UFC 20 Anos: As Lutas do Ano, parte 1

UFC 20 Anos: As Lutas do Ano, parte 1
MMA

O terceiro artigo sobre os 20 anos do UFC apresenta as melhores lutas de cada ano da primeira década da organização, onde alguns mitos se formaram.

UFC-20-Anos

Na sequência dos artigos especiais sobre os 20 anos do UFC, o MMA Brasil selecionou uma lista especial. Ano a ano de história no octógono, escolhemos as lutas que mais empolgaram o público em cada um dos anos de existência da hoje maior organização do MMA mundial.

Talvez nem fosse preciso dizer, mas cabe ressaltar que definir uma lista como esta não foi nada fácil. Acredito que talvez exista algum cidadão que assistiu a todas as mais de duas mil lutas nos 252 eventos realizados pelo UFC, mas infelizmente não é o meu caso nem do Diego Tintin. Isto significa que não temos a pretensão de ter gerado uma lista definitiva, apenas um registro histórico com um pouco do que aconteceu de melhor em cada um dos 20 anos de história do UFC.

Como sempre, a caixinha de comentários está à disposição para sugestões de outros combates históricos e debates sobre a nossa lista e os duelos aqui descritos.

1993-1994: Royce Gracie vs Dan Severn

Final do torneio do UFC 4, disputado em 16 de dezembro de 1994. Royce Gracie passou boa parte do combate sendo esmagado por Dan Severn, o primeiro a usar efetivamente o wrestling na história do UFC. O brasileiro conseguiu uma finalização espetacular quando o combate já havia passado do décimo sexto minuto.

O detalhe curioso é que ninguém viu ao vivo o desfecho do duelo pela televisão, já que o tempo do satélite alugado para o pay-per-view expirou minutos antes do fim do combate. Vários consumidores pediram o reembolso da taxa do pay-per-view.

1995: Oleg Taktarov vs Tank Abbott

Mais uma final sensacional de torneio, desta vez no UFC 6, disputado no dia 14 de julho. Oleg Taktarov, o Urso Russo, um dos mais aguerridos lutadores que o MMA já conheceu, teve que superar uma pancadaria com o muito pesado Tank Abbott e a altitude de mais de 1.500m de Casper, no Wyoming, numa demonstração de coração e força de vontade. Após o combate, Taktarov foi encaminhado para um hospital com sinais de exaustão e bastante machucado.

1996: Mark Coleman vs Don Frye

Mark Coleman, proveniente da Ohio State University, e Don Frye, pupilo de Severn na Arizona State University, fizeram a final do UFC 10, na luta que foi o primeiro clássico entre wrestlers de alto gabarito na história do UFC. E, como é tradicional nestes encontros, a porrada comeu ardida.

Por ter conquistado o UFC 8 à base de muita violência, Frye logo se transformou em ídolo. Porém, Coleman era uma máquina destruidora e parou o oponente em nocaute técnico usando a arma que implantou como tática de luta, o ground and pound.

Curiosidade: o UFC 10 marcou a estreia de Bruce Buffer como announcer oficial da organização, substituindo Rich “G-Man” Goins, que era o titular antes, e seu próprio irmão Michael Buffer, que anunciou duas edições.

1997: Randy Couture vs Vitor Belfort

O primeiro rascunho de plano de luta que o MMA viu aconteceu na vitória de Ken Shamrock sobre Dan Severn. Mas o primeiro a levar para o octógono um plano detalhado de neutralização de um oponente foi Randy Couture. Sua vitória sobre Vitor Belfort, no UFC 15, no dia 17 de outubro, foi o momento mais marcante que eu tive assistindo a este esporte.

Vitor era um fenômeno de 20 anos que triturava seres humanos às custas de punhos velozes e precisos. Àquela altura, era difícil imaginar que um faixa preta de Carlson Gracie, com um boxe daquele nível, pudesse perder um dia. Mas quando Randy anulou o punho esquerdo de Belfort e o puniu exemplarmente no clinch, rodando sempre para o lado da mão “fraca” do brasileiro, meu mundo caiu.

1998: Jerry Bohlander vs Kevin Jackson

Entre tantos wrestlers de alto nível começando a invadir o UFC, um dos mais importantes nos primórdios foi Kevin Jackson. Não pela carreira no MMA, que não teve maiores brilhos, mas por ter sido campeão olímpico em Barcelona-1992 e bi mundial. Já Jerry Bohlander era integrante da Lion’s Den, primeira equipe de ponta da história do UFC – a família Gracie não conta, já que apenas Royce lutou naquela época, enquanto a Lion’s Den tinha os irmãos Shamrock, Bohlander, Guy Mezger, etc.

Num duelo de alto nível técnico, disputado no UFC 16, Kevin colocou o wrestling para jogo, mas teve que lidar com as tentativas de submissão de Jerry. Numa delas, Bohlander emendou uma chave de braço e uma kimura. Jackson defendeu as duas. A terceira foi um armlock que deixou o braço do campeão olímpico envergado. Vendo que Jackson não bateria, “Big” John McCarthy evitou uma fratura séria e parou a luta.

1999: Frank Shamrock vs Tito Ortiz

Esta talvez foi a melhor luta do UFC até então – e uma das melhores até hoje -, disputada no UFC 22. Campeão dominante dos meios-pesados (categoria na época ainda chamada de peso médio), Frank Shamrock precisou superar um oponente que cortou peso e lutou com mais de dez quilos de vantagem. A diferença física era tão grande (e Tito Ortiz era uma máquina física em seu apogeu) que Frank era considerado azarão mesmo sendo o campeão.

Shamrock fez Ortiz desistir à base de um terrível ataque soviético de socos e cotoveladas no quarto round. Depois da luta, com cinco vitórias acachapantes em igual número de apresentações no UFC, Frank se despediu da organização vendo os donos na ocasião dizerem que tratava-se do melhor lutador da história do octógono até aquele momento.

2000: Randy Couture vs Kevin Randleman

Duas lutas seguidas de Couture mostrando características marcantes de sua carreira: o enorme talento e o salvo-conduto com os julgadores.

Em 2000, ele já havia conquistado o cinturão dos pesados e abandonado o UFC para disputar um torneio no RINGS, no Japão. Quando se classificou para a final do outro lado do mundo, recebeu um convite para um title shot no UFC contra Kevin Randleman, no UFC 28. Randy foi derrubado algumas vezes pelo Monstro, mas virou a luta no terceiro round, massacrando a montanha de músculos no ground and pound da montada.

Curiosidade: o UFC 28 foi o primeiro evento sob a tutela das Regras Unificadas de Conduta do MMA e o primeiro evento sancionado pela Comissão Atlética do Estado de New Jersey, uma das que produziu o documento de regras que perdura até hoje.

2001: Randy Couture vs Pedro Rizzo

No ano seguinte, no UFC 31, Couture defendeu seu título contra Pedro Rizzo. O duelo teve momentos violentos, com ambos os lutadores lançando golpes pesados no oponente. Porém, Pedro encheu as pernas de Couture de lambadas. Foram bicas violentas, no melhor estilo aprendido com o mestre Marco Ruas. Couture apanhou tanto deste modo que o próprio Rizzo, depois da luta, o ajudou a subir no ônibus que levaria os atletas de volta ao hotel – Randy estava numa cadeira de rodas sem conseguir andar.

Curiosidade: o UFC 31 foi o primeiro evento depois da aquisição da organização pela Zuffa, com Dana White como presidente.

2002: BJ Penn vs Matt Serra

BJ Penn vs Matt Serra e Caol Uno vs Din Thomas formaram um torneio no UFC 39 onde os vencedores disputariam o cinturão dos leves no UFC 41. Penn, primeiro estrangeiro campeão mundial de jiu-jítsu na faixa preta. Serra, primeiro americano a receber a faixa preta de Renzo Gracie.

O animado duelo teve trocas de golpes em pé, tentativas de quedas e de submissões. Serra foi quem buscou mais a luta no chão e acabou penando por causa disso. No primeiro e terceiro rounds, sua insistência no single-leg permitiu que Penn descesse o couro. Somente no segundo Serra conseguiu vantagem por cima, de onde aplicou fortes pancadas no havaiano.

2003: Randy Couture vs Chuck Liddell

O primeiro capítulo da maior rivalidade da história do UFC deu-se no UFC 43, no dia 6 de junho. Na ocasião, Couture baixara de categoria depois de ser derrotado duas vezes em disputas do cinturão dos pesados e foi disputar o título interino contra Chuck Liddell. O campeão na época, Tito Ortiz, brigava com o UFC por renovação de contrato.

Azarão em larga margem devido às derrotas recentes e à idade (40 anos na época), Couture deu mais uma mostra de sua elevada inteligência tática lançando muitos golpes em linha para neutralizar os perigosos ganchos de Liddell. Deste modo, Randy abriu caminho para as quedas e chegou à vitória quando montou e mandou fogo no ground and pound.

Curiosidade: com esta vitória, Couture se tornou o primeiro a conquistar um cinturão em duas categorias diferentes no UFC, depois de ter sido o primeiro a conquistar um mesmo cinturão em duas oportunidades distintas.

  • TK

    Cara… Assisti essa luta do BJ e do Serra bastante tempo depois, em 2007 ou 2008, junto com algumas outras que um colega me passou, e foram o grande motivo de eu ter colocado GSP, BJ e Hughes no rol de primeiros ídolos do UFC. Antes disso MMA pra mim era o PRIDE e olha lá… e ainda acompanhava bem pouco.
    Claro que depois eu conheci Lidell, Couture, Ortiz e tal… mas BJ é um dos poucos que eu torço MUITO, independentemente da barriga de verme e de atuações vergonhosas.

  • Pedro Lins

    Será que o Couture é mito? Doninou a parte 1 da matéria… ainda tem gente que critica o cara, não consigo entender isso.

    • Suruhito

      É difícil não ter o Couture como o maior lutador a ter entrando no octógono por tudo que ele fez, na idade que ele fez. Tem um cartel praticamente de 2v para cada derrota, mas também, só pegou os melhores e quase sempre estava no meio de um TS.
      Dúvida que me surgiu (culpa de uns asteróides de ontem): Randy chegou a usar TRT?

  • Daniel

    Alexandre, você viu estas lutas acontecerem ou assistiu tapes depois?

  • Pô, Alexandre, pisou feio, todo mundo sabe que a luta de 1993-1994 foi Gordeau x Tuli. hahahahaha

    • hahaha, esse Tuli ganhou meu respeito depois que eu li um especial no site do Canal Combate. Os lutadores estavam numa sala para discutir as regras e muitos reclamaram o fato de não poder usar bandagens nas juntas dos dedos (para não quebrar a mão tão fácil), aí o Tuli deu um puta tapão na mesa e disse:
      .
      “Eu vim aqui para lutar. Se alguém quiser lutar, encontre-me na arena amanhã”
      .
      E saiu da sala. Depois disso, todo mundo calou a boca e assinou o contrato, hehehe

      • Suruhito

        Li sobre isso também Frank. Fora que só ele e o Jimmerson receberam caches (8 e 17 mil respectivamente), mas no caso dele foi porque “não queria que a mãe ficasse com todas as despesas do velório”.
        Mito!

        • Parece que acharam também um dente do Tuli na canela do Gordeau, hehehe. Que rinha foi aquela, Jesus…

          • Essa eu custei a acreditar, mas ajuda a deixar o evento mais lendário ainda :-)

          • Acharam o buraco. Acho que o dente voou.

        • Isso mesmo! hahaha, agora parece que o cara participa de uma série de TV, fiquei feliz por ele :-)

      • Daniel

        Você viu um vídeo com a cena ou ouviu falar? Essa história parece ser sem sentido por que tinha gente lutando até de luva.

        • Não, mas era tudo meio “bagunçado” no começo, muitos acordos foram feitos. Pelas entrevistas que li, e documentários que vi, se não me falha a memória, não ia poder usar luvas mesmo. Mas aí o Royce aceitou que ele usasse de última hora. É que o maior ponto que o Rorion queria mostrar, que muitos de nós só viemos a perceber nos últimos tempos, é que as luvas servem para proteger as mãos do agressor e não o rosto do adversário.

          • ele = Art Jimmerson, o boxeador

          • Suruhito

            Isso ai mesmo que o Frank falou. O Jimmerson ganhou U$ 17 mil e o Tulli 8 mil de bolsa, ninguém mais levou nada (só Royce com o premio). O Frank até hoje xinga que não podia usar sapatilhas (o que lhe garantiria mais grip) e o Royce entrou para lutar de Gi e na hora do estrangulamento, ele só conseguia agarrar pano e pano e não o Royce propriamente dito para escapar. Sim, foi meio bagunçado!

            • Suruhito

              CORREÇÃO, Frank (Shamrock)= KEN Shamrock xinga até hoje…

          • Mas eu falo isso das luvas há muito tempo. Isso faz parte da história do boxe. Sempre deixaram claro que as luvas foram introduzidas pra evitar que os lutadores quebrassem suas mãos rapidamente e, assim, não diminuir o ritmo (ou até acabar) as lutas antes da hora. Detalhe da hora: até 100, 110 rounds…

            • Daniel

              É muito mais fácil uma luta acabar antes por que um cara teve a cara quebrada levando um soco do que o contrário. A luva serve para proteger o rosto, principalmente de cortes e a mão secundariamente.

              • Não, cara, a luva foi criada para proteger as mãos. Isso não é uma suposição, isso é história. E você precisa estudar os primórdios do boxe pra saber quantas lutas pararam por mãos quebradas e quantas pararam por rostos machucados. Não afirme algo que você não conhece.

          • Daniel

            Continua fazendo mais sentido que esta história é lenda do que o Royce tenha liberado o uso da luva de última hora.
            .
            Eu sempre ouvi falar que a luva serve para proteger a mão.

    • DSCLP