocupado com ações em alto volume – exceção à luta contra Lyoto, quando aparentava grande receio do contragolpe de um dos maiores especialistas no assunto que o MMA já viu, mesmo que noutra velocidade.

O jogo de quedas é, como não poderia ser diferente, baseado no alto nível de atleticismo, e as transições no jiu-jitsu ofensivo são competentes. Anders ainda parece carente de alguns ajustes ao seu jogo e poderia utilizar algum intervalo maior entre lutas para endereçar isso, algo que os matchmakers do UFC ou os empresários responsáveis por sua carreira não parecem dispostos a conceder.

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Para o confronto de sábado, Theodorou precisa se manter muito ocupado com chutes para evitar que Anders encurte a distância nos seus próprios termos e acabe trabalhando o boxe. O canadense pode se aproveitar da agressividade do oponente para trabalhar no clinch e tentativas de quedas eventuais, mesmo que não consiga manter o combate no chão.

Anders parece ser um adversário de potência física e ferramentas técnicas suficientemente boas para evitar o plano de ação de Theodorou, conseguindo ultrapassar a barreira dos chutes despretensiosos do canadense e encontrar o rosto do rival, de bom queixo, durante a maior parte dos 15 minutos de uma luta decidida pelos dos juízes laterais.

Peso Leve: Olivier Aubin-Mercier (CAN) vs. Gilbert Durinho (BRA)

Por Thiago Kühl

Olivier Aubin-Mercier (11-3 no MMA, 7-3 no UFC) chegou no UFC por meio do TUF Nations, tendo perdido a final para Chad Laprise, e desde então ganhou bastante experiência e conseguiu duas boas sequências: a primeira de três vitórias, interrompida por Carlos Diego Ferreira e, mais recentemente, uma de quatro vitórias, que inclusive chegou a levá-lo ao ranking da categoria por algumas semanas. No seu último compromisso, no último mês de julho, ele acabou derrotado pelo prospecto Alexander Hernandez em luta muito boa.

O canadense tem uma base muito forte no judô e um eficiente jogo de jiu-jítsu, que se por um lado o levou a várias vitórias por finalização na carreira (8 das 11 vitórias), também foi o responsável por lhe dar uma fama de lutador pouco empolgante. No lado do striking “O Garoto de Quebec” apresentou boa evolução. Se no início de sua carreira buscava evitar totalmente a troca de golpes, hoje já tem conseguido aplicar um interessante jogo de trocação, com um boxe alinhado e bons chutes, inclusive chegando a nocautear Evan Dunham a partir de uma joelhada no corpo.

A carreira de Gilbert “Durinho” Burns (13-3 no MMA, 6-3 no UFC) no UFC tem mais altos do que baixos. Após um ótimo início, duas derrotas em três lutas e um intervalo de um ano parado por lesão atrapalharam a caminhada do niteroiense no evento. Ao voltar da lesão, ele conseguiu bons nocautes contra Jason Saggo e Dan Moret, se colocando novamente como candidato a uma posição dentro do ranking. Porém, em luta contra Dan Hooker – agora 14º  da divisão – Durinho não foi páreo para o ótimo jogo de striking do neozelandês e acabou nocauteado ainda no primeiro round do combate.

Campeão mundial com e sem pano e também do ADCC, o brasileiro teve uma carreira de muito sucesso dentro do jiu-jítsu. A agressividade no chão – característica de seu estilo na luta agarrada – foi bem transportada para o MMA. Ainda no lado da luta agarrada, os treinos há anos nos Estados Unidos têm garantido um bom nível de seu wrestling. Ocorre que Durinho também tomou gosto pela trocação que, se falha na técnica, sobra na potência, de forma que desde o início da carreira ele acabou conseguindo bons nocautes. O problema de Gilbert tem sido a falta de resposta para lutadores que conseguem evitar seu jogo de quedas e tem técnica superior na troca de golpes, pois ele acaba ficando sem muita resposta para os avanços, o que pôde ser visto contra Hooker, mas apareceu principalmente na derrota para Rashid Magomedov.

Gilbert Burns vs Olivier Aubin-Mercier odds - BestFightOdds
 

Ótimo background no grappling, finalizador e com a trocação em evolução: esta poderia facilmente ser a descrição de qualquer um dos dois envolvidos na luta. É verdade que Durinho teve bem mais sucesso na sua carreira no jiu-jítsu do que Olivier no Judô. Por outro lado, a evolução do striking do canadense representou um maior apuro técnico, sendo que conseguiu integrar ao seu jogo um repertório mais completo do que o do brasileiro, que é muito mais focado na explosão e potência dos golpes.

Se a luta for para o chão, principalmente nos rounds iniciais, a vantagem tende a ser de Gilbert, mesmo com o bom grappling do adversário. Mais agressivo, rápido e experiente no solo, o brasileiro pode conseguir uma finalização com maior facilidade. Olivier tem base suficiente para defender das quedas do brasileiro e investir na troca de golpes, mas a ideia pode não ser das mais inteligentes se não estiver em dia com a movimentação e a defesa de golpes, com um contra ataque potente podendo definir a luta caso cheguem a uma troca mais franca. Sendo assim, a estratégia para o canadense fica mais concentrada em cansar o brasileiro e arrancar uma vitória na decisão.

Entre esses cenários, vejo como mais prováveis o primeiro e o último. Considerando que o canadense deverá ser mais conservador e procurar anular o jogo do brasileiro, apostamos em uma vitória de Aubin-Mercier por decisão.

Peso Galo: Brad Katona (CAN) vs. Matthew Lopez (EUA)

Por Rafael Oreiro

A vida de Brad Katona (7-0 no MMA, 1-0 no UFC) no TUF 27 não foi nada fácil. Chegando como azarão na competição, ele bateu alguns dos maiores favoritos da temporada para chegar na final. Enfrentando Jay Cucciniello no TUF 27 Finale, Katona mostrou bastante potencial e dominou completamente o inglês para vencer o torneio, o que era tido como bastante improvável no começo do reality show. Agora, descendo para sua categoria ideal no peso galo e fazendo sua primeira luta fora do programa em casa, o canadense já enfrentará um oponente de bom nível para comprovar se tem potencial para realmente sonhar com voos altos na divisão.

Katona é um lutador bastante completo, que começou sua vida nas artes marciais treinando karatê shotokan e jiu-jítsu – modalidades nas quais hoje é faixa preta – e, com a ambição de virar lutador de MMA, entrou em times universitários de wrestling e boxe. Em pouco tempo, ele acabou entrando no time nacional da nobre arte no Canadá e se tornou Golden Gloves de 2013 no país. Depois de dois anos como profissional, ele resolveu sair de sua zona de conforto para tentar chegar ao próximo nível, se mudando para a Irlanda para treinar com John Kavanagh na SBG Ireland.

O canadense é um lutador de boa movimentação e que possui precisas combinações, principalmente no pocket. Ainda assim, precisa de trabalho principalmente na defesa, visto que ainda deixa muitos espaços para ser contragolpeado, principalmente quando tenta golpes mais abertos. Brad possui um wrestling ofensivo que atende suas necessidades e um ótimo jogo de chão, com diversas tentativas de botes para finalização. Sua defesa de quedas se mostrou boa até agora, principalmente pelo centro de gravidade baixo, e será bastante testada neste casamento.

Tendo alcançado o top 15 do peso galo com poucas lutas na organização, pode-se dizer que Matthew Lopez (10-3 no MMA, 2-3 no UFC) já chegou em seu teto na categoria. Wrestler que chegou ao status All-American em 2005, o americano fez a transição para o MMA de forma tardia, apenas aos 29 anos. Chegando no UFC com 29 anos, ele era tido como um bom prospecto, mas foi jogado rapidamente aos leões da categoria justamente por causa da sua idade já mais avançada, que não dava a liberdade de se ter paciência para esperar seu desenvolvimento.

Assim, após duas vitórias seguidas sobre bons nomes em Mitch Gagnon e Johnny Eduardo, Lopez foi marcado para enfrentar um top em Raphael Assunção, em luta na qual acabou sendo dominado e sofreu o primeiro nocaute de sua carreira. Em sequêcia, uma derrota para Alejandro Perez expôs que Matthew não tem qualidade para disputar com o topo da categoria, e que deve servir de porteiro para ajudar a selecionar quem está pronto para maiores desafios na categoria.

Lopez possui o estilo mais comum entre os lutadores americanos, se baseando bastante na qualidade de seu wrestling e no boxe tradicional. Porém, a diferença de qualidade entre essas suas duas valências é grande, com ele ainda sendo muito pouco polido em sua troca de golpes – onde possui boa potência, mas pouco refinamento e velocidade. Seu jogo de quedas ainda precisa também de trabalho, mas é com certeza o ponto de maior qualidade de Matthew, que é bastante agressivo golpeando por cima com seu ground and pound.

Brad Katona vs Matthew Lopez odds - BestFightOdds
 

O caminho para Katona vencer este combate foi completamente exposto por Alejandro Perez em sua vitória sobre Lopez. O canadense tem toda a capacidade de, com bastante movimentação e uso de chutes nas pernas, quebrar a postura do americano – que será bem mais lento na troca de golpes.

Evitando as tentativas de queda, Brad tem tudo para levar a melhor na luta em pé, talvez até tentando uma queda em um eventual terceiro assalto, quando Lopez já estiver cansado. Assim, apostamos em uma vitória de Katona na decisão unânime, mas com a possibilidade de uma finalização na reta final do combate.

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