Por Edição MMA Brasil | 04/10/2018 02:33

Com a aguardada volta de Conor McGregor, o UFC mais uma vez montará seu octógono na T-Mobile Arena, em Las Vegas, para a sua edição em pay-per-view número 229. O card preliminar do UFC 229 conta com um duelo importante entre os pesos moscas que pode determinar um futuro desafiante: o brasileiro Jussier Formiga enfrenta o americano Sergio Pettis.

Vicente Luque é outro brasileiro em ação, encarando o estreante Jalin Turner pela divisão dos meios-médios. Eles subirão no cage assim que terminar o importante duelo de gerações entre Aspen Ladd e Tonya Evinger, pelo peso galo feminino. Mais cedo, a diversão (ou não) fica a cargo dos veteranos Grey Maynard e Nik Lentz.

Completam o card um terceiro brasileiro, Alan Patrick, que enfrenta Scott Holtzman pelo peso leve, as meninas do peso galo Lina Länsberg e Yana Kunitskaya, além dos meios-médios Ryan LaFlare e Tony Martin, que abrem os trabalhos em Nevada.

O Canal Combate transmite o evento na íntegra, com o início da transmissão às 19h:10 (horário de Brasília).

Peso Mosca: #2 Sergio Pettis (EUA) vs. #5 Jussier Formiga (BRA)

Por Matheus Costa

Sergio Pettis

O divertido duelo entre Jussier Formiga e Sergio Pettis deve definir o futuro do topo da categoria dos moscas, esclarecendo quem deve ser o futuro desafiante do cinturão da divisão do atual campeão Henry Cejudo, após sua provável revanche com Demetrious Johnson.

Assim como seu irmão, Sergio Pettis (17-3 no MMA, 8-3 no UFC) é moldado no kickboxing e possui uma ótima troca de golpes. Rápido, técnico e capaz de se adaptar com extrema facilidade, o americano oferece um enorme risco ao brasileiro, já que em pé, deve dominar o combate desde os primeiros instantes pela maior capacidade técnica e até física. Por mais que tenha evoluído em outras áreas, seu maior calcanhar de aquiles é sua defesa de quedas, o que pode ser um enorme problema para deter o brasileiro. Ao longo do tempo, o “Mini Pettis” se tornou menos previsível e mais versátil, adotando um bom jogo de wrestling ao seu arsenal de qualidades. Ao invés de tentar golpes plásticos, Sergio tornou-se mais consistente e mais inteligente, usando um bom volume de golpes e ótimo controle de distância na hora de golpear. É rápido, ágil e explosivo, além de possuir um ótimo jogo de pernas. Portanto, o americano de 25 anos deve buscar a luta na longa distância e, claro, usar movimentação lateral para evitar as tentativas de quedas do brasileiro.

Em clara ascensão na categoria, Jussier Formiga (21-5 no MMA, 7-4 no UFC) vive a melhor fase de sua carreira. Na quinta colocação do ranking da categoria, o faixa preta de judô e jiu jítsu é especialista na luta agarrada, sendo dono de boas quedas e ótimo controle posicional no chão, além de possuir um vasto leque de finalizações. Em pé, Formiga tem uma trocação decente e costuma jogar nos contragolpes, mas sempre se complica contra lutadores rápidos e mais técnicos, como é o caso de seu oponente. O brasileiro não deve se arriscar em pé e buscar levar a luta para o chão o mais rápido possível, pois leva clara vantagem na luta agarrada e deve se aproveitar disso para não deixar a vitória escapar.

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Este é um clássico duelo entre trocador e lutador de chão. Enquanto Jussier Formiga tem seu jogo de chão comprovadamente de alto nível, sua trocação nunca mostrou grande evolução. Já Pettis evoluiu em todas as áreas, tornando-se um lutador mais inteligente e completo. Portanto, aposto na vitória de Sergio Pettis, que deve controlar a luta em pé e conseguir o nocaute lá pelo segundo round.

Peso Meio-Médio: Vicente Luque (BRA) vs. Jalin Turner (EUA)

Por Bruno Costa

Vicente Luque (14-6-1 no MMA, 6-2 no UFC) é um lutador de bom volume de golpes e que nos últimos anos adicionou muito poder de nocaute em suas mãos. Ele tem habilidade para agredir os adversários tanto quando busca pressioná-los quanto nas ocasiões em que movimenta evasivamente e busca por contragolpes precisos. As combinações com suas mãos rápidas ganharam adições importantes de chutes baixos e joelhadas de encontro, fazendo aumentar o arsenal ofensivo do americano com ascendência brasileira desde que se manteve num regime de treinos integral com Henri Hooft. O jogo posicional é ótimo, e o wrestling ofensivo, muito baseado no bom timing, competente o suficiente para quedar a maioria dos oponentes na divisão. Além disso, Luque se caracteriza por ser um ótimo finalizador, muito agressivo e oportunista quando chega ao solo, tendo facilidade em dominar o pescoço do adversário.

Defensivamente, embora tenha apresentado evolução desde sua chegada ao UFC, o brasileiro apresenta claros problemas para impedir adversários de levá-lo ao solo sem entregar o pescoço de bandeja, sofrendo exatamente dessa forma suas derrotas contra Mike Graves e Leon Edwards.

Jalin Turner (7-3 no MMA, 0-0 no UFC) estreia no UFC após um animado combate no Contender Series, em uma aparição que exibiu muito de seus atributos e não escondeu suas falhas, muitas típicas de um talentoso e inexperiente trocador. Turner é um lutador de excelentes habilidades ofensivas na luta em pé, que sabe como utilizar sua excelente envergadura com rapidez e precisão nos golpes retos, jabs e diretos alinhados e até trocas de base bem feitas, algo menos comum no MMA. As joelhadas são perigosas, se aproveitando de sua altura, e aplicadas principalmente em meio a sequências longas de combinações em busca do fim do combate pela via rápida. Contudo, Turner sofre por não ser um lutador que dê a devida atenção à fase defensiva do seu jogo. A superexposição decorrente da mentalidade ultra ofensiva deixa muitas brechas a serem aproveitadas por oponentes com bom nível de inteligência de luta, tanto para contragolpes com ganchos e overhands, quanto no wrestling ofensivo.

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No combate de sábado, a previsão é que as habilidades defensivas e experiência de Luque façam a diferença contra um talentoso Turner, que estreia na organização contra um nível de competição que não chegou perto de enfrentar até o momento. O cenário imaginado envolve o brasileiro acertando bons contragolpes após ajustes iniciais para adaptar à envergadura de Turner. A partir disso, esperamos por um knockdown seguido de finalização ainda nos dez minutos iniciais do combate.

Peso Galo: #9 Aspen Ladd (EUA) vs. Tonya Evinger (EUA)

Por Thiago Kühl

Aspen Ladd (6-0 no MMA, 1-0 no UFC) chegou a ser escalada para enfrentar Leslie Smith em abril deste ano, mas falhou na sua principal missão: bater o peso de 61 quilos. Com isso, a luta foi cancelada e ela viu sua adversária receber o salário e ser demitida. Integrante do nosso Top 10 do Futuro e dona de um cartel incólume, a americana fará a segunda luta no UFC. Na única vez que subiu ao octógono, ela não tomou conhecimento de Lina Lansberg – que já lutou no peso pena, assim como sua adversária neste sábado – vencendo a sueca sem dificuldades com um nocaute técnico no segundo assalto. Ladd chega como um bom ativo da combalida categoria peso galo, tendo feito todas as suas outras cinco lutas da carreira no Invicta FC, obtendo vitórias contra lutadoras conhecidas do público, como a peso palha Amanda Cooper e a atual desafiante do peso mosca, Sijara Eubanks.

Aspen tem o boxe como arte marcial base, com um bom jogo de pressão, sempre utilizando a grade como meio para levar a luta para o chão. No jiu jítsu ela possui graduação na faixa roxa, que já colocou para jogo na vitória por armlock contra Cooper. Além disso, Ladd tem agressividade suficiente para dar cabo de suas lutas. O problema é que tem tido problemas recorrentes com os cortes de peso, tendo abandonado duas lutas recentes por problemas com a balança. Além do confronto cancelado por sua causa contra Smith, também acabou adiando sua estreia no UFC, ao ter problemas no processo de corte durante a semana que antecedeu a luta que faria contra Jessica Eye.

Tonya Evinger

Diferentemente da jovem adversária, Tonya Evinger (19-7 no MMA, 0-1 no UFC) tem uma longa história no MMA. A veterana de 37 anos chegou a aparecer nas seletivas do TUF 18, quando perdeu para Raquel Pennington, e após isso, conseguiu uma série de 8 vitórias no Invicta FC, conquistando o cinturão da categoria na organização. Já próxima do final da carreira, ela aceitou a dificílima luta contra Cristiane Cyborg em disputa do cinturão da péssima categoria do peso pena feminino, tendo o mesmo fim da esmagadora maioria das adversárias da brasileira: levando uma bela surra. Para ver o copo cheio naquela noite, Tonya mostrou muita resistência ao aguentar Cyborg por quase dois rounds e meio até ceder ao poder da curitibana. Após a derrota, Evinger chegou a ter duas lutas marcadas, porém não chegou a pisar no octógono: contra Marion Reneau, em fevereiro, sofreu lesão no joelho, e contra Ketlen Veira, no UFC São Paulo, viu a adversária abandonar a luta.

A americana do Missouri não é das lutadoras mais técnicas em pé. Na verdade, ela se vale mais da força de vontade e da boa resistência física para conseguir levar as lutas para o chão, onde é mais versada. Dona de um jogo de quedas decente e um jiu jítsu bem completo – tanto na parte ofensiva quanto defensiva – Evinger consegue imprimir pressão tanto nas transições e busca por finalizações, quanto no ground and pound, mas definitivamente será a menos talentosa neste final de semana.

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Considerando a boa vontade do UFC com as falhas nos cortes de peso de Ladd, é possível assumir que a organização queira ver uma lutadora muito jovem e talentosa crescendo nesta categoria que está cada vez mais se esvaziando. O casamento com uma veterana como Evinger é um outro fator que nos dá motivo para crer em tal cenário.

Dito isto, por mais que a diferença de idade entre as lutadoras seja de 14 anos, a luta não é favas contadas para Aspen, que terá que superar suas dificuldades no corte de peso para chegar com o físico em dia para a enfrentar a ex-campeã do Invicta FC. Superada essa primeira barreira, a grande diferença técnica entre as lutadoras na luta em pé, com o maior talento da californiana na troca de golpes, deve dar razão para as odds. Assim, devemos ver Tonya sucumbir na decisão para a jovem promessa após aguentar 15 minutos de pancada.

Peso Leve: Gray Maynard (EUA) vs. Nik Lentz (EUA)

Por Idonaldo Filho

Esse cara tem impressionantes vitórias sobre Frankie Edgar, Nate Diaz, Clay Guida e Jim Miller… só que apodreceu de forma muito mais acentuada que todos os citados. Aos 39 anos de idade e 12 de carreira, Gray Maynard (13-6-1 no MMA, 11-6-1 no UFC) virou um lutador que não tem mais sua presença valorizada em cards, geralmente sendo enterrado na porção preliminar contra oponentes de baixo nível, e mesmo assim, ainda conseguindo sair derrotado.

Cria do TUF 5, Maynard tinha quedas de grande amplitude e mãos pesadas, quase assassinando Frankie Edgar em um dos mais clássicos rounds – e um dos únicos claros 10-7  do MMA. Porém, insistindo em não parar,  ele hoje em dia cede derrotas para nomes como Alexander Yakovlev e Ryan Hall – este em uma das lutas mais sofríveis dos últimos tempos. Dando uma respirada na carreira, ele vem de vitória sobre Teruto Ishihara, um lutador que provavelmente seria derrubado até por uma criança de oito anos.

Como já disse, Maynard era um monstro na sua fase invicta, mas assim que conheceu sua primeira derrota, ele já desandou de vez. No auge, ele era dono de um wrestling de altíssimo nível e que era extremamente efetivo, tanto nas quedas quanto no controle posicional. Além do mais, o americano era um lutador temido em pé, muito por conta dos socos potentes, que distribuíram knockdowns nos diversos adversários que teve na carreira. Só que, depois de uma queda brusca de desempenho, temos um atleta que se defende mal, tem um queixo muito ruim, ficou mais lento e, ainda por cima, virou peso pena, categoria na qual sempre deixou preocupação nos fãs na hora da pesagem, quando aparecia extremamente debilitado. Agora, voltando ao peso leve, talvez seu desempenho melhore ligeiramente.

Velho de guerra, Nik Lentz (28-9-2 no MMA, 12-6-1 no UFC) completa no ano que vem  – se não for demitido até lá – 10 anos de UFC, e não é por menos, já que foi bem sucedido como peso pena, conseguindo vitórias interessantes na época contra nomes como Hacran Dias. Porém, logo depois de ser derrotado por Charles do Bronx, ele retornou para o peso leve, e agora se mantém irregular com duas vitórias sobre oposição ruim e duas derrotas para  lutadores promissores, mas que ainda mal são ranqueados. Lentz fica naquela zona intermediária da tabela, onde deve se manter até dar sinais de decadência. Sua vitória mais recente e mais impressionante foi contra Will Brooks, no final da passagem decepcionante do ex-campeão do Bellator pelo octógono.

Um dos lutadores que mais se adequa com a expressão carrapato, Nik Lentz é um cara pequeno e bastante forte, que usa e jogo de abafa magistralmente contra seus adversários, causando obviamente reações negativas do público que assiste suas lutas quase que sempre. Sua troca de golpes sempre foi burocrática, sem muito poder, e é usada mais para aproximação com o objetivo de entrar no clinch ou em queda. Além disso, Lentz tem uma guilhotina perigosa, e essa é sua principal arma para interrupção de lutas, embora isso não aconteça com muita frequência. A principal chave para vencer Lentz se mostrou nítida nas suas derrotas no peso leve: se você for um grappler melhor e mais forte (Islam Makhachev) ou um striker técnico que consiga evitar o jogo característico do ‘Carnie’ (David Teymur), você está tranquilo no combate.

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Já passou da hora de Gray Maynard se aposentar. Sua saúde só tende a ficar debilitada se ele insistir lutando. Para sorte do ex-desafiante, Lentz não é conhecido por ser nocauteador, mas ainda assim é um wrestler bem mais inteiro que Maynard. Não vou me surpreender com um nocaute de Lentz, pois o veterano do TUF 5 andou desmontando facilmente nos últimos tempo, só que acho que o mais provável seja uma decisão dos juízes após  luta muito feia, favorável a Lentz.

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