UFC 215: Nunes vs. Shevchenko 2 – Prévia do Card Principal

Mesmo sem a disputa de cinturão dos moscas entre Demetrious Johnson e Ray Borg, que foi cancelada na última madrugada, o UFC 215 ainda conta com um card principal forte. O evento acontecerá amanhã, em Edmonton, Canadá, e terá transmissão do Combate a partir das 19h:30, com o card principal começando às 23h.

Na luta principal, finalmente teremos a revanche entre Amanda Nunes e Valentina Shevchenko, valendo o cinturão feminino dos galos e agora com o status de luta principal. Na luta coprincipal, Rafael dos Anjos tenta colocar o seu nome na fila da disputa de cinturão contra o americano Neil Magny.

Tyson Pedro Ilir Latifi fazem confronto na divisão dos meios-pesados e Jeremy Stephens dará as boas-vindas para Gilbert Melendez no peso pena.

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Cinturão Peso Galo: (C) Amanda Nunes (BRA) vs. #1 Valentina Shevchenko

Por Alexandre Matos
Amanda NunesA vida de Amanda mudou drasticamente desde o primeiro confronto com Valentina. Ela fez a luta principal de dois dos maiores eventos da história do UFC. Nas ocasiões, venceu as duas lutadoras mais populares da história do MMA feminino. Na primeira, contra Miesha Tate, conquistou o cinturão. Na segunda, contra Ronda Rousey, fez a primeira defesa. Não precisou de mais de um round em nenhuma das lutas – contra Ronda não foi preciso sequer um minuto.

Mudar de academia teve um papel fundamental na virada da baiana. Na American Top Team, ela se tornou uma lutadora muito mais sólida, mais confiante, mais versátil, mais atlética e tão feroz e potente como antes. Em resumo, se tornou a número um do mundo incontestável. Amanda antes era uma lutadora muito perigosa na curta distância, fosse no thai clinch, nas quedas ou no dirty boxing. Agora que ela aprendeu a controlar a distância, se tornou muito perigosa numa área maior do octógono. No dia que aprender a dosar o gás e resistir mais de 10 minutos, deus me livre e guarde. Porém…

O revés para Amanda foi o único sofrido por Shevchenko em quase sete anos. Nos combates seguintes, a quirguiz radicada no Peru também liderou dois cards importantes, ao vivo na TV aberta americana, quando venceu a ex-campeã Holly Holm com uma atuação segura e freou o avanço de Julianna Peña com uma finalização no segundo round. Com as duas boas vitórias e a circunstância que se deu o combate contra a atual campeã, foi fácil justificar o posto de desafiante para Valentina.

Contragolpeadora de excelência, Shevchenko conseguiu anular o boxe de Holm e o kickboxing de Sarah Kaufman, duas strikers de elite no MMA. Porém, Valentina também sobra na área, com vários títulos de muay thai e três vitórias na modalidade sobre Joanna Jedrzejczyk. Se conseguir aumentar o volume de golpes na longa distância, Shevchenko pode construir uma fortaleza difícil de penetrar – atacar no backpedaling, ou seja, bater enquanto recua, ou na movimentação lateral poderá ter serventia neste sábado.

Amanda Nunes vs Valentina Shevchenko odds - BestFightOdds
Este combate tem tudo para desenhar contornos dramáticos. Valentina é conhecidamente uma lutadora que começa em ritmo lento e vai acelerando conforme o tempo passa. Amanda é o oposto, começando em ritmo forte, mas despencando com o passar dos minutos.

Não há como ignorar o que aconteceu no primeiro duelo. A brasileira passou o carro por dois rounds, mas viu o tanque de gás zerar. Shevchenko cresceu e, apesar da derrota por causa da reação tardia, deixou a impressão que fatalmente teria vencido se o duelo tivesse sido disputado em cinco rounds. E neste sábado serão cinco rounds.

O que Amanda deve fazer? Entrar como uma locomotiva visando aniquilar Valentina como fez contra Tate e Rousey? E se der errado e a interrupção não vier, a campeã terá gás para suportar mais um retorno de Shevchenko?

Você não tenha dúvida que Shevchenko entrará com a missão prioritária de desgastar Amanda, provavelmente fazendo a brasileira correr atrás dela ou trabalhando no clinch na grade por um tempo. Apostar que a brasileira vai tentar encurtar para derrubar e amassar no ground and pound também me parece seguro. Amanda ainda precisa provar que suporta uma luta longa e desgastante. Valentina já provou que suporta pressão inicial e junta forças para retornar. Um nocaute ou finalização de Nunes no primeiro assalto é bem viável, mas a aposta é que o cinturão mudará de mãos mais uma vez com um nocaute técnico no quinto round ou uma decisão apertada.

Peso Meio-Médio: #6 Neil Magny (EUA) vs. Rafael dos Anjos (BRA)

Por Diego Tintin

Neil Magny

Neil Magny

Neil Magny (19-5 no MMA, 12-4 no UFC) foi revelado na apagada safra do TUF 16, onde venceu Cameron Diffley e Bristol Marunde, mostrando desenvoltura na trocação e uma certa deficiência defensiva na luta agarrada. Caiu na semifinal e ganhou o duelo pelo emprego contra o outro semifinalista Jon Manley. Levou mais dois passeios no grappling contra Serginho Moraes e Seth Baczynski e sua demissão parecia questão de tempo.

Surpreendentemente, Neil emendou uma sequência impressionante de sete vitórias seguidas, alcançando o mais alto escalão da divisão. Já era um momento de nova aula na luta agarrada e para isso, foi chamado o melhor professor do meio-médio: Demian Maia, que fez Magny voltar um pouco em suas pretensões.

Passou a buscar treinos com Demian, melhorou bastante em seu antigo ponto fraco e recuperou a boa forma contra excelente concorrência: venceu Erick Silva, Kelvin Gastelum, Hector Lombard e Johny Hendricks, com uma derrota para Lorenz Larkin neste meio.

O jogo de Magny é pavimentado em uma movimentação interessante, com boxe ajustado, aproveitando bem seus 2,03m de envergadura. Sua defesa de quedas é satisfatória e será um ponto focal deste duelo. Outro de seus pontos mais fortes é o preparo físico, que está entre os melhores de sua divisão e que já lhe garantiu boas vitórias. No chão, embora não seja mais o juvenil da luta contra Serginho e esteja visivelmente melhorando, dificilmente dará conta de um faixa preta habilidoso como seu oponente deste sábado por muito tempo.

O adversário do orelhudinho americano é o niteroiense Rafael dos Anjos (26-9 no MMA, 15-7 no UFC). E tá aí um sujeito que nunca teve moleza em sua carreira na organização. Depois de um começo instável, quando não conseguia uma série de vitórias, Rafael foi atrás de evolução do seu talento e achou o caminho das pedras com os mestres Chatri Sityodtong, da Evolve MMA e Rafael Cordeiro, da Kings MMA. Eles adicionaram ao jiu-jítsu forjado por Roberto Gordo e Aldo Caveirinha um jogo de muay thai fluido e de muita pressão. Rafael sempre foi perigoso no solo e com a nova ferramente passou a contar com o benefício da dúvida e chegar mais fácil em quedas explosivas e ground and pound furioso.

No peso leve, Rafael conseguiu uma fase extraordinária, com dez vitórias em onze lutas. Chegou ao mais disputado cinturão do UFC com uma surra antológica no então superastro Anthony Pettis. Além do Showtime, Rafa anotou em sua caderneta nomes como Donald Cerrone (duas vezes), Ben Henderson e Nate Diaz.

Após perder o cinturão para Eddie Alvarez, Rafa foi dominado por Tony Ferguson e decidiu migrar para a divisão de cima, evitando o cruel e desgastante processo de corte de peso para setenta quilos. Estreou no méio-médio contra o experiente Tarec Saffiedine e conseguiu uma sólida vitória. Em uma apresentação segura, diminuiu o ritmo no round final e deixou uma dúvida se teve problemas com a resistência física ou se foi apenas uma medida de segurança para garantir uma vitória por decisão. A resposta para esta dúvida deve aparecer neste sábado contra Magny, que deve apresentar um desafio maior que o belga.

Neil Magny vs Rafael Dos Anjos odds - BestFightOdds
Um grande desafio para Dos Anjos neste combate é conseguir um jeito de encurtar a distância contra um sujeito que faz bom uso de seus jabs e tem 25 centímetros de vantagem no alcance. Caso fique dentro da armadilha de Neil, o brasileiro será arrastado para águas profundas e dificilmente terá forças para uma recuperação. Para driblar este obstáculo, Rafael necessita frustrar o oponente com uma pressão sufocante como a que imprimiu contra Pettis e Diaz, com variação de socos e chutes com clinches infernais. Seu preparo físico deverá estar no estado da arte, pois Magny já provou que não lhe falta gás.

Mesmo com o casamento não sendo favorável ao brasileiro por conta de questões físicas, vou apostar aqui no seu maior talento. Rafael leva por decisão.

Peso Meio-Pesado: #10 Ilir Latifi (SUE) vs. #13 Tyson Pedro (AUS)

Por Gabriel Carvalho

Ilir Latifi

Ilir Latifi

Depois de assinar com o UFC para substituir o amigo Alexander Gustafsson, Ilir Latifi (12-5 no MMA, 5-3 no UFC) conseguiu se manter no UFC e alçou voos maiores, conseguindo cinco vitórias em oito lutas e conquistando o posto de 10º colocado no ranking da organização. Em sua apresentação mais recente, tomou um nocaute violento de Ryan Bader.

Brutalidade é um bom nome para definir o que Latifi faz dentro do octógono. Bem forte fisicamente e com um centro de gravidade pequeno, Ilir tem carreira na luta greco-romana e derrubá-lo é uma tarefa bem difícil. Seu boxe não é tão afiado, mas as pessoas esquecem disso sempre que ele manda um pedradão, que foi capaz de derrubar três lutadores em menos de 90 seguidos.

Filho de um grande fã de Mike Tyson, Tyson Pedro vem fazendo jus ao nome em suas apresentações no UFC. O australiano conseguiu boas vitórias ainda no primeiro assalto contra Khalil Rountree Paul Craig. Cravando seu nome no top 15 da divisão, uma vitória contra Latifi pode alavancar Tyson ao top 10 da divisão.

Em pé, Pedro tem uma base bem interessante, usando os pisões no joelho e rápidos jabs, além de um poder de fogo interessante e bom uso das joelhadas. Em suas lutas no UFC, mostrou que tem bastante poder no clinch, sabendo controlar o oponente, como foi o caso da luta contra Craig. No chão, é muito rápido e oportunista. Mesmo se perder no sábado, Tyson definitivamente é um nome para ficar de olho nessa categoria.

Ilir Latifi vs Tyson Pedro odds - BestFightOdds
Confesso que não é a luta que gostaria de ver para Pedro agora, mas como falta profundidade na divisão, o combate terá que acontecer. Um problema para o australiano é o fato dele sempre ficar de costas para a grade e ir mudando essa postura conforme o combate vai passando. Fazer isso contra um touro do estilo de Latifi é suicídio. Tyson pode tentar usar o controle de distância para ir cansando Latifi ao longo do combate. O sueco provavelmente vai tentar abafar logo no início, buscando o nocaute e evitando a luta de chão. Para não muretar, aposto que Pedro controlará o ímpeto de Latifi e vencerá na decisão dos juízes.

Peso Pena: #8 Jeremy Stephens (EUA) vs Gilbert Melendez (EUA)

Por Rafael Oreiro

Jeremy Stephens

O americano Jeremy Stephens (25-14 no MMA, 12-13 no UFC) é hoje um dos maiores veteranos do UFC, fazendo neste sábado seu vigésimo sexto combate na organização. Inconsistente como sempre, o “Lil’ Heathen” soma um cartel de 5-5 desde que desceu para o peso pena em 2013, mas apesar disso conseguiu alcançar o top 5 da divisão em 2017. Depois da derrota para Frankie Edgar no UFC 205, ele foi surpreendido pela movimentação de Renato Moicano no começo deste ano, sendo superado e tendo várias de suas falhas expostas.

A principal qualidade de Jeremy Stephens ainda é o poder de nocaute absurdo capaz de mudar o cenário de uma luta a qualquer momento, como provado em suas vitórias sobre Rafael dos Anjos e Dennis Bermudez. Mas não se engane achando que ele não possui técnica. Membro da Alliance MMA e tutelado por Eric Del Fierro, ele não costuma deixar a técnica de lado pela potência. Seu maior problema na realidade é a velocidade, o que sempre pode ser problemático em uma divisão como o peso pena. O jogo de chão de Stephens também é decente, mas não é competitivo contra o alto escalão da categoria, com uma defesa de quedas ainda bastante vazada.

Do outro lado do octógono estará Gilbert Melendez (22-6 no MMA, 1-4 no UFC), outro veterano do esporte. Tendo chegado no UFC depois do fim do Strikeforce em 2012, ele disputou o cinturão peso leve duas vezes em dois anos, perdendo para Ben Henderson em uma decisão dividida polêmica e para Anthony Pettis por finalização. Sua única vitória no UFC até agora foi em uma pancadaria contra Diego Sanchez logo antes de desafiar o cinturão de Pettis.

Com mais duas derrotas seguidas para Eddie Alvarez e Edson Barboza, e uma falha em exame antidoping, Melendez vem em uma sequência de resultados negativos gigante, sem sentir o gosto da vitória desde 2013. Para tentar novos ares na carreira, ele tomou a decisão de descer para o peso pena, categoria na qual já havia lutado por três lutas em 2005 no Shooto, no Japão.

Em condições normais, Gilbert Melendez é um atleta de ótimo preparo físico, sempre pressionando em um ritmo intenso, tanto na troca de golpes com muito volume quanto no grappling, onde é um excelente wrestler e possui ótimo controle posicional no chão.

Gilbert Melendez vs Jeremy Stephens odds - BestFightOdds
Apesar de já ter cortado para o peso pena na carreira, isso aconteceu doze anos atrás, quando Melendez ainda tinha 23 anos. Hoje, com 35 anos, é difícil de saber o quanto o corte pode afetar sua a performance. Somando isso com o fato dele ter feito somente uma luta em dois anos, e de vir de uma das piores fases de sua carreira, faz com que seja impossível fazer uma prévia acurada de como o americano pode se sair em sua nova empreitada.

Sem esses complicadores, é de se imaginar que o plano de luta de Melendez seria claramente travar a luta no clinch, eventualmente entrando em quedas e controlando a luta no chão. Na troca de golpes, Melendez tem toda a capacidade de entregar contra Stephens uma pancadaria do nível que apresentou contra Sanchez, só que o corte de peso pode acabar afetando sua resistência a golpes, o tornando suscetível a um nocaute. Dentre as opções, acho que o mais provável é que a luta dure todos os quinze minutos, com momentos de pancadaria na troca de golpes, mas com Melendez conseguindo levar a luta na decisão dos juízes.

  • James sousa

    Também vou de Valentina

  • Binho Vianna

    Concordo com tudo.

  • Marcos E

    Valentina entrou para lutar só com 133.5 lbs. A Amanda cortou bastante peso e vai parecer enorme na frente da Shevchenko. A brasileira vai tentar vencer na ignorância, com certeza, e a “ignorância” da Amanda está cada vez mais afiada. Se a luta não for decidida até o segundo assalto pela Leoa, vai dar Valentina. Mas eu aposto na Amanda. Ela está escolhendo os golpes com muito mais maturidade. O cenário da primeira luta não vai se repetir, acho que não tem virada. Aposto na Amanda finalizando no segundo round.

  • Gabriel Fareli

    Card principal bem legal !! Tá com cara de ter bastante entretenimento…

  • Weslei Alvarenga

    Só quero que a Amanda ganhe, porque quero que meu desejo de ver Joanna x Valentina no peso-mosca seja conretizado.

    Esse co-main é uma incógnita total, mas tenho certeza que o Rafa fez o dever de casa e levará pro solo nos 3R.

    Nessa estréia do Gilbert, se ele não sentir o corte de peso e o tempo de inatividade, a única coisa que ele não deve fazer é deixar a luta cair na porradaria como fez com o Sanchez.