TUF 25, Episódio 11: O domínio das cobras

TUF 25, Episódio 11: O domínio das cobras
MMA

O primeiro finalista é revelado num combate que até o perdedor saiu maior o que entrou. Leia rapidamente esta resenha porque a última já vem pela frente.

Olá, pessoal! Um grande alô pra vocês que estão muito agradecidos pela transmissão estar atrasada em uma semana e que precisam ver dois episódios em tempo recorde pra terminar antes do evento. Um grande abraço do colunista que tem que se lascar para fazer duas resenhas seguidas. Estamos de volta para o penúltimo episódio da temporada do TUF 25, o reality show do UFC.

No último episódio, conferimos a definição das semifinais, quando Jesse Taylor despachou Hayder Hassan com uma previsível finalização e James Krause venceu uma dura batalha que deixou sequelas contra Ramsey Nijem. Após a luta, ficou a indefinição da participação de Krause nas semifinais em virtude de um problema no olho.

Neste primeiro episódio de hoje, teremos a primeira semifinal, disputada entre Dhiego Lima e o “desdentado” Tom Gallicchio (meu deus, como não reparei antes que faltava um pivô ali na frente? Não vou me perdoar por ter deixado passar essas piadinhas infames), definindo o primeiro finalista. Confesso que estou ansioso para saber o destino de Krause.

Vamos lá acompanhar essa história?

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Começamos com Krause prometendo se recuperar e bater o peso. Dana pede para chamar Cody Garbrandt e lhe avisa que, se Krause não puder competir, é o técnico quem vai trazer algum lutador de volta. Quando achei que o Macho Alfa fosse ficar feliz, ele sai da sala reclamando de “migalhas”. Fica a pergunta: que caceta ele esperava que o Dana White fizesse? Algo do tipo “olha, Cody, eu gosto muito de você, tu é o campeão, fera, então vou deixar essa final tosca pra lá e deixar que você escolha os dois finalistas”.

Amigo, conforme-se. Seu time PERDEU quase todas as lutas. Os poucos que restaram foram ELIMINADOS. Para, porque tá feio.

Cody escolhe quem é que vai para a final, mas esquece que ainda tem que enfrentar Jesse Taylor. A decisão de Dana gerou protestos no vestiário do time azul, especialmente de Ramsey Nijem. A alegação foi que não era justo – e eu concordo. Gilbert Smith cornetou a corneta de Nijem, os ânimos se acirraram e então percebemos que Seth Baczynski ainda faz parte do programa.

Foi então que se lembraram que não poderiam brigar ou seriam expulsos do programa, e a discussão passou a rolar com classe. Quase uma discussão via alfinetadas de Ronaldo Ésper e Clodovil. Os lutadores se encararam e Gil prometeu acabar com a raça de Nijem, indicando uma reviravolta na decisão de se aposentar (ou cavando uma vaguinha em algum card do UFC no futuro).

Vamos ao que interessa (ou não): a preparação para a primeira semifinal. TJ Dillashaw mais uma vez preocupa-se em não se posicionar ou favorecer nenhum de seus lutadores. A estratégia para Dhiego é trabalhar a distância, os pisões frontais, as combinações e fugir do grappling de Tom como o diabo foge da cruz. Lima valoriza seu oponente, dizendo que é subestimado e que não vai cometer o mesmo erro dos demais.

A hora da traquinagem do penúltimo episódio fica por conta do time de Dillashaw. Rolos de pintura e tinta azul e todo o vestiário da equipe vermelha agora está azul. Pegaram até uma placa de “Time Dillashaw” para ficarem dois vestiários idênticos. Criativo e um tapa com luvas de pelica. Botou Cody Garbrandt e os machos-alfa dentro do bolso.

O time vermelho entra no vestiário e a reação de todos fica por conta da cara de bunda de Seth Baczynski, que, apesar de tudo, apreciou e também fez piada: “Perdemos tudo e, pelo visto, o vestiário também”. Hassan não deu a mínima (não disse que corre sangue azul nas veias dele?). Os demais trataram de rearrumar o vestiário para a chegada de Cody, dando aquela lambida marota no “chefe”. Escreveram na parede com fitas vermelhas “Cody No Love” e removeram as fotos, picharam as paredes e deixaram o ambiente tão feio quanto a cara de Eddie Gordon, com direito a uma cobra desenhada na parede.

Na mansão de Las Vegas, Krause está irritado pela secação extrema em sua lesão. “Quando o animal está atropelado no acostamento, os urubus já se aproximam para comer a carniça”. Johnny Nuñez pergunta mais uma vez se ele está bem e Krause se irrita, constatando (de cuecas) que Nuñez está desejando seu mal para ter uma oportunidade e isso é desrespeito. Nuñez foi tão babaca que mostrou que aprendeu bem com Cody como (não) se faz.

Hora de destacar um pouco a preparação de Tom. O nobre vendedor de máquinas de doces diz que pensou em se aposentar e agora está a um passo de voltar para casa e dizer: “Mãe, pai, estou na final”. Boa, garoto! Sua estratégia, previsivelmente, é o inverso da de Dhiego: usar o grappling buscando uma finalização.

Mais travessuras: a equipe vermelha está na academia jogando vôlei, já que não precisam mais treinar. TJ aproveita para entrar no vestiário com uma cobra de verdade para ironizar o “proibida a entrada de cobras” que desenharam na parede. Aliás, tinham quatro cobras. Julian Lane foi o primeiro a entrar no vestiário e saiu correndo. O time vermelho veio a seguir e Cody ficou rindo enquanto gritava “TJ, saia daqui”. O “California Kid” Urijah Faber foi brincar com as cobras.

As cobras foram se pesar: o primeiro foi Tom, que marcou 77,3 quilos. Lima veio a seguir e anotou o mesmo peso. Na encarada, risos e brincadeiras. Confesso que não entendi o que Lima insinuou com sua posição. Se souberem, coloquem aí na caixinha de comentários.

No dia da luta, Tom acorda e vai caminhar no jardim, enquanto bate um papo motivador com seu alter ego. Quer colocar a cereja no seu bolo e continuar seu conto de fadas, pegando as costas de Dhiego Lima e finalizando. Não se importa de ser o azarão e quer chocar a todos mais uma vez.

Dana White está na platéia para o combate. Dhiego diz que veio para vencer e não vai perder outra final. Então vamos ver quem terá seu desejo realizado.

Semifinal #1: Tom Gallicchio (Team Dillashaw) vs. Dhiego Lima (Team Dillashaw)

Herb Dean é o árbitro que autoriza o início do combate.

Tom começa recuando e tenta o avanço com um duplo jab. A diferença de tamanho entre os dois é um pouco constrangedora. O corajoso Tom tenta entrar no raio de ação do brasileiro e é rechaçado. Dhiego parece respeitar muito o jogo de seu adversário e até demora para tomar iniciativas.

O filhote de Tony Ramos tenta uma queda, bem defendida por Lima. Tenta nova aproximação, de modo bem metódico, utilizando combinações curtas com dois jabs de entrada. Lima passa a avançar um pouco mais quando chegamos à metade do combate, mas Tom vai de encontro com bons golpes.

Dhiego precisa avançar mais e é isso que ele tenta fazer. Tom aguarda uma oportunidade para entrar com a queda, mas tem outras duas tentativas bem defendidas por Dhiego. Neste momento, o brasileiro está pressionando Tom para a grade, mas sem muita efetividade em seus golpes, a um minuto do fim. Lima troca de base constantemente para tentar confundir a movimentação de seu adversário, mas Tom parece focado demais para se atrapalhar com isso. Trinta segundos para o fim, Tom tenta uma blitz e cozinha até o fim do round, apertado e sem muita efetividade de ambos os lados.

Dana White aplaude na plateia. No córner, uma paradinha para novas orientações e para limpar um pouco de ranho pendurado no bigode de Tom.

O segundo round começa com Tom na ousadia, tentando uma queda. Dhiego defende bem, mas está de costas na grade e tem seu joelho acertado por uma carada de Tom ao sair. Belo golpe! Lima avança mais neste round, procurando assumir o controle das ações, defendendo bem as tentativas de queda do americano, que, passados dois minutos, está agarrado em uma das pernas de Dhiego na grade.

Lima sai dali, para frustração de Gallicchio. Dhiego domina o centro, mas não é muito efetivo em seus golpes nem tenta combinações. Tom é um peso leve de origem e teria problemas se Dhiego acertasse precisão e potência. O brasileiro melhora na trocação. Tom tenta a queda e, quando vai conseguir, Dhiego segura na grade. Herb Dean o adverte e penaliza com um ponto. Um minuto para o fim e a situação do brasileiro parece tensa com um ponto a menos. Tom voa nas pernas do brasileiro por duas vezes, que faz bem o sprawl e consegue se manter de pé. Acerta ainda dois bons golpes em Tom antes do round acabar.

O córner de Lima diz que ele ganhou os dois rounds, mas como perdeu um ponto, precisa vencer o terceiro também.

A última parte do combate começa com Lima avançando de forma bem mais agressiva do que vimos na luta até aqui. Tom voa nas suas pernas e acaba com o peito no chão. Dhiego saiu da frente e ele nem reparou. Tom parece um pequeno animal acuado na grade, tentando se defender golpeando e por vezes voando nas pernas de Dhiego. O fôlego começa a deixá-lo na mão e a respiração fica mais ofegante.

O americano parece que será nocauteado a qualquer momento se Dhiego apertar o ritmo. Suas quedas são telegrafadas e em câmera lenta, na mesma velocidade com que Roy Nelson executa plasticamente seus movimentos. O brasileiro percebe e, ao invés de acelerar, aproveita para tirar um cochilo e o bravo Tom entra em seu raio de ação, trava diretamente seu quadril e bota o brasileiro de bunda no chão.

Gallicchio trabalha por cima da guarda fechada do brasileiro. Mais forte e com mais energia, Lima consegue limitar a movimentação do oponente, que mesmo assim golpeia por cima e ainda consegue passar a guarda no brasileiro. O cansaço somado à sua leveza fizeram com que o americano não sustentasse a posição e Lima conseguiu levantar. Gallicchio está exausto a 30 segundos do fim. Ao tentar mais uma queda, Tom simplesmente não aguenta se levantar e fica ali grudado no calcanhar de Lima, recebendo golpes. Quando consegue, o brasileiro ainda avança e derruba Tom para encerrar o round por cima.

Ótima luta, elogiada por Dana White. Um primeiro round muito pouco efetivo, que poderia ter ido para ambos. O segundo e o terceiro foram claramente do brasileiro, com um ponto a menos para Dhiego por ter agarrado na grade. Um guerreiro, esse tal de Gallicchio. Para mim, claramente foi a surpresa da temporada.

Por decisão unânime, o braço de Dhiego Lima foi levantado, sob aplausos de todos aos dois guerreiros. Lima agradece ao seu técnico por ter mudado seu jogo e tê-lo fortalecido psicologicamente. Tom está desolado, pois não conseguiu se aproximar no primeiro round. Ele reclama de dores na mandíbula e, quando o médico o examina, ele diz que está faltando um dente. Que mito, ainda encontra ânimo para ser espirituoso. Merece muito uma chance de lutar no UFC.

Eu nem vou me despedir, pois o próximo episódio já está chegando. Teremos a visita de Tim Elliott, campeão do TUF 24, que vai à casa tretar; a definição em relação à participação de James Krause; e o último combate da temporada, antes da final. Até já.

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  • James sousa

    concordo Gallicchio foi a surpresa da temporada

    • Anderson Cachapuz

      Tom era o menorzinho ali da casa…. azarão completaço e chegou nas semi finais…. sem estrutura de treino, sem preparação adequada antes do programa… na cara e na coragem, literalmente…. já era alguém desistindo que voltou à vida….

  • Carlos Felix

    Gallicchio foi foda. Torcendo que ele ganhe uma chance no UFC.

    • Anderson Cachapuz

      Eu tb estou….