Por Alexandre Matos | 08/07/2016 16:11

O card principal do UFC 200 é tão primoroso que, mesmo sofrendo golpes severos, manteve o status de melhor de todos os tempos. Os matchmakers não economizaram para o grand finale da International Fight Week, que verá pelo menos um campeão ou ex em cada uma das cinco lutas.

Depois de tantas mudanças, que momento fantástico (e justo) para o MMA feminino ao liderar o maior evento da história. A campeã peso galo Miesha Tate defenderá seu cinturão pela primeira vez contra a baiana Amanda Nunes.

Quase cinco anos após desistir da carreira, o ex-campeão dos pesados Brock Lesnar volta para um desafio indigesto, o de enfrentar o maior artista do nocaute da categoria, o neozelandês Mark Hunt. Antes deles, o campeão meio-pesado Daniel Cormier faz uma luta casada contra o mais dominante campeão que o UFC já conheceu, Anderson Silva, que substituiu Jon Jones dois dias antes do evento.

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Já tá bom? Calma que tem mais. Em um dos melhores confrontos que o MMA pode casar hoje em dia, José Aldo e Frankie Edgar fazem uma revanche que vale o cinturão interino dos penas, que tem boas chances de se tornar linear. E, abrindo a porção do pay-per-view, o ex-campeão dos pesados Cain Velasquez bate de frente com Travis Browne.

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O UFC 200 terá transmissão especial pelo MMA Brasil. Nossa equipe entrará no ar, ao vivo, direto dos estúdios da Central3, a partir das 20:00h, na segunda luta do evento, e vamos até o fim. Na TV, a transmissão será ao vivo e na íntegra pelo canal Combate. A primeira luta do estrelado card preliminar começa às 19:30h, enquanto o principal vai ao ar a partir das 23:00h, sempre pelo horário oficial de Brasília.

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Cinturão Peso Galo Feminino: C Miesha Tate (EUA) vs. #4 Amanda Nunes (BRA)

Miesha Tate

Miesha Tate

Quando os deuses do MMA começam a valorizar trabalhadores incansáveis, nada mais legal do que ver Miesha Theresa Tate (18-5 no MMA, 4-2 no UFC) com um cinturão do UFC. Depois que ela levou o segundo balaio de Ronda Rousey, parecia que tudo estava perdido. Porém, sem descansar um minuto sequer, Miesha enfileirou duas ex-desafiantes (Liz Carmouche e Sara McMann) e uma top 5 (Jessica Eye), além da japonesa Rin Nakai na casa da adversária. Quando a oportunidade bateu em sua porta, Miesha foi mais Miesha do que nunca e tomou o cinturão do mesmo modo com que fez no Strikeforce.

O antigo apelido da “Cupcake” dava o tom do estilo de seu jogo. Antes chamada de “Takedown”, Tate não negava a origem no wrestling e basicamente se limitava a derrubar e tentar finalizar. Com o passar do tempo, o jiu-jítsu ofensivo melhorou (o defensivo sempre foi bom) e o boxe foi polido, primeiro com o uso de combinações, depois com geração de potência. Ainda é um tanto desajeitada neste quesito, mas já provoca respeito nas adversárias. Porém, a maior virtude de Miesha sai do coração: destemida, dona de uma força mental quase inquebrável, ela tem uma capacidade ímpar de absorver castigo e seguir em frente, com a mesma tenacidade do primeiro segundo de luta. De quebra, tem um condicionamento físico acima do normal, o que permite que ela adote o lema “Ain’t over ‘til it’s over” do mestre Rocky Balboa. Holly Holm sentiu na pele.

Amanda Nunes

Amanda Nunes

Para finalmente conquistar o posto de desafiante, Amanda Lourenço Nunes (12-4 no MMA, 5-1 no UFC) teve trabalho. Depois de duas poderosas vitórias no primeiro round, ela começou muito bem contra Cat Zingano, mas foi traída pelo seu maior defeito e viu a rival virar a luta e disputar o cinturão. A baiana então não tomou conhecimento de Shayna Baszler, de McMann e fazia o mesmo contra Valentina Shevchenko antes de ver novamente o grave defeito aflorar.

A “Leoa” é quase uma força da natureza. Forte demais, Amanda vandaliza suas adversárias na longa distância (a vitória sobre Baszler foi a primeira por nocaute com chutes na perna na história feminina do UFC) e as leva ao inferno com um clinch que mistura muita pressão de força isométrica com joelhadas e dirty boxing demoníacos. A faixa-preta de jiu-jítsu e marrom de judô ainda é boa de quedas e agressiva no chão. Ela só não é uma força da natureza completa por causa do defeito citado no parágrafo acima: o condicionamento cardiorrespiratório que mal dá conta de dois assaltos. Das três lutas que chegaram ao terceiro assalto, Amanda perdeu duas e só venceu a última porque tinha aberto vantagem confortável contra Shevchenko.

Amanda Nunes vs Miesha Tate odds - BestFightOdds

Muita gente não costuma dar crédito para Miesha, mas ela é o tipo de adversária que Amanda deve ter pesadelos. A baiana vai começar com um ritmo forte e machucar a campeã. As coisas parecerão acabadas, mas Tate não se entrega facilmente, lembrando o velho técnico Tony “Duke” Evers falando com Apollo Creed: “Eu vi você bater nela como ninguém fez antes e ela continuou vindo para cima de você”. Então, quando o ritmo da desafiante começar a despencar lá para o oitavo minuto, será a hora da campeã crescer. Quando Nunes estiver pela primeira vez nos rounds de campeonato, a aposta é que Miesha submeterá os restos mortais da desafiante.

Peso Pesado: Brock Lesnar (EUA) vs. #8 Mark Hunt (NZL)

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Brock Lesnar

Brock Lesnar

Vai completar cinco anos que Brock Edward Lesnar (5-3 no MMA, 4-3 no UFC) não dá o ar de sua graça no octógono depois de varrer o MMA como um furacão. Desde o brutal nocaute via chutes na pança aplicado por Alistair Overeem, o gigantesco ex-campeão foi cuidar da saúde, tratando a diverticulite que quase o matou, enquanto voltava a encher os bolsos no teatro da WWE. De tanto Dana White tentar seduzi-lo a voltar, finalmente o fenômeno voltará a lançar seus 130 e vários quilos no tablado.

É curioso que tem quem desdenhe do cartel de Lesnar. Só fazem isso porque não se dão ao trabalho de notar que, tirando Heath Herring, o cidadão só pegou campeão ou ex, além do próximo desafiante. Ninguém na história do UFC passou por isso. E há também quem desdenhe das capacidades atléticas de Lesnar, ignrando o fato de o sujeito ter sido um wrestler de verdade, campeão da Divisão I da NCAA, que chocou o Combine da NFL com um misto de força, agilidade e explosão física pouco comuns para um camarada de seu tamanho. Brock Lesnar sempre foi um atleta de verdade numa divisão cheia de lutadores. De quebra, ainda aprendeu um truque ou dois com o jiu-jítsu de Rodrigo Comprido e a inserir um tanto de técnica nos punhos 3XL que geram potência como poucos – Mir e Couture devem ter pesadelos com o ground and pound do gorila. Enfim, negar as capacidades que Lesnar um dia apresentou é brigar contra a realidade.

Mark Hunt

Mark Hunt

A história da reinvenção de Mark Richard Hunt (12-10-1 no MMA, 7-4-1 no UFC), de velho acabado a desafiante, todos os fãs já conhecem. Porém, o velho tanque de guerra não cansa de surpreender. Depois de ter sido nocauteado por Fabricio Werdum, na disputa do título interino, e de ter levado uma das maiores surras da história pelas mãos de Stipe Miocic, pareceu que seria mesmo o fim de linha. Então, aos 41 anos, Hunto mostrou que ainda sobrou concreto em seus punhos ao mandar Antonio Pezão e Frank Mir para a vala com direito a Walk-off KO, que faz a alegria da garotada.

Tecnicamente, Hunt não mudou muito dos tempos de PRIDE até hoje. O kickboxing, que lhe rendeu um título do K-1, continua como a principal ferramenta ofensiva. O que melhorou foi a experiência e o conhecimento de área física. Hunt hoje sabe todos os atalhos do octógono e tem uma senhora capacidade de jogar adversários numa armadilha, prevendo o ponto futuro onde sua mão encontrará o rosto do incauto e o desconectará de seus sentidos. Ah, a defesa de quedas melhorou bastante também, mas não o suficiente para deter um wrestler de elite como Miocic. Wrestler de elite? Interessante…

Brock Lesnar vs Mark Hunt odds - BestFightOdds

Sinto-me na obrigação de dizer que uma vitória do ex-campeão não me surpreenderia. Eu não duvido que Lesnar tenha feito um mês de camp treinando insistentemente entradas de queda enquanto escapa de um petardo. No chão, o controle posicional e o ground and pound tão veloz quanto potente dão conta de praticamente qualquer um que cair por baixo de seu corpanzil. Ver Lesnar correndo para cima de você deve ser uma visão do capeta. Nem Velasquez parou a locomotiva.

Não, eu não vou apostar num sujeito que não luta de verdade há quase cinco anos. O telecatch deve ter ajudado Lesnar a manter a forma física, mas o ritmo de luta à vera e a competitividade passaram ao largo, assim como o tempo de entradas e a capacidade de encaixar golpes, o que nunca foi seu forte.

Isto posto, Hunto por nocaute no segundo assalto. Sim, Walk-Off KO.

Peso Meio-Pesado: C Daniel Cormier (EUA) vs. #5 MW Anderson Silva (BRA)

Daniel Cormier

Daniel Cormier

Chamado de “campeão de papel” por muitos, Daniel Ryan Cormier (17-1 no MMA, 6-1 no UFC) vai tocando a vida. Depois de perder uma batalha campal contra Jon Jones, em janeiro de 2015, ele rapidamente voltou à ação em maio, depois que Jones foi destronado, para superar um momento de trevas e conquistar o cinturão vago diante de Anthony Johnson. Na primeira defesa, mais sofrimento e mais mostra de dureza ao superar Alexander Gustafsson em mais uma guerra para a história.

Ex-capitão da seleção americana olímpica de wrestling, campeão do histórico torneio dos pesados do Strikeforce, Cormier é um dos melhores de uma categoria que já viu alguns dos melhores de todos os tempos. Seu nível no wrestling é absurdo, tanto nas quedas nas pernas, no clinch na grade ou no centro, na facilidade em pegar as costas a partir do go-behind e na capacidade de executar controle posicional. De quebra, incorporou o estilo AKA ao adicionar um kickboxing plástico e bastante potente, de boas combinações e chutes. Para piorar a vida dos adversários, mostrou contra Jones, Johnson e Gustafsson que absorve até mesmo os golpes que são enviados diretamente pelo sete-pele.

Anderson Silva

Anderson Silva

Sempre que Anderson da Silva (33-7 no MMA, 16-3 no UFC) entrar no octógono, uma parte da história é escrita. Não importa se ele não vence uma luta há quase quatro anos, não importa que levou um ano de suspensão e catapultou Michael Bisping à disputa do título. Ainda é o cara que mais venceu consecutivamente na história da organização. Ainda é o cara que mais vezes defendeu seguidamente um cinturão. Ainda é o “Spider”.

Anderson se notabilizou como um dos mais criativos, dinâmicos e matadores strikers que o MMA já viu, provavelmente O mais. Sua capacidade de tirar coelhos da cartola com um movimento genial e imprevisível ainda é aparente mesmo nessa fase negra, haja vista o joelhaço que quase separou a cabeça de Bisping do pescoço, em fevereiro. A defesa de quedas melhorou, é verdade, mas não foi suficiente para segurar Chris Weidman, imagine alguém mais forte e mais técnico que o All-American. Para piorar, a confiança de Anderson, que sempre foi uma fortaleza mental, provavelmente está seriamente abalada com a sequência de acontecimentos negativos em sua carreira.

Anderson Silva vs Daniel Cormier odds - BestFightOdds

A única pessoa que venceu Cormier foi o lutador mais bem-dotado tecnicamente que o MMA já viu. Para vencer o atual campeão dos meios-pesados, é preciso algo mais, é necessário fazer diferente. E se tem alguém além de Jones capaz do algo mais, este é Anderson Silva.

Bom, pelo menos um dia já foi. Por mais que ainda tenha lampejos de genialidade, o “Spider” não tem mais a agilidade, a velocidade e o tempo de reação de outrora, fundamentos essenciais para seu jogo. Para piorar, vai pegar um sujeito que estava se preparando para a luta da vida, contra o melhor de todos e que também é capaz de tirar coelhos da cartola.

As chances de Anderson seriam ainda mais remotas do que as casas de aposta indicam se ele não fosse quem é. Por mais que tenha sempre a capacidade de sair com algo do além, o mais provável é que Anderson seja arremessado feito saco de batata e até mesmo engolirá alguns petardos bem mais poderosos do que Bisping lançou.

A aposta é que Cormier vença sem dificuldade, mas Anderson já merece aplausos por ter aceitado uma enrascada dessa magnitude em dois dias, depois de ter passado a carreira tentando evitar confrontos cabeludos.

Cinturão Interino Peso Pena: #1 José Aldo (BRA) vs. #2 Frankie Edgar (EUA)

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José Aldo

José Aldo

A longa invencibilidade de quase 10 anos e o reinado que chegou a seis se juntar WEC com UFC chegou ao fim de modo trágico. Em apenas 13 segundos, José Aldo da Silva Oliveira Junior (25-2 no MMA, 7-1 no UFC) se abriu como nunca fizera e levou um gancho perfeito, também como nunca sofrera, cortesia de Conor McGregor. O duro revés, que veio acompanhado de alguma vergonha, não poderia fazer com que um dos maiores craques da história do esporte tivesse que recuar na fila, então nada mais justo do que colocá-lo numa disputa por um cinturão interino que tem bela chance de se tornar definitivo.

Para se tornar um dos cinco maiores de todos os tempos, em qualquer categoria de peso, Aldo levou a combinação muay thai + jiu-jítsu, a base do MMA brasileiro, ao estado da arte. O camarada é igualmente potente e veloz, combina socos e chutes com incrível capacidade de esconder os golpes até a hora H, contra-ataca magistralmente, tem boas quedas, jiu-jítsu fino, defesa de quedas quase intransponível e, sobretudo, uma inteligência tática incomum, ainda que a derrota para McGregor aponte para a outra extremidade. Com os nervos controlados, Aldo é uma fortaleza difícil de quebrar.

Frankie Edgar

Frankie Edgar

Se já era excelente como peso leve, Frank James Edgar (20-4-1 no MMA, 14-4-1 no UFC) ficou ainda melhor no peso pena. A estreia, exatamente contra Aldo, mostrou adaptação ao corte de peso que nunca tinha feito. Na segunda luta, ainda encontrou alguma dificuldade diante de Charles do Bronx. Depois disso, só passeio. Ele massacrou BJ Penn, atropelou Cub Swanson com requintes de crueldade, passeou sobre Urijah Faber e fez com Chad Mendes o que nem Aldo ou McGregor fizeram: nocaute em meio round. Foi neste dia que alguém pronunciou pela primeira vez a frase: “Tá saindo da jaula, o monstro!”

A mudança de categoria desfez o maior problema que Edgar tinha como peso leve, a desvantagem física. Lutando contra gente de seu tamanho, ele ainda consegue ser tão rápido quanto era, ainda tem uma resistência cardiorrespiratória surreal, boxe de combinações e jogo de pernas entre os melhores de todas as categorias, wrestling capaz de derrubar gente bem maior e o jiu-jítsu de Ricardo Cachorrão. Ofensivamente é um lutador quase tão bem dotado quanto Aldo.

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Edgar tem wrestling para derrubar Aldo, mas será difícil a tarefa de manter o brasileiro no chão. É bem provável que o duelo seja transcorrido na maior parte do tempo na troca de golpes em pé, mas, desta vez, com Edgar mais bem adaptado ao peso.

Como sempre tem o benefício da dúvida ao seu lado, Edgar pode trabalhar o boxe enquanto ameaça entrar com uma queda. Entrar e sair com velocidade, mudando constantemente de trajetória, como já é de seu feitio, será fundamental, uma vez que Aldo tem a capacidade ímpar de punir de volta quem tenta transformar as lutas em pancadarias graças a seu senso apurado de contragolpes.

A aposta é que veremos 25 minutos intensos, com um tentando levar o outro ao extremo e Aldo triunfando em três dos cinco rounds.

Peso Pesado: #2 Cain Velasquez (EUA) vs. #7 Travis Browne (EUA)

Cain Velasquez

Cain Velasquez

Faz tempo que não vemos Cain Ramirez Velasquez (13-2 no MMA, 11-2 no UFC) numa luta sem um cinturão em jogo. Faz mais tempo ainda que ele não enfrenta alguém que não nasceu por estas bandas. Desde 2010, quando tomou o cinturão de Lesnar, Velasquez só lutou uma vez em três assaltos, embora não tenha passado do primeiro. Ele pegou uma sequência de Junior Cigano – Antonio Pezão – Junior Cigano – Antonio Pezão – Junior Cigano até ver Fabricio Werdum lhe dar uma sova no alto do morro da Cidade do México e lhe tirar o cinturão com uma guilhotina. Nesse meio, contusões e mais contusões.

Velasquez é um vândalo que nunca na vida venceu uma luta que não fosse por espancamento absoluto. Não houve uma alma que saísse derrotada por ele sem apanhar como mala velha, seja no Strikeforce, no BodogFIGHT ou no UFC, seja um pela-porco como Jeremiah Constant ou um dínamo como Cigano. Assim como o amigo e treinador Cormier, Velasquez tem no wrestling e no kickboxing suas armas ofensivas, que são levadas às últimas consequências por um ritmo enlouquecedor e um condicionamento cardiorrespiratório simplesmente inigualáveis por um peso pesado. Tirando as duas derrotas, ambas ocorridas após longas inatividades e em circunstâncias especiais, ninguém jamais conseguiu equiparar a intensidade de Cain no octógono ou mesmo explorar suas deficiências na arte suave.

Travis Browne

Travis Browne

Houve um tempo em que se acreditou que Travis Kuualiialoha Browne (18-3-1 no MMA, 9-3-1 no UFC) seria a próxima grande coisa da divisão dos pesados. Imenso, forte e atlético, ele nocauteou ou finalizou a baixa casta da categoria (o que significa que pegou um monte de baranga). Sofreu um nocaute de Antonio Pezão quando lesionou o joelho, mas se recuperou virando uma luta contra Overeem e enchendo a têmpora de Josh Barnett de cotoveladas. Na eliminatória, foi humilhado por Werdum para depois ser nocauteado pelo amigo Arlovski num quebra-pau épico.

O havaiano tem um estilo meio esquisito (também, não é fácil ser polido com 2,01m de altura), com capacidade técnica decente em todas as vertentes e muita força física, especialmente no ground and pound. O boxe é sua melhor arma, que algumas vezes é acompanhado de chutes potentes, mas não muito variados. O wrestling é digno, assim como o jiu-jítsu. Defensivamente ele sempre foi um lutador difícil de ser derrubado, mas com queixo frágil e pouca habilidade para lidar com oponentes agressivos. É…

Cain Velasquez vs Travis Browne odds - BestFightOdds

Um dos maiores pontos de interrogação do MMA hoje é: o que sobrou de Velasquez depois de tantas lesões e tanto tempo treinando como se não houvesse amanhã? Esse método desenvolveu um monstro, mas também minou sua armadura. Seria ele ainda capaz de imprimir o ritmo neurótico que o caracterizou, agora sem altitude como (justa) desculpa?

Como eu não sei responder, vou com o que espero. Velasquez deve imprimir um ritmo de combate no corpo a corpo parecido com o que aniquilou Cigano, mesclando dirty boxing selvagem com quedas coladas na grade. Apesar do longo alcance de Browne, a diferença de velocidade fica ao lado do ex-campeão para encurtar a distância e levar Browne ao desespero. Nocaute técnico no segundo round. Por espancamento.