UFC 222: Prévia do Card Preliminar

Antes de Cris Cyborg defender sua coroa do peso pena pela segunda vez, o UFC 222 trará um card preliminar bem movimentado.

A T-Mobile Arena, em Las Vegas, receberá a estreia da celebridade do jiu-jítsu Mackenzie Dern, que será recebida no octógono por Ashley Yoder. Além da presença de Beneil Dariush, top 10 legítimo da melhor categoria do mundo, teremos o explosivo combate entre John Dodson Pedro Munhoz, que era pra ter acontecido no mês passado e o retorno do sumido Bryan Caraway.

As lutas preliminares começam às 20:30h no Horário de Brasília e terão transmissão completa no Canal Combate. Confira a prévia:

Peso Palha: Ashley Yoder (EUA) vs. Mackenzie Dern (EUA)

Mackenzie Dern

Participante do TUF 23, Ashley Yoder (5-3 no MMA, 0-2 no UFC) não vive a melhor situação na carreira, vindo de derrotas para Justine Kish e Angela Hill, que colocaram seu emprego no UFC em risco. Yoder não é das melhores lutadoras na troca de golpes, exibindo pouca técnica, problemas de movimentação e pouca atitude em pé. Ela compensa com o bom tempo para aplicar quedas, mas tem dificuldades no controle posicional.

Bicampeã mundial de jiu-jítsu e campeã do ADCC, Mackenzie Dern (5-0 no MMA) fez a transição da arte suave para o MMA, onde sempre foi olhada com um carinho especial e conseguiu vencer suas cinco primeiras lutas profissionais, o que garantiu um contrato com o maior evento do mundo. Mackenzie consegue justificar o hype com suas habilidades no chão. Ela é rápida em transições, tem um arsenal gigante de chaves e estrangulamentos em qualquer situação para o combate no solo. O problema de Dern é a trocação, que ainda é bastante rudimentar e será um problema contra o alto nível da categoria.

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Yoder é uma atleta perfeita para o combate de estreia de Mackenzie no UFC. Pouco técnica em pé, “Spidermonkey” não deve trazer riscos para Dern no chão. Acredito que Mackenzie tentará se expor pouco, buscará algum jeito de levar a luta pro solo e conseguirá a submissão em algum belo estrangulamento.

Peso Leve: #12 Beneil Dariush (IRN) vs. Alexander Hernandez (EUA)

Beneil Dariush

O ótimo Beneil Dariush (14-3-1 no MMA, 8-3-1 no UFC) não teve um 2017 positivo. Ele vencia Edson Barboza antes de tomar um nocaute espetacular e acabou empatando com Evan Dunham meses depois. Agora, enfrenta um estreante em uma luta onde tem pouco a ganhar exceto pela parte da confiança, que pode voltar forte dependendo de sua atuação. Grappler de origem, Dariush é faixa-preta em jiu-jítsu e tem um ótimo wrestling ofensivo, principalmente por conta das transições e do ground and pound. Em pé, é treinado por Rafael Cordeiro e tornou-se um bom striker, com boa seleção de golpes e bastante pressão, apesar dos espaços deixados para contragolpes.

Alexander Hernandez (8-1 no MMA) conquistou a chance de lutar no UFC após a lesão de Bobby Green e a sequência de seis vitórias no circuito regional americano. Ele lutaria um dia depois do UFC 222, logo, já estava em camp forte para lutar. Pouco encontrei sobre Hernandez, mas consegui ver um lutador de bastante movimentação e com bom jiu-jítsu.

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É até possível que Alexander tenha algum futuro e consiga se manter no UFC com o passar do tempo, mas Dariush é muito mais lutador e está em um patamar acima. Acredito que Benny repetirá o bom desempenho que teve contra James Vick para produzir um nocaute ainda no primeiro assalto, mas é possível que ele lute com o freio de mão puxado, vencendo por decisão mesmo.

Peso Galo: #8 John Dodson (EUA) vs. #10 Pedro Munhoz (BRA)

Por Diego Tintin

John Dodson

John Dodson (19-9 no MMA, 8-4 no UFC) foi revelado na excelente 14ª edição do reality show “The Ultimate Fighter”, quando nocauteou o atual monarca da divisão TJ Dillashaw na final do programa. Com esta credencial, chegou com moral ao UFC e logo deixou um rastro de destruição no peso mosca até conseguir duas disputas pelo cinturão contra o já lendário Demetrious Johnson. Dodson levou o campeão ao inferno na primeira luta, ameaçou seu reinado, mas acabou derrotado nas duas oportunidades e buscou exílio no peso galo. Na nova divisão, Dodson venceu os medianos Manny Gamburyan e Eddie Wineland, mas ficou do lado derrotado em decisões divididas apertadas contra os brasileiros John Lineker e Marlon Moraes.

Dodson trouxe aos galos a velocidade inigualável que aterrorizava a divisão dos moscas. Junte a isso um poder de nocaute incomum para alguém de seu tamanho, uma movimentação difícil de desvendar e bom wrestling ofensivo e defensivo. Se há uma dificuldade que irá acompanhá-lo nesta divisão é a desvantagem física, tanto nas medidas de altura e alcance, quanto na força isométrica aplicada na luta agarrada.

Pedro Munhoz

Pedro Munhoz (15-2 no MMA, 5-2 no UFC) chegou à organização com a moral de portador do então importante cinturão da RFA. Na estreia, uma tremenda cilada contra o integrante da elite Raphael Assunção e Pedro conheceu sua primeira derrota, mas com atuação muito digna. Em seguida, sete lutas e apenas uma derrota contra outro top 5 da divisão, o americano Jimmie Rivera. Foram seis vitórias, uma delas transformada em luta sem resultado por conta de um resultado positivo no antidoping (testosterona acima do limite), que lhe custou um ano de suspensão. Entre as vitórias, três bônus de desempenho contra nomes importantes: Justin Scoggins, Rob Font e Russell Doane, todos vitimados pela especialidade da casa: a justa guilhotina que Pedrinho tem a manha e consegue aproveitar pequenas oportunidades como poucos.

Para além de pegar o pescoço alheio, Pedrinho é um especialista na luta de solo. Faixa-preta de jiu-jítsu, campeão nacional sem pano, Pedrinho aplica boas quedas, tem movimentos explosivos e costuma punir oponentes que cometem erros de transição. O tempo que passou treinando com Rafael Cordeiro na Kings MMA o ajudou a aprimorar o muay thai. Hoje em dia, bate ponto em outra academia de elite, a American Top Team. Se não chegou a se tornar um nocauteador mortal, aprendeu a lidar de forma satisfatória com adversários mais experientes na luta em pé.

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Este é um duelo que tem tudo para ser muito dinâmico e com reviravoltas interessantes. Afinal, são dois lutadores corajosos, técnicos e sempre resilientes. Posso imaginar um começo com Dodson no comando das ações na luta em pé e Pedrinho esperando uma oportunidade para tentar a definição, como fez em seu último combate contra Font. O problema aqui para o brasileiro é que o estadunidense tem mais qualidade que sua última vítima. Minhas fichas vão para uma vitória de Dodson por decisão.

Peso Médio: CB Dollaway (EUA) vs. Hector Lombard (CUB)

Hector Lombard

Vice-campeão do TUF 7, CB Dollaway (16-8 no MMA, 10-8 no UFC) chegou a ter momentos iluminados no octógono, inclusive sendo membro do top 15 do peso médio, mas acabou ficando para trás com o tempo. Na sua última luta, subiu ao meio-pesado para vencer o horroroso Ed Herman. Wrestler All-American, Dollaway era um lutador com bom tempo nas quedas e que evoluiu bastante no jiu-jítsu, sendo bem versátil. Ele até se arriscou como striker, mas tem graves problemas de defesa e resistência, sem contar com o preparo físico pífio.

Listado aqui como uma das maiores decepções do UFC, Hector Lombard (34-8-1 no MMA, 3-6 no UFC) segue decepcionando ao insistir em lutar. Com 40 anos, Lombard acumula quatro derrotas consecutivas, sendo a mais recente delas contra Anthony Smith. Judoca olímpico, Hector se destacou pela explosão e pela força física. O problema é que nos dias de hoje, a explosão não é mais o suficiente e ele acaba se gastando todo, virando um alvo fixo para os oponentes.

C.B. Dollaway vs Hector Lombard odds - BestFightOdds
 

As expectativas são baixas aqui. Por ser maior, ter o melhor wrestling e um pouco a mais de preparo físico, a tendência é que Dollaway comece forte colocando o cubano pra baixo. Lombard pode atingir CB no começo por ser melhor em pé, mas acredito que ele não carregue tanta potência quanto antes, dificultando sua tarefa. Dollaway começará a prevalecer nos rounds seguintes, conseguindo a vitória por decisão.

Peso Meio-Médio: Mike Pyle (EUA) vs. Zak Ottow (EUA)

Mike Pyle

Segundo lutador mais velho do plantel atual do UFC, Mike Pyle (27-13-1 no MMA, 10-8 no UFC) já anunciou que pendurará as luvas depois do combate de sábado. Aos 42 anos de idade, “Quicksand” vem de duas derrotas brutais contra Alberto Miná e Alex Garcia. No auge, Pyle se mostrava um trocador de porrada visceral, com diversas boas armas no seu repertório e a capacidade de pensar no meio do fogo cruzado. Infelizmente, Mike ficou velho, não tem a mesma velocidade de antes, nem a mesma força o queixo de outrora.

Parte do pelotão médio do UFC, Zak Ottow (15-5 no MMA, 2-2 no UFC) vai para o quinto combate no octógono. Em sua última aparição, foi nocauteado pelo chinês Li Jingliang. Com base no taekwondo, Ottow mostra bastante cautela e pouca eficiência na troca de golpes, porém, é perigoso em contra-ataques. Gosta bastante de usar chutes altos e jabs, apesar do pouco dano que consegue causar.

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Tecnicamente, Pyle é melhor que Ottow, problema é que o veterano adepto de mullets já vinha em uma decrescente e ficou 14 meses sem subir no octógono, o que pode ser um fator determinante para um desempenho pior ainda. Contra minha vontade, acredito que Zak conseguirá cozinhar a luta na longa distância no período inicial, e controlará de vez assim que Mike cansar, vencendo por decisão unânime.

Peso Galo: #7 Bryan Caraway (EUA) vs. Cody Stamann (EUA)

Bryan Caraway

Bryan Caraway (21-8 no MMA, 6-2 no UFC) conquistou a maior vitória da carreira em maio de 2016, quando parou o ascendente Aljamain Sterling na decisão dividida. Bem quando Caraway conseguiu dar um volta na carreira e virou membro do top 5 da organização, ele acabou sofrendo com lesões e só conseguiu retornar agora. Wrestler da Central Washington University, Bryan sempre mostrou uma mentalidade agressiva, buscando a queda de qualquer jeito e procurando as costas do adversário, se mostrando um bom jiu-jiteiro também (apesar de já ter feito sujeira pra finalizar).

Cody Stamann (16-1 no MMA, 2-0 no UFC) chamou atenção no UFC, principalmente pela grande vitória sobre o ótimo Tom Duquesnoy, no UFC 216, o que lhe deu a oportunidade de enfrentar um membro do top 10 da divisão. Stamann se destaca pelo ótimo wrestling, com um excelente tempo de quedas, e a força física que lhe permite grudar diversos lutadores no chão, o que foi um ponto de desequilíbrio na luta com Duquesnoy.

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Prevemos um combate interessante porque temos dois lutadores semelhantes. São dois wrestlers não tão fortes em pé, de pouca movimentação e preparo físico mediano para membros da elite do peso galo. A vantagem aqui vai para Stamann, que está com mais ritmo de luta e é mais explosivo, devendo vencer na decisão dos juízes.

Peso Meio-Pesado: Jordan Johnson (EUA) vs. Adam Milstead (EUA)

Jordan Johnson

Um dos escolhidos para o Top 10 do Futuro, Jordan Johnson (8-0 no MMA, 2-0 no UFC) teve uma atuação bem convincente contra Henrique Frankenstein, e acabou tendo mais dificuldades contra Marcel Fortuna, vencendo de forma apertada. Wrestler da primeira divisão da NCAA, o “Double J” se destaca também pelo bom condicionamento físico, algo importante em uma divisão de atletas mais pesados. Porém, ainda sofre problemas na trocação, principalmente quando não consegue aplicar o jogo de wrestling.

Adam Milstead (8-1 no MMA, 1-1 no UFC) surpreendeu ao aparecer no peso pesado mesmo sendo bem pequeno. Depois do vareio que tomou de Curtis Blaydes e da terrível lesão que sofreu no joelho, Milstead resolveu baixar de peso. Boxeador de origem, Milstead tem punhos perigosos e rápidas combinações, mas é o tipo de atleta que não consegue lutar em nível decente por muito tempo, além de ter problemas com o grappling.

Adam Milstead vs Jordan Johnson odds - BestFightOdds
 

Adaptado ao meio-pesado, Milstead não deve ser derrubado com tanta facilidade e inclusive pode levar perigo a Johnson em pé, principalmente nos momentos iniciais de combate usando os bons ganchos na curta distância. Caso mantenha o foco e não se desespere, Jordan não deve demorar pra usar o clinch e iniciar o trabalho de quedas em cima de Adam, principalmente nos dois rounds seguintes. Nossa previsão é vitória de Johnson por decisão.