Por Diego Tintin | 08/09/2020 19:57

Listas, rankings e comparações fazem parte dos fetiches dos amantes de esportes desde sempre. E estamos aqui para alimentar algumas destas intermináveis discussões. Em quatro textos, apresentaremos os eleitos pela equipe do MMA Brasil para o top 3 de cada uma das onze divisões mais interessantes do MMA mundial.

Em tempo: cada um dos integrantes da banca pode utilizar seus próprios critérios. Entretanto, foi solicitado que a votação levasse em conta os três melhores lutadores de cada categoria, focando em critérios esportivos, tanto em qualidade técnica e atlética, quanto no legado construído dentro dos ringues e octógonos.

Veja aqui a parte 1 deste especial.
Veja aqui a parte 2 deste especial.

Nesta terceira parte, duas divisões serão abordadas: as sempre elogiadas e badaladas peso leve e meio-médio. Mesmo com o cenário favorável ao PRIDE durante um certo tempo da década de 2000, os eleitos destas divisões tiveram seus auges dentro do octógono mais famoso do mundo.

PESO LEVE

Frankie Edgar

Frankie Edgar teve um dos melhores reinados na história do peso leve (Foto: UFC/Divulgação)

Títulos importantes: UFC (três defesas)

Cartel (setembro/2020): 23-8-1

Frankie Edgar era um peso leve que chamava pouca atenção, diante do domínio de BJ Penn na divisão e ainda ofuscado por vencedores do TUF como Diego Sanchez e Joe Stevenson. Mas, pelas beiradas, “A Resposta” obteve a chance de desafiar o cinturão de Penn e não desperdiçou. Tomou a coroa, venceu a revanche, fez duas lutas antológicas contra Gray Maynard e virou um dos preferidos dos fãs.

Após deixar o trono dos leves, migrou para o peso pena e seguiu por muitos anos na elite da nova divisão. Perdeu três chances pelo cinturão, a primeira em 2013 e a última em 2019. O interminável norte-americano iniciou sua jornada no peso galo, sua terceira categoria dentro do UFC, no mês de agosto com vitória sobre Pedro Munhoz.

O estilo de Edgar se mantém o mesmo desde sua ascensão, no fim da década passada. Muita movimentação, boxe de alta classe, velocidade, quedas inteligentes e jogo de solo de ótimo nível. Enfim, um dos mais versáteis e empolgantes atletas da atualidade. Em complemento às qualidades técnicas, uma resistência de cinema e um preparo físico dos melhores. Embora, naturalmente, este condicionamento tenha sofrido uma notável queda na fase final da carreira. Edgar levou quatorze dos dezessete votos possíveis na nossa enquete.

BJ Penn

BJ Penn (Foto: Brandon Magnus/Getty Images)

BJ Penn (Foto: Brandon Magnus/UFC)

Títulos importantes: UFC meio-médio e leve (três defesas)

Cartel (setembro/2020): 16-14-2

É complicado fazer textos elogiando a carreira de BJ Penn em meio a tantas aparições bizarras e desnecessárias no octógono, neste final de carreira constrangedor a que o havaiano se sujeitou. O risco de parecer um idiota é grande. Mas precisamos focar na década de 2000, em que o “Prodígio” brilhou em octógonos americanos e ringues japoneses.

Depois de bater na trave duas vezes em conquistar o cinturão dos leves, BJ decidiu que tentaria o dos meios-médios contra um quase invencível Matt Hughes. Veio um mata-leão, o título e Penn se mandou para o Japão ganhar mais dinheiro e lutar contra gente com o dobro de seu tamanho. Voltou aos Estados Unidos e finalmente pegou a coroa do peso leve, brilhou por três anos, perdeu o trono para Edgar e entrou na fase que preferimos esquecer.

Campeão mundial de jiu-jítsu, o faixa-preta de Dedé Pederneiras era obviamente uma potência na luta de solo. Mas, além disso, desenvolveu um jogo sólido de wrestling, principalmente defensivo. E, ainda, trabalhou muito a luta em pé, com velocidade e potência se tornou um dos melhores trocadores de sua época. O hoje integrante do Hall da Fama do UFC conquistou quinze de dezessete indicações possíveis entre a nossa equipe para esse ranking.

Khabib Nurmagomedov

Khabib Nurmagomedov (Foto: Josh Hedges/UFC)

Títulos importantes: UFC (duas defesas)

Cartel (setembro/2020): 28-0

De ascendência meteórica, o russo Khabib Nurmagomedov quer acabar com o rodízio entre os campeões do peso leve do UFC. Já são doze vitórias seguidas na organização, desde a estreia, no card preliminar de um evento meio obscuro. Com vitórias sobre quase todos os nomes da elite da espinhosa categoria, Khabib demorou a lutar pelo trono por conta de algumas lesões que costumam incomodá-lo mais que o normal. Mas as duas defesas, contra a estrela Conor McGregor e o talentoso Dustin Poirier, evidenciam que vai ser difícil para qualquer pessoa do planeta, que se sujeite a alcançar setenta quilos e dividir a gaiola com este dínamo da natureza forjado no Daguestão.

Em todos os combates, o russo deixou claro a terrível dificuldade enfrentada por seus oponentes. Muito forte e resistente, até em comparação com a elite do peso, Nurmagomedov impõe um sufocante combate de clinch e tentativas inesgotáveis de quedas, que mesmo não sendo infalíveis, desgastam ao ponto de uma hora a insistência dar resultado. Uma vez no chão, a tempestade só piora. Uma avalanche de socos e domínio de posição no estado da arte faz com que fazer guarda contra a “Águia” seja tarefa inglória até para os mais competentes grapplers da divisão. E isso é sustentado por um condicionamento físico muito acima da média e uma carcaça que aguenta as eventuais pancadas que leva pelo caminho. Nenhum integrante de nossa equipe ousou deixar de indicar o daguestani como um dos três melhores da história dessa divisão.

Menções: Eddie Alvarez, Conor McGregor e Ben Henderson

PESO MEIO-MÉDIO

Robbie Lawler

Robbie Lawler (Foto: UFC/Divulgação)

Títulos importantes: UFC (duas defesas)

Cartel (setembro/2020): 28-15 1NC

Uma das grandes promessas do UFC no início da década de 2000, Robbie Lawler só atingiu o ápice do desempenho e da maturidade mais de uma década depois. Depois de perambular por importantes eventos, como PRIDE, Strikeforce e Elite, entre outros menores, Lawler alcançou um dos mais violentos e sangrentos reinados que o UFC já viu. Precisou de uma revanche contra Johny Hendricks para alcançar a coroa dos meios-médios, entregando duas das três melhores lutas de 2014.

Já campeão, fez uma das melhores lutas de todos os tempos, em pantagruélico duelo contra Rory MacDonald, que, de tão violento, trouxe consequências cruéis para a carreira dos dois. Ainda teve tempo de outra candidata a luta do ano contra Carlos Condit, antes de entrar no crepúsculo da carreira, perdendo inclusive o cinturão para Tyron Woodley.

De alta técnica na trocação, Lawler tem um prazer especial em carregar os oponentes para as águas mais profundas. No meio de um terrível furacão de pancadaria desenfreada, é onde o “Implacável” fica confortável e parece estar de roupão aveludado, lendo o jornal do dia com uma xícara de café recém preparado na mão. Para sempre um sucesso de público e crítica, Robbie obteve doze dos dezessete votos possíveis em nosso sufrágio.

Matt Hughes

Matt Hughes (Foto: UFC/Divulgação)

Títulos importantes: UFC (sete defesas)

Cartel: 45-9

Matt Hughes foi o mais dominante campeão do UFC na primeira metade da década de 2000. O americano conquistou o cinturão meio-médio em duas oportunidades diferentes e fez história contra oponentes marcantes. Entre eles estavam Carlos Newton, Sean Sherk, Frank Trigg e, claro, seus dois grandes rivais, BJ Penn e Georges St-Pierre.

Hughes pavimentou seu caminho vencedor com base no wrestling muito bem adaptado ao MMA, condicionamento físico muito forte e ritmo de luta sufocante. Mas a principal característica do norte-americano era sua força física colossal para a divisão. Não eram incomuns as quedas de grande amplitude e slams brutais, como o antológico que nocauteou Newton enquanto Matt estava encurralado dentro de um triângulo. A carreira notável valeu para o pupilo de Pat Miletich um lugar ao lado do mestre no Hall da Fama do UFC. E garantiu a unanimidade entre os dezessete votantes do MMA Brasil.

Georges St-Pierre

Georges St-Pierre está de volta para tentar recuperar o que ninguém tirou dele (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

St-Pierre é um dos maiores lutadores da história do UFC (Foto: UFC/Divulgação)

Títulos importantes: UFC médio e meio-médio (nove defesas)

Cartel: 26-2

Talentoso em todas as áreas do jogo, preparo físico no mais alto nível, trabalhador incansável, impecável no aspecto tático, confiante e inteligente. Ainda hoje, mais de uma década após conquistar o cinturão do UFC pela primeira vez, Georges St-Pierre ainda é o sujeito que mais se aproxima do protótipo de lutador de MMA completo. Embora alguns fãs torçam o nariz e classifiquem o “Rush” como um lutador pouco empolgante, todos admitem que GSP está na primeira prateleira da história do MMA.

Essa combinação de versatilidade e talento garantiu um domínio absoluto em uma das divisões mais povoadas deste esporte. De quebra, foi suficiente para beliscar a conquista do trono da divisão imediatamente acima, mesmo após uma precoce aposentadoria de quatro anos. A carreira do canadense é tão redondinha, que até as duas derrotas para os “Matts” Hughes e Serra foram devidamente vingadas com juros e correção monetária. O também integrante do Hall da Fama foi outro a conquistar unanimidade da nossa valorosa equipe nesta eleição.

Tyron Woodley finaliza Darren Till e mantém cinturão no UFC 228

Tyron Woodley teve ótimo reinado na categoria dos meios-médios (Foto: UFC/Divulgação)

Menções: Tyron Woodley, BJ Penn, Nick Diaz