UFC 225: Prévia do Card Preliminar

Diz o poeta que depois da tempestade, sempre vem o arco-íris. E depois de eventos menos atrativos em Liverpool e Utica, o UFC desembarca em Chicago para o UFC 225 com um dos melhores cards preliminares já feitos em todos os tempos, e este é o momento perfeito para a prévia completa da porção inicial do evento retornar ao MMA Brasil.

Entre os oito combates iniciais do evento, temos dois ex-detentores de título do UFC, quatro ex-desafiantes e alguns atletas que podem se aproximar do ouro caso vençam seus respectivos combates.

Confira então a prévia das lutas iniciais, que terão início às 19:15h no Horário de Brasília, com transmissão exclusiva do Combate.

Peso pesado: #2 Alistair Overeem (HOL) vs. #4 Curtis Blaydes (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Alistair Overeem

Alistair Overeem (43-16 no MMA, 8-5 no UFC) é um dos interessantes casos de reinvenção vistas dentro do MMA. Ele chegou com bastante moral no UFC, tendo sido o campeão do Strikeforce e atropelando Brock Lesnar na estreia, mas perdeu a total confiança dos fãs ao cair no doping e sofrer derrotas constrangedoras para atletas menos técnicos que ele. Com a ajuda de Greg Jackson, o Reem emplacou quatro vitórias e só foi parado pelo campeão Stipe Miocic. Venceu revanches contra Mark Hunt e Fabrício Werdum em seguida, mas o sonho de uma nova disputa de título foi interrompido pela brutalidade de Francis Ngannou.

Um dos strikers mais condecorados do UFC na atualidade, Overeem tem um arsenal de golpes bem interessantes. É constante o uso dos chutes baixos e na linha de cintura, as joelhadas mortais no thai clinch e a utilização de socos retos, principalmente quando quer contra atacar ou buscar explodir para chegar no clinch, onde é mais perigoso. Ao longo dos anos, ele passou a controlar mais suas explosões, tentando manter uma distância razoável para proteger o queixo de sacola de supermercado, o que pode tornar muitos de seus combates chatos, já que nem todo mundo gostaria de correr riscos de tomar um nocautão do “Demolition Man”.

Curtis Blaydes

Natural de Chicago, Curtis Blaydes (9-1 no MMA, 4-1 no UFC) faz parte da renovação do peso pesado no UFC. Ele chegou na organização em 2016, sendo derrotado por Ngannou, mas não perdeu desde então, cravando sua vaguinha no top 5 após uma vitória com sustos sobre o já decrépito Mark Hunt, em fevereiro.

Campeão nacional de wrestling pela NJCAA, Blaydes é uma máquina de derrubar. Grande para a categoria, ele tem um tempo bom na hora de levar o adversário para o chão e vem evoluindo cada vez mais na parte de transição, já que antigamente chegou a ter alguns problemas ao tentar derrubar lutadores de um nível mais duvidoso. Assim que derruba seus oponentes, só sai de cima com a buzina que sinaliza o fim do assalto. O problema para Curtis é a parte em pé, que mesmo com uma certa evolução, ainda é bem duvidosa, principalmente na defesa e no controle de distância.

Alistair Overeem vs Curtis Blaydes odds - BestFightOdds
 

Esta luta representa uma possível passagem de bastão no peso pesado, e além disso, quem dos dois vencer fica bem próximo de disputar o cinturão da categoria, dependendo apenas de mais uma luta.

A expectativa é que Overeem entre da mesma forma que veio para as últimas lutas; calmo, cuidadoso, trabalhando os chutes e buscando levar vantagem na aproximação do americano, que apesar de não ser nenhum Jerome LeBanner em pé, deve ganhar o respeito do holandês. Para o lado de Blaydes, o ideal é perder o menor tempo possível na trocação, usar o clinch para cansar o gigante holandês e depois partir para as quedas. Não será tão fácil quanto derrubar Mark Hunt, mas “Razor” tem a capacidade de colocar Alistair de costas para o chão, e dificilmente sairá dali caso tenha sucesso.

O ponto de desequilíbrio da luta serão as transições. Se Curtis conseguir fazer as transições corretas para as quedas, tem chances de vencer por decisão ou até por nocaute técnico. Caso apresente as mesmas dificuldades de antes, deve cair de beiço no chão com algum contragolpe de Overeem. O segundo cenário é a nossa aposta.

Peso Palha: #3 Cláudia Gadelha (BRA) vs. #6 Carla Esparza (EUA)

Por Thiago Kühl

Claudinha Gadelha (15-3 no MMA, 4-3 no UFC) chegou a ter por duas vezes na carreira compromisso marcado contra sua adversária de sábado em seus tempos de Invicta FC, nutrindo uma boa rivalidade contra Carla na época, que acabou deixada de lado após as duas lutas contra sua nêmesis Joanna Jędrzejczyk. Com a queda de patamar de top contender após derrota acachapante contra sua compatriota Jessica Andrade, Claudinha precisa dar um passo atrás na carreira para se restabelecer no topo da categoria peso palha feminino, e nada melhor do que uma vitória contra sua antiga rival para voltar ao caminho do tão sonhado cinturão.

Após o início de carreira na Kimura Nova União e uma posterior mudança para os Estados Unidos, Gadelha desenvolveu um jogo muito completo. Baseada em um jiu-jitsu bastante apurado, com fluidas transições e bom arsenal de finalizações, a potiguar teve uma carreira bastante interessante na luta agarrada, tanto no pano quanto sem. Além disso, desenvolveu um wrestling de ótimo nível – considerando que não tem background na área – tendo conseguido derrubar Joanna e Jessica Aguilar. É verdade que ela sofreu algumas quedas de grande amplitude nas mãos da Bate-Estaca, mas já estava na mão do palhaço naquela altura do campeonato.

Complementando o grappling de alto nível, o boxe de Claudinha vem se mostrando um ativo bastante interessante, que inclusive a ajudou a levar a knockdown a hoje ex-campeã. Como desabono, a brasileira tem visto seu tanque de gás acabar mais rápido, contra Joanna durou dois rounds e, contra Andrade, uma tentativa frustrada de guilhotina foi responsável pelo seu fim.

Quando olhamos a história do peso palha fica fácil ver que Carla Esparza (13-4 no MMA, 4-2 no UFC) foi a primeira campeã da categoria após ocorrerem uma série de circunstâncias muito específicas, principalmente alinhadas com o fato de que Claudinha e Joana entraram diretamente no evento e Rose Namajunas ainda estar muito crua na final do TUF 20. Após sofrer uma das surras mais constrangedoras em disputas de cinturão, a americana conseguiu três vitórias em quatro lutas, com atuações bastante chatas e questionáveis desanimadoras.

A All-American já foi conhecida por ter um jogo extremamente sufocante no chão, daquele tipo carrapato, que agarrava suas adversárias no início do round e assim mantinha a situação até a buzina tocar. Junto com o ótimo jogo de quedas e controle posicional, a americana desenvolveu um jiu-jitsu decente o suficiente para evitar finalizações. A trocação, por outro lado, só serviu até hoje para buscar a aproximação na hora de aplicar seu jogo de quedas, nada mais que isso. Pra piorar, em suas últimas lutas a “Cookie Monster” não mostrou praticamente nenhuma novidade no estilo, o que deixa a nossa análise bastante restrita.

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A chance de Esparza é fazer seu jogo de pressão desde o início, cansar a brasileira e esperar por uma vitória por decisão após três rounds monótonos. O problema é que Claudinha é um tanque, muito forte e muito atlética e, ainda que tenha desvantagem técnica no wrestling, não deve ter tantas dificuldades para evitar as quedas e a aproximação de Carla nas primeiras parciais. Podendo assim aplicar o seu bastante superior jogo de trocação, o que levará a ex-campeã para águas profundas, buscando uma interrupção na parte final da luta, de forma a consolidar seu caminho de volta ao topo.

Peso Pena: #7 Ricardo Lamas (EUA) vs. #11 Mirsad Bektic (BOS)

Por Idonaldo Filho

Ricardo Lamas

Ricardo Lamas (18-6 no MMA, 9-4 no UFC) é um dos veteranos do peso pena do UFC, onde já luta a sete anos desde que fez a transição do WEC. Ao chegar na organização, venceu suas quatro primeiras lutas e foi colocado no posto de desafiante contra José Aldo no UFC 169, onde foi dominado e derrotado na decisão unânime. Posterior a isso, Lamas passou a alternar resultados, saindo derrotado nos momentos onde poderia até alcançar outra disputa, como foi contra Chad Mendes, onde foi dizimado após um potente soco de direita, na guerra contra Max Holloway e, por último, quando foi atropelado por um Josh Emmett acima do peso.

Um lutador de instinto agressivo e que tem sua base no wrestling, vindo da terceira divisão da NCAA, vale lembrar que Lamas também é faixa preta de jiu-jítsu e capaz de usar bem todos os fundamentos da luta. Como não poderia deixar de ser, Lamas tem ótimas quedas e trabalha bem a posição no chão, além de também ter boas finalizações em seu arsenal. O boxe é muito alinhado e potente, como mostrou contra Jason Knight, quando combinações entraram com frequência e propiciaram um posterior nocaute técnico no ground and pound. Lamas também usa bem os chutes, minando geralmente a perna (Diego Sanchez que o diga) e arriscando também alguns na cabeça. Porém, Lamas está com 36 anos e sua última luta terminou de forma brutal, e geralmente isso não é bom nessa idade.

Mirsad Bektic

Sempre entregando desempenhos assustadores, Mirsad Bektic (12-1 no MMA, 5-1 no UFC) terá talvez o maior desafio de sua carreira pela frente. O bósnio, que está treinando na Tristar Gym, vem evoluindo nitidamente a cada luta, mesmo na derrota. Sua passagem no UFC se iniciou contra Chas Skelly, onde ele sobreviveu a uma criminosa joelhada ilegal que teria apagado muita gente, para dominar completamente o americano e levar na decisão majoritária. As três lutas seguintes foram unilaterais: usou Paul Redmond de pano de chão, aplicou uma feia surra no bom Lucas Mineiro e levou o pescoço de Russel Doane para casa. No UFC 209 uma surpresa, fazia uma luta constrangedora de tão dominante contra Darren Elkins por dois rounds e meio mas, cansado de bater, deu brecha e foi nocauteado na grade em uma das maiores reviravoltas recentes do MMA. Voltou nesse ano nocauteando Godofredo Pepey com um bruto soco no tronco, que mais parecia um coice.

Bektic é um lutador de força cavalar, que tem ficado mais violento a cada luta. Oriundo do wrestling e do caratê, ele conta com um arsenal muito completo, já tendo finalizado e nocauteado tanto no chão quanto em pé. Ele trabalha sempre em bom ritmo, quase nunca ficando em desvantagem na luta. Pressionando o oponente, Mirsad geralmente detêm o domínio do cage, facilitando o seu trabalho de boxe agressivo, com cruzados poderosos, e também de wrestling, com quedas bem fintadas e explosivas, que ocorrem geralmente após brechas do oponente, principalmente após eles tentarem golpear mais abertamente. No chão, ele é monstruoso no ground and pound, batendo muito forte em qualquer posição que estiver. Geralmente gosto de falar sobre os defeitos dos lutadores, mas Bektic os demonstrou até agora. Até mesmo no revés contra Darren Elkins, ele foi derrotado quando estava tendo grande vantagem na luta.

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Este é um nítido confronto de gerações. Lamas, em minha opinião, está em seus últimos anos como atleta profissional e, embora acredite que ele ainda faça parte do top 10, em qualquer momento ele pode mostrar uma de rendimento brusca devido a idade e as batalhas feitas em sua carreira. Lamas pode até vencer, mas a aposta é que Bektic domine a luta por três rounds e leve na decisão, embora a vitória possa surgir antes.

Peso Pesado: Rashad Coulter (EUA) vs. Chris De La Rocha (EUA)

Por Rafael Oreiro

Rashad Coulter

Achou que ia ficar sem lutas ruins na noite? Rashad Coulter (8-3 no MMA, 0-2 no UFC) está aí para resolver (ou não) o problema. Peso pesado DAQUELES, Coulter entrará para fazer história no octógono em parceria com seu xará um pouco mais bem sucedido, Evans, para a primeira vez na qual o UFC terá dois Rashads lutando em um só evento. Impressionante, não?

Com aproveitamento de 100% até agora em sua passagem pelo UFC, sendo nocauteado nas duas vezes que entrou no octógono, ele possui seu boxe como principal especialidade, já tendo inclusive – pasmem – competido profissionalmente na modalidade. Apesar da força e da técnica decente de golpes e movimento de cabeça, Coulter possui um condicionamento físico para deixar muito fumante bem representado, com o gás no maior estilo Aldo-McGregor – mal começou e já acabou. Sua defesa de golpes também é mais do que lamentável, que deu abertura para o primeiro nocaute por joelhada voadora que eu já vi nos pesos pesados, quando perdeu para Tai Tuivasa.

Chris De La Rocha

Para quem não sabia, existe um lutador chamado Chris de la Rocha (4-2 no MMA, 0-2 no UFC) contratado pelo UFC. Você não sabia? Nem eu. Com impressionantes duas lutas no octógono desde sua contratação em 2015, o americano é outro que vem de bom aproveitamento, sendo nocauteado em ambas as aparições, contra Daniel Omielanczuk e Adam Milstead. O grande momento de sua carreira, até aqui, foi um nocaute sobre o veterano barangão DJ Linderman.

Rochinha é um dos piores trocadores a já terem pisado no octógono, parecendo não fazer a menor ideia de como golpear e deixando avenidas gigantes para contragolpes após cada tentativa de pedradão, não sendo nocauteado em segundos somente porque possui um queixo monstruoso. Ele é menos ruim no chão, sendo faixa roxa no jiu-jítsu, mas nunca conseguiu demonstrar sua real qualidade pois não possui absolutamente nenhum aproveitamento em tentativas de queda, não conseguindo nenhuma após sete tentativas até agora no UFC.

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Essa é a clássica luta na qual, independente de seu resultado no final, o último que sairá ganhando será o público. No confronto entre dois pesos pesados de quase quarenta anos, ruins tecnicamente e de condicionamento físico pobre, temos a clara pior luta da noite – obviamente, entre lutadores profissionais.

Com a esperança do combate acabar rapidamente sendo baixa por causa dos dois terem alta capacidade de levar porrada, é provável que vejamos um desfile de zumbis lá pelo segundo round, e aí, é possível que qualquer coisa aconteça, até mesmo uma queda de Rocha. Ainda assim, vendo a incompetência de Chris para levar a luta para o chão – onde teria óbvia vantagem no combate – é provável que Coulter seja mais técnico e leve a melhor na luta em pé, talvez conseguindo apagar a rocha com um pedradão lá pelo segundo round, isso se a luta não se prolongar até uma decisão lamentável.

Peso Meio-Pesado: Rashad Evans (EUA) vs. Anthony Smith (EUA)

Por Thiago Kühl

É quase um absurdo ver hoje o ponto que Rashad Evans (19-7-1 no MMA, 14-7-1 no UFC) chegou na carreira. O ex-campeão do peso meio-pesado sempre foi uma ameaça impressionante na época que a categoria era um tanque de tubarões dos mais perigosos, chegando ao cinturão invicto e, mesmo após perder para Lyoto, se manteve no topo, chegando a ter uma segunda chance contra Jon Jones. Após uma lesão que o tirou do que seria seu terceiro title eliminator contra Daniel Cormier, ele nunca mais foi mais o mesmo. Quatro derrotas, muitas lutas canceladas e uma péssima incursão pelo peso médio acabaram dando argumentos para aqueles que imaginam que já chegou a hora de sua aposentadoria.

Em seu auge, a desvantagem de tamanho na categoria até 93kgs era compensada com uma grande velocidade no jogo de entradas e saídas, muito bem alinhada com seu afiado boxe. Além disso, Evans sempre soube aplicar o wrestling apurado na Michigan State, inclusive vencendo wrestlers mais qualificados no circuito universitário, como Phil Davis. O problema é que, após tantas derrotas, já ficou claro que a velocidade e precisão na trocação, juntamente com a sua boa condição física, ficaram para trás.

O adversário de Evans, Anthony Smith (28-13 no MMA, 7-4 no UFC), também decidiu subir de categoria após passar a maior parte das suas 41 lutas  profissionais cortando para 84 kg. O texano, que passeou por diversos eventos antes de conseguir uma boa sequência em sua segunda passagem pelo UFC – com quatro vitórias nas últimas seis lutas, que incluem um belo nocaute contra um já bastante combalido Hector Lombard – nunca foi nenhum primor técnico, porém talvez esteja num nível suficiente para dar trabalho para o atual Rashad.

Dono de um bom poder de nocaute e alguma qualidade no chão, Smith até pode ser perigoso contra oposição que esteja fora do top 15 do UFC, principalmente numa categoria devastada como o meio-pesado. É verdade que em um passado não tão distante, seria completamente destroçado por Evans, mas após tantos sinais de decadência, agora existe chance de Anthony vencer.

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Se tem uma coisa que eu tento evitar ao máximo é apostar contra o talento. Porém, considerando o estágio atual da carreira de Suga, aliadas às suas últimas atuações e o poder de nocaute de Smith, me faz imaginar que teremos mais um capitulo triste da carreira do ex-campeão, que deverá sofrer mais um nocaute na carreira.

Peso Mosca: #1 Joseph Benavidez (EUA) vs. #5 Sergio Pettis (EUA)

Por João Gabriel Gelli

Joseph Benavidez

Um ano e meio após sua última aparição, Joseph Benavidez (24-4 no MMA, 12-2 no UFC) retornará ao octógono para defender uma invencibilidade de quatro anos e sete lutas. Em seu compromisso mais recente, ele superou Henry Cejudo em decisão bastante controversa, mas sofreu uma ruptura no ligamento cruzado anterior e foi forçado a se afastar por um período considerável. De volta, poderá colocar para teste o posto de melhor lutador da categoria dos moscas que não se chama Demetrious Johnson, seu único algoz no UFC até aqui.

Lutador muito completo, Benavidez não é um dos melhores a nunca terem conquistado o cinturão do UFC à toa. Wrestler de ótimo nível, tem mudanças de nível explosivas e é muito oportunista no solo, com uma guilhotina especialmente afiada, com a qual finalizou cinco oponentes. Na parte em pé, o texano foi um dos maiores beneficiados pela passagem de Duane Ludwig pelo Team Alpha Male, com grande evolução na área. Joe-Jitsu inclusive chegou a treinar com Ludwig posteriormente na Elevation Fight Team, mas se preparou para esta luta dividindo o tempo entre a Xtreme Couture e treinamentos particulares, que organizou no UFC Perfomance Institute.

Sergio Pettis

Enquanto isso, Sergio Pettis (16-3 no MMA, 7-3 no MMA) vem de derrota em sua luta mais recente, ao ser dominado por Cejudo em um embate com cara de eliminatória. Após ver sua série de quatro triunfos seguidos interrompida, ele terá uma grande oportunidade ao encarar um adversário de nome e que pode colocá-lo de volta na discussão de uma disputa de cinturão.

Assim como o irmão mais velho, Sergio tem como principal característica o kickboxing forte, com chutes variados. Contudo, demostrou a habilidade que Anthony não conseguiu exibir, a de se adaptar. Dessa forma, percebeu que não poderia depender de momentos de brilhantismo e precisava de uma abordagem mais consistente, o que o levou a evoluir na luta agarrada, principalmente no wrestling ofensivo, que virou uma arma para que variasse o jogo em suas lutas. O problema é que segue com uma defesa de quedas esburacada, o que pode ser um péssimo sinal para sábado.

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Caso esta luta fosse disputada há dois anos, antes da lesão de Benavidez, não hesitaria em apostar que o ex-desafiante conquistaria uma vitória tranquila. No entanto, ele já dava sinais de que o atleticismo tão importante para sua abordagem estava nos estágios iniciais de declínio. Com o ferrugem do tempo parado, a possibilidade de Joseph ter seu timing totalmente descompassado e sofrer no começo do duelo não pode ser desprezada. De qualquer maneira, ele deve superar os momentos iniciais que Pettis pode levar vantagem e abusar das quedas para dominá-lo no solo rumo a uma decisão que não será fácil, mas também não terá muito drama.

Peso Leve: Clay Guida (EUA) vs. Charles do Bronx (BRA)

Por Thiago Kühl

Clay Guida

Integrante de uma classe de lutadores que sempre fará parte das memórias dos fãs mais hardcore do MMA, Clay Guida (34-17 no MMA, 14-11 no UFC) já chegou a ser considerado um dos lutadores mais legais de se assistir dentro do plantel do UFC. Ainda que bastante inconsistente, “The Carpenter” enfileirou muitos bônus de luta da noite, incluindo uma das mais fantásticas lutas de todos os tempos contra Diego Sanchez, tendo chegado até a entrar nas conversas para disputar o cinturão da categoria.

Porém, após uma derrota em atuação vergonhosa contra Gray Maynard em 2012 e uma tentativa de incursão pelo peso-pena que acabou se mostrando muito equivocada –  com duas vitórias em seis lutas – parecia que o fim havia chegado para o produto da Jackson-Wink. Ocorre que, de forma bastante surpreendente, uma ida para a Team Alpha Male e a volta para o peso leve, com duas vitórias em atuações destacadas contra veteranos em Eric Koch e Jon Lauzon, deram sobrevida à carreira de Guida, que conseguiu inclusive renovação do contrato com a organização.

Dono de um wrestling de bom nível – que inclui um campeonato nacional júnior na carreira – o americano se notabilizou por uma movimentação incansável e uma agressividade insana, principal causadora de uma grande inconsistência durante a carreira. É verdade que hoje não tem mais o gás de outros tempos, a ponto de fazer a mesma pressão que imprimia no passado contra lutadores que estejam no mais alto nível da categoria mais disputada no MMA, mas a ótima atuação contra Eric Koch mostra que Clay tem lenha pra queimar e pode continuar roubando vitórias dentro do top 30 dos leves.

Charles do Bronx

Uma vez já incluído no rol de grandes prospectos brasileiros no MMA, Charles “do Bronx” Oliveira (22-8-1 no MMA, 10-8-1 no UFC) alternou bons e maus momentos dentro do maior evento no mundo, de forma que vitórias destacadas contra gente como Will Brooks, Myles Jury e Nik Lentz acabaram apagadas por performances não tão boas em lutas subsequentes. Além disso, o pupilo de Patino Macaco nutre uma péssima relação com a balança, que acabou fazendo o evento obrigá-lo a lutar na categoria até 70 kgs, onde acaba tendo uma desvantagem física considerável em relação a alguns adversários. Para piorar, os cortes de peso mesmo na divisão dos leves não são fáceis, o que acaba prejudicando o rendimento do brasileiro, que, vale lembrar, aceitou a luta de sábado de última hora.

A qualidade técnica no jiu-jitsu de Charles é absurda. Dono de um arsenal de finalizações dos mais vastos, o brasileiro é extremamente perigoso tanto por baixo quanto por cima, conseguindo fazer transições e alcançar finalizações das formas mais variadas. A trocação tem nível razoável o suficiente para enganar os desavisados e permitir a aproximação do paulista, que acaba se embolando e levando a luta para seu habitat natural, o solo.

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Mesmo em condições normais de temperatura e pressão, a vantagem aqui seria do americano. A possibilidade de Charles colocar um wrestler do seu nível para baixo é bem baixa, até mesmo porque a diferença atlética aqui joga contra o brasileiro. E, para piorar, ele chegará para luta com aviso de última hora tendo apenas uma semana para se preparar, o que deve tornar a diferença física ainda maior pela provável dificuldade no corte de peso.

É claro que nunca sabemos se iremos ver um Guida focado – como em suas últimas duas lutas – ou se será o lutador burocrático e desinteressado de um passado não tão distante. De toda forma, as vantagens no casamento de jogo, aumentadas pela falta de preparação do brasileiro, nos obriga a apostar em vitória por interrupção do americano.