UFC 221: Romero vs. Rockhold – Prévia do Card Principal

O UFC 221 sofreu duas baixas importantes na luta principal, mas não dá para dizer que a terceira opção não é sensacional. O evento, que acontece neste sábado, marca a estreia do octógono mais famoso do mundo à cidade de Perth, na Austrália. Na Perth Arena, uma disputa de cinturão interino entre os principais desafiantes do peso médio é a maior atração.

O cubano Yoel Romero, número um do ranking dos médios, tem a segunda chance de conquistar a coroa interina do UFC. Ele vai encarar o ex-campeão Luke Rockhold, segundo colocado na classificação da divisão.

Os grandalhões serão representados nos dois combates que antecedem o principal. No mais importante deles, o ídolo local Mark Hunt encara o ascendente americano Curtis Blaydes. Antes, o parceiro de Hunto Tai Tuivasa tenta manter a invencibilidade contra o francês Cyril Asker.

Na abertura do card principal, o prospecto meio-pesado Tyson Pedro enfrenta Saparbek Safarov. Logo depois, Jake Matthews busca a segunda vitória como meio-médio no UFC contra o empolgante Li Jingliang.

O canal Combate transmite o UFC 221 ao vivo e na íntegra, enquanto o SporTV 2 exibirá algumas preliminares. O primeiro duelo da noite está previsto para iniciar às 21:30h, enquanto o card principal deve ir ao ar à 01:00h, sempre pelo horário oficial de verão de Brasília.

Cinturão Interino Peso Médio: #1 Yoel Romero (CUB) vs. #2 Luke Rockhold (EUA)

Por Diego Tintin

Como consolação para o público após a lesão de Robert Whittaker, uma das lutas mais aguardadas nos últimos anos foi marcada às pressas para tapar o buraco desta triste ausência.

Yoel Romero

O substituto de Whittaker no ato principal deste sábado na Austrália Ocidental é justamente seu último oponente. Yoel Romero (12-2 no MMA, 8-1 no UFC) apareceu nos maiores palcos do MMA, após uma carreira estelar no wrestling internacional, com direito a título mundial e medalha olímpica. A grande dúvida que surgiu era se ele conseguiria adquirir a experiência e versatilidade necessárias para brilhar no novo esporte, antes da idade começar a pesar. Próximo de completar 41 anos, o cubano ainda não dá sinais de decadência, com lugar consolidado na elite da divisão.

Para chegar a esse patamar, o caribenho deixou uma coleção de oponentes de alto nível pelo caminho: Lyoto Machida, Ronaldo Jacaré e Chris Weidman sucumbiram diante do “Soldado de Deus” (e também de seu oponente), que viu sua invencibilidade no UFC cair diante da atuação de cinema do campeão em julho do ano passado. Mas não sem entregar luta dura e de alto nível técnico, decidida apenas no último round.

Além da óbvia luta olímpica estilo livre de elite, Yoel ainda apresenta um striking que evoluiu defensivamente e, embora simples em matéria de combinações, é eficiente na parte ofensiva, muito por conta de um poder de nocaute avassalador e coragem de sobra para arriscar joelhadas voadoras mortais, que já garantiram dois bônus no UFC, um deles contra Weidman. A adaptação de seu esporte de base ao MMA melhora a cada luta e é cada vez mais difícil escapar de sua teia quando o Míssil Cubano alcança a luta agarrada. Para completar, Yoel não apresentou ainda queda de rendimento – lutou cinco assaltos em ritmo forte contra um garotão quase quinze anos mais novo.

Luke Rockhold

Luke Rockhold (16-3 no MMA, 6-2 no UFC) era quase um desconhecido quando foi escalado para disputar o cinturão do extinto Strikeforce contra Jacaré, que vinha fazendo a limpa na divisão. Fez uma grande luta e conquistou seu primeiro cinturão em decisão polêmica.

O tempo tratou de mostrar que o bonitão californiano não era um one-hit wonder qualquer. Talentoso, inteligente e fisicamente privilegiado, Luke trilhou um caminho de sucesso até alcançar o posto de desafiante do UFC contra Weidman. Em outra luta tensa e de alto nível técnico, aproveitou-se de um erro de seu compatriota para aplicar dois minutos de uma surra inacreditável e tomar para si o cobiçado ouro. O problema foi que, depois de tanto esforço, Rockhold acabou entregando a paçoca de maneira constrangedora para Michael Bisping, a quem havia derrotado tranquilamente um ano e meio antes. Depois de recuperar a confiança contra o duro David Branch, Luke volta a disputar a coroa, desta vez um exemplar interino, por conta da lesão de Robert.

Muito versátil, Rockhold posta-se como um dos melhores do mundo, seja no striking ou na luta agarrada. Em pé, ele usa bem a envergadura, varia com destreza os chutes e sabe atuar na pressão da curta distância. No chão, é perigoso tanto no ground and pound violento quanto no jiu-jítsu solto, técnico e objetivo.

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Levando em consideração que o pouco tempo de preparação não atrapalhará Romero, temos aqui uma das lutas mais promissoras do cenário atual do MMA. O americano não pode nem pensar em repetir o começo lento das últimas duas lutas, sob o risco de ter que encerrar as atividades como modelo, tamanha a fúria desse cubano indigesto. Já Yoel não pode cair na armadilha da longa distância, que foi como cedeu a virada para o atual campeão linear. Para nós, o público, 25 minutos de trocas de sopapos, pescoções, bolachas, entre outras técnicas milenares, está de ótimo tamanho. O prognóstico aqui é difícil, a explosão de Yoel e o talento de Luke podem decidir a bagaça a qualquer tempo. Nossa humilde aposta é uma vitória do americano por decisão.

Peso Pesado: #5 Mark Hunt (NZE) vs. #9 Curtis Blaydes (EUA)

Por Alexandre Matos

Mark Hunt

Depois que o histórico #RallyForHunt terminou numa joelhada voadora de Fabricio Werdum, Hunt (13-11-1 no MMA, 8-5-1 no UFC) entrou em gangorra de resultados. Levou uma surra homérica do agora campeão Stipe Miocic diante de seu povo, foi atropelado por um Brock Lesnar dopado e nocauteado por Alistair Overeem. No meio, o poço de carisma nocauteou os decadentes Frank Mir e Antonio Pezão e, no último compromisso, parou Derrick Lewis.

O velho tanque de guerra vem dando sinais de fim de linha faz tempo. Apesar de manter o imenso poder de nocaute, ainda levando perigo no combo gancho de esquerda com uppercut de direita, Hunt não tem mais o queixo de pedra de outrora. Apesar de ainda conhecer os atalhos do octógono, a movimentação tem sido cada vez mais diminuída pelos efeitos de tanto sofrimento infligido ao próprio corpo. Dono de sete bônus e com a triste estatística de ter enfrentado três oponentes que caíram no antidoping quando lutaram com ele, Hunto luta contra a aposentadoria e os primeiros sinais de encefalopatia traumática crônica.

Curtis Blaydes

Uma das poucas esperanças de renovação no peso pesado, Blaydes (8-1 no MMA, 3-1 no UFC) só foi derrotado para Francis Ngannou, quando os médicos não permitiram que ele voltasse para o terceiro assalto. Nos demais combates, aplicou sacodes em Adam Milstead (vitória revertida para sem resultado após Blaydes ser pego no antidoping com maconha) e em Cody East; teve trabalho com Daniel Omielańczuk e fez uma luta engraçadamente movimentada contra Alexey Oleynik.

Defensive end integrante do histórico time da De La Salle High School, que detém o recorde de 151 vitórias consecutivas no futebol americano, Blaydes seguiu carreira no wrestling, no qual foi campeão da liga júnior universitária antes de migrar para o MMA. No novo esporte, Curtis mostra um jogo de quedas rápidas e explosivas, que está em processo de adaptação, mas que demonstra grande potencial. Ele é fisicamente privilegiado, com longo alcance e muita força física. Na troca de golpes, vem evoluindo o boxe a olhos vistos, criando um excelente ponto de aproximação para as quedas.

Curtis Blaydes vs Mark Hunt odds - BestFightOdds
 

Eu tenho minhas dúvidas se esse confronto não foi uma retaliação do UFC à ação judicial que Hunt aplicou contra os patrões. Hunt já mostrou evolução na defesa de quedas, mas não parece ter saúde para deter um oponente 17 anos mais jovem.

Blaydes é uma máquina de derrubar, com uma das maiores taxas de execução de quedas por luta na categoria. Apesar da evolução no boxe, não espere que o americano seja trouxa de trocar pau com Hunt, sob o risco de levar um walk-off KO. Ao contrário, Curtis deve apostar na velocidade de movimentação para lançar jabs abrindo espaço para uma incansável bateria de quedas, repetindo a receita por 15 minutos até vencer na decisão dos juízes.

Peso Pesado: Tai Tuivasa (AUS) vs. Cyril Asker (FRA)

Por Bruno Costa

Quer assistir a uma luta da maior organização global de MMA (em um card principal de evento comercializado em pay-per-view) e que mais parece uma “desinteligência” entre adultos fora forma? Caso a resposta seja positiva, agradeça ao UFC pelo maravilhoso (há quem goste) embate que acontecerá neste fim de semana entre Cyril Asker (9-3 no MMA, 2-2 no UFC) e Tai Tuivasa (6-0 no MMA, 1-0 no UFC).

Tai Tuivasa é um dos raros jovens pesos pesados do UFC, que volta a se apresentar em casa após nocautear o terrível Rashad Coulter em sua estreia na organização. A principal característica do australiano é a de ser um vândalo que gosta de imprimir pressão em seus adversários, conseguido bom sucesso na troca de golpes pesadíssima, além de momentos de domínio no clinch. Tecnicamente não se trata de uma joia, mas é um valor interessante para um local de terra arrasada como o lar dos sujeitos que pesam até 120kg. Defensivamente, como um peso pesado que se prese, apresenta diversos defeitos, principalmente na luta agarrada. Vale apontar aqui uma bela característica de Tuivasa: conseguiu a façanha de, em ao menos metade de seus combates profissionais disputados, tentar aplicar suplês em seus adversários e acabar muito perto de ser montado ao final do movimento pela bizarra falha técnica na execução técnica do golpe.

Cyril Asker

Asker é um atleta (?) pequeno para a categoria dos pesados e que não compensa a falta de força física com fôlego ou agilidade superiores ao que apresentam seus adversários do peso. A troca de golpes não segue qualquer tipo de padrão que possibilite prever o tipo de abordagem levada às suas lutas, independentemente de adversário. O grappling do francês é sua característica menos sofrível, dependendo de improváveis quedas – ao menos contra um nível minimamente decente de competição – em função da já citada diminuta força física e explosão. Na defesa, Asker sofre com seu queixo extremamente duvidoso e falta de qualquer tipo de sistema de proteção aos ataques adversários, seja com guarda postada ou movimentação eficiente. O fato de ter conseguido duas vitórias no octógono apenas depõe fortemente contra o nível desgraçado de qualidade dos pesos pesados do MMA mundial.

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Apesar do ponto fraco de Tuivasa ser exatamente a fase do jogo em que Asker poderia capitalizar, a diferença de força física e resistência devem jogar a favor do dono da casa para que consiga anotar sua segunda vitória por nocaute no primeiro round na organização.

Peso Meio-Médio: Jake Matthews (AUS) vs. Li Jingliang (CHN)

Por Thiago Kuhl

Jake Matthews

Jake Matthews

Quando o talentoso Jake Matthews (11-3 na carreira, 5-3 no UFC) chegou no UFC com 19 anos muito se esperava do garoto, inclusive com um certo status de “top 10 do futuro” (antes da existência da coluna, é verdade), mas quase quatro anos depois da sua estreia ainda não conseguimos vislumbrar toda a evolução técnica que se esperava a partir do amadurecimento, fato com certeza causado pela insistência nos treinamentos praticamente dentro de casa (o treinador é o pai e o principal sparing, o irmão). Ainda assim, o australiano tem um jogo de bastante completo, fundado em uma ótima aptidão física, com um bom nível técnico em todos aspectos do jogo.

Ocorre que na última luta contra Bojan Velickovic, em novembro passado, vimos Jake tomar diversas decisões questionáveis dentro do octógono, abandonando completamente o seu jogo em pé e partindo para tentativas de takedowns extremamente ineficientes, o que só não lhe rendeu a quarta derrota em oito lutas no UFC por complacência dos juízes laterais.

Enquanto insiste em seguir com um camp de treinamento semi-amador, o talento australiano tem que mostrar que a

evolução no jogo em pé não apenas um reflexo da qualidade baixa dos adversários, investindo no ponto mais fraco do seu jogo, as transições.

Se o momento do seu adversário não é dos mais animadores, o chinês mais bem sucedido da história do UFC, Li Jingliang (14-4 na carreira, 6-2 no UFC), vem em uma ascensão bastante interessante, com 4-0 no retrospecto recente – incluindo um nocaute sensacional contra Zak Ottow em sua terra natal – foi num caminho diametralmente oposto de Matthews, treinando na China Top Team como base, o chinês já buscou por mais de uma vez “mini-camps” fora da sua terra natal, incluindo um intercâmbio na renomada Xtreme Couture.

Inicialmente conhecido como um lutador que usava a força bruta para ganhar suas lutas, com o decorrer da carreira conseguiu adicionar ao seu jogo um nível de wrestling que lhe permitiu usar com melhor eficiência o seu potente striking, nunca perdendo o gosto pelo in fight. O ponto crucial da luta é saber se essa evolução do jogo de Li já é suficiente para barrar o insistente jogo de grade de Matthews.

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As casas de apostas refletem o momento de ambos, mostrando Li como favorito, ainda que a luta seja fora de casa. Um caminho bastante óbvio para Matthews seria trazer o benefício da dúvida utilizando combinações de striking e wrestling, trabalhar nas transições e aplicar o seu jogo de chão de mais qualidade para finalizar a luta, porém os treinos em família nos últimos 3 meses não devem ter sido suficientes para consertar os erros cometidos na última luta e dar vasão a todos os predicados da promessa australiana. Assim, apostando na evolução do wrestling defensivo de Jingliang e em sua já conhecida agressividade, vamos apostar em sua quinta vitória seguida, pela via dolorosa.

Peso Meio-Pesado: #13 Tyson Pedro (AUS) vs. Saparbek Safarov (RUS)

Por Gabriel Carvalho

Tyson Pedro

Nome já citado anteriormente no Top 10 do Futuro, Tyson Pedro (6-1 no MMA, 2-1 no UFC) conseguiu adentrar facilmente ao top 15 da divisão após as boas vitórias sobre Khalil Rountree e Paul Craig, mas não conseguiu lidar muito bem com a cavalice de Ilir Latifi, perdendo na decisão dos juízes.

Em pé, Pedro tem uma base bem interessante, usando os pisões no joelho e rápidos jabs, além de um poder de fogo alto e bom uso das joelhadas. Tem bastante poder no clinch, mesmo mostrando uma defesa de quedas com pouca resiliência contra Latifi. É uma boa oportunidade para ver o quanto Pedro evoluiu depois do primeiro revés profissional.

Saparbek Safarov

Conhecido por um momento lamentável na pesagem do M-1, Saparbek Safarov (8-1 no MMA, 0-1 no UFC) fez sua estreia no octógono no esquecível UFC Albany, no final de 2016, quando acabou nocauteado em um quebra-pau irado contra Gian Villante.

Antes de migrar para o MMA, Sarafov fez carreira no wrestling e no sambô de combate. Nos cages, o russo mostra pouca técnica, é fraco ofensivamente e defensivamente em pé, mas tem a interessante capacidade de transformar boa parte de suas lutas em balbúrdias, principalmente por conta do estilo agressivo que costuma apresentar.

Saparbek Safarov vs Tyson Pedro odds - BestFightOdds
 

Temos o favoritismo mais destacado da porção principal ao lado do australiano Pedro. Como costuma apresentar um estilo mais controlado, ele deve parar as tentativas de aproximação de Safarov com bons chutes. Conforme a luta for passando, Tyson deve ir crescendo, aumentando o ritmo e a frequência dos golpes até conseguir um nocaute no assalto final. Safarov pode insistir no wrestling caso queira vencer, mas inteligência não é forte do russo.