Por Edição MMA Brasil | 10/05/2018 15:43

No aquecimento para as principais lutas do UFC 224, o card preliminar do evento traz diversas oportunidades de entretenimento da alta qualidade para os fãs que estarão na Jeunesse Arena ou que assistirão pela televisão.

Alguns integrantes do Top 10 do Futuro estarão em ação. Pelo peso médio, Karl Roberson encara Cezar Mutante; Junior Albini pega Oleksiy Oliynyk no peso pesado; e Ramazan Emeev estreia nos meios-médios contra Alberto Miná.

Três sujeitos muito dinâmicos também foram escalados. Markus Maluko pega James Bochnovic; Elizeu Capoeira faz candidata a luta da noite contra Sean Strickland e Warlley Alves vai atrás de Sultan Aliev. Completam o card o multicampeão de jiu-jítsu Davi Ramos contra Nick Hein e Thales Leites contra Jack Hermansson.

O primeiro combate do card preliminar está marcado para iniciar às 19:15h, no horário oficial de Brasília. O canal Combate transmitirá ao vivo todas as lutas.

Peso Médio: Cezar Mutante (BRA) vs. Karl Roberson (EUA)

Por Alexandre Matos

Karl Roberson

Tremendo combate que poderia fazer parte de qualquer card principal de Fight Night fecha as preliminares do UFC 224.

Desde que retornou ao peso médio, depois da ideia de jerico de cortar tanto peso, Mutante venceu quatro dos cinco compromissos com algumas atuações sólidas. Já Roberson tem apenas duas apresentações no maior palco do MMA mundial, mas chamou atenção com desempenhos avassaladores.

Numa análise técnica, é possível dizer que o brasileiro é mais lutador que o americano por dominar mais aspectos do jogo – Mutante tem um bom arsenal de quedas, é oportunista no chão e sabe trabalhar no clinch, enquanto Roberson ainda precisa aprimorar a luta agarrada. Porém, no ponto forte de cada um, a vantagem é clara de Roberson, ex-kickboxer profissional que garantiu a vaga no UFC com um nocaute destruidor com cotoveladas no Contender Series.

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O melhor caminho para Cezar vencer é acertar o tempo de entrada de queda, preferencialmente passando pelo clinch para desgastar Roberson – mas o clinch deve ser na grade, para o paulista não correr o risco de ser pego no collar tie e engolir joelhadas até o amanhecer de domingo. O problema é que Roberson não precisará de muito caso consiga carimbar o queixo nada confiável do brasileiro. E a aposta é exatamente em nocaute do americano.

Peso Pesado: #10 Oleksiy Oliynyk (RUS) vs. #14 Junior Albini (BRA)

Por Bruno Costa

Junior Albini

Junior “Baby” Albini (14-3 no MMA, 1-1 no UFC) tenta retomar o caminho das vitórias após seu primeiro revés na organização, quando foi parado pela técnica superior e maior experiência do interminável Andrei Arlovski.

Baby estreou muito bem no octógono quando nocauteou o duro Tim Johnson, mostrando agilidade e variação na troca de golpes incomum para a odiosa categoria dos pesos pesados. O brasileiro é um kickboxer preciso, que utiliza bem chutes baixos e no corpo e joelhadas de encontro, além de ser um finalizador oportunista, face que ainda não demonstrou no octógono. O trabalho de clinch é regular e demonstra dificuldades no wrestling ofensivo, mas provavelmente serão ferramentas descartadas em seu próximo desafio.

A defesa de quedas de Baby não chegou a ser testada com afinco pelos adversários de nível mais qualificado enfrentados até o momento, mas é competente o suficiente para a média da categoria. Embora tenha sido derrotado em duas ocasiões por finalização antes de chegar ao UFC, Baby evoluiu muito na área defensiva desde seu último revés por esse método, que aconteceu há seis anos.

Oleksiy Oliynyk

Oleksiy Oliynyk (55-11-1 no MMA, 4-2 no UFC) é um experientíssimo (evitemos por aqui adjetivos ofensivos como “velho”) peso pesado que chegou ao UFC com uma tonelada de lutas em seu cartel, mas ainda perigoso para seus adversários pelas excentricidades de seu estilo.

O russo apresenta pouca mobilidade, tem sérios problemas de condicionamento físico e jogo de quedas, mas a rasa qualidade dos oponentes que enfrenta lhe permite demonstrar sua capacidade de encontrar finalizações incomuns.

Na troca de golpes em pé, apresenta insuficiência técnica que o capacitou para ser merecidamente premiado no “Barangão 2017”. Em que pese a falta de refinamento, como um pesado que se preze, Oleynik apresenta grande poder de nocaute no overhand e com frequência utiliza na sequência ganchos de esquerda como forma de aproximação do adversário.

Como lhe falta competência para mudar de níveis em transições ofensivas, para quedar seus adversários depende de superexposição ou cansaço dos oponentes para tentar capitalizar nessas situações, ou, ainda, do clinch, preparando finalizações dali mesmo para no solo apenas liquidar a fatura.

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Para o embate de sábado, a aposta é que Baby consiga impor sua melhor técnica, travando as investidas do rival contra a grade, driblando a passividade vista noutros momentos de sua carreira e, ciente da necessária atenção defensiva aos problemas apresentados por Oleynik, saia vitorioso após uma sequência de golpes bem encaixada ainda no primeiro round.

Peso Leve: Davi Ramos (BRA) vs. Nick Hein (ALE)

Por Gabriel Carvalho

Davi Ramos

Ás do jiu-jítsu, Davi Ramos (7-2 no MMA, 1-1 no UFC) entregou trabalho para o experiente Sérgio Moraes, também multicampeão na arte suave, em sua estreia no UFC, e emplacou a primeira vitória na organização em seguida, com uma submissão sobre Chris Gruetzemacher. Por outro lado, o retrospecto do “Sargento” Nick Hein (14-2 no MMA, 4-1 no UFC) é até positivo no octógono. Em cinco lutas na organização, ele só foi derrotado por James Vick, hoje membro do top 10 do peso leve.

Davi ainda é meio cru na troca de golpes, mostra dificuldades na defesa e na movimentação, mas tem uma tendência a se adaptar conforme o combate se desenrola. Ele é obviamente um especialista no chão, com controle posicional forte e um jiu-jítsu bastante afiado, bem trabalhado antes de encaixar chaves e estrangulamentos.

Judoca de origem, Hein competiu em alto nível na arte marcial japonesa quando estava na Alemanha, e vem mostrando eficiência até aqui na migração para o MMA. Apesar de pouca movimentação na troca de golpes, Hein costuma aproveitar os erros dos adversários para aplicar o famoso “cobertor”.

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Temos um duelo de forças bem interessante aqui. Hein está sem lutar desde 2016 e, para um lutador de ritmo lento como ele, esta situação pode pesar bastante negativamente. Davi é muito forte no jiu-jítsu e tem a vantagem física. O brasileiro inclusive pode levar vantagem na troca de golpes, mas a tendência é que ele consiga levar a luta pro chão e garantir um triunfo por decisão unânime.

Peso Meio-Médio: Elizeu Capoeira (BRA) vs. Sean Strickland (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Elizeu Capoeira

Depois de derrota na estreia, Elizeu Capoeira (18-5 no MMA, 4-1 no UFC) ganhou quatro lutas em sequência – três delas com bonificação – e agora almeja o top 15 da categoria, tendo o maior teste de sua vida no próximo sábado. Seu adversário, Sean Strickland (19-2-1 no MMA, 6-2 no UFC), só perdeu no octógono quando foi colocado contra os ranqueados Santiago Ponzinibbio e Kamaru Usman, e é outro lutador que busca o seu lugar no top 15 da movimentada divisão.

Pupilo de Cristiano Marcelo na CM System, Capoeira tem o clássico jogo da escola brasileira que junta o muay thai com o jiu-jítsu. Lutador altamente empolgante, que sabe atacar e contra-atacar perigosamente, ele precisa melhorar um pouco no aspecto defensivo para dar o passo além na carreira. Enquanto não chegar a este nível, pelo menos não terá problemas para manter o emprego enquanto entregar entretenimento de qualidade toda vez que sobe ao octógono.

Diferentemente do brasileiro, Strickland não costuma proporcionar grandes momentos. Ao contrário, trata-se de um lutador estudioso na troca de golpes, que procura sempre as oportunidades mais seguras para atacar, é bom em criar ângulos principalmente para os golpes de encontro e esquiva bem. No solo, seu desempenho chama menos atenção, o que pode representar perigo no combate de sábado.

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Talvez seja esta a principal candidata a luta da noite. Enquanto o combate permanecer na troca de golpes em pé, teremos o encontro da agressividade de Capoeira com a paciência de Strickland, situação que normalmente rende momentos sensacionais. O brasileiro sempre terá a seu favor a oportunidade de lutar no solo, ainda que se ressinta de uma maior capacidade de derrubar. A aposta é numa vitória de Capoeira por margem apertada.

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