UFC 181, o impacto do Strikeforce no octógono e o que o Bellator ganha com isso

UFC 181, o impacto do Strikeforce no octógono e o que o Bellator ganha com isso
MMA

De todas as organizações rivais que a Zuffa comprou para incorporar ao UFC, nenhuma causou mais impacto no octógono do que o Strikeforce, que era liderado pelo atual presidente do Bellator Scott Coker.

Durante a explosão do UFC, processo que conduziu a organização de massa quase falida para uma das maiores ligas esportivas do mundo, vários rivais foram adquiridos, numa prática considerada predatória por alguns, mas bastante comum no mundo dos negócios.

O primeiro concorrente a ser absorvido pela Zuffa – a empresa dona do UFC, liderada pelos irmãos Frank e Lorenzo Fertitta em sociedade com Dana White – foi a WFA (World Fighting Alliance), comprada no dia 11 de dezembro de 2006 e que rendeu ao UFC os contratos de Quinton Jackson, Lyoto Machida (que vieram a se tornar campeões do UFC) e Martin Kampmann. A contratação de Rampage foi considerada fundamental para a aquisição, já que o UFC queria promover a revanche contra Chuck Liddell. A WFA foi imediatamente extinta.

Dias depois foi a vez do californiano WEC (World Extreme Cagefighting), que fazia um excelente trabalho de garimpo de talentos, além de desenvolver as categorias abaixo de peso leve. A Zuffa inicialmente extinguiu as divisões acima de meio-médio do WEC, fazendo o UFC incorporar Carlos Condit (que conquistou o cinturão interino dos meios-médios no UFC), Chael Sonnen (que disputou os cinturões dos médios e meios-pesados no UFC), Brian Stann e outros.

A terceira compra teve um impacto bem maior do que as anteriores. No dia 27 de março de 2007, a Zuffa comprou da Dream Stage Entertainment o PRIDE FC, organização que era considerada a melhor do MMA mundial na época. Após cessar as operações do evento japonês, o UFC adicionou (ou reincorporou) às suas fileiras astros como Rodrigo Minotauro, Maurício Shogun, Dan Henderson, Wanderlei Silva, Mirko Cro Cop e outros. Minotauro e Shogun conquistaram cinturões, Hendo disputou dois, mas a participação das estrelas no octógono, de modo geral, ficou bem aquém das expectativas.

Em dezembro de 2010, o WEC foi oficialmente extinto e o UFC recebeu as categorias galo, pena e juntou os leves com seu plantel. A fusão tornou esta última categoria forte a ponto de os ex-WEC controlarem a turma, primeiro com Ben Henderson, depois com Anthony Pettis. E isso sem contar com Donald Cerrone, que não sai do top 5. Nos penas, mesmo com a chegada de vários leves do UFC, José Aldo segue dominando a concorrência.

Ninguém afetou mais o UFC do que o Strikeforce

Como se vê, impactos de toda sorte aconteceram com o processo de aquisição de concorrentes pela Zuffa para o UFC. Porém, nenhuma organização afetou mais a maior do mundo do que o Strikeforce. Quando foi divulgada a compra, em 12 de março de 2011, o choque foi grande, visto que a empresa então liderada por Scott Coker crescia com um bom acordo de televisão, excelentes cards e a maior estrela do MMA mundial à época.

Johny Hendricks e Robbie Lawler fizeram um dos melhores duelos de 2014 (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

Johny Hendricks e Robbie Lawler fizeram um dos melhores duelos de 2014 (Foto: Jeff Bottari/Zuffa LLC)

O Strikeforce nem precisou mandar Fedor Emelianenko para o UFC para causar estrago. No próximo sábado, no UFC 181, dois dos astros do extinto cage hexagonal desafiarão cinturões no octógono: Robbie Lawler, contra Johny Hendricks, e Gilbert Melendez, contra Anthony Pettis. Daqui a pouco mais de um mês, Daniel Cormier tentará tirar o cinturão de Jon Jones. Em fevereiro, Ronda Rousey coloca sua coroa em jogo contra Cat Zingano.

A fusão das duas maiores organizações do MMA mundial transformou algumas divisões do UFC em “terra de marlboro”. Além de Melendez, Josh Thomson, Bobby Green e Jorge Masvidal chegaram para transformar a vida dos que batem 70 quilos num inferno mais quente. Numa categoria acima, ao lado de Lawler chegaram Nick Diaz, Tyron Woodley e Tarec Saffiedine, todos integrantes do top 10.

Nos pesados, Fabricio Werdum conquistou o título interino e Antonio Pezão, Alistair Overeem e Josh Barnett deram mais profundidade à categoria mais rasa do UFC. Nos médios, Chris Weidman está cercado por um exército formado por Ronaldo Jacaré, Luke Rockhold, Yoel Romero, Tim Kennedy e Gegard Mousasi. A chapa esquentou para todo lado.

Onde o Bellator entra nesta história?

Como se sabe, o Bellator firmou-se como a segunda principal organização do MMA mundial depois da extinção do Strikeforce. Também é sabido que o Bellator trocou sua presidência, afastando Bjorn Rebney e trazendo exatamente Scott Coker para seu lugar. Tão importante quanto essa mudança foi trocar o impopular matchmaker Sam Caplan pelo talentoso e mais amigável ex-Strikeforce Rich Chou.

O primeiro evento feito com a cara e as mãos da dupla Coker-Chou foi o Bellator 131, que bateu de frente com o UFC 180 no dia 15 de novembro e o venceu em audiência, gerando a maior visibilidade da história do Bellator.

Sem a obrigação de usar torneios, Chou casou Joe Schilling e Melvin Manhoef, dois trocadores da pesada, produzindo um dos nocautes mais espetaculares do ano. Arrumou um oponente sob medida para recuperar a abalada estima de King Mo Lawal, antiga estrela do Strikeforce. Confrontou uma revanche valendo cinturão entre Will Brooks e Michael Chandler, dois dos mais talentosos lutadores peso por peso fora do UFC. E liderando o card, um confronto entre os ex-lutadores em atividade astros de grande popularidade Tito Ortiz e Stephan Bonnar.

Coker fez um trabalho ainda mais primoroso que o de seu matchmaker. O novo presidente deu um ar mais de espetáculo a uma organização que era praticamente 100% esportiva e mudou as entradas protocolares dos atletas para um show à parte, com muitas luzes, telões e uma ponte ligando o vestiário ao cage, exatamente como acontecia no PRIDE e no próprio Strikeforce.

O dirigente promoveu Manhoef como o lutador que nocauteou o desafiante dos pesados do UFC, que disputaria o cinturão na organização rival no mesmo dia. Em um dos intervalos, com a audiência bombando, Coker anunciou a contratação de Aaron Pico, um dos mais aguardados prospectos da história do MMA.

Para completar o pacote de mudanças, o presidente oficializou que cortaria a quantidade anual de eventos pela metade, mudando de uma série de cards semanais para apenas um por mês e mais quatro edições especiais espalhadas pelo ano, algo muito mais fácil para os fãs acompanharem e para gerar expectativa entre uma data e outra. De quebra, ainda foram anunciados os três primeiros cards de 2015, todos com disputas de cinturão: Patricio Pitbull vs. Daniel Straus (Bellator 132, em 16/01); Douglas Lima vs. Paul Daley e Emanuel Newton vs. Liam McGeary (Bellator 133, em 27/02); Joe Warren vs Marcos “Loro” Galvão (Bellator 134, em 27/03).

Não há dúvidas que Scott Coker e Rich Chou manjam dos paranauê. Mas se eles quebraram o Strikeforce, o que nos garante que o mesmo não vai acontecer ao Bellator?

Analisando alguns pontos, eu diria que Coker não soube lidar com a questão financeira. Pagar rios de dinheiro a Emelianenko, Hendo, Overeem, Werdum e outros que o UFC não quis bancar à época tornou o Strikeforce um investimento de alto risco e pareceu ter tido papel fundamental na decisão da Silicon Valley Sports & Entertainment, parceiro financeiro de Coker, de trocar a organização de MMA pelo San Jose Sharks, time da NHL da mesma cidade onde ficava a sede do Strikeforce.

No Bellator, a situação é diferente. A gigante da comunicação de massa Viacom conduz a organização na mão de ferro e provavelmente vai limitar a atuação de Coker com o dinheiro alheio. Seria algo como a empresa definir um orçamento e mandar Coker e Chou se virarem com ele. Deste modo, a Viacom construiu um império que engloba a Paramount Pictures, a Spike TV, a MTV, o Nickelodeon, o Comedy Central, a VH1 e outros.

Coker e Chou hoje veem alguns de seus pupilos triunfarem no maior palco do MMA mundial. Em paralelo, ganharam a oportunidade de refazer a trajetória de sucesso do Strikeforce, mas sem o final infeliz. O UFC terá que prestar atenção na concorrência. E o esporte agradece.

  • Thiago Kuhl

    “Nos médios, Chris Weidman está cercado por um exército formado por Ronaldo Jacaré, Luke Rockhold, Yoel Romero, Tim Kennedy e Gegard Mousasi. ”

    Acho que esse foi o maior mérito… Sem Gilbert, Lawler e DC suas categorias não perderiam tanto assim… mas a categoria dos médios foi realmente revivida depois do furacão Anderson Silva destruir tudo e todos…

    • As divisões dos leves e dos meios-médios já eram fortes e ficaram ainda mais. A dos médios era ruim e ficou muito forte. A dos pesados era péssima e ficou tolerável.

      Acho que o Cormier tem um peso muito forte. Ele faz a categoria ficar com quatro nomes fortes (Rashad virou uma incógnita). Sem ele, ficaria 25% mais fraca. A divisão não é mais como era há um tempo.

    • Lero

      Imagina o Anderson limpando a categoria dos médios contra Jacaré, Rockhold, Lyoto, Romero, Mousassi, Vitor vitaminado 2013 edition… E nao contra Demian, Sonnen, Tales e Cote… Acho que ai não ia a ter discusao do maior da historia…

  • Malk Suruhito

    Só quem é carioca entende a profundidade inserida na expressão “Terra de Malboro”…

    E outra, se o Bellator adotar o design dos cinturões iguais do Strikeforce, viro fã. Os do UFC são muito sem graça…

    • Eu acho que o Cormier tem um peso muito forte. Ele fez a categoria ficar com quatro negos fortes. Sem ele, ficaria 25% mais fraca. A divisão não é mais como era há um tempo.

      Eu acho o cinturão do Bellator lindo.

    • Eu acho o cinturão do Bellator lindo.

    • Felipe Freitas

      Que diabos é terra de malboro?

      • Malk Suruhito

        É uma terra ondes Os Fracos Não Tem Vez (musica tema do comercial do Marlboro ou Três Homens em Conflito tocando ao fundo)