UFC 220: Prévia do Card Preliminar

Antes das duas disputas de cinturão iniciais de 2018, o UFC 220 tem confrontos interessantes em sua porção preliminar. Temos revanche, nomes que passaram pelo Dana White’s Tuesday Night Contender Series, membro do Top 10 do Futuro e diversos estreantes, provando mais uma vez que card bom não é necessariamente apenas com atletas que você conhece.

Peso pena: Kyle Bochniak (EUA) vs. Brandon Davis (EUA)

Apesar de nunca ter empolgado, Kyle Bochniak (7-2 no MMA, 1-2 no UFC) segue contratado e agora tem a oportunidade de lutar frente ao seu público local. Em três lutas no octógono, somou um par de derrotas para Charles Rosa e Jeremy Kennedy, interrompidas por um triunfo bastante controverso contra Enrique Barzola. Kyle é um atleta bem cru, dono de bons chutes baixos, porém, tem pouca potência e dificuldade de encontrar a distância. Apesar de ter boas quedas, seu grappling beira o inútil quando precisa ser usado contra oponentes de um nível maior.

Mais uma revelação do Contender Series, Brandon Davis (8-2 no MMA) nunca chamou muita atenção no circuito regional, mas levou o contrato com o UFC após uma vitória sobre Austin Arnett, atleta mais badalado e que tinha leve favoritismo. Davis é um atleta bem diferente. Confiante, tem um muay thai afiado, com boas combinações e variação dos golpes. Apesar de bom lutador, extrapola na hora de deixar o queixo baixo e acha a sua defesa melhor do que realmente é.

Brandon Davis vs Kyle Bochniak odds - BestFightOdds
 

Se Bochniak nunca empolgou no UFC, é provável que Davis o faça lutar. Brandon provavelmente entrará confiante, aproveitando de sua vantagem física para impor o ritmo, usando chutes baixos, diretos e tentando escapar de qualquer golpe que Kyle tentar soltar. Bochniak pode aproveitar alguma brecha pra colocar Davis no chão e levar vantagem ali. Em 15 minutos animados, Brandon deve triunfar.

Peso meio-médio: Sabah Homasi (EUA) vs. Abdul Razak Al-Hassan (GAN)

Depois da polêmica interrupção no UFC 218, Sabah Homasi (11-6 no MMA, 0-2 no UFC) volta a encontrar Abdul Razak Al-Hassan. Na ocasião, o árbitro interrompeu o combate erroneamente ainda no primeiro round, dando vitória para o ganês. Atleta da American Top Team, Homasi é um lutador bem agressivo na troca de golpes, principalmente na hora de se aproximar de seus adversários. O problema é que Sabah é um atleta limitado, não se dá bem contra lutadores que contra golpeiam, o chão não é de alto nível e tende a abrir o bico cedo nas lutas.

Primeiro ganês da história do UFC, Al-Hassan (8-1 no MMA, 2-1 no UFC) chegou a enganar uma galera quando nocauteou o limitadíssimo Charlie Ward, mas logo foi colocado em seu devido lugar ao perder para Omari Akhmedov. Outro lutador que não é nenhum garbo, Al-Hassan tem capacidade de proporcionar alguns combates legais. Deixa a técnica de lado na trocação, normalmente aposta na grosseria e com socos no modo “ventilador”. A defesa de quedas é facilmente vazada, o que pode tornar a passagem do ganês pelo UFC bem curta.

Abdul Razak Alhassan vs Sabah Homasi odds - BestFightOdds
 

Podemos esperar exatamente um replay da primeira luta aqui. Afinal, um mês é pouco tempo pra qualquer mudança significativa no jogo de ambos. Assim como nos quatro minutos de briga que aconteceram em dezembro, Al-Hassan deve ser mais agressivo, pressionar Homasi e conseguir o nocaute. Contudo, vale lembrar que as chances de Sabah são boas também.

Peso mosca: #10 Dustin Ortiz (EUA) vs. #11 Alexandre Pantoja (BRA)

Após anotar o nocaute mais rápido da história do peso mosca, quando despachou Hector Sandoval em míseros 15 segundos, Dustin Ortiz (17-7 no MMA, 6-5 no UFC) tenta conquistar mais uma vitória para se manter definitivamente no top 10. Atleta da Roufusport, Ortiz se destaca pelo grappling, com um wrestling bem desenvolvido e habilidades de faixa marrom de jiu-jítsu. Não é tão forte na trocação e acaba engolido por lutadores melhores da divisão, como foi o caso de Joseph Benavidez e Jussier Formiga.

Melhor peso mosca brasileiro fora do UFC por um longo tempo, Alexandre Pantoja (18-1 no MMA, 2-0 no UFC) usou o TUF de trampolim e hoje já está no ranking da divisão, com boas vitórias sobre Eric Shelton e Neil Seery. Com base no muay thai e no jiu-jítsu, Pantoja é um atleta que costuma lutar em um ritmo menor que o resto da categoria, evita se expor e sabe jogar tanto em pé quanto no chão. Problema é quando ele começa a cansar e torna-se menos inteligente na luta.

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Ortiz já teve diversos problemas com grapplers melhores, e Pantoja é um faixa preta de jiu-jítsu. Existe a dúvida se o brasileiro conseguirá colocar o americano pra baixo. Caso ele consiga, Alexandre leva vantagem, mas se a luta se desenrolar em pé, é possível que o americano se aproveite das brechas defensivas do brasileiro para pontuar. Luta é tão equilibrada quanto as posições deles no ranking, e acredito que Pantoja segue invicto no UFC.

Peso pena: Dan Ige (EUA) vs. Julio Arce (EUA)

O havaiano Dan Ige (8-1 no MMA) passou pelo Contender Series e não chegou a conseguir um contrato imediato, mas foi chamado meses depois para fazer sua estreia pelo maior evento do mundo. Faixa-marrom de judô e jiu-jítsu, Ige é um lutador bem insistente, tenta a queda a qualquer custo e sabe se virar muito bem no chão. Problema é que ele gasta muita energia na hora de derrubar, o que torna seu preparo físico meio abaixo da média.

Um dos principais destaques do MMA na Costa Leste fora do UFC, Julio Arce (13-2 no MMA) é mais um que não conseguiu contrato diretamente pelo Contender Series, mas a lesão de Charles Rosa abriu oportunidade para sua estreia. Com suas únicas derrotas no MMA vindas para Brian Kelleher, o ex-campeão de duas divisões do Ring of Combat tem um currículo cheio nos esportes de combate, já venceu diversas competições de kickboxing e inclusive venceu o Golden Gloves, em 2011. Ele mostra bastante disposição durante a luta, combina ótimos socos e já mostrou habilidade no jiu-jítsu, apesar de não ser o seu forte.

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Apesar de serem atletas de pouco nome, o combate pode ter um desenvolvimento bacana. Arce é um bom trocador, e não deve demorar para ter o controle do octógono e imprimir o ritmo de golpes, variando chutes baixos com bons socos de encontro no rosto de Ige, que deve buscar a queda. Os 15 minutos devem ser divertidos, com vitória de Arce.

Peso pena: Matt Bessette (EUA) vs. Enrique Barzola (PER)

Finalmente chegou a hora de Matt Bessette (22-7 no MMA) estrear no UFC. Depois de passagem pelo Bellator e título no CES MMA, ele acabou nocauteado no Contender Series, mas o seu adversário Kurt Holobaugh acabou pego no doping, e os problemas de visto de Arnold Allen abriram a oportunidade para Bessette ser contratado. Faixa-preta de jiu-jítsu e judô, Matt é um atleta agressivo na troca de golpes, protagoniza batalhas interessantes, mas tem problemas crônicos em relação a reflexos e defesa dos golpes. No chão, é um atleta perigoso, mas ainda tem dificuldades de levar a luta pro solo.

Vencedor do TUF América Latina 2, Enrique Barzola (13-3-1 no MMA, 3-1 no UFC) vem em boa trajetória no octógono, só perdendo uma luta e vindo de uma boa vitória sobre Gabriel Benítez. Um dos poucos peruanos no elenco da maior organização de MMA do mundo, Enrique tem boa oportunidade de crescer. Uma de suas principais características é o cuidado que tem na aproximação em pé, resultando num atleta com golpes bem mais técnicos e selecionados. A passividade de Barzola em pé lhe coloca em alguns problemas com atletas mais ativos.

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Apesar dos buracos defensivos deixados por Bessette, Barzola não é o atleta ideal em técnica e poder para explorar tal defeito. Pro peruano, é interessante que a luta se desenrole na longa distância, respondendo qualquer tentativa de aproximação de Matt, que pode insistir em levar a luta pro chão, mas deve ter certa dificuldade. Caso a luta se torne uma batalha de grappling, o americano leva vantagem, mas ainda vamos de Enrique, provavelmente por decisão.

Peso leve: Islam Makhachev (RUS) vs. Gleison Tibau (BRA)

Um dos dois membros do Top 10 do Futuro a lutar no UFC 220, Islam Makhachev (14-1 no MMA, 3-1 no UFC) acabou lutando pouco nos últimos tempos, mas conseguiu vitórias bem convincentes sobre os bons Chris Wade e Nik Lentz. Mestre em sambô de combate, Makhachev é um grappler de altíssimo nível e já foi muito bem testado em seus últimos confrontos. Em pé, se destaca pelo bom uso dos chutes, mas o seu carro-chefe mesmo são as quedas e o ótimo controle.

Brasileiro que mais lutou pelo UFC, Gleison Tibau (40-12 no MMA, 16-10 no UFC) foi obrigado a cumprir uma suspensão de dois anos após doping e agora está de volta, com uma pedreira pela frente. No UFC desde 2005, o estilo de Tibau é mais do que conhecido. O potiguar é um atleta bem forte para a categoria e sempre busca impor um jogo de pressão e quedas, mas acaba sofrendo com alguns problemas na trocação e o preparo físico, que acaba o deixando na mão em algumas oportunidades.

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Makhachev é um atleta que já foi testado contra bons grapplers e se saiu muito bem. Apesar de enfrentar um atleta mais forte fisicamente, é difícil acreditar que Tibau terá um desempenho excelente após dois anos parados. Depois de pontuar bem em pé com golpes de encontro, Makhachev deve levar a luta pro chão e deve sair com a vitória por decisão unânime dos juízes.