UFC 205: Alvarez vs. McGregor – Prévia do Card Principal

UFC 205: Alvarez vs. McGregor – Prévia do Card Principal
MMA

O card principal do UFC 205 tem quatro campeões, dois ex-campeões e um ex-desafiante, além do maior fenômeno comercial do MMA, na estreia na maior cidade do mundo, no mais icônico ginásio do mundo.

Três disputas de cinturão, uma eliminatória das mais aguardadas, um confronto muito importante e um retorno de ex-campeã. A história será escrita quando o octógono for montado pela primeira vez no mítico Madison Square Garden, em Nova York, para o gigantesco UFC 205.

O evento é tão grande que será liderado pela segunda vez na história do UFC que um campeão vai enfrentar outro campeão. Conor McGregor, dono do cinturão dos penas e forte candidato a maior personagem da história do MMA, tentará se tornar o primeiro a conquistar dois títulos simultaneamente no UFC. Para isso, terá que destronar Eddie Alvarez do topo da divisão dos leves.

Nas outras duas lutas valendo título, Tyron Woodley coloca o cinturão dos meios-médios em jogo pela primeira vez contra o local Stephen Thompson logo após a demolidora campeã Joanna Jedrzejczyk enfrentar Karolina Kowalkiewicz no primeiro clássico polonês da história do UFC.

O card principal será completo com mais três duelos da pesada. No mais importante, Chris Weidman e Yoel Romero disputam o primeiro capítulo da novela que vai revelar o próximo desafiante dos médios. Antes deles, Kelvin Gastelum tenta parar a ascensão de Donald Cerrone nos meios-médios. Abrindo a parte principal do evento, Miesha Tate tenta refazer o caminho até o cinturão contra Raquel Pennington.

O UFC 205 terá transmissão ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. A primeira luta do também excelente card preliminar está marcada para às 21:00h, enquanto o card principal deve ir ao ar a partir da meia-noite, sempre pelo horário oficial de verão de Brasília.

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UFC 205: Prévia do Card Preliminar

10 lutas icônicas da história do Madison Square Garden a caminho do UFC 205

UFC 205 Alvarez vs. McGregor

Eddie Alvarez

Organizações que não são o UFC são segunda divisão, eles dizem. Alvarez (28-4 no MMA), ex-campeão do Bellator, é mais um a discordar. Depois que egressos de WEC e Strikeforce conquistaram cinturões no UFC, o maior rival do UFC na atualidade se viu representado quando Eddie, num arroubo de agressividade que marcou sua carreira, atropelou Rafael dos Anjos e ficou com o título logo da categoria mais difícil de todas. Aliás, já é o segundo forasteiro campeão até 70 quilos, após Ben Henderson.

Por um bom tempo, Alvarez manteve o clássico estilo americano de lutar MMA, fundamentado no boxe e no wrestling, complementado com um preparo físico de dar inveja. Desde que se juntou à Blackzilians e passou a treinar com Henri Hooft, adicionou o kickboxing ao seu repertório – Patricky Pitbull tem péssimas recordações. Defensivamente, Eddie é um tanto descuidado, o que acaba tornando muitas lutas mais dramáticas do que o necessário. No entanto, o coração gigante e a mentalidade forte já cansaram de salvá-lo de enrascadas. Foi assim na segunda guerra contra Michael Chandler, na virada antológica, praticamente com um olho só, contra Gilbert Melendez, e na brava tarefa de sufocar Anthony Pettis.

Conor McGregor

Quando McGregor (20-3 no MMA) chegou ao UFC, ele disse que dominaria o cenário e que a divisão dos penas passaria a ser a McGregorweight. O que parecia bravata de um novato linguarudo foi se tornando realidade até o irlandês se tornar o maior fenômeno comercial que o MMA já conheceu. E, com nocautes sobre José Aldo e Chad Mendes, ele esportivamente também tem moral. Tem tanta moral que fez o que quis em 2016, encaminhando-se à terceira luta do ano, nenhuma delas pela categoria na qual é o campeão. Em março e em agosto, duas lutas contra Nate Diaz que estabeleceram novo recorde de venda de pay-per-view, mesmo valendo nada. Agora, ele está a uma luta de se tornar o primeiro campeão de duas categorias simultaneamente no UFC.

Os detratores de McGregor, que crescem em quantidade a cada feito do irlandês, dizem que se trata de um lutador como vários outros. Ledo engano. Mesmo no âmbito técnico, Conor é especial. Ele é um striker por excelência, que traz à mesa elementos do taekwondo, caratê e kickboxing. Muito rápido, ele tem facilidade em controlar a distância para disparar golpes inesperados, que são aqueles que nocauteiam, seja um chute rodado do taekwondo, seja o poderoso direto de esquerda utilizando a guarda falsa do caratê. O preparo físico, que o deixou na mão contra Diaz, foi lapidado para a revanche. Agora, na categoria que lhe parece ser a ideal, sem corte brusco de peso ou sobrecarga de massa, a tendência é que McGregor estabeleça a melhor relação entre força, potência e resistência. Contra ele neste sábado está a dificuldade de lidar com pressão misturada com wrestling, numa soma das dores de cabeça dadas por Diaz e Mendes.

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Se Alvarez não terá a vantagem na envergadura que Diaz teve, poderá compensar com velocidade que o bad boy de Stockton não tem. A mentalidade aguda e a pressão serão importantes para furar o controle de distância de McGregor, que costuma começar os combates em postura de contra-atacante antes de avançar. E o wrestling será fundamental para neutralizar Conor, cansar seus braços no clinch contra a grade e expô-lo à sua maior dificuldade, que é lutar de costas para o chão, especialmente com quedas que saem da grade para o centro.

Pelo descrito acima, o campeão dos leves tem um caminho claro para vencer. Porém, se eu enxerguei isso, imagino que McGregor e o técnico John Kavanagh também tenham percebido. A dupla se mostrou competente no quesito de se adaptar às dificuldades e estabelecer um novo meio de vencer. E um lutador que se expõe tanto como Alvarez é tudo o que um sniper como McGregor quer.

O tempo será amigo de Eddie, que verá suas chances crescerem conforme o tempo passa. Mas Conor precisa de pouco para finalizar. E este pouco é dado muitas vezes por Alvarez. Se o campeão dos leves permitir o controle que Dos Anjos tinha até ser pego por um contragolpe, será nocauteado ainda na primeira etapa. A aposta aqui, que reconheço ser um tanto agressiva, é que, até o segundo round, McGregor sairá do octógono para a imortalidade ao se tornar o primeiro campeão de duas categorias ao mesmo tempo sendo também o primeiro a nocautear Alvarez em quase 10 anos.

UFC 205 Woodley vs. Thompson

Tyron Woodley

Num cenário em que trabalhadores se tornam campeões do UFC, Woodley (16-3 no MMA) engrossa as fileiras. Depois de praticamente ter as chances de disputar o título descartadas ao ser humilhado por Rory MacDonald, T-Wood soube se reconstruir nocauteando o durável Dong Hyun Kim, passando por Kelvin Gastelum, beneficiando-se de Johny Hendricks ter passado mal na pesagem e fulminando Robbie Lawler na conquista inesperada do título. O “Escolhido” finalmente fez jus à moral que os antigos patrôes no Strikeforce lhe davam.

Woodley tem na derrota para Nate Marquardt, ainda no antigo emprego, um divisor de águas. Antes, o wrestling era o carro-chefe num estilo burocrático, mas eficiente, de pressionar gente na grade, derrubar e bater no chão. Desde que chegou ao UFC, ele passou a buscar incessantemente o nocaute, beneficiado por uma geração de potência absurda, proveniente de um dos mais explosivos lutadores em qualquer categoria. No entanto, como bem mostrou nosso Raio-X, ainda falta diversidade ofensiva no striking do campeão, embora defensivamente ele esteja em franca evolução, o que será fundamental neste duelo de sábado.

Stephen Thompson

Stephen Thompson

Já faz um bom tempo desde a única vez que alguém venceu Thompson (13-1 no MMA). Após ser engolido pelo wrestling de Matt Brown, o “Wonderboy” emendou sete triunfos, mandando Robert Whittaker de volta ao peso médio, impondo o primeiro nocaute da carreira de Johny Hendricks e vencendo MacDonald dentro do estilo do canadense. Com um retrospecto forte assim, com duas vitórias sobre top 5, não restou outra alternativa a Demian Maia senão esperar sua chance depois da do americano.

Thompson é um lutador com potencial imenso a ser explorado na expansão da popularidade do MMA. Não é exagero dizer que trata-se do mais técnico, versátil e plástico striker do plantel atual do UFC, com todas as características elencadas no Raio-X apresentado nesta semana. A capacidade de tirar toda sorte de chutes em todo tipo de altura, seja com a perna da frente, com a de trás, girando ou de frente, faz com que Thompson mantenha os oponentes sempre em estado de alerta. Sua capacidade de controlar distância e atrair oponentes à armadilha do contra-ataque é absolutamente sensacional. Mesmo sem ter a potência do campeão, Thompson acumula nocautes por entender que o golpe que finaliza um combate é aquele que o adversário não está esperando e não consegue ver. Junte-se a isso a evolução no wrestling com os treinos em parceria com Weidman e o jiu-jítsu dos irmãos Machado (Stephen é cunhado de Carlos).

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Confronto de estilos são sempre situações interessantes, ainda mais quando o ponto forte de um é exatamente o fraco de outro, mas num cenário em que ambos buscam diminuir as brechas para se tornar um verdadeiro lutador de MMA. Este é o caso de Woodley vs. Thompson.

Mais do que nunca, Woodley terá que se apressar para manter o cinturão. O campeão terá que ser rápido e agudo para encurtar a distância e levar Thompson a nadar em águas profundas, assim como fazia em sua fase Strikeforce. Se resolver testar suas habilidades na troca de golpes, o negócio tenderá a ficar feio para Woodley. Porém, deve ser exatamente isso que Stephen esteja esperando, então o camp deve ter sido repleto de simulações de entradas de Weidman. Como mestre no controle de distância que é, Thompson deve estar calejado a impedir que Woodley vare seu raio de ação. Assim, o desafiante deve conduzir o combate de modo parecido com o que MacDonald fez com T-Wood, chegando à vitória ou por nocaute nos 10 minutos finais ou por decisão.

UFC 205 Jedrzejczyk vs. Kowalkiewicz

Joanna Jedrzejczyk

Luta a luta, Jedrzejczyk (12-0 no MMA) vai se tornando uma das forças da natureza no cenário do MMA atual. E não importa o que a adversária traga, Joanna sempre se impõe e acaba submetendo as desafiantes a uma sessão de espancamento cruel. Valérie Létorneau teve seus momentos e principalmente Claudinha Gadelha, mas todas acabaram sucumbindo a uma pressão que é quase uma função linear crescente.

A primeira polonesa campeã do UFC adicionou o título no MMA às inúmeras conquistas no muay thai. Jedrzejczyk não é só terrível (para as adversárias) no thai clinch, mas também é avassaladora na longa distância, de onde manda chutes violentos no corpo, nas pernas e na cabeça da concorrência. Agora treinando na American Top Team, espera-se que ela melhore ainda mais. Para piorar (para as adversárias), Joanna tem a clássica mentalidade de campeã, tem a capacidade de suportar pressão e crescer, tem o preparo físico para se colocar em vantagem conforme as lutas avancem e tem ainda uma defesa de quedas forte para manter os duelos onde ela prefere. E o mais grave (para as adversárias): não importa se a concorrência volta melhor (Gadelha voltou muito melhor), Jedrzejczyk se impõe assim mesmo.

Karolina Kowalkiewicz

Comendo pelas beiradas, a também invicta e também polonesa Kowalkiewicz (10-0 no MMA) se estabeleceu num cenário que, embora não tenha tanta profundidade de quantidade, tem em qualidade. Por isso, com apenas duas vitórias no octógono, foi colocada numa eliminatória contra Rose Namajunas e saiu vencedora numa decisão difícil, mas que nem precisava do drama de ser dividida, pois a virada de Karol foi legítima.

Striker como a campeã, Kowalkiewicz tem algumas semelhanças e diferenças frente à Jedrzejczyk. Ela também é mortal no clinch, posição em que solta danosas joelhadas e cotoveladas, como Namajunas sentiu na pele. Também é perigosa, com alto volume de jogo, quando atua na longa distância juntando belo arsenal de chutes, ataques ao corpo e saídas laterais para produzir novos ângulos. Neste âmbito, duas deficiências aparecem: ela se perde um pouco no pocket e algumas vezes mantém o queixo alto. Namajunas aproveitou no primeiro round, mas não conseguiu sequência. Já com Joanna…

Joanna Jedrzejczyk vs Karolina Kowalkiewicz odds - BestFightOdds

Kowalkiewicz tem o volume e o condicionamento físico para tornar este combate interessante, mas o confronto de estilos lhe é prejudicial. Joanna é simplesmente melhor que Karolina em qualquer área que o combate descair.

Espera-se que Kowalkiewicz obtenha êxito em cima do conhecido começo mais lento da campeã, imprimindo um ritmo forte desde o início, lançando golpes longos sem se expor no pocket. Porém, conforme o tempo passar, Jedrzejczyk deve impor a maior força física para vencer a batalha no clinch e a vantagem no alcance para explorar os buracos defensivos da desafiante. Deste modo, a campeã deve acalmar os ânimos da adversária e fazer com que o volume fique à sua disposição. Como Joanna é mais forte que Karol, podemos esperar um nocaute técnico na metade final do combate, como contra Jessica Penne, ou uma decisão como contra Létorneau.

UFC 205 Weidman vs. Romero

Chris Weidman

Após entrar para a história ao destronar Anderson Silva violentamente, repetir a dose na revanche, parar Lyoto Machida no jogo do Dragão e interromper de modo brutal a série de Vitor Belfort, Weidman (13-1 no MMA) se tornou um respeitado integrante do top 5 peso por peso. Porém, na defesa seguinte, ia vencendo Luke Rockhold em duelo parelho até cometer um erro infantil que lhe custou um selvagem espancamento na reta final do terceiro round que lhe tirou qualquer esperança de competitividade no quarto. E lá se vão exatamente 11 meses.

Weidman se estabeleceu como um dos melhores do mundo com um jogo bastante interessante. O wrestling do duas vezes All-American pela Hofstra University se adaptou perfeitamente ao MMA, fazendo com que Chris seja capaz de entrar em queda de qualquer posição em que estiver. O carro-chefe é bem completado por um jiu-jítsu de excelente qualidade e controle posicional difícil de ser revertido. Em pé, o ex-campeão impõe forte volume de golpes e, agora treinando com Mark Henry, espera-se que os erros defensivos tenham sido trabalhados.

Yoel Romero

A última vez que Weidman pisou no octógono também foi a noite da última luta de Romero (12-1 no MMA). Na ocasião, no combate que antecedeu Weidman-Rockhold, o cubano decidiu com Ronaldo Jacaré o posto de desafiante seguinte. Romero venceu um duelo repleto de polêmica – além de ter evitado ser derrubado segurando acintosamente a grade, Romero perdeu por 29-28 na minha contagem. Para piorar, acabou ainda com uma estranha suspensão por um doping que ele conseguiu comprovar sua inocência.

Assim como Weidman, Romero também veio do wrestling, mas, diferente do americano, foi um dos gigantes que o estilo livre já viu, dono de um estilo plástico e empolgante, que fazia todo o ginásio parar para vê-lo em ação. Porém, outra diferença em relação ao americano é que Weidman adaptou melhor o wrestling ao MMA. Fisicamente forte como um touro, fazendo com que muita gente duvide de sua “pureza”, Yoel movimenta-se com uma leveza notável, pelo menos enquanto tem gás – o que não acontece durante toda a luta. O boxe, treinado por anos com o irmão ex-campeão mundial Yoan Hernandez, se junta ao muay thai explosivo, cheio de golpes criativos, mas cheio também de buracos defensivos.

Chris Weidman vs Yoel Romero odds - BestFightOdds

Este confronto deve ser dividido em duas partes. Na primeira, os lutadores devem se confrontar no striking, com Weidman tentando imprimir pressão enquanto Romero busca arrancar sua cabeça com um petardo. Neste momento, o risco de Weidman ser pego por um golpe nocauteador é bastante real.

Conforme o tempo passar, o preparo físico do ex-campeão deve se impor e, a partir deste ponto, Weidman deve ter vantagem na luta agarrada, derrubando o ex-medalhista olímpico e infligindo danos no ground and pound cheio de cotoveladas. Jacaré trabalhou um round por cima de Romero e não conseguiu pegá-lo, então é possível imaginar que o cubano consiga se safar de novo. Mas Chris é mais voraz que Ronaldo no ground and pound, então a chance de conseguir um nocaute técnico no terceiro assalto é maior. Este é o palpite.

UFC 205 Gastelum vs. Cerrone

Kelvin Gastelum

Tido como o principal prospecto da categoria, Gastelum (12-2) cresceu horrores entre os meios-médios até a balança se tornar seu maior adversário. Então, depois de cinco vitórias seguidas, entrou em gangorra, perdendo para Tyron Woodley e Neil Magny em decisões divididas e vencendo Nate Marquardt, quando foi obrigado a subir de categoria depois de falhar tão miseravelmente na pesagem. Apenas em sua última luta que o vencedor do TUF 17 se recuperou de verdade, quando superou Johny Hendricks no UFC 200.

Em franca evolução técnica, Gastelum deixou de ser um aguerrido grappler unidimensional para se tornar na Kings MMA, sob a tutela de Rafael Cordeiro, um lutador mais versátil, com mais ferramentas, mantendo a fúria, a força física e o aguerrimento que sempre o marcaram. Além de sufocar no clinch, derrubar, fazer peso e finalizar, ele hoje também é capaz de boxear trocando base, de chutar a linha de cintura. O poder de nocaute é um diferencial na divisão, mas o condicionamento físico é outro, desta vez no aspecto negativo, ainda que tenha mostrado evolução contra Hendricks.

Donald Cerrone

Chutado para fora do peso leve por Rafael dos Anjos após vencer oito vezes seguidas, Cerrone (31-7 no MMA) conseguiu se reinventar como meio-médio. Com atuações majestosas, ele finalizou Alex Cowboy e aplicou duros nocautes nos reconhecidamente duráveis Patrick Côté e Rick Story, invadindo assim o ranking na nova categoria.

Deixar de aceitar lutas uma em cima da outra se mostrou benéfica para Cerrone. Com o menor desgaste da rotina treino-corte de peso-luta, ele vai se tornando um atleta mais consistente. O muay thai segue sendo sua principal arma, seguido do jiu-jítsu agressivo mesmo quando está por baixo. O wrestling, especialmente o defensivo, vem melhorando. Dentre as principais deficiências, a de sucumbir perante adversário que o pressiona desde o começo pareceu estar sob controle contra Story. Gastelum, que é fisicamente mais forte que Story, será um desafio ainda maior neste aspecto.

Donald Cerrone vs Kelvin Gastelum odds - BestFightOdds

Temos aqui outro duelo com duas vertentes. Gastelum é um lutador conhecido por imprimir ritmo forte já nos primeiros segundos, enquanto Cerrone costuma demorar a engrenar. Kelvin também é bom de explorar a deficiência que o Cowboy tem ao ser golpeado na barriga e fatalmente levará vantagem no duelo corpo a corpo, outro problema de Cerrone. Deste modo, a chance de Donald ser tratorizado no começo é considerável.

Contudo, Cerrone vem se mostrando no peso meio-médio um lutador mais forte do que era antes, mas agora com vantagem na velocidade. Caso ele tenha cuidado com o começo da luta, o avançar dos minutos provavelmente farão com que o melhor controle da distância de Cerrone seja o diferencial para evitar o jogo de pressão de Gastelum, assim como aconteceu contra Story, que imprime uma estratégia parecida com a de Gastelum. Como o Cowboy tem um dos melhores estrategistas do MMA ao seu lado, a aposta é que ele vença por decisão.

UFC 205 Tate vs. Pennington

Miesha Tate

Depois que o segundo vareio sofrido contra Ronda Rousey pareceu deixar Tate (18-6 no MMA) longe de voltar a disputar o cinturão, quatro vitórias seguidas a colocaram diante de Holly Holm. A vitória épica fez com que Miesha se juntasse à galeria dos campeões trabalhadores do UFC. Porém, logo na primeira defesa, ela se juntou a outro grupo, o de campeões destronados no primeiro round, o que aconteceu com Fabricio Werdum, Luke Rockhold, Rafael dos Anjos e Robbie Lawler. Na luta principal do UFC 200, Tate foi surrada e finalizada por Amanda Nunes e deixou o cinturão com a baiana.

Miesha tem mais uma oportunidade de se reinventar, o que ela ainda não conseguiu fazer a contento. Fora a vitória contra Jessica Eye, quando mandou a adversária a knockdown e finalmente fez valer o poder de seus punhos dentro de alguma habilidade motora na troca de golpes, Tate é conhecida mesmo pelo jogo aguerrido de derrubar e cair por cima, que ela faz com tanto afinco que não se incomoda em ser golpeada enquanto busca seu destino. Contra Amanda, o problema foi a disparidade física e a “Cupcake” acabou sucumbindo aos violentos golpes da atual campeã.

Raquel Pennington

Irregular por natureza, Pennington (8-5) finalmente conseguiu algo que parecia impossível: uma sequência de vitórias digna. São três triunfos consecutivos, sobre Jéssica Andrade, Bethe Correia e Elizabeth Phillips. Antes, perdeu na estreia de Holly Holm, mas não sem dar trabalho, em luta que se seguiu a uma virada antológica sobre Ashlee Evans-Smith. Ou seja, são quatro vitórias nas últimas cinco lutas, um retrospecto inimaginável para quem tinha 4-4 e estava perto de ser dispensada.

Apesar de ter começado no boxe, o apelido de “Rocky” veio da dificuldade que os americanos têm de pronunciar seu nome. Ela é uma lutadora fisicament forte, que adora o corpo a corpo, o jogo sujo (no bom sentido) de clinch, quedas e pressão forte por cima. Em pé, o boxe tem problemas, já que a movimentação deficiente impede que os golpes, que até são bem executados, sejam lançados de modo consistente. Porém, ela compensa as dificuldades com muita disposição, coragem acima da média e vontade quase imparável, o que a torna uma adversária um tanto complexa para uma vasta gama de lutadoras.

Miesha Tate vs Raquel Pennington odds - BestFightOdds

Pennington é um bom teste para um recomeço de Tate. Normalmente perder lutas de cinturão em situações dramáticas como a que Miesha passou é complicado de superar mentalmente. Ela terá que mostrar força contra uma menina tão aguerrida quanto ela. A ex-campeã é melhor em todos os aspectos, mas vai ter trabalho também em todos. Isto posto, Tate deve vencer na decisão.

  • ErCoelhoBruno

    Boa, Alexandre! Já tô ansioso para que comece esse evento logo!

    Uma pena o leitão Gastelum, mais uma vez!, ter vacilado com o peso. O que você acha que o UFC tem que fazer com esse cara? Poxa, uma das lutas que eu mais queria no card cair por falta de profissionalismo.

    • James sousa

      dá o perdedor de Weidman x Romero pra ele aprender a ser profissional

      • ErCoelhoBruno

        Boa! Assino embaixo! Mas o Cordeiro já veio com umas desculpas esfarrapadas (só faltou colocar a culpa na tireoide) e disse que ele não vai mudar de categoria… Vamos ver o que o futuro aguarda para o Kelvin Barriga-de-Colchão-Dobrado Gastelum.

        • Achei péssima essa declaração do Cordeiro. Se ainda fosse a primeira vez do Gastelum…

      • Pois é.

    • Sexto Empírico

      Vc teria batido o peso, gordinho?

      • ErCoelhoBruno

        Eu bater 77kg? Só se cortasse uma perna, meu caro chassi de grilo. Kkkkkkk

    • O UFC tinha que forçá-lo no peso médio.

  • Binho Vianna

    Pennington é bem mais forte que Tate, se a luta for agarrada, acho que Tate pode sofrer de novo que nem a última… Tenho a impressão que vamos entrar numa era das mulheres transgênero no MMA, um mistura de mulher com gárgula.

    • James sousa

      eu acho a Pennington brem fraquinha como lutadora acho que a Tate vence tranquilo

      • Marcos E

        É a lógica. Tb acho. E tenho a impressão que a Pennington não tem bons resultados quando tem pressão de estar sob os holofotes.

    • Sexto Empírico

      Acho que a única fraqueza da Tate será a motivação. É duro vc vencer quem venceu a “imbatível” Ronda, perder e ter que enfrentar a mediana Pennington.

      • A mentalidade da Tate é forte, acho que ela se preparou pra entender que é outro recomeço.

    • Acho que técnica ainda vale mais do que força física.

  • James sousa

    melhor luta do evento pra min e Weidman vs Romero luta que mais me gerar expectativa

    • Sexto Empírico

      Será, James? Acho q ninguém vai piscar depois q Conor e Eddie (se) baterem as luvas.

    • Paulo Josué Lemos Alves

      Realmente é um lutão!

  • Sexto Empírico

    Ótima análise, Alexandre. Esse é o meu primeiro comentário, porém acompanho há muito tempo seu site, suas opiniões, mas sou meio preguiçoso quanto a iniciar em um novo fórum. Mas agora me sinto disposto e vamos lá.
    Procurei achar “holes” na sua análise “quase” perfeita e encontrei justamente no ponto q me toca. Vc acha mesmo q essas outras organizações, apesar de de ter seus valores, não passam de um simulacro do UFC, sem apresentar uma válida alternativa? Eddie é o legítimo campeão, mas com 2 SD até o TS? Podemos considerá-lo tão bom numa categoria tão elevada? E, ultima questão, Joanna é o Demetrious de saias?
    Ps.: Coelho to de olho em vc, hehehehe…

    • ErCoelhoBruno
    • Eu sempre disse que o Alvarez estava entre os melhores do mundo mesmo quando ele ainda estava entre o DREAM e o Bellator. Chegou, venceu alguns dos melhores do mundo e conquistou o cinturão com todos os méritos, provando que era mesmo um dos melhores do mundo.

      Os atuais campeões dos meios-pesados e meios-médios do UFC eram do Strikeforce. Os campeões anteriores dos pesados, dos médios e meios-médios também eram. O penúltimo dos leves era do WEC. Lutadores dessas organizações estão espalhados pelos rankings do UFC.

      O mercado do MMA ainda não é tão grande para suportar duas empresas do tamanho do UFC. Espero que o esporte cresça para que isso aconteça. Competição é saudável.

      PS: não entendi um ponto: você leu a matéria só pra procurar defeito nela?

      • Sexto Empírico

        Claro q não. Foi só uma analogia descontraída ao q eles falam no MMA mesmo. O texto tá ótimo. Só penso q o Alvarez, apesar de ser muito bom, não é o melhor dessa categoria. Ele, acho (sou ruim de palpite) perde hoje pro Conor. Seu segundo parágrafo da resposta é bem esclarecedor. Não via dessa forma e vc jogou uma luz. Quanto à comparação com o UFC, penso o mesmo.

        • Sim, o Alvarez não é o melhor da categoria. Como eu disse ali em cima, o peso leve é tão equilibrado que é difícil ter um melhor destacado, como um dia foi o BJ Penn. No peso leve atual, qualquer top 10 vence qualquer um que estiver com o cinturão.

          E, como já publicamos em alguns textos nos últimos meses, o MMA está evoluindo para um ponto em que o trabalho pesado supera o talento quando o talento não trabalha tão pesado quanto. Isso é exatamente o que acontece com outros esportes.

        • Lero

          retiro o dito do 9 em todas as áreas, Eddie, vai ser burrro assim no Bellator. hahahaha

    • Lero

      2 SD contra o melhor leve da historia do Strikeforce e contra o melhor leve da historia do WEC, numa categoria que na época no UFC era mais fraca que em aqueles dois eventos…
      Eddie é um lutador do caralho. nota 9 em todas as áreas.

      • Sexto Empírico

        Nisso vc tem razão. Mas, mesmo assim, eu daria um 7 e meio pra ele e deixaria a nota 8 e 9 pra tubarões maiores. Nota 10 (DJ, Cruz, Jones, GSP, Silva quando era dominante, por exemplo) essa categoria ainda não tem

        • O peso leve é a categoria que reflete a maior parte da população do planeta. Por causa disso, é a categoria que mais tem lutador e, por consequência, a que mais tem equilíbrio. Por isso que mesmo um talento absurdo como o BJ Penn não conseguiu estabelecer uma dinastia como Johnson, Cruz, GSP, Silva e Jones.

  • Mateus Caraúna

    Acabei de apostar no Alvarez, aí o melhor analista br de MMA, fala que o Connor vai nocautear…
    :-(

    • Mas veja que vitória do Alvarez é muito possível. Eu fiquei muito dividido.

      • Lero

        Eu estava apostando no McGregor, estava com o pé atrás pelo estado físico do Conor (Não tem muito tempo da guerra dele contra o Nate que saiu do octógono com o pé machucado) Mas depois de ler seu texto mudei o palpite, lembrei que o Henri Hooft vai estar no corner do Eddie, e não tem nenhuma coisa nova no livro do Conor que o Hooft não tenha visto antes. Além de lembrar a estratégia do Eddie contra outro sniper como o Pettis.

        • Eu acho quase idênticas as probabilidades de um impor o jogo contra o outro. A questão é que o McGregor precisa de pouco tempo pra terminar a luta e, apesar de o Pettis também ser um striker preciso, a capacidade de finalização do McGregor sempre foi maior.

  • Marcos E

    Viche, é hoje…!!!!!!!!!

  • Lero

    O curioso da luta do Weidman e o Romero é que em técnicas puras, o Romero é (muito) melhor wrestler e melhor trocador. O Weidman só ganha no Jiu Jitsu. Mas como lutador de MMA o Chris tem melhor conjunto da obra.
    Que bom que é uma luta de 3 rounds. O gás não é o ponto forte de ambos.

    • Exatamente. No tapete de wrestling, capaz do Romero faxinar o chão com o Weidman, mas o americano juntou tudo de forma mais eficiente que o cubano.

  • Dow Jones

    O Thompson não é de New York, é de South Carolina. O Weidman é local.