Por Edição MMA Brasil | 03/08/2018 02:06

O octógono retorna neste sábado à Califórnia com duas revanches bombásticas valendo títulos. O Staples Center, em Los Angeles, que abrigará o melhor jogador de basquete do mundo pelos próximos quatro anos, receberá o melhor lutador de MMA do mundo na atualidade. O UFC 227 Dillashaw vs. Garbrandt II terá sete ranqueados e uma candidata a top 10 do futuro envolvidos nas lutas mais importantes.

O combate principal traz uma das maiores rivalidades do MMA atual. TJ Dillashaw faz a primeira defesa depois de reconquistar o cinturão dos galos contra o ex-parceiro de equipe Cody Garbrandt, de quem o campeão tomou o cinturão no fim de 2017.

Também sem lutar desde o ano passado, o melhor lutador do mundo segue com a segunda volta nos desafiantes do peso mosca. Demetrious Johnson tenta ampliar o recorde de defesas consecutivas contra Henry Cejudo, o melhor lutador que a categoria pode oferecer ao campeão e ainda mais perigoso do que no primeiro duelo entre eles.

Outros três confrontos importantes completam o card principal do UFC 227. Cub Swanson e Renato Moicano se enfrentam por uma vaga entre os postulantes ao cinturão dos penas. Polyana Viana faz contra JJ Aldrich seu segundo combate na organização para comprovar as altas expectativas depositadas nela. Abrindo a programação, Thiago Marreta defende posição no ranking dos médios contra Kevin Holland, oriundo do Contender Series.

O UFC 227 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. O card preliminar está marcado para iniciar às 19:15h, enquanto a parte principal deve ir ao ar a partir das 23:00h, sempre no horário oficial de Brasília.

Cinturão Peso Galo: (C) TJ Dillashaw (EUA) vs. #1 Cody Garbrandt (EUA)

Por Alexandre Matos

TJ Dillashaw

Desde que se reinventou e se tornou um dos melhores lutadores do mundo em qualquer categoria, Dillashaw (15-3 no MMA, 11-3 no UFC) perdeu apenas duas vezes em 11 apresentações. Em ambas, deu muito trabalho a Raphael Assunção (muitos consideram o americano vencedor daquela luta) e Dominick Cruz. Nesta última, quando perdeu o cinturão, e no confronto mais recente, quando recuperou o título exatamente diante de Garbrandt, TJ mostrou poder de recuperação incomum.

O que transformou Dillashaw de um wrestler monocórdio em um monstro? O primeiro ponto é mais do que conhecido: a sinergia entre o atleta e o treinador Duane Ludwig, que desenvolveu em TJ um muay thai de movimentação que inicialmente era comparada à de Cruz, mas que depois se percebeu que era do próprio Dillashaw. Outro ponto é o forte wrestling, cada vez menos usado, mas ainda respeitado pelos adversários. O condicionamento físico exemplar, de quem consegue forçar o ritmo nos rounds de campeonato, e o poder mental, de quem consegue correr atrás após situações adversas, completam o pacote do ex-Alpha Male.

Cody Garbrandt

Durante sua trajetória, Garbrandt (11-1 no MMA, 6-1 no UFC) também se transformou num dos melhores do mundo peso por peso. Chegou à disputa do cinturão deitando corpos pelo caminho, com apenas uma luta definida sem ser por nocaute. Porém, foi um triunfo por decisão que fez seu nome em definitivo. Contra Cruz, Garbrandt teve uma das mais brilhantes atuações de todos os tempos, tão grande que ficou a dúvida se ele seria capaz de repetir. Na primeira defesa, foi nocauteado por Dillashaw, mas venceu o primeiro round do mesmo modo que humilhou Dominick. Ou seja, ele é capaz de lutar daquele jeito mágico novamente.

Diferentemente de TJ, Cody não se reinventou para chegar ao título. O melhor boxe da divisão o guiou desde os primeiros passos. A defesa de quedas, que sempre foi boa, atingiu nível de elite – Garbrandt está sempre nos lembrando que esse tipo de defesa começa na movimentação, o que ele faz com maestria. O domínio do espaço físico é a grande arma do ex-campeão, permitindo que ele use o jogo de pernas para criar esquivas incríveis e anotar contragolpes muito difíceis de serem bloqueados.

Cody Garbrandt vs T.J. Dillashaw odds - BestFightOdds
 

Temos aqui uma luta muito difícil de prever. Primeiro porque a primeira não apontou um caminho muito claro para nenhum deles. Segundo porque eles não lutaram desde o UFC 217, então não há como saber se algum truque novo está sendo preparado. São dois lutadores que se conhecem bastante por terem treinado juntos por muito tempo.

O que faz Dillashaw ter a leve vantagem vista nas odds é sua caixa de ferramentas mais vasta. Porém, Garbrandt tem reflexos e potência para virar a mesa. Se Dillashaw adotar a postura de agressor e deixar o desafiante nos contragolpes, correrá risco de ser nocauteado. No entanto, esta é a melhor estratégia para o campeão, desde que o controle de distância seja perfeito, sem deixar a luta descair para a pancadaria (ainda que isso tenha lhe rendido a vitória passada) e utilize os chutes mais vezes do que no primeiro round do UFC 217. A aposta recai em knockdowns para todo lado e Dillashaw retendo o cinturão com mais um triunfo por nocaute, desta vez no quarto assalto.

Cinturão Peso Mosca: (C) Demetrious Johnson (EUA) vs. #1 Henry Cejudo (EUA)

Por Idonaldo Filho

Demetrious Johnson

Demetrious Johnson (27-2-1 no MMA, 17-2-1 no UFC) é para alguns o melhor lutador que o esporte já viu, e unanimamente é um dos melhores no UFC hoje. E ele parece não querer parar de deixar os fãs de MMA boquiabertos, executando ações absurdas a cada luta. No seu último combate, conquistou a finalização do ano com uma chave de braço realizada no AR, após um SUPLÊ. Enfim, é até complicado falar sobre um sujeito que tem 11 defesas de cinturão consecutivas, recorde do UFC.

Se existe um cara que não tem defeitos, ou que os esconde muito bem, é Johnson. Ele domina qualquer aspecto da luta, aparenta ter todas as posições e estratégias possíveis disponíveis em seu arsenal e faz os oponentes sofrerem na área em que são bons. Seu wrestling é fora do normal, ele é forte e tem condição atlética acima da média, com habilidades para quedar facilmente o adversário. No chão, o rei dos moscas parece ser um faixa-preta mesmo passando longe de ser um no papel, propiciando scrambles sensacionais e amassando os rivais para alcançar a finalização, como vimos no atropelamento contra Wilson Reis e quando quase arrancou o braço de Ray Borg. Em pé, ele tem uma velocidade sobrenatural e sequências mais ainda – inclusive mostrou poder de recuperação quando foi atingido duramente por Tim Elliott e John Dodson.

Henry Cejudo

Aos 21 anos, lá estava Henry Cejudo (12-2 no MMA, 6-2 no UFC) se tornando o mais jovem americano a ganhar uma medalha de ouro olímpica no wrestling estilo livre. Aos 27, o lutador estreava no UFC depois de seis vitórias no extinto Legacy FC. Cejudo mostrou no líder do mercado o porquê de ter sido campeão olímpico e dominou os quatro adversários iniciais que o UFC colocou em sua frente. Quando chegou ao posto de desafiante, mostrou que ainda não era páreo para Johnson, sendo nocauteado rapidamente pelo furacão detentor do título. Agora, depois de dois ótimos desempenhos, posteriores a uma controversa derrota para Joseph Benavidez, ganha a chance de se redimir na revanche.

Cejudo evoluiu depois que foi derrotado por Demetrious. Isso ficou nítido principalmente no striking, quando ele brutalizou Wilson Reis. Henry não é acomodado, sempre busca aprender mais. Já treinou muay thai na Tailândia e o intercâmbio que fez na Pitbull Brothers, em Natal, também mostra frutos. Ele é um cara rápido e explosivo, que controla bem os oponentes no chão. O striking está bem mais preciso e sua aproximação é boa, com bons golpes jogados na curta distância, que são beneficiados pelo jogo de esquiva, notado em sua última luta contra Sergio Pettis. Algo que sempre me preocupou foi o corte de peso: ele não está ficando mais novo e sua aparência nas pesagens me dá medo. Acredito que o seu tempo como peso mosca esteja chegando ao fim.

Demetrious Johnson vs Henry Cejudo odds - BestFightOdds
 

Se você não gosta desses dois lutadores por serem baixinhos, você não gosta de MMA. São dois lutadores excepcionais em todas as áreas, principalmente Johnson, e acredito que Cejudo é hoje o único ser humano que bate 56,7kg que pode vencer Demetrious Johnson.

Eles já lutaram uma vez e, embora tenha durado pouco, foi possível sentir que podemos esperar uma luta elétrica. Não ficarei surpreso com uma vitória de Henry, mas apostar contra Demetrious é algo que não pretendo fazer enquanto ele estiver competitivo na categoria dos moscas. Dessa vez o Mighty Mouse leva na decisão.

Peso Pena: #5 Cub Swanson (EUA) vs. #10 Renato Moicano (BRA)

Por Diego Tintin

Cub Swanson

Cub Swanson (25-9 no MMA, 10-5 no UFC) é um dos mais antigos residentes do top 10 da divisão dos penas. De retrospecto irregular no WEC, alcançou seu melhor momento após a incorporação pelo UFC, ao emendar seis vitórias consecutivas até ser parado por Frankie Edgar em uma surra um tanto constrangedora. Depois de também perder para o atual campeão Max Holloway, venceu quatro oponentes até voltar a encontrar os tubarões de 66 quilos e cair para Brian Ortega e, novamente, Edgar. Agora, busca evitar o terceiro revés seguido e repetir o resultado que já teve sobre bons nomes, como Dustin Poirier, Doo Ho Choi, Jeremy Stephens e Charles Du Bronx.

Swanson é um lutador agressivo, que adora uma boa e velha troca de sopapos no centro do tablado. Como tem no boxe sua base, concentra as ações ofensivas em combinações com as mãos e defesa de quedas. Apesar de bem elaboradas e executadas, estas combinações são limitadas em sua versatilidade, o que o torna frequentemente mapeável pelos oponentes mais bem preparados. A defesa tem certa eficiência, até Cub se ver sob pressão, situação em que tem seu pior desempenho, abandonando qualquer resquício de inteligência estratégica. O queixo que já lhe garantiu vitórias em pancadarias pornográficas, pode sucumbir a qualquer momento, depois de tanto castigo acumulado na longa carreira.

Renato Moicano

Renato “Moicano” Carneiro (12-1-1 no MMA, 4-1 no UFC) chegou à organização como um dos mais promissores brasileiros entre as divisões mais leves do MMA. Após sólida carreira no cenário nacional, estreou no octógono com atuação marcante, finalizando o arisco Tom Niinimaki com categoria. Em seguida, difícil vitória contra Zubaira Tukhugov, após lesão que o deixou quase dois anos sem lutar. Emendou com a maior vitória de sua carreira, contra o duro e experiente Stephens.

Na luta contra o atual desafiante Ortega, Moicano teve ótimo início, mas acabou sucumbindo ao incrível oportunismo do americano, que o pegou em uma justa guilhotina na reta final do combate. A recuperação veio com atuação convincente diante do também prospecto Calvin Kattar.

Pupilo de Ataíde Júnior na Constrictor Team de Brasília, Moicano foi moldado no tradicional pacote “muay thai + jiu-jitsu” do MMA brasileiro. Atualmente treinando na American Top Team, o brasiliense tem qualidade nos contra-ataques, trabalha com volume interessante de golpes e combinações curtas e justas. Aproveita seu bom tamanho no peso pena para a luta agarrada, evitando a maioria das tentativas de queda e levando a luta para o solo quando o oponente tem problemas nesta área. Para completar o pacote, Renato é muito objetivo no solo, buscando a submissão com tenacidade, principalmente o mata-leão, método com o qual conseguiu todas as suas cinco submissões como profissional.

Cub Swanson vs Renato Moicano odds - BestFightOdds
 

Experiente, o estadunidense tentará trazer o brasileiro para a pancadaria aberta, porque é lá que sente-se confortável. Moicano tem talento para enfrentar Swanson nesta situação, mas seria mais prudente buscar a luta de solo, onde tem mais qualidade e poder de definição que o oponente. Com estratégia e inteligência, Renato deve conquistar a vitória e consolidar mais uma passagem de bastão das várias que vem ocorrendo nesta divisão nos últimos meses.

Peso Palha: Polyana Viana (BRA) vs. JJ Aldrich (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Polyana Viana

Depois de uma vitória convincente na estreia, diante de Maia Stevenson, em fevereiro, Polyana Viana (10-1 no MMA, 1-0 no UFC) segue os mesmos caminhos que a organização traçou para o compatriota Paulo Borrachinha. A paraense saiu do fundo de um card preliminar de um UFC Fight Night para figurar na porção principal de um evento numerado, e um dos mais importantes do ano.

Ex-campeã do Jungle Fight, a “Dama de Ferro” é uma atleta muito forte no grappling. Com pouca movimentação em pé, ela não costuma perder muito tempo até colocar as adversárias no solo. Com o alto gabarito obtido no jiu-jítsu, incluindo títulos em diversos campeonatos nas regiões Norte e Nordeste, Polyana sabe executar boas transições no chão e executa diversos tipos de chaves e estrangulamentos – somando finalizações e nocautes, Polyana soma nove interrupções no primeiro assalto.

 

JJ Aldrich

Participante do TUF 23, quando fez parte do time de Joanna Jedrzejczyk, JJ Aldrich (6-2 no MMA, 2-1 no UFC) tropeçou em sua estreia no octógono ao topar um combate com pouco tempo de preparação contra Juliana Lima, a Ju Thai, mas as vitórias sobre Chan Mi Jeon e Danielle Taylor garantiram o emprego da americana de ascendência irlandesa no UFC.

Especialista em taekwondo, faixa-preta terceiro dan, Aldrich usa a arte marcial coreana como base na luta em pé. Ela apresenta uma postura conservadora, com pouca exposição, trabalhando socos e chutes sem dar muita sequência e visando o erro da adversária. Apesar de ostentar uma faixa marrom de jiu-jítsu, Aldrich se complicou quando enfrentou atletas com maior gabarito no solo, o que pode ser um benefício para a brasileira no combate deste sábado.

J.J. Aldrich vs Polyana Viana odds - BestFightOdds
 

Temos um teste interessante para Polyana aqui. A lutadora apresentou objetividade em sua estreia pelo UFC, e é essa objetividade que pode a conduzir para mais uma vitória. O ideal aqui é evitar que Aldrich tome controle da luta na trocação, a paraense precisa diminuir os espaços e apostar nas quedas para levar o duelo para o solo.

Apesar dos problemas apresentados no chão anteriormente, Aldrich é melhor que outras atletas que Polyana já enfrentou, logo, a paciência também é um ponto importante para a brasileira. Mas a nossa aposta ainda será em JJ, que tem mais experiência em duelos de alto nível e tem condições de frear o ímpeto da brasileira, provavelmente na decisão dos juízes.

Peso Médio: #13 Thiago Marreta (BRA) vs. Kevin Holland (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Thiago Marreta

Depois da grande evolução técnica que apresentou, Thiago Marreta (17-5 no MMA, 9-5 no UFC) entrou em um looping de acumular vitórias sobre um nível de concorrência menor e não durar um assalto contra algum top 10 que é jogado na sua frente. No caso mais recente, Thiago foi nocauteado por David Branch em menos de dois minutos.

Thiago se caracteriza como um lutador de muita força e enorme poder de definição. Oriundo do muay thai, ele não esconde de ninguém que os chutes são sua principal arma, e em qualquer parte do corpo, mas utiliza a ferramenta em excesso, o que facilita na hora dos oponentes mapearem seu jogo. Também utiliza fortes socos e cotoveladas na curta distância.

Kevin Holland (13-3 no MMA) vai para o quarto combate em 2018. Ele iniciou sua jornada em janeiro, defendendo o cinturão do XKO, teve uma curta passagem com vitória no Bellator e venceu Will Santiago no Contender Series. Apesar de não ter sido contratado na noite em que venceu, recebeu a chance semanas depois.

Faixa-preta de kung fu, Holland é um atleta bem alto pra categoria e de longa envergadura. Ele costuma se movimentar bastante em pé, sempre tentando encurtar a distância, com destaque para suas cotoveladas. Kevin gosta bastante de se aventurar no chão, sabe se defender bem e tem bons ataques por cima e por baixo.

Kevin Holland vs Thiago Santos odds - BestFightOdds
 

“Trailblazer” é um nome que indica derrotas traumáticas, e é bem provável que isso aconteça com Holland no sábado. Ele é novo e até pode se tornar um talento a ser explorado, mas é bem complicado quando sua primeira luta pela organização é logo contra um top 15 da categoria. Tomando cuidado com o tamanho do oponente e buscando encurralar a todo momento, Marreta deve conquistar o nocaute ainda na primeira parcial da luta, se tornando o atleta com mais nocautes na história do peso médio, mas é sempre bom abrir o olho para uma possível zebra.

Peso Galo: #9 Pedro Munhoz (BRA) vs. #14 Brett Johns (WAL)

Por Idonaldo Filho

Pedro Munhoz

O brasileiro Pedro Munhoz (15-3 no MMA, 5-3 no UFC) veio para o UFC com o título da extinta RFA e boa parte de sua carreira feita no cenário regional americano, contra oponentes decentes, e com isso já era possível imaginar que o futuro poderia ser bom para o paulista. Não deu outra, Munhoz venceu cinco lutas, incluindo duas finalizações sobre os talentosos Justin Scoggins e Rob Font, e se firmou no top 10 da organização. Suas derrotas foram apenas para membros da elite da categoria, Raphael Assunção, Jimmie Rivera e John Dodson (os últimos em decisões divididas).

Quando se fala em Pedro Munhoz nós lembramos principalmente de uma coisa: sua guilhotina. O faixa preta de jiu-jítsu, quando pega uma guilhotina, dificilmente não resultará em fim de combate. Ele é incrivelmente ágil em pegar essa posição, e seis de suas nove finalizações no cartel são por essa via. E ao contrário de muitos atletas que vem do luta agarrada, Pedro tem uma trocação boa, versátil e potente, demonstrada contra Matt Hobar – que levou uma piaba e foi apagado no chão – e contra Rob Font – quando atordoou o adversário forçando ele a mudança de nível. As derrotas de Munhoz no UFC foram para atletas mais rápidos e técnicos que conseguiram o vencer na luta em pé. Os problemas mais nítidos de Munhoz são a tendência de entrar em briga e a defesa de jabs, que ainda pode melhorar.

Brett Johns

Brett Johns (15-1 no MMA, 3-1 no UFC) teve uma sequência invicta de quinze vitórias em sua carreira profissional quebrada em seu último combate. O primeiro atleta galês do UFC parou em Aljamain Sterling em sua terceira luta na organização, mas se manteve na 14º posição do ranking da categoria até 61kg. Suas vitória mais impressionante com certeza foi sobre Joe Soto, onde conseguiu uma finalização sensacional em exatos trinta segundos.

Johns é aquilo que chamamos de grinder . Seu principal objetivo é conseguir encurralar o adversário na grade e levar o combate para o chão para dominar ele por lá, e se não conseguir derrubar fica por ali mesmo, trocando forças no clinch. Isso é muito beneficiado por Johns ser um cara forte, e que embora não seja muito explosivo nem atlético, tem boa técnica no grappling em geral, já que ele é oriundo do judô e adicionou wrestling ao seu jogo também. Em pé, suas combinações são simples, e ele as vezes arrisca uma joelhada voadora, com o intuito de aproximar do adversário para poder conseguir levá-lo para a grade.

Brett Johns vs Pedro Munhoz odds - BestFightOdds
 

Olha, Johns tem capacidade para dominar Munhoz no chão sim, pois é um grappler bom e joga na segurança. O problema é, vale a pena? As chances dele cair em uma guilhotina são significativas, e em pé ambos são bons mas não são especiais. Mesmo com Munhoz sendo mais potente, há um equilíbrio maior nessa parte do jogo. Assim, acho que Pedro Munhoz vai levar o pescoço de Johns para a casa, enquanto o galês tenta alguma coisa no clinch.

Peso Galo: Ricardo Carcacinha (BRA) vs. Kyung Ho Kang (KOR)

Por Bruno Costa

Ricardo Carcacinha

Um combate com promessa de pura ação envolve dois pesos galos muito ofensivos no card preliminar do UFC 227.

Ricardo “Carcacinha” Ramos (11-1 no MMA, 2-0 no UFC) é um interessante jovem talento da divisão dos galos, explosivo e com excelente senso de oportunismo, utilizando tanto da luta agarrada quanto de golpes não ortodoxos e potentes para encerrar seus combates pela via rápida.

O brasileiro é ótimo em utilizar chutes para manter a distância dos adversários, mas tem dificuldades e estabilizar o jab para dar à luta o ritmo que melhor o convenha. Os cruzados, diretos, cotoveladas e joelhadas são armas potentes e executadas com muita velocidade pelo prospecto. Carcacinha tem um excelente jogo de chão, onde é muito ativo e busca finalizações de diversas posições. Tem bom tempo quando busca quedar oponentes, mas ainda precisa trabalhar tecnicamente o wrestling ofensivo para que consiga levar ao solo também oponentes de maior qualidade.

Embora tenha potencial ofensivo muito acima da média, Carcacinha ainda necessita de diversos ajustes defensivos. A movimentação precisa ser aprimorada, o que ajudaria na defesa de quedas que não é suficientemente competente para impedir que os adversários de bom nível no wrestling o levem ao solo – e mesmo tendo excelentes botes da guarda e consiga vantagens em vários scrambles, não é o cenário ideal no MMA acabar por baixo do adversário. Ricardo passou seus últimos meses, inclusive os preparatórios para o combate de sábado, treinando no Team Alpha Male, academia pródiga na quantidade de lutadores oriundos do wrestling, o que pode representar melhora significativa em um de seus pontos mais fracos.

Apesar do assombroso nocaute no terceiro round contra Aiemann Zahabi em seu último compromisso, teve problemas quando o adversário impôs seu plano de jogo, de encurtar a distância e encurralar o brasileiro contra a grade, tirando o espaço que Carcacinha tanto necessita para executar com mais conforto suas ações. Contudo, também demonstrou capacidade de definição de luta com faceta de genialidade ao brutalizar um oponente na curta distância.

Kyung Ho Kang

Kyung Ho Kang (14-7 no MMA, 3-1 no UFC) é um lutador que traz ao octógono alto nível de entretenimento nas ocasiões em que se apresenta. A carreira no UFC iniciou com derrotas para Alex Caceres (revertida para no contest em função do cigarrinho do capeta consumido pelo adversário) e Chico Camus, quando demonstrou claras deficiências em sua parte defensiva. Contudo, três vitórias seguidas sobre adversários de nível duvidoso asseguraram o bom momento vivido atualmente pelo “Mr. Perfect”.

O coreano sabe se virar lutando em pé, aplicando principalmente bons chutes no corpo dos adversários e com relativa competência na troca de golpes na curta distância. Mas é na luta agarrada que demonstra mais competência e senso de finalização. Assim como seu adversário, Kang se denota pelas incansáveis rotações, boas passagens de guarda e tentativas de finalização de diversos ângulos e posições.

A ousadia na busca por posições quando no controle do adversário por vezes acaba custando caro para Kang, uma vez que acaba se expondo a raspagens com alguma frequência em seus combates contra adversários de nível apurado no grappling.

Kyung Ho Kang vs Ricardo Ramos odds - BestFightOdds
 

Esperemos por um combate insano de lado a lado, cheio de ações ofensivas e busca incessante por momentos agudos. Kang deve tentar controlar as ações buscando pressionar Carcacinha contra a grade e levar a luta ao solo. Porém, o brasileiro tem condições de manter a distância com seus chutes e golpes de encontro, além de ter mais qualidades ofensivas para levar a melhor nos momentos em que acabe se embolando com o adversário. Apesar da juventude, Carcacinha se vira melhor defensivamente e possui mais qualidades ofensivas que seu adversário. Apostamos aqui na terceira vitória seguida de Ricardo Ramos na organização, com uma finalização na segunda metade do combate.