UFC 215: Prévia do Card Preliminar

Card preliminar do UFC 215 tem dois medalhistas olímpicos, combate que pode definir desafiante ao cinturão e retorno de prospecto para aquecer as ações antes dos retornos de Demetrious Johnson e Amanda Nunes.

O retorno do UFC a Edmonton, no Canadá, acontece no próximo sábado e terá um dos melhores atletas da atualidade tentando quebrar um recorde histórico, uma das grandes revanches do MMA feminino, duelo que pode definir desafiante ao título e ex-desafiante baixando de categoria, mas o UFC 215 também terá interessantes duelos no card preliminar.

A divisão feminina dos galos terá outros dois combates além da disputa de cinturão, com Sara McMann vs. Ketlen Vieira valendo uma possível chance pelo título e Ashlee Evans-Smith vs. Sarah Moras gladiando por uma possível vaga no top 15. Os ex-desafiantes Henry Cejudo Wilson Reis tentam se aproximar de uma revanche contra Demetrious Johnson, o prospecto Gavin Tucker tem o seu primeiro grande teste, enfrentando Rick Glenn, os sumidos Adriano Martins Kajan Johnson voltam a lutar e ainda teremos a estreia do ex-atleta olímpico Arjan Bhullar, que encara Luis Henrique KLB.

Confira a análise dos primeiros combates do UFC 215:

Peso Galo: #6 Sara McMann (EUA) vs. #13 Ketlen Vieira (BRA)

Sara McMann

Com a disputa de cinturão dos galos servindo de luta coprincipal, o UFC optou por reagendar o combate entre Sara McMann e Ketlen Vieira para o mesmo evento, provavelmente pensando na possibilidade da luta entre Nunes e Shevchenko cair novamente e até decidir quem pode ser a próxima desafiante.

Medalhista de prata no wrestling em Atenas, McMann (11-3 no MMA, 5-3 no UFC) acabou durando 66 segundos quando disputou o cinturão contra Ronda Rousey, em 2014, mas vive o seu melhor momento no UFC desde então, com três vitórias consecutivas. Apesar de não ter muito sucesso como striker, McMann veio fazendo o “dever de casa” nos últimos duelos, sabendo derrubar na hora certa e usando a sua força física gigantesca para pressionar as adversárias no chão, seja com katagatame ou tentando esmigalhar o rosto da sua companheira de trabalho.

Apesar de nunca ter lutado em algum evento grande do Brasil, a amazonense Ketlen (8-0 no MMA, 2-0 no UFC) surgiu como um nome interessante na categoria dos galos, que sofre com um certo problema de renovação, faturando duas vitórias sobre Kelly Faszholz e Ashlee Evans-Smith. Faixa-preta de judô e de jiu-jítsu, ela se garante bem em pé também, com um boxe agressivo e até recatado.

Ketlen Vieira vs Sara McMann odds - BestFightOdds
 

Ketlen fez a grande atuação da sua carreira contra Evans-Smith, onde bloqueou as quedas da adversária e conduziu as ações na troca de golpes. O problema pra amazonense é que McMann é um atleta muito melhor na hora das entradas de queda e mais forte fisicamente que Ashlee. O ponto bom para a brasileira é a sua superioridade na trocação e o fato de ter mais altura e envergadura, o que pode ser bem prejudicial para McMann, que sofreu com este problema na sua luta contra Amanda Nunes. Sara pode tentar encurralar Vieira e conseguir o seu desgaste, mas acredito que Ketlen prevalecerá com sua trocação e vencerá na decisão dos juízes.

Peso Mosca: #2 Henry Cejudo (EUA) vs. #4 Wilson Reis (BRA)

Por Anderson Cachapuz

Henry Cejudo

Primeiro campeão olímpico da era Zuffa a pisar no octógono do UFC, Henry Cejudo (10-2 no MMA e 4-2 no UFC) chegou ao UFC cercado de expectativas, que nasceram junto com a sua transição para o MMA em virtude de todo o sucesso alcançado no wrestling. Como desde moleque também treinava boxe, adicionou o kickboxing ao seu jogo e até correspondeu às expectativas nocautes nas quatro primeiras lutas profissionais em eventos regionais, mas quando chegou ao UFC e viu o nível de concorrência subir teve muitas dificuldades.

Todo o seu talento foi suficiente para bater Dustin Kimura, Chris Cariaso, o valente Chico Camus e Jussier Formiga, quando garantiu o title shot com quatro decisões. Mostrou evolução nessas lutas, mas não o suficiente para bater de frente com o magnânimo Demetrious Johnson, quando foi nocauteado, no primeiro revés de sua carreira, com joelhadas no clinch demoníaco do campeão. A seguir, sucumbiu em decisão dividida na final dos treinadores do TUF 24 contra Joseph Benavidez e agora começar uma nova corrida rumo ao cinturão, aos 30 anos.

Cejudo é um condecorado wrestler americano. Seu jogo de quedas é impecável, mas ainda carece de maior costume na aplicação prática ao MMA. Seu boxe é bem alinhado e de boa movimentação e o striking é enriquecido por vários camps na Tailândia com campeões de muay thai ao redor do mundo. Porém, o “Mensageiro” peca bastante na transição e mudança de nível em suas lutas. Quando consegue fazer bem este aspecto do jogo, a trocação bem apurada abre espaço para quedas explosivas praticamente indefensáveis. Defensivamente, Cejudo possui buracos mínimos no clinch que foram muito bem explorados por alguém do nível do campeão. E o jiu-jítsu tanto ofensivo quanto defensivo não foi testado, nem mesmo com um excelente grappler do nível de Formiga. Essa dificuldade nas transições é seu principal problema, quando o campeão olímpico sempre se embola ao enfrentar wrestlers que consegue equilibrar as ações em pé e negar suas quedas.

Henry Cejudo

Também demolido pelo campeão, sendo bastante maltratado antes de cair em uma chave de braço praticamente sem resistência, Wilson Reis (22-7 no MMA e 6-3 no UFC) foi o último a desafiar o cinturão dos mais leves de forma bastante contestada pelos fãs e pela mídia especializada.

Campeão mundial de jiu-jítsu na faixa marrom, Wilson tem um wrestling acima da média dos demais brasileiros. Os punhos são rápidos e até com certa potência, mas a movimentação pobre não deixa seu jogo em pé ser melhor desenvolvido, o que torna sua trocação algo basicamente para encurtar (Wilson nunca nocauteou ninguém em sua carreira), derrubar e trabalhar seu jogo de chão de elite, com boas transições, agilidade e muita técnica.Henry Cejudo vs Wilson Reis odds - BestFightOdds

O primeiro ponto em comum entre os dois lutadores é que ambos foram demolidos sem piedade pelo campeão. O segundo é que ambos possuem o wrestling como base para seu jogo. Cejudo complementa com uma trocação bem alinhada e Reis faz sua escolha por um jiu-jítsu bem desenvolvido e adaptado.

Os pontos que irão definir a sorte deste combate serão as habilidades da luta em pé e quem tiver mais força para subjugar o adversário em um duelo de wrestling, com objetivos distingos: o americano irá querer derrubar e trabalhar o ground and pound, pesando e controlando Wilson no solo, e o brasileiro adoraria conseguir uma finalização.

Cejudo leva vantagem nos dois pontos citados acima. Possui uma trocação melhor desenvolvida, mais efetiva, com mais poder de fogo para definir o combate, inclusive. E eu não vejo Wilson subjugando o americano em sua área de conforto e carro-chefe do seu jogo. Posto isto, minha aposta é que Henry conseguirá uma interrupção pela via rápida dolorosa na segunda metade do combate.

Peso Galo: Sarah Moras (CAN) vs. Ashlee Evans-Smith (EUA)

Antes da disputa de cinturão e da provável definição da próxima desafiante, o peso galo feminino terá um confronto de lutadoras abaixo do top 15, quando a canadense Sarah Moras e a americana Ashlee Evans-Smith medirem forças no octógono.

Participante do TUF 18, Sarah (4-2 no MMA, 1-1 no UFC) merece um “oi, sumida”, já que não luta desde julho de 2015, quando perdeu para a brasileira Jéssica Andrade. Faixa-roxa de jiu-jítsu, Moras não é uma atleta muito técnica em pé e costuma aceitar a queda, com o interesse de trabalhar por baixo, onde é bem ágil. A parte de solo é bem letal e com certeza será um perigo para a americana.

Ashlee Evans-Smith

Contratada desde 2014, a “Garota Rebelde” Ashlee Evans-Smith (5-2 no MMA, 2-2 no UFC) alternou resultados positivos e negativos no UFC. Quatro vezes All-American na Universidade de Menlo, Ashlee tem uma tendência a esquecer o seu passado no wrestling e se arriscar na troca de golpes, coisa que não deu muito certo contra Ketlen Vieira, por exemplo. Quando volta às origens, tem um bom controle da luta de grade e sabe bem o momento para levar a luta pro chão, além de ter um ground and pound bem decente.

Ashlee Evans-Smith vs Sarah Moras odds - BestFightOdds
 

Eu já não acreditava em uma vitória de Moras em condições normais, já que ela tem uma tendência a se perder quando encara atletas mais fortes fisicamente. Com mais de 24 meses sem lutar, acho bem mais difícil. Ashlee pode até controlar as ações em pé, já que é superior. Na grade e no chão, a americana tem tudo para amassar a canadense e sair com uma vitória por decisão unânime.

Peso Pena: Gavin Tucker (CAN) vs. Rick Glenn (EUA)

Gavin Tucker

Abrindo o card que vai ao ar na Fox Sports, temos o retorno de um dos principais prospectos do UFC contra o seu primeiro oponente em um nível mais elevado. O canadense Gavin Tucker encara o americano ex-campeão do WSOF Rick Glenn.

Dono de uma das estreias mais impressionantes dos últimos tempos, Gavin Tucker (10-0 no MMA, 1-0 no UFC) teve uma performance bem dominante sobre o veterano Sam Sicilia, que já alertou o UFC e o colocou em uma luta mais importante. Com um estilo que lembra o do ex-campeão dos galos Dominick Cruz, Tucker tem bastante movimentação de pernas, um controle de distância muito bom, um boxe bem afiado e um ótimo uso dos chutes.

Rick Glenn (19-4-1 no MMA, 1-1 no UFC) estreou no octógono lutando na categoria de cima e perdeu para Evan Dunham. Em seguida, voltou ao peso original e derrotou Phillipe Nover em um combate animado no UFC 208. Ao contrário de Tucker, Glenn é um cara que se movimenta menos e tem a tendência de ficar mais parado na hora do oponente atacar, o que pode lhe prejudicar muito na luta. Ele se destaca pelos bons golpes no corpo aplicados e por ser um lutador bem aguerrido no chão, que dificilmente desiste.

Gavin Tucker vs Rick Glenn odds - BestFightOdds
 

Tucker tem o seu primeiro teste em um nível decente e tem tudo para se dar bem. Com a sua movimentação constante e o boxe bem alinhado, principalmente com o bom uso dos chutes no corpo e dos uppercuts, a expectativa é que Gavin controle o combate desde o início. Por ser um atleta mais lento, Glenn deve sofrer bastante para tentar achar a distância e acertar boas combinações. Em uma exibição parecida com a sua primeira no UFC, Gavin deve vencer por decisão unânime.

Peso Leve: Mitch Clarke (CAN) vs. Alex White (EUA)

Completando a sua cota anual de combates no UFC, Mitch Clarke (11-4 no MMA, 2-4 no UFC) precisa de uma vitória caso queira continuar usando o fight kit da Reebok. Na sua última apresentação, foi finalizado em apenas 25 segundos pelo irlandês Joseph Duffy. Clarke é um atleta muito fraco na troca de golpes, com diversos problemas defensivos e que pode ser jantado por qualquer striker nessa categoria. O que destaca Mitch é o seu jogo de solo, já que é faixa-preta de jiu-jítsu e tem um bom arsenal de finalizações.

Após chegar no UFC escorraçando Estevan Payan em 88 segundos, Alex White (11-3 no MMA, 2-3 no UFC) não conseguiu repetir os bons resultados no octógono, vencendo apenas uma das últimas quatro lutas que fez. Atleta de pouca movimentação lateral e com um interessante poder de fogo, White tem sérios problemas em lutar no chão, já que sua defesa de quedas é bem vazada e ele não tem o histórico de finalizar atletas de alto nível. Em pé, até se saí bem na hora de trocar socos e exibe um pouco de técnica, mas a sua guarda esburacada impede uma possível crescente.

Alex White vs Mitch Clarke odds - BestFightOdds
 

É um combate até meio difícil de prever, já que ambos tem o antídoto do outro. Acredito que o cenário mais possível é que White consiga trabalhar os golpes em pé e Clarke espere uma oportunidade para ir ao chão e montar uma armadilha para Alex. A dúvida é se White irá cair ou não. No meio de tanta dúvida, aposto na vitória de Alex, provavelmente entre o final do primeiro assalto e o início do segundo.

Peso Pesado: Luis Henrique KLB (BRA) vs. Arjan Bhullar (CAN)

Com 24 anos de idade, o brasileiro Luis Henrique KLB (10-3 no MMA, 2-2 no UFC) é o atleta mais jovem do peso pesado no UFC, e agora busca a chance de se aproximar do ranking novamente. Após duas vitórias seguidas sobre Dmitri Smoliakov e Christian Colombo, ele foi derrotado pelo polonês Marcin Tybura e viu a oportunidade de voltar ao top 15 desaparecer. Atleta da TFT, Luis tem o chão como o seu ponto forte, se embola de qualquer jeito pra trazer a luta pro clinch e sempre usa o seu peso para abafar os oponentes no solo. A trocação ainda precisa de melhoras.

Participante das Olimpíadas de 2012 no wrestling e medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007, Arjan (6-0 no MMA) fará a sua estreia no UFC. Treinando na AKA, junto de Cain Velasquez e Daniel Cormier, Bhullar é um atleta com um ritmo muito forte na hora de aplicar quedas e com um ground and pound destruidor. Não consegui achar muito sobre a sua trocação, mas não acredito que isso será problema contra KLB, já que teremos um confronto de grapplers aqui.

Arjan Bhullar vs Luis Henrique odds - BestFightOdds
 

Se a luta se manter em pé, podemos ter certeza que o confronto será bem fraco. Bhullar não deve perder muito tempo em pé e buscará colocar KLB de costas no chão, o que é complicado para o brasileiro, que ficou em situação semelhante contra Tybura e acabou sofrendo bastante por baixo. Se estiver bem preparado, Arjan tem capacidade de segurar o brasileiro no chão e trabalhar os socos e cotoveladas por cima. O grande problema é a duração do combate, já que não aposto que ambos tenham um preparo físico gigante, e, caso a luta não seja resolvida logo no primeiro, deve se arrastar para um chato combate indo para a decisão, provavelmente com a vitória do Canadense.

Peso Leve: Kajan Johnson (EUA) vs. Adriano Martins (BRA)

Participante do TUF Nations e contratado após mobilização popular, Kajan Johnson (21-12-1 no MMA, 2-1 no UFC) faz parte da lista do “oi, sumido” do UFC, já que não luta desde setembro de 2015, quando bateu o limitado Naoyuki Kotani por decisão unânime. Um atleta com uma envergadura bem grande na categoria, Kajan tem bastante habilidade com golpes longos, principalmente diretos e até soltando bons chutes altos. Sua movimentação é bem constante. Apesar de ser faixa-marrom de jiu-jítsu, ir para o chão não é uma grande opção para o duelo.

O brasileiro Adriano Martins (28-8 no MMA, 4-2 no UFC) também anda sumido. Depois de viver sua melhor fase no UFC e emplacar três vitórias seguidas, ele perdeu para o compatriota Léo Santos em um esquecível combate, no UFC 204. Faixa-preta de jiu-jítsu e marrom de judô, Adriano se destaca bastante por conta do seu poder de nocaute. Quando usa a postura de contra atacador, Martins tem uma arma letal em suas mãos, mas ainda falta um pouco de técnica no socos do amazonense.

Adriano Martins vs Kajan Johnson odds - BestFightOdds
 

Para abrir a noite, temos uma incógnita em relação ao nível de entretenimento, e isso está nas costas de Kajan Johnson. Se decidir se tornar o agressor da luta, Kajan tem condições de pontuar bastante, principalmente por causa da longa envergadura e dos bons chutes. Caso queira esperar pela agressão de Adriano, podemos ter uma luta bem estudada e com potencial para ser meio sonolenta. Outro ponto interessante é a questão do ritmo de luta, já que Johnson não luta há 24 meses e Adriano há 11. Vou contra a maré do brasileiro, aposto no controle de distância de Kajan para a vitória por decisão, mas um nocaute de Adriano não é absurdo.

  • James sousa

    bom card preliminar , excelentes combates

    • Gabriel Carvalho

      Existe chance de live pro principal inclusive.

      • Caio Andrade

        Essa live seria no MMA Brasil TV, Biel?

        • João Gabriel Gelli

          Sim, Caio. Avisamos depois se for confirmada.

        • Gabriel Carvalho

          Sim.

  • Idonaldo Gomes Assis Filho

    Gavin Tucker parecia uma fantasma na luta contra o Sicilia, o cara tem uma movimentação muito boa, não vai nocautear até por que o Rick Glenn aguentou uma das surras mais feias que eu vi contra o Dunham, mas deve dominar mesmo. E coitado do KLB, vai pegar um oponente que parece ele só que é muito melhor na área que ele usa nos seus combates.

    E é impressão minha ou a foto de capa já é com o novo kit da reebok? Vão estrear ele já nesse evento?

    • Rafael Oreiro

      Vão sim, é o primeiro evento com o novo design de uniforme da Reebok, tanto que saíram as camisas da série “Legacy” do Johnson, Borg, Amanda e Shevchenko. Saiu matéria aqui no site com as fotos das camisas faz pouco tempo.

      • Idonaldo Gomes Assis Filho

        Eu vi mas achei que eles primeiro iam só vender, não sabia que era logo agora.

  • Caio Andrade

    Parabéns ao site por essa nova era! Prévia do Card Preliminar em todos os eventos tá sensacional. Muito ansioso pelo UFC 215

  • Gabriel Fareli

    Previa do card preliminar em todos os eventos <3

  • Marcos E

    Kkkk, Gabriel, o que significa um boxe “até recatado”?

    • Gabriel Carvalho

      Que é bonitinho, sabe fazer os movimentos, mas ainda falta uma melhora.

  • total combat

    com a queda da luta principal a Amanda toma a posse do evento principal, mais a pergunta que não quer calar esse vai ser o menor ppv do UFC no ano ?