UFC 217: Bisping vs. St. Pierre – Prévia do Card Principal

Três disputas de cinturão, um ex-campeão, um ex-desafiante e uma jovem promessa estão distribuídos nos cinco combates do UFC 217, evento mais aguardado do ano.

A Capital do Mundo viverá mais um momento especial no MMA. No próximo sábado, o icônico Madison Square Garden receberá o UFC 217, megaevento com três disputas de cinturão e o retorno de um dos maiores lutadores de todos os tempos.

Michael Bisping volta a colocar o título dos médios em jogo depois de mais de um ano na luta principal. O oponente será mais uma lenda do esporte: Georges St. Pierre, que retorna após quatro anos de aposentadoria.

Antes deles, talvez o melhor combate que o MMA pode oferecer no momento. O campeão dos galos Cody Garbrandt defende pela primeira vez sua coroa contra TJ Dillashaw, segundo colocado do ranking, ex-parceiro de treinos e, pelo visto, ex-amigo. Eles sucederão o momento histórico em que Joanna Jedrzejczyk tentará igualar o recorde de defesas de um cinturão feminino, que pertence a Ronda Rousey. A campeã do peso palha encara a número quatro do ranking, Rose Namajunas.

Outros dois duelos importantes completam o card principal. O ex-desafiante dos meios-médios Stephen Thompson enfrenta o número 4 do ranking, Jorge Masvidal. Abrindo a programação, o ex-campeão dos meios-médios Johny Hendricks luta pela terceira vez na categoria de cima. O oponente da vez será o invicto e embalado brasileiro Paulo Borrachinha.

O UFC 217 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. O primeiro confronto das preliminares está marcado para iniciar às 20:30h, enquanto o card principal vai ao ar a partir da meia-noite, sempre pelo horário oficial de verão de Brasília.

Cinturão Peso Médio: (C) Michael Bisping (ING) vs. Georges St. Pierre (CAN)

Por Alexandre Matos

Que momento especial vive “O Conde”. Depois de tanto tentar e morrer na praia, finalmente Bisping conquistou o título mais importante do MMA. De quebra, vem numa sequência de vitórias sobre nomes de peso, embora nem todos em seus auges, como Anderson Silva, Dan Henderson e Luke Rockhold, de quem surpreendentemente tirou o cinturão no ano passado. O atual campeão não é derrotado há exatos três anos, desde que levou um passeio exatamente de Rockhold.

Conforme exposto na última edição do Choque de Titãs, Bisping não ficará na história como um dos maiores strikers, wrestlers, jiu-jiteiros ou mesmo atletas da história do MMA. No entanto, o cipriota naturalizado inglês faz tudo isso de modo competente, embora peque na execução das transições entre as áreas. A maior preocupação de seu jogo é o aspecto defensivo: Mike defende quedas muito bem, mas sucumbe aos melhores wrestlers; tem boa noção de evitar ser golpeado, mas é muito atingido pelos strikers mais talentosos; sabe se virar no chão, mas bateu numa guilhotina de uma mão de Rockhold e quase foi pego em outra de Wanderlei Silva. Ter tantos problemas a serem explorados é preocupante quando terá do outro lado do octógono um mestre na arte de explorar buracos.

Georges St. Pierre

O desafiante de Bisping nunca lutou no peso médio. Na verdade ele não luta em categoria nenhuma há quatro anos. Ainda assim, foi agraciado com a disputa de cinturão. Injusto? Não se a pessoa em questão for Georges St. Pierre, o maior meio-médio de todos os tempos, um dos cinco maiores lutadores da história e que se aposentou em 2013 como detentor do cinturão da divisão de baixo – ainda que após uma vitória controversa contra Johny Hendricks.

Quando lutava, GSP era um atleta à frente de seu tempo. Ele era o que hoje chamamos de lutador moderno, aquele cara excelente no wrestling (um dos melhores da história do MMA mesmo sem jamais ter competido na modalidade), no striking (faixa-preta terceiro dan no caratê kyokushin e pupilo de longa data de Freddie Roach), no jiu-jítsu (preta primeiro dan dos grandes Bruno Fernandes e John Danaher na Gracie Barra Montreal), no condicionamento físico (primeiro a usar treinamentos adaptados de ginástica olímpica no MMA), na estratégia (muito bem preparado por Firas Zahabi e Greg Jackson) e, especialmente, no sistema de jogo praticamente sem buracos. Tudo o que faz Demetrious Johnson encher nossos olhos hoje em dia já era feito por St. Pierre anos atrás. Em seu reinado, Georges parecia invencível. Mas o tempo passou…

Georges St-Pierre vs Michael Bisping odds - BestFightOdds
 

João Gabriel Gelli costuma dizer que não aposta em atleta parado há dois anos ou mais. Ele tem razão na maioria dos casos. Porém, não estamos falando de um lutador qualquer. GSP está na classe Dominick Cruz dos gênios. Mais do que isso, ele dá nome à classe dos super atletas do MMA. Portanto, há que se ter calma na hora de avaliar certos aspectos.

Prever esta luta não é fácil. Fosse em 2013, eu não teria a menor dúvida em colocar meus suados caraminguás numa vitória relativamente tranquila do “Rush”. Quatro anos depois, outras questões devem ser levantadas: como GSP lidará com mais uma longa inatividade, esta maior do que todas? Como ele se apresentará com o corpo mais pesado e contra o fisicamente maior oponente que encarou na carreira? Como estará o seu tempo de reação, aspecto absolutamente fundamental para que ele seja um gênio na execução das transições?

Bem, GSP sempre foi um atleta que levou sua preparação ao limite. Obstinado a ponto de se tornar quase um psicopata em busca da perfeição, não acredito que ele sairia da aposentadoria para passar vergonha. Não acredito que ele voltaria se não tivesse certeza de estar bem preparado como sempre esteve. Ele não precisa de mais dinheiro ou de mais glória. Imagino que St. Pierre está voltando para alimentar o fogo competitivo que ainda o consome.

Ambos possuem alcance semelhante, mas GSP controla melhor a distância e varia melhor nela. Ainda que apresente sinais de ferrugem e não seja o mesmo lutador ágil e veloz quanto era como meio-médio, tampouco Bisping está em sua melhor fase física – foi enquadrado por Thales Leites, um striker muito menos talentoso que Georges. Aos 38 anos, dois a mais que o desafiante, o campeão não apresenta mais a capacidade de produzir o incrível volume ofensivo que sempre o caracterizou.

Fosse em 2013, eu apostaria tranquilamente em GSP. Em 2017, o duelo será bem mais difícil, como inclusive mostram as odds. Ainda assim, o palpite é que St. Pierre deixará o octógono como um dos quatro campeões de duas categorias e recordista de vitórias na história da organização após triunfo na decisão.

Cinturão Peso Galo: (C) Cody Garbrandt (EUA) vs. #2 TJ Dillashaw (EUA)

Por Pedro Carneiro

Cody Garbrandt

Cody Garbrandt (11-0 no MMA, 6-0 no UFC) fez o impossível se tornar palpável ao vencer Dominick Cruz num espetáculo de jogo de pernas, movimentação de cabeça e uso perfeito do pivô. Após findar os nove anos de invencibilidade do agora ex-campeão e trazer o cinturão para o Team Alpha Male, o “No Love” se estabeleceu como uma realidade na ultracompetitiva categoria dos galos.

O atual dono do trono é um striker talentoso, que usa muito bem o boxe, o jogo de pernas e a movimentação no octógono para conseguir ângulos que privilegiem seu elevado poder de nocaute. O sistema defensivo de Garbrandt é ótimo e vem acompanhado de uma boa defesa de quedas desenvolvida na academia que melhor prepara os lutadores mais leves no wrestling. Os chutes são um incremento ao seu jogo em pé e Garbrandt também possui uma incisiva guilhotina, outra característica dos Alpha Male.

TJ Dillashaw

Tyler Jeffrey Dillashaw (15-3 no MMA, 10-3 no UFC), o célebre TJ, é um dos maiores casos de evolução UFC. Vindo do longínquo e excelente TUF 14, TJ era um wrestler sólido, com energia de sobra e nada muito além. Isso até conhecer o seu treinador encantado, Duane Ludwig, no Team Alpha Male. A química gerada entre os dois resultou num lutador com um rápido e potente kickboxing, com um jogo de pernas tão espetacular que chegou a rivalizar com Dominick Cruz. E o mais legal da evolução é que Dillashaw permaneceu com o seu wrestling em dia, o que foi demonstrado no último combate contra John Lineker.

Temos aqui um dos melhores embates que o MMA pode proporcionar atualmente e que vem recheado de dúvidas. Cody evoluiu tão rapidamente assim ou a luta contra Cruz foi resultado de uma noite mágica e única? A lenda urbana de que o atual campeão batia mais que pestana de cego em TJ nos treinos é verdadeira? As desavenças por conta da saída de Dillashaw do Team Alpha Male farão diferença? O descontrole de Cody no TUF vai se estender ao octógono?

Imaginando que os dois se enfrentarão nos seus melhores momentos, o prognóstico é de um espetáculo de socos e chutes como poucos vistos desde o dia em que Caim matou Abel. São raros os momentos em que dois lutadores muito técnicos se encontram com aparente ódio suficiente para que um queira arrancar a cabeça do outro.

Cody Garbrandt vs T.J. Dillashaw odds - BestFightOdds
 

Ambos se conhecem e evoluíram absurdamente nos últimos tempos, já treinando separados. Todavia, Dillashaw viu (pelo menos deveria ter visto) o que o Cody fez com Cruz e, por ter uma proposta parecida com a do ex-campeão, deve vir estudado para fugir das armadilhas e contragolpes certeiros de Garbrandt. O wrestling também pode ser um diferencial, já que TJ tem capacidade de deixar o campeão com as costas no chão. Por outro lado, além de todo o estudo que fez para vencer Cruz, o Alpha Male tem o incremento de já conhecer o jogo de Dillashaw desde o seu mais profundo íntimo.

A aposta aqui é que, após um estudo inicial, uma guerra em proporções bíblicas se inicie. Porém, a recente saída do head coach do Team Alpha Male, Justin Buchholz, indica que, no mínimo, o camp de Garbrandt foi turbulento – e isso é a última coisa que poderia acontecer na preparação para uma luta contra um adversário como TJ. Sendo assim, a aposta é numa vitória de TJ Dillashaw em decisão apertada.

Cinturão Peso Palha: (C) Joanna Jedrzejczyk (POL) vs. #4 Rose Namajunas (EUA)

Por Anderson Cachapuz

Joanna Jedrzejczyk

Se Chucky é considerado o “Brinquedo Assassino”, temos uma versão feminina dele no UFC. Ok, talvez eu esteja exagerando um pouco ou até sendo desmentido pelos números recentes, mas o fato é que Joanna Jedrzejczyk (14-0 no MMA, 8-0 no UFC) é a personificação da violência nas categorias femininas. É quase uma espécie de Cris Cyborg em tamanho reduzido.

Aos 30 anos, a qualidade da polonesa dispensa apresentações. Já são oito lutas no UFC, com igual número de vitórias. Se começou tímida, com duas decisões, Joanna tomou para si os holofotes com espancamentos lendários sobre a primeira campeã Carla Esparza, tomando para si o cinturão, e sobre Jessica Penne, a primeira azarada que desafiou seu reinado. As quatro decisões que vieram a seguir, contra Valerie Letourneau, Claudia Gadelha novamente, Karolina Kowalkiewicz e Jessica Andrade, podem passar uma falsa impressão de que a campeã segura mais seu jogo, mas a verdade é que foram clínicas de espancamentos quase que unilaterais na maioria das lutas.

O jogo de Jedrzejczyk é baseado no muay thai de elite, desenvolvido pelo lendário Ernesto Hoost. Podemos sempre esperar muito volume, precisão, um thai clinh dos infernos, com muita dor no corpo, jabs, cruzados, joelhadas e cotoveladas infinitas, aliadas a uma movimentação e esquivas quase mágicas, um poder de recuperação sensacional e defesa de quedas que melhora a cada dia. O jiu-jítsu defensivo e ofensivo? Ninguém sabe. Quem consegue derrubar, não é capaz de segurar a fera por baixo por muito tempo, contribuindo para manter o cartel imaculado.

Rose Namajunas

“Thug” Rose Namajunas (6-3 no MMA, 4-2 no UFC) sempre será lembrada pela magnífica chave de braço voadora aplicada em sua segunda luta profissional, ainda pelo Invicta FC. Ela chegou ao UFC com muita empolgação por parte de Dana White. O motivo? Tratorizou suas oponentes no TUF 20 e chegou a ser comparada a Ronda Rousey. Na final, a inexperência de quem tinha um cartel de 2-1 na época falou mais alto e ela acabou como vice-campeã após ser finalizada por Carla Esparza. Na recuperação, despachou rapidamente Angela Hill com uma finalização, estragou o rosto de Paige VanZant antes de apertar-lhe o pescoço e venceu com autoridade Tecia Torres, vingando sua única derrota antes do UFC. Colocada numa eliminatória contra Karolina Kowalkiewicz, perdeu a primeira oportunidade, mas, após uma segunda chance (e a falta de desafiantes), garantiu a oportunidade com uma vitória cercada de maturidade contra Michelle Waterson. Agora, aos 25 anos, vai ser a vítima desafiante da vez ao cinturão.

Falando das características e qualidades da noiva de Pat Barry, Namajunas é uma excelente kickboxer. Faixa-preta de caratê e taekwondo, ela possui segurança para jogar em pé, aproximar-se e fazer o que mais gosta: usar o jiu-jítsu para buscar finalizações rápidas no chão, onde possui excelente desenvoltura, inclusive fazendo guarda. Sempre muito arisca e com muita movimentação como base de seu jogo, tanto em pé quanto deitada, a única característica que Rose não tem para dar trabalho para a campeã é a experiência. Porém, vem amadurecendo seu jogo desde que perdeu a final do TUF e ainda tem muito espaço para evoluir e melhorar. Só foi jogada à leoa do peso palha por falta de opções de momento.

Joanna Jedrzejczyk vs Rose Namajunas odds - BestFightOdds
 

Esta é uma lutaça que possui um potencial elevado de entretenimento e violência, para deleite alheio. As meninas devem conter a empolgação de início e começar o combate de maneira cautelosa – com duas strikers tão boas, qualquer vacilo pode ser fatal. Joanna não deve se arriscar no combate de solo, pois Namajunas é uma finalizadora muito perigosa. Rose até tem nível e gabarito para encarar a campeã em pé, mas é muito menos experimentada no MMA e, se optar por essa estratégia, fatalmente sucumbirá numa decisão.

A desafiante precisa encurtar, entrar no olho do furacão e sobreviver ao clinch mortal de Joanna, de preferência buscando uma queda rápida. Caso consiga estabilizar posição e segurar a monstra no solo, pode tentar um de seus rápidos botes para encerrar o combate. No entanto, é pouco provável que este cenário se materialize, caso contrário, Joanna não seria invicta com 14 vitórias enfrentando lutadoras melhores e/ou mais experientes que Rose. Até vejo Namajunas vencendo este combate daqui a uns dois ou três anos. Não agora. Joanna por decisão.

Peso Meio-Médio: #2 Stephen Thompson (EUA) vs. #4 Jorge Masvidal (EUA)

Por Diego Tintin

Stephen Thompson

O carateca Stephen Thompson (13-2-1 no MMA, 8-2-1 no UFC) chegou ao UFC cercado de expectativas, com um currículo invejável no kickboxing profissional – mais de 50 lutas de invencibilidade. E o que vimos no octógono foi o crescimento de um excelente lutador. Não podemos julgar sua carreira apenas pela lamentável apresentação contra Tyron Woodley, na revanche pelo cinturão, no UFC 209. Seria injusto com um dos melhores strikers que já lutaram no UFC. Até chegar ao empate na primeira luta contra Woodley, Thompson deixou um rastro de belos nocautes e, além disso, exibições de gala contra oponentes de elite como Rory MacDonald, Johny Hendricks e Robert Whittaker.

Faixa-preta quinto dan em tetsushin ryu kempo, o “Wonderboy” possui um jogo de chutes incrível e é um artista na manutenção da distância. Ele é daquele tipo de lutador que nos faz ter a sensação de assistir não a uma luta, mas a uma apresentação de um balé violento. Sua postura com pernas abertas e guarda baixa costuma atrair os adversários a tomar iniciativa, caindo assim na armadilha deste letal contragolpeador. O sistema defensivo de Thompson é baseado na sua movimentação, que o garante ser pouco atingido e ainda é uma boa estratégia para evitar a luta agarrada. Algo a ser observado é como o ex-desafiante reage quando seu jogo não encaixa de imediato, uma vez que parecia sem uma saída viável nas lutas contra Woodley.

Jorge Masvidal

Jorge Masvidal (32-12 no MMA, 9-5 no UFC), veterano de Bellator e Strikeforce, é hoje um dos lutadores de rendimento mais regular da organização, com atuações sólidas que traduzem o ótimo concorrente que se tornou nos pesos leve e meio-médio. O filho de cubano com peruana cresceu em Miami e chegou a participar das lutas de quintal promovidas por Kimbo Slice. Praticou wrestling no ensino médio e logo passou ao MMA, desenvolvendo um boxe muito bem ajustado e uma luta agarrada deveras subestimada.

Aos 32 anos e com 45 lutas profissionais nas costas, Masvidal disputou o torneio inaugural do Bellator, que coroou Eddie Alvarez campeão do peso leve, mas conquistou o reconhecimento mesmo no Strikeforce. Lá, desafiou o cinturão de Gilbert Melendez e vendeu caro a derrota por decisão. Chegou ao UFC com bom desempenho e rumou ao peso meio-médio após uma injusta derrota para Al Iaquinta. Depois de um período um pouco mais instável, já emendou três vitórias consecutivas, a última sobre o sempre bem ranqueado Donald Cerrone, que o alçou a uma eliminatória pelo título contra Demian Maia. Jorge até lutou bem e pode ser orgulhar de ter equilibrado as ações em todo o tempo da peleja, porém, viu passar a oportunidade de disputar o cinturão por conta de uma decisão dividida.

Jorge Masvidal vs Stephen Thompson odds - BestFightOdds
 

Masvidal é um atleta que jamais se omite nos combates e, paradoxalmente, essa característica pode dificultar seus planos contra Thompson. Este último se alimenta da agressividade alheia e pode reviver seus melhores momentos caso Masvidal resolva sair para caçá-lo pelo octógono. Uma alternativa para Jorge é ter paciência para deixar Thompson incomodado a ponto de se aproximar além da distância de costume e criar a oportunidade de levar a luta para o chão. Uma vez na horizontal, o “Gamebred” comandaria as ações e teria a chance de conseguir uma interrupção. A aposta é que Masvidal novamente ofereça uma luta de valor, mas que Thompson consiga voltar à coluna dos vencedores.

Peso Médio: Johny Hendricks (EUA) vs. Paulo Borrachinha (BRA)

Por Rafael Oreiro

Johny Hendricks

Se dois anos atrás me dissessem que uma luta entre Johny Hendricks e Paulo Borrachinha abriria o card principal do evento mais importante do ano para o UFC, eu diria: “Você tá louco, bicho”. Apesar dos poréns, o duelo entre o ex-campeão do peso meio-médio e a promessa brasileira trará alguns aspectos interessantes para o octógono.

Pouco mais de três anos depois de conquistar o cinturão peso meio-médio, a carreira de Johny Hendricks (18-7 no MMA, 13-7 no UFC) tomou rumos inimagináveis por causa de sua irresponsabilidade. Depois de deixar de bater o peso por três vezes num periodo de dois anos – inclusive cancelando de última hora a luta que faria contra Tyron Woodley – e de emendar três derrotas consecutivas, ele foi forçado pelo UFC a subir para o peso médio. Com tamanho totalmente não condizente com a categoria, ele chegou a vencer Hector Lombard numa decisão apertada, mas logo em seguida acabou nocauteado pelo muito maior Tim Boetsch.

Porém, uma mudança volta a trazer esperança para Hendricks. Depois de finalmente tomar atitude para tirar sua carreira do fundo do poço, o Bigg Rigg se transferiu para a Jackson-Wink MMA, onde, segundo ele mesmo, vem se mantendo em ritmo constante de treinos diários. Com mais responsabilidade e um melhor corte de peso, seu poderoso wrestling e a bazuca na mão esquerda poderão voltar a mostrar de novo as qualidades que levaram Hendricks a ser campeão. Ainda assim, seu emprego no UFC pode estar em jogo nessa luta, e um confronto contra um peso médio gigante pode trazer muitas complicações para o americano.

Paulo Borrachinha

A fase de Paulo Borrachinha (10-0 no MMA, 2-0 no UFC) não poderia ser mais diferente. Ele chegou no UFC neste ano, depois de conquistar e defender o cinturão do peso médio do Jungle Fight em 2016, e nocauteou o fraco Gareth McLellan ainda no primeiro round. Com prestígio em alta, o brasileiro foi marcado em seguida para o card do UFC 212, já chegando à porção principal de um pay-per-view em sua segunda luta na organização. No Rio de Janeiro, ele encontrou mais dificuldades, mas também acabou mandando Oluwale Bamgbose para a vala.

Borrachinha possui uma boa técnica na luta em pé, mas depende basicamente do poder de seus golpes para levar vantagem num combate, ficando por vezes até passivo demais na busca do porradão perfeito para estirar um corpo no chão. Essa procura constante pelos golpes mais fortes traz uma consequência negativa para seu condicionamento físico, que pode deixá-lo na mão num confronto mais longo. A questão da defesa de quedas também pode ser um problema para o brasileiro, que foi levado ao chão pelo nada habilidoso Bamgbose em sua última luta.

Johny Hendricks vs Paulo Borrachinha odds - BestFightOdds
 

O confronto entre Borrachinha e Hendricks será definido pela resposta de duas perguntas: (1) como o brasileiro se sairá diante de um oponente mais qualificado e com características que podem lhe trazer problemas? (2) Como o americano se sairá diante de um oponente muito maior fisicamente e que pode testar seu queixo, que já não é mais tanto de pedra?

No final, é compreensível que Borrachinha seja favorito contra Hendricks, tanto pela diferença de tamanho quanto pelas fases opostas que ambos vivem em suas carreiras. Porém, com uma mente estrategista por trás, o americano é capaz de cumprir um plano que neutralize o jogo explosivo de Borrachinha. Investindo nos chutes baixos e cansando o brasileiro no primeiro round, Hendricks pode levar a luta para o chão e, com o adversário já desgastado, controlar as ações até uma vitória na decisão. Porém, não se surpreenda caso o queixo de Hendricks seja finalmente destruído por Borrachinha, forçando uma interrupção no primeiro round.

  • João Gabriel Gelli

    “João Gabriel Gelli costuma dizer que não aposta em atleta parado há dois anos ou mais. Ele tem razão na maioria dos casos.”

    Falhei miseravelmente em seguir minha máxima na semana passada e corro o sério risco de ver ela me complicando nessa hahahahaha

    • James sousa

      Já complicou em Cruz x dilashaw

  • James sousa

    O Bisping gosta de falar que o GSP aceitou a luta porque ele acha o Bisping um adversário fácil. Mas quem tá lutando contra um cara menor e 4 anos parado e o Bisping. O melhor para a categoria e o GSP ganhar o cinturão .Bisping mantendo o titulo vai buscar outro adversário teoricamente fácil para ele como foi o Henderson.

    • Quem ganhar a luta principal vai ter que enfrentar o Whittaker.

  • Patrick Santos

    E quem vai viajar pra um lugar sem internet e sem TV no final de semana, faz o que? :(

  • Bruno Coelho

    Como orgulhosamente sou um reles fã médio, meu compromisso com a lógica é zero. Eu vou ficar feliz, mas muito feliz, se o card principal terminar com os seguintes resultados:

    – Bisping by TKO com GSP, ainda “concussionado”, anunciando a aposentadoria definitiva.

    – TJ by TKO pra não ter possibilidade de haver revanche imediata. O TJ jamais levará essa cinta numa decisão apertada, afinal não sei porque raios nunca dão vitória aos desafiantes em decisões apertadas.

    – Rose by submision.

    – Masvidal by decisão dividida.

    – Hendricks by TKO.

    • Compromisso zero com a lógica às vezes é bom demais.

      Tem vários casos de desafiantes que levam o cinturão em decisões apertadas. Sem forçar muito a memória eu lembro de Edgar contra Penn, Henderson contra Edgar, Lawler contra Hendricks.