Por Edição MMA Brasil | 07/09/2018 11:40

Antes de os fãs vibrarem com as duas disputas de cinturão na American Airlines Center, em Dallas, o UFC 228 reserva alguns combates preliminares importantes e com alto índice de entretenimento.

O peso palha também assiste a passagens de bastão. Este pode ser o caso do confronto entre a ex-campeã Carla Esparza e a ascendente Tatiana Suarez.

Já o ótimo peso galo masculino colabora com dois confrontos sensacionais para a nossa prévia. O primeiro traz o ex-desafiante dos moscas John Dodson contra o número cinco do ranking, Jimmie Rivera. Em seguida, Aljamain Sterling encara Cody Stamann em duelo no top 10 da divisão.

Peso Palha: #6 Carla Esparza (EUA) vs. #9 Tatiana Suarez (EUA)

Por Alexandre Matos

De vez em quando, e cada vez menos raro, o UFC traz à tona combates mal escalados. Pelo menos dessa vez, o confronto parece ter algum motivo interessante.

Esparza conquistou o cinturão inaugural do peso palha atravessando o TUF 20 apoiada basicamente no wrestling. Ainda assim, não é uma lutadora unidimensional, pois soube acrescentar o jiu-jítsu aprendido na academia Gracie original dos Estados Unidos, em Torrance, antes de migrar para o time de Colin Oyama. Neste ponto, aprendeu muay thai e boxe, que servem mais como ferramentas de aproximação.

Suarez chegou até aqui vencendo o TUF 23 e mais dois combates oficiais no UFC também apoiada no wrestling. O problema (para Esparza) é que o nível técnico e de experiência de Tatiana é consideravelmente maior, vide as duas medalhas de bronze conquistadas em campeonatos mundiais. Do mesmo modo, o porte físico também é desequilibrado. Esparza é pequena no cenário do peso palha, enquanto Suarez seria considerada grande mesmo se atuasse como peso mosca.

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É difícil enxergar um cenário em que Esparza leve vantagem neste confronto. Talvez apostar na velocidade e no jogo de pernas para entrar, bater e sair como um vintage Frankie Edgar. Pode até dar certo por um tempo, mas eventualmente Suarez colocará suas mãos na oponente. Aí a história muda.

Num duelo corpo a corpo, a tendência é que Tatiana esmague a ex-campeã com quedas violentas e um ground and pound brutal. Nem mesmo o fato de a técnica superar a força não dará vantagem a Esparza, pois Suarez é a melhor wrestler, além de bem maior e muito mais forte. A aposta recai numa passagem de bastão em decisão por larga margem.

Peso Galo: #8 Aljamain Sterling (EUA) vs. #10 Cody Stamman (EUA)

Por Idonaldo Filho

Pode não parecer, mas Aljamain Sterling (15-3 no MMA, 7-3 no UFC) está chegando nos 30 anos e já podemos dizer que alcançou seu teto como top 10 na forte categoria dos galos no UFC. O novaiorquino chegou a emendar quatro vitórias quando foi contratado, mas sempre que teve que passar por um desafio maior acabou barrado. Em seu último combate, Sterling venceu a disputa de grapplers contra Brett Johns, mas antes disso foi sobrevivente de uma joelhada absurda de Marlon Moraes, que produziu um dos mais belos nocautes de 2017.

Treinado na Serra-Longo Fight Team com um bom grupo de atletas, Sterling geralmente tem vantagem nos aspectos físicos sobre seus adversários, com grande envergadura de 1,80m e bastante energia, sendo um atleta bastante atlético. Ele é mais conhecido pelo seu wrestling de alto nível, praticado durante a universidade, e pelo bom grappling, beneficiado pelos membros longos. Na área da trocação, Sterling melhorou em comparação ao início da carreira na organização líder do mercado, mas ainda se baseia muito em chutes e pouco no boxe, sendo previsível muitas das vezes.

Cody Stamman (17-1 no MMA, 3-0 no UFC) também é americano e está no ranking. Porém, diferentemente de Sterling, ele ainda busca afirmação para se manter como contender no UFC. Uma vitória será fundamental para se estabilizar no top 10.

Stamman fez carreira em eventos pequenos nos Estados Unidos e chegou ao UFC em 2017, vencendo Terrion Ware na decisão unânime. Nos outros dois combates, ele conseguiu vitórias maiores, contra o prospecto Tom Duquesnoy e roubando o lugar no top 10 de Brian Caraway, ambas por decisão dividida. Curiosamente, todas as três lutas anteriores também foram em cards numerados.

Pacote básico americano, treinado no boxe e wrestling, Stamman é um cara parrudo e bastante forte, que busca as quedas em cima das brechas dos adversários de modo explosivo. Uma vez no chão, a preferência é por domínio posicional e ground and pound, que não é tão constante, mas tem potência. Sua trocação às vezes é agressiva e serve mais para tentar se aproximar do adversário, levando em conta que se trata de um Golden Gloves (torneio de boxe amador americano) de boa noção defensiva. Stamman é um atleta decente, que não é tão especial em um aspecto definido, mas que sempre complica em seus combates pela variedade de seu jogo.

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Esta é uma luta de equilíbrio total. São dois atletas parecidos por usarem bastante o artifício das quedas e, ao mesmo tempo, diferentes fisicamente e na abordagem no solo. Sterling é mais finalizador e Stamman, mais pragmático. A diferença também existe em pé, com Sterling utilizando mais os chutes e Stamman, mais o boxe.

Eu creio que a pressão que Stamman costuma fazer pode atrapalhar o jogo de Aljamain, que, em pé, é muito dependente da distância. Isso deve garantir a vitória de Cody na decisão dos juízes.

Peso Galo: #5 Jimmie Rivera (EUA) vs. #7 John Dodson (EUA)

Por Bruno Costa

Jimmie Rivera (21-2 no MMA, 5-1 no UFC) volta ao octógono após amargar sua primeira derrota sofrida em combates oficiais nos últimos dez anos. “El Terror” é fisicamente muito forte, e um bom contragolpeador que se utiliza muito do seu ajustado boxe para atingir com potência os adversários. No UFC, enfrentou oponentes de bom nível e rapidamente escalou ao top 5 da categoria, sendo barrado apenas quando acabou rapidamente nocauteado contra o excelente e perigoso Marlon Moraes.

Rivera tem mãos pesadas e rápidas, com predileção por ganchos e cruzados, e impõe forte ritmo aos seus combates. Representa constante perigo aos adversários por conta de sua agressividade e explosão, uma vez que gosta do combate sendo levado na curta distância. A predileção pela curta distância faz com que alguns de seus combates sejam disputados em belas pancadarias, até porque Jimmie não é reconhecido por ter um sistema defensivo confiável, e acaba por depender muito da competência do seu queixo.

A base muito sólida na defesa de quedas não permitiu aos oponentes que explorassem contra Rivera jogo de chão com vantagem posicional, e quando necessitou do wrestling ofensivo para administrar vantagens em seus combates, obteve sucesso. O controle posicional com ground and pound é a preferência do “Terror”, que não costuma arriscar tentativas de finalização que possam representar qualquer tipo de risco à posição de domínio em que se encontra.

John Dodson (20-9 no MMA, 9-4 no UFC) iniciou sua caminhada no peso galo após dois desafios malsucedidos contra o ex-campeão mais dominante da história do UFC, Demetrius Johnson, e têm feito um papel digno na divisão de cima, vencendo e perdendo em decisões muito apertadas, além de um nocaute brutal aplicado sobre Manny Gamburyan, que já batia à porta das aposentadoria na época da luta.

“The Magician” se movimenta muito durante seus combates, com rapidez e agilidade absurdas nos movimentos, boa estabilidade e muita potência nas mãos, tendo no gancho de esquerda sua principal arma. Não opta, em situações comuns, por tentar pressionar os adversários, preferindo ser evasivo até encontrar uma brecha para contragolpear sem ser encontrado no octógono. Defende da ameaça de quedas muito com base na movimentação, uma vez que o wrestling defensivo não é exatamente especialidade da casa.

Um dos problemas de Dodson é a falta de variação de jogo, que depende muito do avanço do oponente para que a luta não vire um concurso de encaradas. Ainda, usa muito pouco sua mão direita, mesmo que seu alcance não o ajude a estabilizar o jab contra a maioria dos oponentes, mas mesmo os golpes de encontro e potência são normalmente ignorados.

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O poder de nocaute e agilidade de Dodson representam a maior ameaça a Rivera nesse combate. Jimmie provavelmente tomará a iniciativa do combate, buscando pressionar Dodson e controlar as ações. Aqui, residem armadilhas a que “El Terror” precisa se adaptar para resistir: o cenário de luta na curta distância com troca insana de golpes, que é normalmente onde se encontra confortável, é exatamente a forma que dá a seu oponente mais chances de sair vitorioso no octógono. Dodson tem mãos excepcionalmente rápidas para a categoria, e no pocket poderia tranquilamente vazar o sistema defensivo falho de Jimmie.

Coontudo, apostando na capacidade de adaptação de Rivera, a previsão é que ele consiga levar a luta impondo seu ritmo mais acelerado, adaptando seu jogo com utilização à exaustão de low kicks buscando minar a movimentação de Dodson, impondo de pressão ao adversário e trabalhando quedas bem afiadas para levar uma parelha decisão ao final dos três rounds.

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