UFC 223: Prévia do Card Preliminar

UFC 223 tem o melhor card principal do ano até o momento, e a porção preliminar não é diferente. Temos dois ex-desafiantes, algumas promessas de pancadaria e o maior prospecto do UFC na atualidade reunidos nos primeiros combates do evento.

As lutas terão início às 19:15 no horário oficial de Brasília, com transmissão completa feita pelo canal Combate. Confira a prévia:

Peso Palha: #4 Karolina Kowalkiewicz (POL) vs. #8 Felice Herrig (EUA)

Por Bruno Costa

Karolina Kowalkiewicz

Karolina Kowalkiewicz (11-2 no MMA, 4-2 no UFC) tenta engatar uma série de vitórias para se aproximar de uma nova disputa de título no peso palha, após se recuperar de duas derrotas seguidas sofridas contra oponentes de elite da divisão com uma vitória sobre Jodie Esquibel.

Kowalkiewicz não é das maiores ou mais atléticas lutadoras da sua faixa de peso no UFC, mas se apresenta muito bem preparada fisicamente para seus embates e tem noção exata de como utilizar suas principais ferramentas para sair vitoriosa do octógono. Dentre as principais qualidades da polonesa, a movimentação inteligente sem se deixar acuar pelas adversárias, o volume de golpes desferidos e o excelente trabalho de clinch – que já rendeu, inclusive, uma vitória contra a atual campeã da Rose Namajunas. Embora seja competente no domínio posicional quando leva ao chão suas adversárias, essa abordagem não deve ser o “plano A” para o combate do sábado.

Felice Herrig

Felice Herrig (14-6 no MMA, 5-1 no UFC) se encontra na melhor fase de sua carreira, após se reinventar e chegar a uma surpreendente sequência de 4 vitórias consecutivas, sobre nomes como a hypada Alexa Grasso e Courtney Casey.

Embora tenha sua base no kickboxing, Herrig têm apostado em movimentação constante seguida de quedas, sendo no solo onde trabalha com mais intensidade e agressividade. Aproveitando-se da passividade das últimas oponentes em seus combates, impôs um forte ritmo alavancada pelo bom preparo e força física que movem seu jogo. Apresentou, também, melhora na velocidade e precisão do seu boxe, variando mais as ações entre cabeça e corpo das adversárias.

Felice Herrig vs Karolina Kowalkiewicz odds - BestFightOdds
 

Karolina raramente se coloca em uma posição de vencer confortavelmente uma luta, e a tendência é que o mesmo ocorra neste combate. Herrig deve investir em curtas trocas de golpes unicamente com objetivo de eventualmente colocar Karolina de costas para o chão, onde levaria vantagem. Contudo, a defesa de quedas da dura e bem condicionada polonesa deve ser o suficiente para manter a luta em pé, utilizando-se do bom volume de golpes, retaliações precisas contra as investidas de sua adversária e competente trabalho de clinch para levar uma decisão unânime que a devolva ao nível de competição mais alto da categoria.

Peso Mosca: #3 Ray Borg (EUA) vs. #7 Brandon Moreno (MEX)

Por Rafael Oreiro

Ray Borg

O choque da derrota para Demetrious Johnson foi tanto que fez com que Ray Borg (11-3 no MMA, 5-3 no UFC) ficasse quase meio ano afastado do octógono. Totalmente dominado pelo atual campeão por cinco rounds e finalizado de forma espetacular nos últimos minutos de luta, o “Tazmexican Devil” conquistou o direito de disputar o cinturão somente com duas vitórias consecutivas, com duas decisões sobre Jussier Formiga e Louis Smolka.

Apesar do lugar alto que já ocupa na divisão, o atleta da Jackson’s MMA ainda é muito novo, chegando a disputa de cinturão somente com 24 anos. Um lutador da nova geração, que não veio com nenhum background específico em uma arte marcial específica, Borg tem qualidades em todas as áreas da luta, mas é no chão onde ele demonstra mais habilidade, com um jogo de quedas potentes e bom controle posicional. Em pé, ele não apresenta nada excepcional, com um boxe de bom volume, mas apresenta dificuldades para lidar com adversários com uma movimentação diferenciada.

Brandon Moreno

Se o choque da derrota de Borg para Johnson foi grande, pode se falar o mesmo do de Brandon Moreno (14-4 no MMA, 3-1 no UFC) ao perder para Sergio Pettis em sua primeira luta principal no UFC e em sua terra natal, o México. Moreno tinha chegado com força total na organização após uma boa performance como azarão no TUF 24 – onde acabou perdendo para um dos maiores favoritos do programa em Alexandre Pantoja – conquistando três vitórias seguidas, sobre Louis Smolka, Ryan Benoit e Dustin Ortiz, que acabaram deixando o público impressionado.

Também um atleta jovem de 24 anos, Moreno foi buscar treinos diferentes depois de sua derrota para Pettis e eventual confusão com a USADA, na qual acabou absolvido. Ele voltou a treinar por algum tempo com seu mentor de TUF 24, Joe Benavidez, inclusive fazendo alguns treinos com o campeão peso galo TJ Dillashaw. O mexicano evoluiu rapidamente em muito pouco tempo no UFC, passando de um lutador que levava somente perigo no jiu-jítsu para ser um atleta de qualidade com bastante volume de golpes em pé, mas que ainda precisa mostrar mais consciência na parte defensiva em todos os aspectos possíveis.

Brandon Moreno vs Ray Borg odds - BestFightOdds
 

No confronto entre dois dos mais jovens top 10 no UFC, quem aparece como favorito é Ray Borg. Apesar da baita história de Cinderela que Brandon Moreno protagonizou entre 2016 e 2017, ele ainda apresenta falhas defensivas grandes demais para competir contra atletas mais capacitados da categoria dos moscas, confiando demais em seu queixo para absorver golpes em pé e não apresentando uma defesa de quedas confiável.

No final das contas, espere uma luta bastante animada, com Brandon Moreno inicialmente buscando manter a distância com jabs e chutes enquanto Borg buscará se aproximar para levar a luta para o chão. Com altas chances da luta ir para o tablado, espere que Moreno até mostre uma boa resistência e deixe a luta de solo bastante ativa, mas ainda assim acabe derrotado na decisão dos juízes.

Peso Leve: Joe Lauzon (EUA) vs. Chris Gruetzemacher (EUA)

Por Felipe Freitas

Joe Lauzon

Joe “J-Lau” Lauzon (27-14 no MMA, 14-11 no UFC) é conhecido por dar espetáculos nas suas lutas. Não à toa que, junto com Nate Diaz, é detentor do recorde de maior número de bônus pós-luta do UFC. Dos seus 33 anos de vida (fará 34 em maio), 12 foram dedicados ao UFC, estreando com vitória sobre o ex-campeão dos leves Jens Pulver. Porém, Lauzon vem de duas derrotas seguidas e não consegue vencer duas lutas em sequência desde 2014, quando bateu Mac Danzig e Michael Chiesa.

J-Lau tem um jiu-jítsu muito bom (ele também tem 6 prêmios de performance e submissão da noite) e uma trocação mediana, boa o suficiente para ele encontrar uma brecha e levar a luta para o solo. No chão, une sua técnica com os braços e pernas compridos para tentar diversas raspagens e finalizações. Infelizmente, J-Lau nunca evoluiu ao ponto de chegar no top 15 da categoria dos leves. É um porteiro de divisão responsável por ganhar e dividir bônus de desempenho (e de dar como fez na derrota por nocaute contra Anthony Pettis).

Chris Gruetzemacher

Chris Gruetzemacher (13-3 no MMA, 1-2 no UFC) tem na trocação seu ponto forte, o que não quer dizer que ele é nenhum especialista. “Gritz” é forte o bastante para lançar golpes contundentes (a maioria das suas lutas vieram por nocaute) e se virar em um clinch com as costas contra a grade, mas o problema é quando se Empolga™. Nas suas duas últimas derrotas, foi derrubado na curta distância quando começava a impor seu volume de golpes, se esquecendo que existem quedas. Por baixo, só consegue usar o seu instinto e “abraços” para se defender. Se o instinto e o poder do abraço não foi o suficiente para se defender do solo de Chas Skelly e Davi Ramos…

Chris Gruetzemacher vs Joe Lauzon odds - BestFightOdds
 

… Não será diferente contra o chão J-Lau. O kit de trocação do Gritz inclui chutes na perna e no corpo do adversário, mas contra Skelly e Ramos ele teve os chutes “catados” e acabou caindo de costas pro chão. Em algum momento Lauzon vai diminuir a distância (ou seu adversário fará isso por ele), grudar em um clinch e levar a luta para o chão. Se a vitória de Lauzon por submissão não for no primeiro assalto, será no segundo. Como eu acredito que o Gritz não tomará um terceiro mata-leão seguido… Esquece. J-Lau deve vencer por mata-leão sem precisar de um terceiro round.

Peso Leve: #14 Evan Dunham (EUA) vs. Olivier Aubin-Mercier (CAN)

Por Gabriel Carvalho

Evan Dunham

Já se passaram quase quatro anos desde a última derrota de Evan Dunham (18-6-1 no MMA, 11-6-1 no UFC) no octógono, quando levou uma sonora bica de Edson Barboza. De lá pra cá, emendou quatro vitórias e um empate, que aconteceu justamente em sua luta mais relevante, contra Beneil Dariush, no UFC 216.

Jiu-jiteiro de origem, Dunham até apresentou boas características na troca de golpes, como a movimento de cabeça e as boas entradas para conectar jabs, mas acaba sendo prejudicado pela pouca mobilidade, que é a principal responsável de seu sistema defensivo ruim. Evan mostra bastante dinamismo quando a luta vai pro chão, tem um wrestling de bom nível e mostra bastante objetividade quando está por cima. Talvez os 36 anos e as longas guerras já possam custar caro para o americano.

Olivier Aubin-Mercier

Finalista do TUF Nations, Olivier Aubin-Mercier (10-2 no MMA, 6-2 no UFC) vive um momento positivo e agora tem a chance da vida de adicionar um bom nome ao cartel. Suas vitórias recentes foram sobre Thibault Gouti, Drew Dober e Tony Martin, mostrando que o canadense vem sendo testado em níveis gradativos.

Grappler de origem, Aubin-Mercier tem bastante conhecimento no judô e no jiu-jítsu, se destacando pela facilidade que tem de conquistar posições de domínio no solo. Em pé, usa a base no taekwondo para golpes de encontro, chutes e boas fintas usadas para conseguir adentrar ao clinch, buscando colocar a luta no solo, onde também costuma mostrar bastante agressividade.

Evan Dunham vs Olivier Aubin-Mercier odds - BestFightOdds
 

E aqui temos uma luta muito interessante por conta de diversos fatores: O jiu-jítsu de Aubin-Mercier consegue penetrar na camada do top 15 do peso leve? As longas batalhas e o queixo duro de Evan Dunham ainda aguentam castigo? O canadense leva vantagem no preparo físico? O meu palpite é que a luta seja até animada em pé, com bons momentos para os dois lados, mas a juventude e o oportunismo de Olivier devem pesar a seu favor, dando uma vitória de virada para o canadense.

Peso Pena: Alex Caceres (EUA) vs. Artem Lobov (IRL)

Por Gabriel Carvalho

Alex Caceres

Que maravilha, hein? Mas vamos lá.

Alex Caceres (13-11 no MMA, 8-9 no UFC) tem uma capacidade enorme de decepcionar sempre que tem uma expectativa de deslanchar. No caso mais recente, carregava um favoritismo contra o desconhecido chinês Wang Guan, mas acabou perdendo na decisão dos juízes, voltando ao status anterior, e quem sabe até com a possibilidade de demissão caso perca mais uma luta.

Com um estilo pouco ortodoxo, Caceres até consegue fazer um certo barulho quando enfrenta um adversário na medida. Ele mostra movimentação constante, trabalho rápido nas mãos e boas trocas de base. O problema que segurou o crescimento de Alex foi a parte defensiva em qualquer aspecto do jogo, o que dificulta o trabalho dele contra diversos estilos de lutadores.

Artem Lobov

Um dos maiores representantes da influência de Conor McGregor no UFC, Artem Lobov (14-14-1 no MMA, 2-4 no UFC) ganhou mais uma chance de se provar no octógono. Depois de duas vitórias sobre os fracos Chris Avila e Teruto Ishihara, o lutador da SBG foi inexplicavelmente jogado a Cub Swanson e Andre Fili, e ficou bem óbvio que ele não viu a cor da bola contra competição melhor qualificada. Agora, o “Martelo Russo” luta com alguém do mesmo nível.

Lobov até mostrou certa melhora nos últimos tempos, mas segue limitado. Avança bastante em linha reta com o uso do jab, que é a sua principal arma, mas deixa um espaço imenso para contragolpes e tem um sistema defensivo bem limitado. Começou a chutar também, mas não parece ter a técnica e potência necessária para impedir o crescimento de lutadores melhores.

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Não é porque temos dois lutadores ruins que significa que o combate será ruim também, tanto que aqui podemos ter uma batalha até animada. A vantagem pesa pro lado de Caceres, que tem um arsenal ofensivo mais interessante e um estilo que exige um aumento no ritmo de Lobov, coisa que não dá pra se esperar. Com bastante movimentação e uma blitz ou outra aqui, o americano deve vencer na decisão, mas não vamos subestimar a capacidade de Alex perder lutas.

Peso Mosca: Bec Rawlings (AUS) vs. Ashlee Evans-Smith (EUA)

Por Gabriel Carvalho 

Bec Rawlings

Difícil de explicar, mas Bec Rawlings (7-7 no MMA, 2-4 no UFC) segue contratada mesmo após as derrotas seguidas para Paige VanZant, Tecia Torres e Jessica-Rose Clark. Rawlings tem um boxe ofensivo interessante e poderoso, mas acaba pecando nos outros aspectos do jogo. Apresenta pouca movimentação, pouca velocidade, tem buracos defensivos e bastante deficiência no chão.

Depois das derrotas para Ketlen Vieira e Sarah Moras (!!!), Ashlee Evans-Smith (5-3 no MMA, 2-3 no UFC) tenta dar novos ares para a carreira com uma descida ao peso mosca. Com base no wrestling, praticado nos tempos de colegial e faculdade, Ashlee é uma lutadora que ainda demonstra muita dificuldade em quase todas as áreas da luta. A aproximação é ruim, entrada de quedas não é boa, é lenta e pouco técnica na trocação, além de não ter um arsenal suficiente para surpreender a oponente.

Ashlee Evans-Smith vs Bec Rawlings odds - BestFightOdds
 

No meio de tanta luta boa, sempre tem aquela que não promete muito. Bec provavelmente está mais adaptada ao peso e não deve sentir muita diferença física, já que é tão corpuda quanto Ashlee. O combate deve se desenvolver por 15 minutos, com Bec promovendo ataques com os punhos em linha reta. Smith pode ser aguerrida, mas por ser menos técnica, deve sair derrotada na decisão dos juízes.

Peso Meio-Pesado: Devin Clark (EUA) vs. Mike Rodriguez (EUA)

Por Gabriel Carvalho

Devin Clark

Ex-campeão do RFA, Devin Clark (8-2 no MMA, 2-2 no UFC) chegou a empolgar no octógono com um par de vitórias, mas acabou sofrendo uma derrota bizarra para o polonês Jan Blachowicz. Mesmo sendo wrestler de origem, Clark ainda apresenta muitas dificuldades na hora da aproximação e das quedas, algo que foi confirmado na luta contra Blachowicz. Mesmo com as limitações técnicas em pé, ainda consegue variar o jogo, apesar de não ser nem de perto suficiente para lutar com o top 15 da divisão.

Mais um que veio do Contender Series, Mike Rodriguez (9-2 no MMA) é uma das atrações escondidas da porção preliminar. Um atleta bem alto, Rodriguez tem base no muay thai, onde consegue combinar bons socos e usa as pernas como elemento surpresa, mesmo sem a velocidade necessária. Sabe trabalhar da guarda, mas existe uma chance maior dele se embananar todo no chão do que trazer alguma ameaça a Devin.

Devin Clark vs Mike Rodriguez odds - BestFightOdds
 

Visto que Clark ainda sofre bastante para derrubar seus oponentes, existe uma boa chance da luta se desenvolver em pé e virar uma troca de tiros animada. Mesmo lento, Rodriguez deve ter mais facilidade para marcar o rosto do adversário, mas fica a pergunta se ele aguentará os 15 minutos em um nível decente e conseguirá parar o ímpeto de Clark no segundo e no terceiro round. Assim, apostaremos em Devin por decisão.