UFC 218: Prévia do Card Preliminar

Antes da porrada comer bastante no card principal, os combates preliminares também prometem bastante, unindo violência e importância, já que alguns combates podem mexer com o panorama das categorias.

Tem Charles do Bronx, Paul Felder, Alex Cowboy, Yancy Medeiros, David Teymur, Drakkar Klose, Dominick Reyes e outros lutadores que também proporcionam lutas legais. Confira a prévia de um evento “pra todos os gostos”:

Peso Leve: Charles do Bronx (BRA) vs. Paul Felder (EUA)

Por Anderson Cachapuz

O carismático paulista Charles “do Bronx” Oliveira (22-7-1 no MMA,10-7-1 no UFC) vem para o UFC 218 buscando aumentar a sequência de vitórias no peso leve. Após uma passagem ruim e conturbada no peso pena, ele voltou para a categoria até 70kg e conseguiu bater o ex-campeão do Bellator Will Brooks por finalização, no UFC 210, que aconteceu em abril.

Jiu-jiteiro de elite, com um jogo refinadíssimo, ligeiro, ousado e muito criativo, Charles é capaz de finalizar em qualquer posição no octógono – em pé, deitado, de lado, sentado no chão -. Acho que a única hipótese não plausível é plantando bananeira, embora eu não duvide disso. Seu muay thai tem melhorado, mas apenas o suficiente para encurtar e levar o combate para onde se sente em casa. Ainda não é hora de se arriscar, ainda mais contra um matador como Felder. Também precisa melhorar o gás, que é muito afetado durante as lutas em virtude do corte de peso que sempre é motivo de sofrimento. Perdendo ou ganhando, não curte muito uma decisão, sempre entra para matar ou para morrer.

Do outro lado estará o “Dragão Irlandês” Paul Felder (14-3 no MMA, 6-3 no UFC). Após alguns tropeços, ele conseguiu se reabilitar na organização, vencendo quatro dos últimos cinco combates. Em 2017, aplicou nocautes brutais sobre o canadense Alessandro Ricci e o escocês Steven Ray, em duas lutas realizadas em território hostil.

Violento e com instinto assassino, Felder busca sempre definir seus combates. A faixa preta de taekwondo lhe dá base para arriscar chutes plásticos, rodados e mais o que sair da cartola. Com uma faixa de ferramentas tão vasta em pé quando a de “do Bronx” no chão, Felder é capaz de aplicar golpes até mesmo sem o equilíbrio ideal. O muay thai também é consistente. A defesa de quedas precisa melhorar, pois a faixa azul no jiu-jítsu  ainda não é suficiente para fazê-lo se virar bem contra a elite da arte suave (caso do seu adversário). Charles Oliveira vs Paul Felder odds - BestFightOdds
Confronto de estilos clássico. Do Bronx vai tentar a todo custo levar o combate ao solo. Felder vai tentar mantê-lo em pé. Ambos levam grande vantagem sobre o oponente em sua zona de conforto. Vai ser um combate divertido e muito equilibrado, especialmente se do Bronx perder o juízo e resolver se animar para encarar Felder em pé. O brasileiro precisa urgentemente se jogar nas pernas do americano, mesmo que seja no berimbolo e ir ao chão logo, sem se arriscar. O americano deve trabalhar a distância e usar e abusar dos golpes no corpo, especialmente na região abdominal, onde Charles já mostrou ser um ponto fraco.

Ou seja, para os dois vale a máxima do “Se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”. Se Felder for pro chão, dispara o relógio que a finalização de Charles vem. Se Oliveira for para a mão, pode disparar também porque em breve ele será acordado pelo médico. Nesse confronto de estilos vence quem for mais ajuizado, calmo e paciente e conseguir explorar primeiro o erro do adversário.

Eu joguei a moedinha para cima e ela caiu com o rosto de Charles para cima. Finalização no segundo round.

Peso Meio-Médio: # 15 Alex Cowboy (BRA) vs. Yancy Medeiros (EUA)

Que homem maravilhoso é Alex Cowboy (17-3 no MMA, 7-2 no UFC). Além de ser um funcionário do MMA, também é um dos lutadores brasileiros que mais busca a evolução, tornando-se um dos membros da renovação do MMA brasileiro. Atleta da TFT e com passagem pela American Top Team, Cowboy é lutador de muay thai bem agressivo, com poder de nocaute alto e um bom jogo no solo, com quedas pontuais e um jiu-jítsu agressivo. O problema de Cowboy é a defesa de quedas e a parte de atacar por baixo, algo que foi exposto por Ryan LaFlare.

Outro homão é Yancy Medeiros (14-4 no MMA, 5-4 no UFC). Parceiro de treinos de Max Holloway, ele vem se dando bem no peso meio-médio, com vitórias sobre Sean Spencer e Erick Silva. Yancy é um atleta muito interessante na parte da troca de golpes, principalmente por compensar uma certa falta de técnica com o volume e a variação, que o tornam um lutador muito legal de se ver. No chão, tem seus defeitos, mas se destaca pelos ajustes esquisitos e com efeitos.

Fosse em 2015 e eu apostaria em prêmio de melhor luta para os dois, mas os tempos mudaram e Cowboy passou a ser um lutador mais inteligente, que sabe atuar na área mais confortável e sem correr muitos riscos. O plano contra Yancy é fugir da briga, provavelmente levar a luta pro chão e permanecer lá pelos 15 minutos de luta, vencendo por decisão unânime.

Peso Leve: David Teymur (SUE) vs. Drakkar Klose (EUA)

Uma das poucas coisas boas que saíram do TUF 22, David Teymur (6-1 no MMA, 3-1 no UFC) é outro lutador que prova o quão bom é o peso leve, já que é um trocador sinistro e poucos lembram de sua existência, mesmo com três vitórias seguidas, uma delas sobre Lando Vannata. A parte de striking de Teymur é muito bonita, são combinações de socos bem anguladas, bastante uso dos chutes baixos e até bons golpes de encontro no corpo. A parte defensiva pode ser explorada por alguém melhor.

Apesar dos 29 anos, Drakkar Klose (8-0-1 no MMA, 2-0 no UFC) é um dos atletas mais promissores do peso leve, e as vitórias sobre Devin Powell e o ultra superestimado Marc Diakiese provaram isso. Nas duas lutas que fez no UFC, Klose mostrou um wrestling de bastante pressão, kickboxing recatado e acima da média, além de um bom sistema defensivo.

Em mais uma luta que promete bastante, Klose é o favorito aqui. O atleta da MMA Lab tem jogo suficiente para explorar as falhas de Teymur, tanto em pé, com golpes retos e chutes baixos, quanto no chão, onde é mais experimentado, já que não tivemos oportunidade de ver Teymur no chão. Em um combate até parecido com o contra Diakese, Klose leva por decisão dos juízes.

Peso Palha: #9 Felice Herrig (EUA) vs. #11 Cortney Casey (EUA)

Felice Herrig (13-6 no MMA, 4-1 no UFC) teve uma trajetória bem melhor do que todos imaginavam. Em cinco lutas no UFC, só foi derrotada no vareio contra Paige VanZant, em 2015. Atualmente, são três vitórias consecutivas, a mais recente delas em um ótimo desempenho contra Justine Kish. Atleta que já competiu profissionalmente no kickboxing, Herrig vem adotando um estilo baseado no grappling em suas lutas mais recentes, o que vem dando certo. Felice normalmente leva as lutas pro solo se aproveitando de sua vantagem física, tem um bom controle posicional e vem sendo uma atleta bem agressiva no ground and pound, evoluindo bem a cada luta.

Jogadora de futebol nos tempos de ensino médio, Cortney Casey (7-3 no MMA, 3-3 no UFC) deixou uma impressão errada em alguns fãs com a derrota acachapante para Cláudia Gadelha, que estava claramente em um nível acima, mostrando que o casamento foi precipitado, mas Casey se recuperou em sua luta mais recente com uma ótima vitória sobre a veterana Jessica Aguilar. Casey é uma atleta que combina bem os socos em pé, juntamente dos chutes baixos, apesar de dar muita margem para contra ataques. A parte de chão ainda precisa ser melhorada, mas ela exibe bons ataques na guarda, onde tem bastante confiança.

Herrig vs. Casey é uma das lutas mais subestimadas do card. Felice vem em ótimo momento, evoluindo e surpreendendo a cada luta, e acredito que ela tentará explorar a defesa de queda fraca de Casey. A luta provavelmente não se manterá em pé, mas caso isso aconteça, pode esperar momentos de entretenimento. Felice, apesar de menor, é mais forte fisicamente, provavelmente conseguirá a queda e trabalhará por cima até vencer por decisão unânime.

Peso Meio-Médio: Sabah Homasi (EUA) vs. Abdul Razak Al-Hassan (GAN)

Participante do The Ultimate Fighter 21, Sabah Homasi (11-5 no MMA, 0-1 no UFC) tenta evitar uma demissão. Na única luta que fez no octógono, tomou um vareio de Tim Means. Atleta da American Top Team, Homasi é um lutador bem agressivo na troca de golpes, principalmente na hora de se aproximar de seus adversários. O problema é que Sabah é um atleta bem limitado, não se dá bem contra lutadores que contra golpeiam, o chão não é de alto nível e tende a abrir o bico cedo nas lutas.

Primeiro ganês da história do UFC, Abdul Razak Al-Hassan (7-1 no MMA, 1-1 no UFC) impressionou muitos com a grosseria utilizada sobre o fraco Charlie Ward, mas ele tomou um choque de realidade quando enfrentou Omari Akhmedov, que não é um grande atleta e expôs as falhas de Abdul. Outro lutador que não é nenhum garbo, Al-Hassan tem capacidade de proporcionar alguns combates legais. Deixa a técnica de lado na trocação, normalmente aposta na grosseria e com socos no modo “ventilador”. A defesa de quedas é facilmente vazada, o que pode tornar a passagem do ganês pelo UFC bem curta.

O duelo é equilibrado e provavelmente terminará com alguém jogado no chão. Apostaremos em Homasi, que é mais técnico e tem um QI de luta superior ao de Al-Hassan, que inclusive pode ter sucesso com a estratégia do “vamo lá, porra”, já que Sabah não é um atleta conhecido por ter um sistema defensivo bom. Se não rolar alguma bonificação para este combate, é porque o evento será épico ou a luta decepcionou bastante.

Peso Meio-Pesado: Jeremy Kimball (EUA) vs. Dominick Reyes (EUA)

Jeremy Kimball (15-6 no MMA, 1-1 no UFC) não é dos atletas mais técnicos que já passaram pelo UFC, mas ele traz uma garantia de pancadaria. Suas duas lutas pela organização não passaram do primeiro round, com derrota para Marcos Pezão e vitória sobre Josh Stansbury. Brigão, Kimball apresenta pouca técnica nos golpes, principalmente com os chutes, e tem diversos buracos bons a serem explorados por Reyes.

Um dos pingos de esperança entre os meios-pesados, Dominick Reyes (7-0 no MMA, 1-0 no UFC) volta ao octógono depois de uma vitória relâmpago sobre Joachim Christensen. Reyes definitivamente é um dos meios-pesados mais promissores no plantel atual do UFC. Tem 27 anos, é bem mais alto que o adversário e é um striker letal, com poder de fogo imenso e um volume ótimo de socos. Muito interessante ver a aposta do UFC em Dominick, procurando não queimar etapas.

Kimball vs. Reyes é outro bom combate que passa debaixo do radar no UFC 218. Dominick provavelmente terminará a peleja no primeiro round, pressionando Jeremy contra a grade e impondo um ritmo bem forte de socos. Para Kimball, é torcer para Reyes errar uma de suas aproximações e aproveitar o espaço para tentar nocautear ali, ou de forma improvável, buscar a queda. O primeiro cenário é o mais provável a acontecer.

Peso Pesado: Justin Willis (EUA) vs. Allen Crowder (EUA)

Depois de vencer James Mulheron em uma das lutas mais lamentáveis de 2017, Justin Willis (5-1 no MMA, 1-0 no UFC) fará sua segunda luta no UFC. Roliço, Willis é um atleta que usa uma abordagem mais cautelosa, tentando manter a distância e o controle do octógono. Ele também tem o chão como arma, apesar de ser bem lento nas entradas de queda.

Contratado após ótimo desempenho no Dana White’s Tuesday Night Contender Series, Allen Crowder (9-2 no MMA) fará sua estreia no UFC. Bem mais atlético que seu adversário, tem uma base bem interessante em pé, usando chutes baixos para controlar a movimentação de seus oponentes. Ponto forte também é o seu controle posicional no chão. Ainda precisa de melhora nos ajustes de finalização, mas compensa com o ground and pound.

Crowder definitivamente é o favorito aqui. Mais rápido e mais habilidoso, ele pode encontrar problemas para derrubar Willis por conta do tamanho, já que o gordinho é 10kg mais pesado que Allen. A luta provavelmente se desenvolverá em pé, com Allen Crowder não encontrando muitas dificuldades para nocautear ainda na primeira parcial.

Peso Palha: Amanda Cooper (EUA) vs. Angela Magaña (EUA)

Vice-campeã do TUF 23, Amanda Cooper (2-3 no MMA, 1-2 no UFC) precisa mostrar serviço caso queira continuar no UFC. Foram duas derrotas para Tatiana Suarez e Cynthia Calvillo, separadas por um triunfo sobre a fraca Anna Elmose. Cooper é competente no boxe, onde já chegou a competir profissionalmente. Sabe bem encontrar a distância para os socos e varia entre cabeça e corpo, o problema é que “ABC” acaba sendo muito dependente dos punhos, já que a parte de chutes não é muito forte e o chão é bem fraquinho.

Participante do TUF 20 e mais conhecida por suas polêmicas fora do octógono, Angela Magaña (11-8 no MMA, 0-2 no UFC) fará a sua primeira luta desde julho de 2015, quando tomou um atropelo de Michelle Waterson. Angela é uma atleta de pouca movimentação, pouca velocidade e pouca técnica em pé. O chão é onde se sai melhor, mas mesmo assim não tem nível para bater de frente com a categoria.

Para o combate que abre o violento UFC 218, a grande probabilidade é de pouco equilíbrio e vantagem clara para Cooper, que tem um estilo muito ruim para Magaña. Amanda deve trabalhar bem os socos na curta e na longa distância, além de pressionar fortemente a oponente contra a grade. Angela deve buscar o chão, campo onde a adversária é limitada, mas tenho dúvidas sobre sua capacidade de conseguir derrubar. Em praticamente um replay da luta contra Tecia Torres, Magaña deve perder novamente, por decisão.

  • James sousa

    As lutas dos brasileiros tem altas probabilidades de entretenimento se não acabarem rapidamente mas quem eu estou animado para ver e o Drakkar Klose

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Sei não acho que o Willis ganha por gordice só, capaz que vai conseguir amassar no chão, mas nem duvido dele ser nocauteado