UFC 20 Anos: Os Lutadores do Ano, parte 1

UFC 20 Anos: Os Lutadores do Ano, parte 1
MMA

Na comemoração dos 20 anos do UFC, o MMA Brasil preparou um especial. Neste artigo, apresentamos os lutadores do ano da primeira década de existência da organização.

UFC-20-Anos

O UFC entra em uma semana especial, mas não só porque seu maior astro luta no próximo sábado. Nesta terça-feira, a maior organização de MMA do mundo completa 20 anos de existência. No dia 12 de novembro de 1993, o pequenino Royce Gracie vencia o UFC 1 contra brutamontes com mais de 30 quilos de vantagem. A partir de então, o mundo das artes marciais nunca mais foi o mesmo.

Para entrar no clima da comemoração desta importante data, o MMA Brasil preparou alguns artigos especiais. Abrimos com uma lista de 20 lutadores que brilharam em todos estes anos de combates no octógono mais famoso do planeta.

Como toda lista que se preze, não vai faltar polêmica e discordância (a caixinha de comentários está aí exatamente para isso). Para deixar a lista mais extensa, aproveitando para contar um pouquinho da história aos fãs mais recentes, criamos uma regra: não era permitido repetir um lutador em mais de dois anos. Ou seja, selecionamos 20 atletas que marcaram individualmente cada ano do UFC. A ideia era não só pegar os melhores, mas apresentar uma linha do tempo de evolução e valorizar nomes de importância histórica, mas pouco falados nos dias atuais. Como não repetimos ninguém, provavelmente haverá caso de lutador que merecia ter sido citado em outro ano. Sim, sabemos disso. E queremos a sua opinião.

Saiba agora quem foi o melhor lutador de cada ano do UFC.

1994: Royce Gracie

Royce-GracieEscolher o melhor em alguns anos deu um trabalhão, seja por mais de um lutador ter se destacado, seja por não ter tido nada de relevante naquele grupo de meses (lembre-se que o UFC viveu um período de trevas e quase faliu, enquanto o PRIDE dominava as atenções do outro lado do planeta). Mas, em outros anos, a decisão foi muito fácil. O primeiro é um deles.

Escalar um sujeito de 1,80m e 80 quilos para encarar torneios com até três lutas na mesma noite, em lutas onde as únicas proibições eram colocar o dedo no olho e morder (“afinal, existe uma certa honra até em briga”, diz Rorion Gracie, criador do UFC e irmão mais velho de Royce Gracie) era muita confiança em sua arte marcial. E foi assim, usando apenas o jiu-jítsu desenvolvido por seu pai Helio e tio Carlos que Royce chocou o mundo não só uma, mas três vezes – e teria sido quatro se ele não tivesse sido obrigado a desistir por exaustão, mas isso é assunto para o próximo artigo.

Tirando as históricas batalhas contra Kimo Leopoldo, que o levou à exaustão, e a final do UFC 4 contra Dan Severn, Royce teria passado a régua em todas as lutas precisando de apenas um round, se estivesse nas regras atuais de tempo. No UFC 1, quando jiu-jítsu brasileiro era um ilustre desconhecido nos Estados Unidos, Royce gastou menos de meio round para dar cabo de um boxeador, de um pro wrestler e de um lutador de savate. Quatro meses depois, bateu quatro oponentes para conquistar o torneio do UFC 2. No fim do ano, mais três ficaram pelo caminho, inclusive o próximo da lista. Detalhe: nenhum tinha seu tamanho ou peso. Não à toa Gracie foi o estímulo inicial de muitos dos atuais astros do MMA.

1995: Dan Severn

Dan-SevernDurante o UFC 4, os fãs do vale tudo viram pela primeira vez o poder da luta olímpica. Dan Severn, all-american pela Arizona State University e reserva da seleção americana nos Jogos Olímpicos de 1984 e 1988, dizimou a concorrência com quedas violentas e estrangulamentos, até que bateu de frente com Royce na decisão. Severn derrubou, amassou, mas acabou vítima de um triângulo quando o combate já passava do 15º minuto.

A recuperação veio em 1995. Dan passou o carro em três adversários, inclusive Oleg Taktarov, e venceu o UFC 5, em abril. Voltou na edição seguinte para disputar a segunda Super Luta, mas acabou finalizado por Ken Shamrock. Em dezembro, foi escalado para o primeiro Ultimate Ultimate, torneio pensado para confrontar os campeões das edições anteriores. Severn superou o gigante “Urso Polar” Paul Varelans, novamente Taktarov (que havia eliminado Marco Ruas) e o lendário encrenqueiro Tank Abbott. Com dois títulos de torneios em um ano, Severn foi o cara em 1995 e o primeiro a ingressar no Hall da Fama do UFC depois da dupla Royce e Ken.

Este foi o primeiro caso de dificuldade para definir o lutador do ano. Muito popular, Ken Shamrock disputou apenas Super Lutas em 1995. Finalizou Severn e empatou com Royce e Taktarov, mas com o detalhe de ter espancado o brasileiro e o russo (na época, se uma luta não acabasse por nocaute ou finalização, terminava empatada, não importando se alguém foi claramente superior). Na frieza dos números, que deixou Shamrock com 1-0-2 em 1995, optamos pelos dois títulos da “Fera”.

1996: Mark Coleman

mark-colemanOutro ano fácil de decidir. Mark Coleman deu sequência ao trabalho de Severn como o Poderoso Chefão do Wrestling a tocar o terror na rapaziada. Campeão nacional da Divisão I, campeão nacional sênior, tri pan-americano, vice mundial e sétimo lugar nos Jogos Olímpicos de 1992, as credenciais do “Martelo” já eram assustadoras.

Coleman estreou no velho vale tudo em julho de 96, no UFC 10. E chegou passando o rodo. Bateu três adversários, inclusive Don Frye, pupilo de Severn e campeão do UFC 8, na final, usando uma ferramenta que já havia sido vista, mas não como estratégia de luta: o ground and pound. Com suas enormes força física e capacidade de derrubar, Coleman lançava a concorrência ao solo e descia a lenha de mão limpa.

Em setembro, Coleman retornou para o UFC 11 e repetiu a dose. No UFC 12, no ano seguinte, venceu Severn e se tornou o primeiro campeão dos pesos pesados da história do UFC (já no formato atual, sem torneios) e era tido como invencível. Não tinha como escolher outro para representar o ano de 1996.

1997: Vitor Belfort

Vitor-BelfortSeria compreensível colocar Vitor Belfort em 2013, afinal, o Fenômeno aplicou três violentos nocautes no ano corrente usando sua mais nova arma, os chutes altos, reinventando-se aos 36 anos. Mas temos um encaixe melhor para 2013 e resolvemos voltar para a origem do apelido fenomenal.

Belfort estreou no novo esporte no fim de 1996. Sua segunda luta já foi pelo torneio do UFC 12, aos 19 anos. Ele precisou de dois minutos cravados para conquistar o título, 1:17 contra Tra Telligman e 43 segundos na final contra Scott Ferrozzo. Vitor voltou dois meses e meio para uma luta casada contra David “Tank” Abbott, dizimado em mais 52 segundos. Uma sequência avassaladora, movida pelos punhos mais rápidos que o MMA já vira até então (talvez até hoje), o apelido Fenômeno caiu muito bem, na mesma época que o atacante Ronaldo recebia alcunha idêntica na Europa por também chocar o mundo com menos de 20 anos.

Nota: Antes do fim de 1997, Belfort voltou ao octógono e finalizou Joe Charles. Porém, ele havia sido derrotado por um lutador que seria a nossa escolha para o melhor do ano de 97 não fosse o critério de não repetir nomes. Mais adiante, explicaremos os motivos.

1998: Frank Shamrock

Frank ShamrockO primeiro campeão verdadeiramente dominante da história do UFC teve um ano mágico em 1998. Frank Shamrock irmão adotivo mais novo de Ken, chegou à organização diferentemente de seus antecessores, já com grande experiência (na ocasião, Frank já disputara 21 combates de vale tudo/MMA). E chegou disputando cinturão, ainda em 1997.

Com cartel de 13-7-1, Shamrock era considerado azarão em larga margem na disputa contra Kevin Jackson, campeão olímpico na luta estilo livre seis anos antes, bicampeão mundial no ano anterior e invicto nas três lutas que fizera no MMA até então. No Ultimate Japan, diante do povo que cansou de aplaudi-lo no Pancrase, Frank precisou de apenas 16 segundos para cravar uma chave de braço no medalhista de ouro e ficar com o cinturão.

Já em 1998, Shamrock defendeu seu título em três oportunidades. No UFC 16, entrou num double-leg rápido e cravou o russo Igor Zinoviev no chão, nocauteando com a queda. No evento seguinte, finalizou Jeremy Horn, que vem a ser o terceiro lutador que mais venceu por esta via na história do MMA. Em outubro, Shamrock fez a luta principal do Ultimate Brazil e fez John Lober pedir penico debaixo de pancada.

Shamrock ainda defendeu o cinturão mais uma vez, em 1999, quando venceu outro integrante desta lista. Depois, largou o cinturão e foi embora do UFC com o seguinte recado: “Quando vocês tiverem um desafio de verdade para mim, eu volto”. Nunca voltou. Foi para o WEC e conquistou o cinturão. Fez o mesmo no Strikeforce. Só não está no Hall da Fama por causa do difícil relacionamento com Dana White.

1999: Pat Miletich

pat-miletichA “Sensação Croata” (que nasceu no interior dos Estados Unidos) Pat Miletich é talvez o mais talentoso lutador que ninguém faz ideia de quem seja. Ok, é exagero, já que alguns lembram dele, pelo menos no Miletich Fighting System, equipe que ele criou e que produziu alguns craques que estão listados a seguir. Mas Miletich não tem um quinto do mérito e fama como lutador que merecia.

Miletich chegou ao UFC no ano anterior, tendo perdido apenas uma luta em 20 disputadas, para Matt “O Mágico” Hume, um dos melhores técnicos que o MMA já conheceu. Venceu um torneio dos meios-médios (que era chamado de peso leve na época) e foi disputar o cinturão no Ultimate Brazil, tornando-se o campeão inaugural da categoria no UFC.

Em 1999, Pat colocou o cinturão em jogo contra dois faixas-pretas brasileiros, hoje treinadores de renome. No UFC 18, em janeiro, ele precisou de duas prorrogações para vencer Jorge Patino “Macaco” em luta um tanto enfadonha, onde Miletich fez bom uso das quedas para vencer. Já no UFC 21, em julho, ele mesclou o boxe com o thai clinch para conseguir um nocaute técnico sobre André Pederneiras.

2000: Tito Ortiz

Tito_OrtizJustificando à época o apelido de Bad Boy de Huntington Beach, Tito Ortiz chegou cheio de marra ao MMA, migrado da luta universitária. Teve um bom ano em 1999, mas acabou derrotado por Frank Shamrock na disputa do cinturão. Mas, no ano seguinte, deu início ao maior reinado da história dos meios-pesados, recorde que só caiu neste ano pelas mãos de um fenômeno que está postado mais adiante.

No UFC 25, também conhecido por Ultimate Japan 3, Ortiz disputou o cinturão que ficara vago com a saída de Shamrock. O adversário era o jovem Wanderlei Silva, já apelidado de Assassino do Machado do outro lado do mundo. Apesar de mostrar limitação em outras áreas, Tito conseguiu a vitória baseado em quedas e algum ground and pound, aproveitando a rudimentar defesa de quedas do brasileiro.

A atuação seguinte foi bem mais empolgante. Novamente no Japão, no UFC 29, Tito plantou Yuki Kondo no chão com um double-leg, encheu o japonês de pancadas e conquistou a finalização em menos de dois minutos. Nos anos seguintes, Ortiz estendeu seu reinado a cinco defesas consecutivas.

2001: Jens Pulver

Jens-PulverO peso leve Jens Pulver faz parte do time de Miletich dos grandes que ninguém fala a respeito. Inclusive ele fez parte da Miletich Fighting System. Pulver havia batido o astro angolano do jiu-jítsu João Roque no ano anterior, mas foi em 2001 que se tornou o primeiro campeão peso leve da história do UFC.

A luta pelo cinturão inaugural aconteceu no UFC 30, contra o duro Caol Uno (foi a primeira vez que os dois lutadores que disputavam um título puderam escolher suas músicas de entrada). Pulver superou um começo difícil e venceu por decisão unânime. O primeiro desafiante foi Dennis Hallman, credenciado por duas finalizações relâmpago sobre o próximo lutador do ano. Hallman chegou a ter uma chave de braço encaixada, mas não finalizou e pareceu não mais se recuperar de uma violenta esquerda conectada pelo campeão.

No ano seguinte, Pulver conquistou sua maior vitória ao defender o cinturão contra BJ Penn. Na sequência, abandonou o UFC (e o título), passou pelo PRIDE, WEC, Shooto, IFL e baixou de peso para pena, galo e atualmente combate como mosca.

2002: Matt Hughes

Matt-HughesDominante por dominante, eis o campeão mais avassalador da primeira metade da história do UFC – e também produto da Miletich Fighting System. Atarracado, mas forte, muito forte. Matt Hughes levou as quedas a um novo patamar no MMA, transformando-as em ataques de finalização de combates. E fez história na divisão dos meios-médios.

A senda de destruição no UFC começara no ano anterior – e de modo até polêmico -, quando Hughes nocauteou Carlos Newton com um slam, mas pareceu ter apagado dentro de um triângulo em pé segundos antes (o slam teria sido inclusive provocado pela perda de consciência devido ao estrangulamento). Já em 2001, no UFC 36, o campeão do Shooto Hayato Sakurai sofreu com as violentas quedas e o ground and pound de Hughes.

O desafiante seguinte foi Newton, na revanche da controversa luta do UFC 31. No primeiro evento disputado na Inglaterra, no UFC 38, Hughes deixou pouco espaço para dúvida ao travar o canadense num crucifixo e disparar uma neurótica chuva de socos. Em novembro, no UFC 40, Matt cravou Gil Castillo no chão e deu-lhe uma surra tão grande no ground and pound que o desafiante não conseguiu voltar para o segundo round.

2003: Randy Couture

randy_coutureConforme dito anteriormente, Randy Couture já poderia ter figurado nesta lista em 1997. Na ocasião, já com 34 anos, idade em que a maioria já pensa no fim da carreira, o Natural iniciava no MMA ganhando o torneio do UFC 13, dando a primeira mostra de plano de luta no novo esporte ao neutralizar o poder de fogo de Vitor Belfort e massacrá-lo no UFC 15, além de conquistar o cinturão dos pesados. Mas, como Belfort também foi grande naquele ano, resolvemos escalar Couture em outro feito.

Dias antes de completar 40 anos, Randy baixou de categoria depois de perder duas vezes uma disputa de cinturão na categoria mais nobre. No UFC 43, ele disputou o cinturão interino dos meios-pesados (o campeão Ortiz estava em disputa contratual com o UFC) e iniciou a lendária rivalidade com Chuck Liddell. Velho, cabelo rareando, vindo de duas derrotas seguidas, ninguém levava fé em Couture. Grande erro. Mais uma vez mostrando inteligência tática incomum, o mito ignorou o fato de ser azarão, anulou a canhota do rival, derrubou, montou e fechou o caixão no ground and pound, tornando-se o primeiro lutador a conquistar um cinturão em duas categorias de peso distintas.

Como o cinturão era interino, Couture precisava unificá-lo para que não houvesse dúvidas sobre seu feito. Isto aconteceu no UFC 44. Mais uma vez com as casas de apostas contra, Randy aplicou uma bela de uma surra, com direito a dois possíveis 10-8 no percurso, batendo Ortiz por decisão unânime em larga margem. Desde então, apenas BJ Penn, em 2008, conseguiu igualar o feito de ganhar cinturão em duas categorias diferentes.

  • Lucas Wernke

    Muito foda, Alexandre. Só não dou minhas opiniões que nem faço ideia do que tava fazendo nesses anos, mas garanto que não estava vendo MMA.
    Realmente não fazia ideia de quem era Pat Miletich e Jens Pulver, tanto que tive que dar ctrl+c-ctrl+v nos nomes deles.

    • Você estava no saco do seu pai quando o Royce ganhou o UFC 1.

  • Daniel

    Artigo incrível, Alexandre. Parabéns!
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    Eu juro que nunca tinha ouvido falar Pat Miletich, Mas já conhecia o Pulver acho até que ele esta na ativa.
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    Deve ser foda acompanhar o evento desde de o começo, enquanto a galera acompanhava vale-tudo eu tava vendo futebol. Que merda!

    • Nunca ouviu falar no Miletich nem como técnico? Eu sempre lembro dele ao falar do Al Iaquinta, por exemplo.
      .
      Pulver ainda tá na atividade.

      • Daniel

        Já devo ter ouvido falar, mas nem guardei no nome. Só lembro quando vejo o cidadão lutando.
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        Uma pergunta: Em algum desses anos o UFC era o maior evento do mundo?

        • Não. No começão ninguém era grande. Depois era o PRIDE.

          • Daniel

            Quando o Pride se tornou o maior?

  • Nossa, desenterrou o Macaco, o maluco tinha uma base engraçada no melhor estilo Tong Po e vivia entretado com o Pelé cubano nos ringues nacionais. Não lembrava nem mesmo que ele tinha enfrentado o Miletich em sua única aparição no octógono.

    Ótima matéria. Inclusive “me lembrou às avessas” esta outra matéria aqui (http://www.cagepotato.com/the-50-worst-fighters-in-ufc-history/1/) do Cage Potato, hilária! Vale a lida!

    Sobre a sua matéria: acho que caberia uma menção honrosa ao Ruas em 1995. Tudo bem que o Severn faturou dois torneios contra um do brasileiro (com ambos perdendo respectivamente na Superfight e no Ultimate Ultimate), mas, com o perdão do trocadilho, nosso atleta foi um marco na não-individualização de estilos.

    • Caberia uma menção ao Ruas mesmo. Eu até pensei nele a princípio, mas lembrei que ele foi eliminado pelo Taktarov no UU95 e o Severn ganhou o torneio. Os dois têm muita importância histórica no desenvolvimento do MMA, mas eu pensei com a cabeça de quem estaria escolhendo o lutador do ano em 1995.
      .
      Sobre desenterrar o Macaco, eu achei mais desenterrada o Dedé. Macaco tá em atividade até hoje, inclusive é dono do cinturão do Legacy e tá tentando uma última corrida para o UFC antes de se aposentar.

      • Massa, não sabia, vou me inteirar do que o cabra anda fazendo.

        E vou confessar que o Dedé no UFC, isso eu realmente não lembrava. Entre 1999 e early-2000s eu deixava o colégio e começava a faculdade, aí passei a acompanhar menos. Quando voltei logo depois, o Pride já era “a” sensação. Salvo engano, tinha edição do UFC que sequer ganhava registro em vídeo/TV/etc. Só quem foi in loco, viu.

  • Suruhito

    É chover no molhado (mas neste calor dos últimos tempos, cai bem), mas é mais um Grande Texto com a marca de qualidade e inteligência do MMABrasil. Parabéns Alexandre!

  • Marley

    Alexandre, concordo plenamente com a escolha do ano de 1997. E este foi o meu primeiro contato com o MMA. Um professor na academia, onde eu fazia karatê, me falou do tal Mark “the hammer” coleman e me surpreendi com a força fisica e agressividade. A partir dai, eu iniciei o meu amor pelo o MMA. Antes, eu era vidrado no PRIDE, com lutas e lutadores empolgantes..Mas hoje eu prefiro mais a tecnica, a força fisíca e a qualidade dos atletas do UFC…Acho que se ainda existisse o PRIDE, eu preferiria ao UFC. ´
    No mais, está foi uma ótima matéria…Já estou no aguardo da segunda parte!!

    • Suruhito

      Para quem curte, eu sempre faço esta alusão:
      – O UFC é igual o Metallica de agora, o Pride é o Metallica inicialmente.

      • TK

        Se for assim o UFC seria completamente chato e metódico, e o PRIDE não teria tido praticamente nenhuma falha em toda sua trajetória. hahahaha

    • Você tocou numa questão legal. Como teria sido a evolução técnica e tática no PRIDE nos últimos cinco anos, visto que lá eram regras e área de luta bem diferentes?

      • Pedro Lins

        Shogun ia chorar menos sua viuvez do pisão e tiro de meta…hehehe
        Mas falando sério, o Pride ajudava mais o jogo de guarda no chão. Sem a grade e as cotoveladas, fazer guarda não era tão complicado. Com certeza haveria uma evolução nesse quesito e provavelmente não veriamos tanto o jogo de clinch e dirty boxing que é melhor de se fazer na grade…
        E talvez lutadores como Minotauro poderiam ter esticado mais um pouco do seu auge e lutas como Cain x Cigano 2 e 3 seriam bem diferentes.

        • Imagina o Brock Lesnar dando pisão, filho… tá louco…

      • Pedro Lins

        O Shogun ia chorar menos a viuvez dos pisões e tiros de meta… hehehe
        Mas falando sério,nós veriamos mais o uso da guarda no chão,já que sem a grade e as cotoveladas não seria tão dificil quanto é hoje jogar na guarda. O jogo de clinch e dirty boxing seria mais complicado sem a grade também.
        Talvez atletas como Minotauro tivessem um auge maior e alguns combates como Cain x Cigano 2 e 3 seriam bem diferentes.

  • Essa efeméride toda me fez refletir esses dias: tanto o esporte (na sua forma atual) como a organização ainda são muito jovens. Vejam o futebol, ele já existia de forma rudimentar em meados do séc. XIX (em comparação tínhamos também os desafios de vale-tudo ao longo do séc. XX, bem antes de se pensar em UFC). Até que a FIFA foi fundada em 1904. Quando a associação fez 20 anos, ainda não havia acontecido sequer a primeira copa! Um ano depois (1925), a lei do impedimento ganhou a forma que tem até hoje. Levou décadas para os laterais avançarem, o número de atacantes diminuir, aparecer um tal de Pelé, ser implementado o esquema holandês de 1974 etc. O que quero dizer é: quem pode imaginar o que ainda pode acontecer com a forma, a maneira com que se disputa MMA?

    • Eu falo isso pra todo mundo. Ainda não temos uma geração inteira que iniciou no MMA, muito menos uma geração aposentada que iniciou no MMA. Quando isso acontecer, teremos juízes realmente de MMA (não importados de outras lutas), técnicos e protocolos de treinamento definidos para o MMA (e não adaptados), etc. Ainda estamos em plena evolução. E, com o avanço tecnológico, claro que a evolução do MMA não vai ser lenta como foi a do futebol, do basquete, etc.

  • Suruhito

    Alexandre (na medida do impossível, claro) não rola uma matéria especial sobre as lutas pré-MMA? Como eram e quais eram os torneios mais conhecidos, e tal?

    • Pedro PM

      Não sei se foi isso que você quis dizer com Pré-MMA, mas aqui vai um link de uma matéria bem legal, escrita pelo Alexandre, sobre Pancrácio, a modalidade marcial envolvendo vários tipos de luta mais antiga que se tem conhecimento: http://esportes.discoverybrasil.uol.com.br/pancracio-o-mma-da-era-antiga-e-a-sua-historia/

      • Suruhito

        Sim, sim, Pedro, não conhecia esta matéria (mas já tinha ouvido falar do Pancrácio). Mas digo, além dela, outros desafios inclusive individuais, como o do Muhamad Ali x Antonio Inoki; Hélio Gracie x Kimura; as rodas de Capoeira aqui do RJ, a rivalidade Capoeira x Muay Thay em Curitiba (não sei se eram anteriores ao MMA), etc.

      • Suruhito

        Kimo Leopoldo por exemplo, antes de aparecer no UFC 3 parecia já ter alguma bagagem. Mas aonde? Só no Wrestling mesmo? E o mítico Kumitê? O que temos de realidade sobre ele?

        • Ótimas sugestões. Entretanto, cada uma renderia extenso material, isso tudo ficaria legal em uma série de reportagens. Acho que tem até um documentário sobre Ali x Inoki (que na real foi uma não-luta, né). Sobre o kumite, parece que a única fonte é o próprio F. Dux, portanto muita gente garante que é tudo lorota pra vender livros e aulas do seu método.

    • O que é pré-MMA? A época de briga em academia, dos desafios Jiu-Jitsu x Luta Livre, Jiu-Jitsu x Muay Thai, etc?

      • Daniel

        Se eu não me engano tinha eventos no Japão antes do UFC. Tinha um evento que durou chamado Pancrese, se não me engano o Seven lutou neste evento.

      • Suruhito

        Seria algo do tipo Alexandre. Digamos que este “pré-MMA” seria eventos amadores e sem continuidade. O mesmo para desafios do tipo Ali e Inoki que só ocorreram uma vez. No mais, tudo que inspirou o UFC e o Vale-Tudo até chegarmos ao MMA como conhecemos.

  • Sensacional! Excelente artigo! Parabéns!

    Nessa primeira parte, a nota que mais me surpreendeu foi a do Frank Shamrock, muito foda!

    “Shamrock defendeu seu título em três oportunidades. (…) Depois, largou o cinturão e foi embora do UFC com o seguinte recado: “Quando vocês tiverem um desafio de verdade para mim, eu volto”. Nunca voltou. Foi para o WEC e conquistou o cinturão. Fez o mesmo no Strikeforce. Só não está no Hall da Fama por causa do difícil relacionamento com Dana White.” PQP! :-)

    E sobre o Dan Severn, para quem não o conhece, recomendo também dar uma estendida, lendo este outro artigo:

    http://www.mmabrasil.com.br/dan-severn-anuncia-fim-de-carreira-lendaria-na-virada-do-ano

    Depois volto para ler os comentários do pessoal

    • Severn era um demônio. Já nas suas primeiríssimas lutas saiu distribuindo suplês a torto e a direito nos pobres incautos. Acredito que o golpe era inédito no octógono até então. Se King Royce estava assistindo no backstage, deve ter pensado “porra, esse bigode aí pode me complicar, melhor eu tomar cuidado”.

      • Primeiro suplê da história do UFC foi do Severn sobre o Anthony Macias. Tem na matéria da aposentadoria do Sever aqui no site.

  • Clint

    Sensacional e matéria mesmo, Alexandre. Não tenho tido muito tempo de comentar aqui, mas não podia deixar de dar meu palpite neste post. Minha única discordância mesmo é quando ao ano de 1995, pois acho que o lutador do ano deveria ser Ken Shamrock, que, além de, ter sido o primeiro a não ser derrotado por Royce Gracie, ainda derrotou o próprio Dan Servern, tudo no mesmo ano.

    • Sim, eu também fiquei na dúvida, mas o Ken acabou o ano oficialmente com 1-0-2, enquanto o Severn foi campeão de dois torneios, inclusive um com todos os campeões (a não ser o Royce).