UFC 222: Cyborg vs. Kunitskaya – Prévia do Card Principal

Cris Cyborg vai em busca da segunda defesa do cinturão do peso pena feminino, enquanto, pela mesma categoria, mas no masculino, Frankie Edgar tenta a última corrida rumo ao título contra o embalado invicto Brian Ortega.

O terceiro card numerado do ano marca a primeira vez do UFC em sua casa em 2018. A T-Mobile Arena, em Las Vegas, será palco do UFC 222, evento capitaneado pela disputa do cinturão do peso pena feminino e uma eliminatória na divisão masculina.

A campeã Cris Cyborg retorna para sua segunda defesa. A oponente será a estreante russa Yana Kunitskaya, que chega ao UFC ostentando o título do peso galo do Invicta FC.

No duelo coprincipal, Frankie Edgar busca a terceira vitória consecutiva para uma última oportunidade pela coroa do peso pena. Diante dele estará Brian Ortega, que defende invencibilidade e uma fase excepcional.

Outro confronto com nuances de eliminatória envolve a ex-desafiante do peso galo Cat Zingano contra a invicta brasileira Ketlen Vieira, na abertura do card principal. Completam a porção em pay-per-view do evento a luta entre os pesados Stefan Struve e Andrei Arlovski, além do encontro dos galos Sean O’Malley e Andre Soukhamthath.

O UFC 222 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. O primeiro confronto do card preliminar está marcado para começar às 20:30h, enquanto a porção principal deve ir ao ar a partir de meia-noite, sempre no horário oficial de Brasília.

Cinturão Peso Pena: C Cris Cyborg (BRA) vs. Yana Kunitskaya (RUS)

Por Alexandre Matos

Cris Cyborg

A campeã mais indiscutível na categoria mais desnecessária segue seu caminho. Cada vez mais soberana, Cyborg (19-1 no MMA, 4-0 no UFC) vem da maior vitória de sua carreira, sobre a ex-campeã da divisão de baixo Holly Holm. Esta foi a quarta vitória da curitibana no octógono mais famoso do mundo, a primeira defesa do título conquistado no UFC 214, contra Tonya Evinger, outra ex-campeã do Invicta em seu caminho.

A vitória sobre Holm encerrou a discussão sobre a evolução técnica de Cris. Conhecida pela fúria e pela potência anormais no MMA feminino, a brasileira teve uma atuação de gala no penúltimo dia do ano passado. Cyborg mostrou calma para desenvolver combinações e manteve-se agressiva sem parecer desesperada para encerrar o combate. Ela soube paulatinamente desmantelar a oponente mais técnica de sua carreira, que também mostrou enorme coração – aliás, essa também foi uma característica marcante de Cyborg no combate. No total deserto do peso pena, firma-se cada vez mais a impressão de que ela só perderá o cinturão na aposentadoria ou num acidente de proporções bíblicas.

Yana Kunitskaya

Sem lutar desde agosto, quando conquistou o título vago do Invicta no peso galo com uma vitória sobre Raquel Pa’aluhi, Kunitskaya vinha de dois duelos contra a mesma Evinger que disputou o cinturão com Cyborg. Então campeã na organização feminina, Tonya foi finalizada por Yana, mas conseguiu reverter o resultado alegando que o árbitro interrompeu o combate erradamente. Na revanche, Evinger finalizou a “Foxy” no segundo assalto.

Apesar de nunca ter vencido uma top 10 na vida, Kunitskaya chega ao UFC com a chance de ouro. Filha de um esquiador com uma ginasta, a russa tem origem no taekwondo, ainda criança, antes de migrar para o muay thai, aos 12, depois para o boxe, aos 16, e para o MMA, aos 18 – ela conquistou títulos em seu país tanto na arte tailandesa quando no pugilismo. Yana tem boa técnica nos golpes traumáticos, velocidade nos punhos, chutes em lote e sabe usar o thai clinch, mas, desde que migrou para o MMA norte-americano, reduziu o volume de golpes, com poucas combinações – quando lutava no cenário europeu, Kunitskaya era uma striker ofensiva e agressiva, que não tinha receio de chutar. Defensivamente, sabe se proteger de socos com movimentação angulada e de chutes com os checks na canela, mas tem dificuldade de evitar quedas e finalizações.

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Caso Kunitskaya lute com a parcimônia que exibia no Invicta, será trucidada. Se retornar aos tempos agressivos do MMA europeu, especialmente voltando a chutar mais, poderá ser atraída para uma pancadaria na qual dificilmente triunfará. Cyborg pode inclusive se dar ao luxo de jogar como grappler e botar para baixo para finalizar. Seja como for, será uma surpresa se a campeã levar 10 minutos para encerrar a contenda.

Peso Pena: #2 Frankie Edgar (EUA) vs. #3 Brian Ortega (EUA)

Por Thiago Kühl

Frankie Edgar

Frankie “The Answer” Edgar (22-5-1 no MMA, 16-5-1 no UFC), não perde uma luta que não vale cinturão há quase dez anos, quando Gray Maynard tirou a invencibilidade do ex-campeão dos leves e, desde então, apenas derrotas quando um título estava em jogo, seja o do peso leve ou o do pena. Por sinal, é nesta categoria que o garoto de Jersey ostenta um respeitável cartel de 7-2 desde que desistiu de ser muito menor que seus adversários no peso de cima. Tendo perdido apenas para José Aldo, Frankie já esteve por mais duas vezes próximo de disputar o cinturão da categoria contra o atual campeão, porém ambas caíram por lesões: da primeira vez, por falta sua; a segunda, que justamente seria neste sábado, por lesão de Max Holloway.

O consagrado jogo de Edgar é fundamentado na clássica combinação boxe-wrestling, com entradas muito velozes e combinações afiadas pelo ótimo Mark Henry, colocando seu striking num nível bom o suficiente para que o wrestling de quem disputou a Divisão I da NCAA se transformasse em um porto seguro. Frankie ainda ostenta um baita queixo e um coração dos maiores do MMA. Conhecido por ressuscitar do fundo da vala, sem nunca ter sofrido uma derrota por interrupção, exigiu dos adversários para quem perdeu que deixassem a alma no octógono para alcançar tal feito. Porém nem tudo são flores. Edgar já passou dos 36 e as tais ressurreições no meio das lutas uma hora cobrarão seu preço. A minha tarefa de dar o prognóstico dessa luta seria muito mais simples se falássemos do Edgar de 3 ou 4 anos atrás. O fato é que a derrocada em sua carreira se aproxima e, por mais que a experiência e a técnica estejam do lado leste dos Estados Unidos, sabemos que a mania de engolir duas ou três pedradas antes de acordar pra vida é altamente insalubre aos 36 anos, ainda mais contra um adversário tem armas para explorar isso.

Brian Ortega

Brian “T-City” Ortega (13-0 no MMA, 5-0 no UFC) tem se mostrado um lutador agressivo desde o dia que entrou no UFC. Depois de quatro viradas seguidas, coroadas com interrupções no terceiro round, o californiano se viu numa luta principal contra o experiente Cub Swanson, que chegou a dominar as ações na trocação, causando mais dano e exigindo que Ortega abrisse seu arsenal de finalizações para dar conta de manter a invencibilidade. Após o primeiro triângulo de mão interrompido pela buzina do primeiro round, Brian nos brindou com um momento fantástico e pegou Swanson com uma guilhotina em pé, ajustada com o suporte de um braço no pescoço e um pé na grade, daquelas impossíveis de descrever em palavras.

A capacidade de conclusão de lutas de Brian é absurda e sua agressividade insana pode levar trabalho para qualquer um na categoria, seja com a trocação de volume ou com o jiu-jítsu cirúrgico, digno de um faixa-preta da academia Gracie de Torrence. Além disso, ninguém discute o seu status de prospecto dentro do tanque de tubarões que se tornou o peso pena do UFC, é inegável que um belo futuro brilha diante de T-City.

Ocorre que tal agressividade vem sempre sendo acompanhada de um alarmante número de falhas defensivas, que acabaram exigindo as já citadas viradas. Outro problema para Ortega é que a sua estratégia de se embolar para levar a luta para o solo dificilmente terá efeito contra um wrestler de movimentação tão fluida quanto Edgar. Assim, o caminho é montar uma estratégia à la Fabrício Werdum contra Cain Velasquez, expulsando Frankie da trocação e pegando-o numa entrada de queda desesperada.

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Não tenho dúvida que a luta será sensacional. Agressivo desde o início, Ortega testará se a precisão de Edgar ainda está em dia desde o primeiro minuto, sendo que a qualquer momento, um erro numa entrada de queda ou no movimento de entrada/saída de uma combinação poderá ser fatal.

Brian precisará marcar muito bem a movimentação rápida do boxe de Frankie, obrigando-o a buscar quedas que, se aplicadas sem o devido zelo, podem render a primeira interrupção sofrida pelo ex-campeão da categoria de cima. Por outro lado, com uma manutenção de distância bem calculada, existe uma boa possibilidade de Edgar conseguir causar dano suficiente, trazendo aberturas para usar o wrestling e o controle posicional que lhe é característico, impedindo assim uma finalização de T-City.

Sem mais delongas, com muito receio, vou colocar minhas fichas na experiência de Edgar numa vitória por decisão após uma luta bastante tensa.

Peso Galo: Sean O’Malley (EUA) vs. Andre Soukhamthath (EUA)

Por Rafael Oreiro

Sean O'Malley

Sean O’Malley (9-0 no MMA, 1-0 no UFC) chegou no UFC faz pouco tempo, mas já é um nome bastante comentado entre fãs e vai fazer sua segunda luta na organização em um card principal de um pay-per-view. Ele conseguiu o contrato com o UFC depois de um desempenho impressionante na passagem pelo Dana White’s Tuesday Night Contender Series, nocauteando Alfred Khashakyan no primeiro round. O “Sugar” fez sua estreia na organização já em uma luta coprincipal, vencendo na decisão em um combate bastante animado com Terrion Ware, deixando uma boa impressão para os fãs.

Apesar da estreia positiva, O’Malley ainda tem muitos aspectos do seu jogo a melhorar. Em pé, o prodígio da MMA Lab lembra ligeiramente uma mistura de Nate Diaz com Yair Rodríguez, usando muito da movimentação e da troca de base para abrir espaço para todo tipo de golpe reto e giratório imagináveis, misturando muito bem os socos com chutes sempre em alto volume. Porém, o “Sugar” demonstra bastante dificuldade de lidar com pressão, ficando quase sem resposta quando é tirado de sua distância de conforto, inclusive não mostrando muita habilidade no clinch. Com o sistema defensivo baseado praticamente inteiro em sua habilidade de esquivar, O’Malley sofreu bastante contra Ware após gastar muito de seu condicionamento físico no primeiro round e voltar para a segunda parcial sem a mesma velocidade, se abrindo completamente para a maioria dos golpes de seu adversário. A luta agarrada ainda precisa ser bastante trabalhada pelo jovem de 23 anos, mas ele já consegue fazer a tarefa de seu adversário controlá-lo no chão bastante difícil.

Andre Soukhamthath

A trajetória de Andre Soukhamthath (12-5 no MMA, 1-2 no UFC) tem sido bastante inconstante. O ex-campeão peso galo do CES MMA viu suas duas primeiras lutas no UFC terminarem na decisão dividida dos juízes, com ambas marcadas para seus oponentes. A primeira, contra Albert Morales, foi justa, mas a segunda, contra Alejandro Perez, foi mais polêmica, com a maior parte do público discordando. Em seguida, contra provavelmente o seu adversário mais difícil até então, Soukhamthath conseguiu sua primeira vitória na organização nocauteando Luke Sanders, no UFC Fight Night 123.

Lutador da Combat Club, onde é orientado por Henry Hooft, Soukhamthath é um trocador de boa técnica e potência, mas que muitas vezes peca pelo pouco volume de golpes aplicados ao apostar em uma postura de contragolpeador, que acabou dando certo contra um Sanders excessivamente agressivo. Quando se solta, ele leva bastante perigo com rápidas combinações e com joelhadas de encontro, mas acaba sempre se expondo demais e deixando uma boa avenida para seu oponente explorar. Ele possui também boa capacidade no wrestling e um controle bastante consciente no chão, apesar de por vezes ainda se afobar demais ao tentar fazer transições, perdendo posições por bobeira.

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Bem, algumas pessoas devem estar estranhando a presença desta luta no card principal do evento. Com dois trocadores agressivos, de boa técnica e com pouca consciência defensiva, são altas as chances de que vejamos uma boa troca de sopapos que pode muito bem concorrer ao prêmio de luta da noite.

Muito passivo em suas últimas lutas, Soukhamthath não pode repetir a dose neste combate e deixar O’Malley confortável em sua distância. A Sensação Asiática terá bastante sucesso se conseguir pressionar e limitar a movimentação do jovem, com grandes probabilidades de o desgastar bastante com golpes no pocket e levar a luta tranquilamente. Porém, se deixar O’Malley livre para se movimentar e controlar a distância com seus chutes e golpes retos, tem grandes chances de Soukhamthath se ver do lado errado da decisão dos juízes.

Apostando que Andre não mudará tanto sua abordagem na trocação, e que O’Malley se estenderá demais em algumas combinações e abrirá espaço para os fortes contragolpes do asiático, veremos a luta se encaminhar para uma decisão bastante apertada que provavelmente irá para quem conseguir se expor menos durante o combate. Para não ficar em cima do muro, aposto que o maior volume e a abordagem nada ortodoxa de O’Malley devem levar a preferência dos juízes.

Peso Pesado: #10 Stefan Struve (HOL) vs. #12 Andrei Arlovski (BIE)

Por Bruno Costa

Stefan “Skyscraper” Struve (32-9 no MMA, 12-7 no UFC) entra no octógono no próximo sábado em busca de recuperação. Teve interrompida a série de duas vitórias, conquistadas sobre Antônio Pezão e Daniel Omielanczuk, quando enfrentou um oponente de nível técnico e físico superior em Alexander Volkov. Contudo, justiça seja feita: apesar de derrotado, entregou um combate de nível acima da média para a categoria dos pesos pesados, com bons momentos ofensivos no início do combate. Apesar de jovem para a divisão de peso que habita, o gigantesco holandês é um lutador de considerável experiência, tendo iniciado sua trajetória na organização no longínquo ano de 2009, trazendo junto à bagagem que carrega o desgaste imposto pela natureza da profissão.

Struve chegou ao UFC como um agressivo e oportunista finalizador, utilizando com eficiência sua técnica no jiu-jítsu contra adversários incapazes de se defender no solo e baixíssimo nível técnico. Em que pese o físico nada impressionante de varapau (aqui a ressalva para o visível ganho de peso a partir de 2015, quando passou a bater o limite máximo da categoria), a atabalhoada troca de golpes em pé já contava desde a chegada à organização com o impulso da mão pesada – jamais esqueçamos do bizarro nocaute aplicado no atual campeão Stipe Miocic, lutador com maior número de defesas de título na história do peso pesado no UFC. A dificuldade em estabilizar o jab, que deveria ser a principal ferramenta do “Skyscraper” a fim de utilizar seu potencial físico, o impediu de dar o próximo passo rumo ao topo. A notória falta de habilidades defensivas e a dificuldade em incorporá-las joga contra a evolução que pôde ser sentida quando Struve passou a treinar sob a tutela do compatriota Henri Hooft na Flórida – o volume de golpes e agressividade tiveram acréscimos que podem fazer a diferença no próximo compromisso.

O “Pitbull” Andrei Arlovski (26-15 no MMA, 15-8 no UFC) vem de vitória (!) em sua última aparição no octógono, após resistir a uma longa e tenebrosa seca de cinco derrotas consecutivas, que não foram o suficiente para eliminar o bielorrusso do plantel da organização. O ex-campeão dos pesos pesados do UFC (logo ali, em 2005) parecia inapto para os compromissos no mais alto nível já em 2011, mas consegue sobreviver em uma faixa de peso famosa pela dificuldade em renovação de talentos. Durante a última sequência de derrotas, amargou maus resultados contra lutadores integrantes do top 10 do ranking, incluindo o campeão.

Arlovski é hoje um rascunho do competente lutador com atleticismo fora da curva para um peso pesado, de origem no kickboxing e no sambô, já que naturalmente apresenta decréscimo de agilidade e resistência. O queixo comprometido não aguenta mais ser batizado há tempos – os maldosos diriam que desde sempre, aproximadamente. A mudança na estrutura de treinamentos, saindo da Jackson-Winck rumo à American Top Team – decisão justificada pela busca de tempo extra com a família que mora na Flórida – parece ter feito bem ao bielorrusso, que relembrou como utilizar o jab com constância para marcar o rival, além de potentes chutes baixos e competente trabalho de clinch. Em seu último combate, contra Junior “Baby” Albini, Arlovski demonstrou paciência e consciência das suas limitações, além de um belo nível de concentração para enfrentar sem quaisquer risadas o brasileiro em seu visual exótico.

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O embate entre os dois especialistas em sofrer belos nocautes é de difícil prognóstico. Embora Arlovski seja plenamente capaz de uma vitória tranquila diante de uma análise pura das habilidades dos adversários, Struve parece ainda ser o lutador mais saudável e ágil entre os dois. No cenário mais provável, o holandês consegue encurralar o oponente no primeiro round e nocautear o combate com um uppercut que explode na cabeça do rival. Caso não consiga finalizar a pelada no início do combate, Struve corre sérios riscos de sofrer com a técnica e volume de golpes de Arlovski aliado a um providencial trabalho de clinch, que garantiriam a luta ao “Pitbull” em uma sofrível decisão.

Peso Galo: #6 Cat Zingano (EUA) vs. #5 Ketlen Vieira (BRA)

Por Gabriel Carvalho

Cat Zingano

Infelizmente, não é sempre que vemos a ótima Cat Zingano (9-2 no MMA, 2-2 no UFC) em ação. Em meio a lesões e problemas pessoas, a ex-desafiante do peso galo fez apenas quatro lutas em cinco anos de UFC, sendo a mais recente delas em julho de 2016, no UFC 200, quando acabou derrotada por Julianna Peña.

Alpha Cat tem o wrestling como carro-chefe. Ela foi da divisão III da NCAA e se mostrou muito bem ofensivamente, principalmente com ataques realizados no tronco das oponentes, que normalmente esperam investidas nas pernas. Zingano também tem base no muay thai, apesar de pouco confiável por conta da postura estranha, com o queixo alto.

É bem difícil ver alguma lutadora brasileira ter uma ascensão tão grande quanto a de Ketlen Vieira (9-0 no MMA, 3-0 no UFC). A amazonense era desconhecida do grande público até o final de 2016, quando estreou no octógono vencendo Kelly Faszholz em decisão dividida. Mais madura, conseguiu ótimos triunfos sobre Ashlee Evans-Smith e contra a ex-desafiante Sara McMann, guardando seu lugar no top 5 da divisão.

Faixa-preta de judô e jiu-jítsu, Ketlen é uma atleta bem forte na parte do grappling, principalmente por conta da paciência que tem antes de assegurar uma queda e até quando é colocada em risco, como foi o caso da luta contra McMann. Em pé, ainda precisa de mais velocidade, porém, mostra bons socos e um bom trabalho no controle de distância.

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A expectativa aqui é para uma interessante batalha de grappling. Zingano é ótima na hora de aplicar pressão e surpreender com quedas de grande amplitude, mas a tarefa será mais difícil ao encarar Ketlen, atleta forte no judô e também forte fisicamente. É um pouco mais difícil de se imaginar que a brasileira consiga uma queda sobre a americana logo no início, mas isso pode mudar conforme a luta for transcorrendo. Caso as duas se neutralizem no chão e tudo vá para a troca de socos, também temos equilíbrio. Ao final de tudo, Vieira deve vencer por decisão dividida.