Por Alexandre Matos | 23/02/2020 03:55

O primeiro duelo, em dezembro de 2018, foi controverso. O empate entre o americano Deontay Wilder e o inglês Tyson Fury deu brecha para choros de todos os lados. A revanche, comercializada como Unfinished Business (Negócio Inacabado), tratou de acabar com a polêmica.

Entre os dois combates, os pugilistas passaram por momentos distintos. A revanche já estava assinada, mas Wilder enfrentou Luis Ortiz, enquanto Fury encarou Tom Schwarz e Otto Wallin. O americano passou um sufoco tremendo e perdia a luta para o cubano por boa margem quando lembrou ao mundo porque era o campeão dos pesados com a maior taxa de nocautes de todos os tempos, promovendo o encontro entre Ortiz e o capiroto no fim do sétimo assalto.

Por outro lado, Fury deu um show de técnica contra Schwarz, nocauteando-o no segundo assalto. Ao fim do combate, pegou o microfone e mandou um “I Don’t Want To Miss A Thing”, do Aerosmith, à capela. Três meses depois, Fury teve que lidar com um corte profundo no rosto, iniciado com um gancho de esquerda de Otto Wallin, seguido por um choque de cabeças não intencional. Mesmo assim, o Gipsy King (Rei dos Ciganos) venceu com segurança por decisão unânime.

Era um prenúncio de luta empolgante. Wilder escapou de duas derrotas graças às bigornas que repousam na extremidade de seus braços. Já Fury demonstrava recuperação total dos problemas de depressão que quase deram fim à sua carreira. Será que a patada de Wilder o salvaria novamente contra um lutador mais talentoso?

Fury precisa de seis minutos para acabar com o equilíbrio

O confronto deste sábado iniciou acelerado, com ambos na atividade. O jab de Fury, facilitado pelas gigantescas dimensões do britânico, passou a ditar o ritmo das ações. Nos dois primeiros rounds, houve alguma competitividade, com Fury mostrando paciência para deixar Wilder em posição defensiva. Nos demais, o inglês aplicou uma surra antológica no oponente, num confronto unilateral que não era visto em disputa de cinturão entre estrelas do peso pesado desde que Lennox Lewis destruiu Mike Tyson, em 2002.

Tyson Fury nocauteou Deontay Wilder

Tyson Fury passou como um trator sobre Deontay Wilder (Foto: Al Bello/Getty Images)

No terceiro assalto, uma combinação de Tyson fez com que Wilder buscasse o clinch. Em seguida, uma direita poderosa mandou o medalhista olímpico à lona. O americano se levantou até rapidamente, mas parece que seu cérebro não se recuperou do chacoalhão – ele caiu novamente, mas o árbitro Kenny Bayless considerou como um escorregão. A partir dali, o “Bronze Bomber” não conseguiu mais voltar à luta, ficando à mercê do europeu.

Wilder parecia estar sobre um piso de gelatina no quarto round de tanto que suas pernas bambeavam. Fury manteve a distância com excelente serviço de jabs e diretos de direita que funcionavam como uma britadeira. No quinto, um gancho na boca do estômago colocou Deontay novamente no solo. Naquele momento, apenas um milagre salvaria Wilder.

Tyson Fury mandou Deontay Wilder duas vezes à lona

Tyson Fury mandou Deontay Wilder duas vezes à lona (Foto: Al Bello/Getty Images)

Todas as forças restantes para o americano foram usadas para manter seus braços levantados para tentar bloquear os golpes de Fury. Sabe-se lá como, Wilder sobreviveu ao sexto assalto. Sua situação estava tão calamitosa que Fury aproveitou um clinch para lamber o sangue da orelha do rival. No sétimo, entregue ao colo do palhaço, ele foi encurralado no córner debaixo de uma saraivada de socos de Fury. Wilder estava tão prejudicado que sequer conseguia juntar os braços para fechar a guarda. Vendo os golpes de Fury vazarem a defesa de seu pupilo, o técnico Mark Breland jogou a toalha na marca de 1min39s do sétimo round, dando contornos finais ao massacre. Curiosamente, Jay Deas, treinador principal de Wilder há anos, não concordou com a atitude do companheiro de equipe Breland.

Com o cinturão do WBC no ombro, voltando ao posto de campeão linear, Fury pegou o microfone e cantou um “So bye bye Miss American Pie…”, para delírio da maioria dos fãs que encheram a MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas.

Agora, os fãs estão ansiosos para a maior promoção de boxe da história do Reino Unido. A missão da nobre arte passa a ser escalar Tyson Fury contra Anthony Joshua, no estádio de Wembley – antes que Oleksandr Usyk chegue e acabe com a festa.