UFC 216: Ferguson vs. Lee – Prévia do Card Principal

Colunistas e editores do MMA Brasil opinam sobre as lutas do card principal do UFC 216.

Uma semana de descanso e o octógono mais famoso do mundo retorna à sua casa. A T-Mobile Arena, localizada em Las Vegas, será palco do UFC 216, evento com duas disputas de cinturão e uma chance de quebra de recorde histórico.

No combate principal, Tony Ferguson e Kevin Lee disputam o cinturão interino dos leves enquanto Conor McGregor não resolve dar o ar da graça. Antes, o campeão do peso mosca Demetrious Johnson pode passar Anderson Silva no maior número de defesas consecutivas caso vença o desafiante Ray Borg.

Outros dois duelos estão previstos para a porção principal do evento. O ex-campeão dos pesados Fabricio Werdum tenta se colocar de volta à corrida pelo título contra Derrick Lewis, que tem a mesma intenção. Abrindo a programação, os talentosos Beneil Dariush e Evan Dunham miram o top 10 dos leves.

O UFC 216 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. A primeira luta da noite, iniciando o card preliminar, está marcada para às 19:30, enquanto o card principal tem início previsto para às 23:00h, sempre no horário oficial de Brasília.

Cinturão Interino Peso Leve: #2 Tony Ferguson (EUA) vs. #7 Kevin Lee (EUA)

Por Alexandre Matos

Tony Ferguson

Na hiper competitiva divisão dos leves, é muito difícil se manter invicto por muito tempo, haja vista a ciranda do cinturão, que nunca passou de três defesas na mão de ninguém. Isso só faz aumentar o feito de Ferguson (22-3 no MMA, 12-1 no UFC), que está numa insana série de nove vitórias, batendo pelo caminho oponentes do naipe do ex-campeão Rafael dos Anjos e Edson Barboza. A surpreendente derrota para Michael Johnson (quase cinco anos e meio) tem tanto tempo que quase ninguém lembra.

Só há um modo de conseguir o que Ferguson fez: evoluir tecnicamente. No começo, quando venceu o TUF 13, ele tinha um boxe de alto volume e boas quedas, num jogo um tanto previsível. Pois “El Cucuy” se tornou um lutador completo, versátil, dinâmico e muito difícil de ser vencido. Tony adicionou ataques venenosos no jiu-jítsu, uma guarda bastante ativa, defesa de submissões, queixo absurdo para possibilitá-lo jantar a oposição no infighting e muita pressão em avanços constantes para deixar os adversários em posição defensiva. Ferguson é vencível, mas a impressão é que será necessário deixar um rim no octógono para tanto.

Kevin Lee

Passo a passo, sem ninguém perceber, Lee (16-2 no MMA, 9-2 no UFC) foi escalando o morro do peso leve. Desde que foi surpreendido pelo nocautaço sofrido contra Leo Santos, o americano retornou ao caminho das vitórias e deixou quatro para trás até ser escalado para a primeira luta principal de sua vida. Numa atuação exemplar, Lee finalizou o especialista na luta agarrada Michael Chiesa e se firmou como um sério candidato ao cinturão, agora com um retrospecto recente de nove vitórias em dez lutas.

Para conseguir uma série quase do tamanho da de Ferguson, Lee também teve que evoluir. O wrestling sempre foi seu ponto mais forte e assim segue até hoje. Kevin aplica quedas explosivas, bem como consegue derrubar a partir do clinch. Ele tira proveito de ambas as posições para pegar as costas com facilidade ou trabalhar um punitivo ground and pound. Lee melhorou visivelmente também na troca de golpes, adicionando chutes certeiros nas pernas e na linha de cintura, que têm como meta quebrar a movimentação adversária e diminuir seu ritmo. Falta a ele maior volume de golpes usando os punhos, algo que pode deixá-lo em perigo neste sábado.

Kevin Lee vs Tony Ferguson odds - BestFightOdds
 

O arsenal de chutes será mais do que nunca de grande valia para Lee neste combate, especialmente porque esta é a principal deficiência defensiva de Ferguson. Diminuir a movimentação de Tony chutando suas pernas e reduzir o gás dele bicando sua barriga deve ser uma tática adotada pelo “Fenômeno da Motown” (wannabe Jackson 5 risos) desde o instante inicial. Some isso a momentos de pressão no clinch na grade para desgastar os braços. Assim, Lee terá o caminho facilitado para tentar superar a forte defesa de quedas de Ferguson.

Falar daqui sentado no sofá é fácil. Nem mesmo Barboza, o melhor chutador da divisão, conseguiu aplicar essa estratégia pelo tempo necessário contra Ferguson. Tony tem um ritmo tão forte que ele não se incomoda em levar algumas bicas e não deixa de avançar ao primeiro sinal de problema. E quando Ferguson engata a quinta marcha, nem mesmo Dos Anjos, outro que trabalha em nível intenso, deu conta.

A previsão é de dois rounds bastante equilibrados no começo da luta. A partir da metade do tempo regulamentar, a pressão de Ferguson deve desequilibrar o duelo e garantir a ele o título interino na decisão dos juízes.

Cinturão Peso Mosca: (C) Demetrious Johnson (EUA) vs. #3 Ray Borg (EUA)

Por Alexandre Matos

Demetrious Johnson

Quando Johnson () conquistou o cinturão do peso mosca no UFC, o mundo era diferente. O 7 a 1 não tinha acontecido, Anderson Silva e George St. Pierre ainda eram campeões e o Golden State Warriors era um rascunho do time que revolucionaria a NBA. O cinturão dos pesados mudou de mãos três vezes, o dos leves e dos galos mudaram quatro e DJ segue no topo limpando toda a divisão.

Demetrious hoje é a mais bem acabada máquina de lutar MMA no mundo, já inserido no meio dos maiores de todos os tempos. Ele é um dos mais rápidos lutadores do mundo, dono de um jogo de pernas elusivo, muito complicado de ser pego, capaz de jogar socos e chutes de todos os ângulos num volume difícil de ser igualado. De quebra, Johnson é um wrestler de elite, recordista de quedas na história da organização e único lutador do UFC a ter aplicado dez quedas numa luta em três oportunidades. É pouco? Pois ele já foi derrubado, já tomou knockdown, já passou aperto no jiu-jítsu e passou em todos os testes com sobras.

Ray Borg

A derrota para Justin Scoggins, outro importante jovem prospecto, foi um divisor de águas para Borg (11-2 no MMA, 5-2 no UFC). Talento nunca lhe faltou, mas era preciso mais consistência nas atuações. Ela veio em seguida, quando o americano conseguiu as duas vitórias mais importantes da carreira, sobre Louis Smolka e Jussier Formiga, no território hostil de Fortaleza.

Ainda com 24 anos e com uma longa estrada a percorrer, já é possível ver em Borg capacidade para atuar em todos os ramos do MMA – facilita muito o fato de ele ter começado diretamente no MMA, já que sua escola não possuía uma equipe de wrestling. Sem vícios de outras modalidades, Borg pôde desenvolver um jogo limpo, com algumas inspirações: Matt Hughes, nas quedas potentes e finalizações; Frankie Edgar no boxe versátil, veloz e volumoso. A defesa de quedas é sólida, mas não resistiu à insistência de Formiga no último round.

Demetrious Johnson vs Ray Borg odds - BestFightOdds
 

O problema de campeões dominantes como Demetrious Johnson é a categoria ser limpa a ponto de precisar apelar para prospectos ainda em formação. Foi o caso de Henry Cejudo, de Kyoji Horiguchi e é agora o caso de Borg.

Como vencer Johnson? Não faço ideia. Depois de vê-lo voltar cada vez melhor defesa após defesa, imagino que será preciso aparecer alguém com uma atuação sobrenatural como a que levou Cody Garbrandt a vencer Dominick Cruz. O boxe de Borg é excelente, mas não é tão rápido para dar conta da movimentação de Demetrious. Se Formiga conseguiu levá-lo ao chão, Johnson o fará ainda mais facilmente. Não imagino tampouco que um Hail Mary pode pegar o campeão.

É, Borg se meteu numa furada. A aposta é numa submissão do campeão até o terceiro assalto.

Peso Pesado: #2 Fabrício Werdum (BRA) vs. #6 Derrick Lewis (EUA)

Por Matheus Costa

Fabricio Werdum

Fabricio Werdum e Derrick Lewis irão travar o famigerado duelo da técnica contra a ignorância. De um lado, o ex-campeão, especialista em jiu-jítsu e com experiência no muay thai sob a tutela de Rafael Cordeiro. Do outro, um atleta que aproveitou uma divisão rasa e, mesmo sem muitas qualidades, cavou seu espaço no top 10 e fez suas vítimas. No papel, parece um confronto desigual. Mas isso não quer dizer especificamente que Werdum levará a vitória para casa com extrema facilidade, principalmente quando falamos da categoria dos pesados.

Werdum precisa da vitória para se recolocar na briga pela disputa de cinturão mais do que nunca. Aos 40 anos de idade, uma derrota para Lewis pode significar um adeus ao desejo do gaúcho de uma revanche contra seu algoz Stipe Miocic. Não há muito mistério para que Werdum monte uma estratégia decente para vencer o combate. Por mais que tenha condições de fazer uma boa luta em pé, o seu gabarito na arte suave é bastante superior ao de seu adversário, e Werdum deve levar a luta para o chão para buscar a finalização. Não tem segredo e não tem motivo para o brasileiro expor seu queixo contra a força bruta do norte-americano.

Derrick Lewis

Por outro lado, Lewis precisa manter a luta em pé para almejar aquele que seria o maior triunfo de sua carreira. Por mais que o “Black Beast” goste muito de ficar por cima de seus oponentes no chão, sinceramente, não seria muito inteligente entrar na guarda daquele que já finalizou Fedor Emelianenko e Rodrigo Minotauro. Werdum provavelmente tentará levar a luta para o chão, portanto, o americano precisa colocar sua defesa de quedas em dia e trabalhar suas combinações de boxe para minar o brasileiro. Por mais que a técnica não seja o seu forte, há um ditado popular famoso que afirma que a ignorância é uma benção. Essa frase define bem as qualidades de Lewis.

Derrick Lewis vs Fabricio Werdum odds - BestFightOdds
 

Enquanto o ex-campeão vem de derrota para Alistair Overeem por decisão unânime, o emergente da categoria acabou sendo nocauteado pelo veterano assassino Mark Hunt e entrou para a lista de vítimas do “Super Samoano”. Como cravei acima, Fabricio não precisa correr riscos para garantir mais uma vitória na sua carreira. Basta retornar as suas raízes e usar o seu ótimo jiu-jítsu, que com ele, deve encontrar o caminho da vitória. Entretanto, estou curioso para ver como Werdum irá lidar com a força física superior de seu adversário, que é melhor no wrestling.

Lewis pode surpreender em pé, mas aposto numa vitória do “Vai Cavalo” por decisão unânime dos juízes.

Peso Mosca: Kalindra Faria (BRA) vs. Mara Romero Borella (ITA)

Uma das melhores atletas do MMA nacional por muito tempo, finalmente chegou a hora de Kalindra Faria (18-5-1 no MMA) estrear no UFC. Nas vezes em que foi derrotada no MMA, a ex-campeã dos galos do Titan FC perdeu para nomes de peso como Cláudia Gadelha, Karolina Kowalkiewicz e Jessica Aguilar, inclusive entregando um certo desafio contra as duas últimas citadas. Após três vitórias seguidas, assina com a maior organização do mundo aos 31 anos de idade.

Kalindra treina na Chute Boxe, em São Paulo, e também em uma academia própria na cidade de Taubaté. Assim como a maioria das lutadoras da Chute Boxe, tem um arsenal ofensivo bem interessante, com combinações rápidas de socos e boas joelhadas de encontro. No chão, sabe se virar bem, com bom tempo na hora de aplicar algumas quedas, apesar da defesa vazada e ter um jiu-jítsu ofensivo e defensivo muito bom.

Confesso pra vocês que desconhecia Mara Romero Borella (11-4 no MMA) até uns quatro meses atrás. A italiana lutava em eventos europeus até assinar com o Invicta FC, onde foi escalada para fazer a luta principal contra a ex-UFC Milana Dudieva e venceu em uma decisão bem contestável.

Em pé, Mara tem experiência no kickboxing, onde aprendeu a fazer um controle de distância bem decente. Faixa-preta de judô, Borella aparenta esquecer de tal habilidade no MMA, já que leva quedas facilmente, não sabe o exato tempo para levar a luta pro chão e tem um jiu-jítsu defensivo bem duvidoso.

Kalindra Faria vs Mara Romero Borella odds - BestFightOdds
 

Meu grande medo em relação a este combate é a questão do preparo físico das duas, já que ambas toparam a luta de última hora. De qualquer jeito, o cenário é favorável para a paulista, que deve imprimir um ritmo forte na trocação nos segundos iniciais e levar a luta pro chão em seguida. Uma finalização deve pintar lá pelo segundo assalto.

Peso Leve: #12 Beneil Dariush (IRN) vs. #14 Evan Dunham (EUA)

Por Diego Tintin

Beneil Dariush

Beneil Dariush (14-3 no MMA, 8-3 no UFC) chegou ao principal evento de MMA do mundo depois de apenas seis lutas profissionais, sendo uma delas no evento brasileiro High Fight Rock, em Goiânia. Com a ascensão meteórica, o iraniano radicado na Califórnia foi se desenvolvendo já diante de concorrência qualificada. Após um nocaute sofrido para Ramsey Nijem, emendou cinco vitórias seguidas. Algumas interessantes, sobre Jim Miller e Carlos Diego Ferreira, embora a mais significativa de todas tenha acontecido por um julgamento mal feito, contra o integrante da elite dos leves, Michael Johnson.

Depois da derrota para outro Michael, o Chiesa, vieram duas ótimas vitórias, contra James Vick e Rashid Magomedov. Beneil estava muito bem em sua última apresentação, até levar uma joelhada voadora brutal de Edson Barbosa que o mandou direto para os braços de Morfeu.

Dariush é um faixa preta de Rômulo Barral e muito talentoso na luta de solo, tanto no domínio de posições, quanto na tentativa de submissões. Tem melhorado bastante na troca de golpes, após se juntar à turma da Kings MMA, sob a batuta de Rafael Cordeiro. As mãos estão rápidas, o jogo de pernas melhorou bastante e até os chutes estão sendo executados com técnica interessante. Faltam alguns ajustes defensivos, principalmente na aproximação para mudar de nível da trocação para a luta agarrada. Mas de qualquer forma, Benny pode ser considerado hoje um lutador de MMA muito versado em todos os aspectos.

Beneil Dariush

Algo muito interessante neste duelo é que as características dos lutadores são bem parecidas. Evan Dunham (18-6 no MMA, 11-6 no UFC) também tem um jiu-jítsu muito afiado, com busca intensa por finalizações de qualquer posição. Tem ainda um bom nível de wrestling e é eficiente na luta em pé. Também peca na defesa, principalmente quando pressionado sem oportunidade de tentar uma queda. Em seu favor, a maior experiência e um grande coração que já lhe ajudou a sair de algumas enrascadas.

Dunham sempre se destacou pelo preparo físico excepcional, porém já perto dos 36 anos e depois de várias batalhas intensas, já vem apresentando dificuldades em manter o ritmo por toda a luta em suas últimas apresentações. No que diz respeito aos resultados, Evan, que já foi um top 10 legítimo nos seus melhores dias, se mantém nos últimos degraus do ranking ou, no mínimo, em sua periferia. Já venceu gente boa como Gleison Tibau, Joe Lauzon, Ross Pearson. Já contra o topo da divisão, quase sempre saiu derrotado. Foi assim contra Edson Barboza, Donald Cerrone e Rafael dos Anjos.

Beneil Dariush vs Evan Dunham odds - BestFightOdds
 

Dois lutadores de estilos e níveis parecidos que formam um bom casamento para abrir o card principal deste evento. O ponto que deve decidir o duelo é que Dunham, em que pese a sequência de quatro vitórias seguidas, não está mais em seu auge físico e técnico, começando a experimentar problemas de ritmo. Diante deste cenário, Dariush carrega consigo o favoritismo para levar este combate na decisão dos jurados depois de protagonizarem bons momentos de chinela cantando.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Eu acho que o Werdum nem vai tentar ir pro chão, vai ficar em pé apostando no Muay Thai dando bica na pança do Derrick Lewis e tentando evitar a curta distância, o Lewis vai cansar como sempre e praticamente desistir igual contra o Hunt, TKO R3.

    • Gabriel Carvalho

      Tem boas chances disso acontecer mesmo. Werdum não foi de levar pro chão nas últimas lutas.

      • Idonaldo Gomes Assis Filho

        Só levou na hora que não precisava com o Overeem semi nocauteado na grade

    • Binho Vianna

      Acho que os dois estão mordidos com as últimas derrotas, principalmente Werdum que nem passa pela cabeça dele perder para um freak, estou apostando que ele vai se arriscar menos e sabe que seus fãs pedem submissões, deve clichar, cansar Lewis, derrubar e finalizar.

  • Vinicius Maia

    Caralho… o Lee já falhou uma vez na pesagem. Falou que comeu tiramisu. Será o tiramisu o grande vilão dos lutadores ou seria a falta de profissionalismo???

    • Idonaldo Gomes Assis Filho

      Parece que ele tinha que cortar 19lb em 24 horas, eu acho que foi planejamento bosta mesmo

      • Vinicius Maia

        Claro que foi. Doença do caralho. 8 kg em 1 dia. Isso não estava proibido??? Ele não deveria chegar mais leve na semana da pesagem? UFC é uma zona mesmo, PQP.

        • Idonaldo Gomes Assis Filho

          É imbecilidade mesmo, e eu ainda acho mesmo se o Kevin Lee bater o peso vão vetar ele…

          • Vinicius Maia

            Ele não vai bater não veio. Ele tem que perder 500 g em 1 hora. E ele tava seco pra caralho. Maluco deve ta tão desidratado que devia ta mijando pó.

    • Bruno Coelho

      Tá que o pariu! É pra acabar! É pra acabar! Eu fico puto da cara quando isso acontece em lutas que tô muito afim de ver… mesmo que a luta não caia, dá uma quebrada no ânimo. É torcer pra ele perder essa libra…

    • Marcio Lennon

      acho que ambos kkkkkkkkkkkkkkkk

  • James sousa

    Lee não bateu o peso ? Caraca o cara tem a oportunidade da vida e faz uma coisa dessas

    • Vinicius Maia

      Ele bateu, mas pesou na primeira vez 600 ou 500 gramas acima do limite. Pensei que não ia bater.

  • Rafael Maia

    Cara, é um absurdo o DJ não ser main event!!!