Por Diego Tintin | 01/02/2020 12:25

Listas, rankings e comparações fazem parte dos fetiches dos amantes de esportes desde sempre. E estamos aqui para alimentar algumas destas intermináveis discussões. Em três textos, apresentaremos os eleitos pela equipe do MMA Brasil para o top 3 de cada uma das onze divisões mais interessantes do MMA mundial.

Em tempo: cada um dos integrantes da banca pôde utilizar seus próprios critérios. Entretanto, foi solicitado que a votação levasse em conta os três melhores lutadores de cada categoria, focando em critérios esportivos, tanto em qualidade técnica e atlética, quanto no legado construído dentro dos ringues e octógonos.

Nesta primeira coluna, vamos tratar das três divisões mais profundas e importantes do MMA feminino: peso-galo, peso-mosca e peso-palha. Tivemos, nesta etapa unanimidades, disputas acirradas e consagração de incríveis atletas que arrancaram na marra o seu espaço, dentro da maior organização de um esporte que nasceu exclusivamente masculino e essencialmente machista.

PESO-PALHA

Cláudia Gadelha

Títulos importantes: nenhum

Cartel (janeiro/2020): 17-4

Claudinha Gadelha não conquistou o cinturão do UFC (na chance que teve, sofreu a virada para Joanna Jedrzejczyk), mas está na lista pela longa carreira na elite da divisão, vencendo nomes importantes e exibindo seu jogo versátil, intenso e de muita inteligência.

Gadelha dominou o cenário nacional e posteriormente conquistou o posto de desafiante no Invicta. Todavia, teve que desistir de lutar pelo cinturão ao atender o chamado do UFC. Chegou a desafiar o título, mas ainda segue perseguindo este objetivo. Com algumas grandes exibições no octógono, ganhou nove dos dezessete votos possíveis e ficou com a terceira vaga do nosso top 3.

 

Rose Namajunas

Títulos importantes: UFC (uma defesa)

Cartel (janeiro/2020): 8-4

O jeito tímido e discreto de Rose Namajunas contrasta com seu estilo de luta versátil, vistoso e agressivo. Não era tão cotada para chegar tão cedo ao cinturão, mas o nocaute relâmpago na então Joanna “Champion” alçou a americana à condição de estrela, confirmada com a surra aplicada na agora ex-campeã também na revanche.

O reinado de Rose parecia estar apenas começando, impressão reforçada com o passeio que aplicava em Jéssica Andrade até ser nocauteada em um slam poderoso da brasileira. Perdeu o cinturão, mas garantiu o lugar em nossa lista com 16 dos 17 votos possíveis.

Joanna Jedrzejczyk

Títulos importantes: UFC (cinco defesas)

Cartel (janeiro/2020): 16-3

De carreira prolífica no kickboxing, Joanna Jedrzejczyk chegou ao UFC como uma talentosa e promissora revelação. E tomou conta da divisão, tomando o cinturão de Carla Esparza com uma das maiores surras da história do evento. A agressividade e intensidade da polonesa encantam aos fãs e garantiram unanimidade em nossa votação.

As grandes rivais de Joanna são as suas colegas neste ranking e, contra elas, a europeia tem um par de vitórias sobre Gadelha e outro par, mas de derrotas, para Namajunas. Após perder a coroa, Joanna voltou a vencer duas vezes na divisão e já se prepara para desafiar o título contra a atual campeã Weili Zhang.

Menções: Jéssica Andrade, Carla Esparza, Megami Fujii

PESO-MOSCA

Jessica Eye

Títulos importantes: Ring of Combat

Cartel (janeiro/2020): 15-7 (1NC)

Com boa carreira no peso-mosca, Eye foi contratada pelo UFC para lutar no peso-galo, quando sua divisão habitual ainda não existia na organização líder. Nas sete lutas nesta divisão, conquistou apenas duas vitórias, uma delas transformada em no contest por ter sido flagrada com cannabis no antidoping.

Prestes a ser dispensada, Eye aproveitou o início do peso-mosca para uma “recolocação no mercado”, com três vitórias seguidas e uma chance de desafiar a campeã, em uma divisão ainda em construção. Mesmo que seu 4-1 na divisão não seja o melhor dos currículos, em uma categoria com história reduzida, foi o suficiente para merecer 11 de 17 votos possíveis.

Barb Honchak

Títulos importantes: Invicta FC (duas defesas)

Cartel (janeiro/2020): 10-4 (1NC)

Barb Honchak foi a lutadora mais bem-sucedida do peso-mosca até a criação da nova divisão na maior organização do mundo. Campeã no Invicta, obteve vitórias significativas sobre Felice Herrig, Nina Ansaroff, Roxanne Modaferi, Vanessa Porto e Leslie Smith. Honchak chegou para disputar o TUF com pose de favorita, mas vinha de uma inatividade de quase três anos, o que de forma alguma a ajudou, ainda mais em uma dinâmica tão específica quanto a do reality show .

Já veterana, a “Pequena Guerreira” não deu conta de uma geração mais jovem e mais atlética. Caiu nas semifinais do programa para Nicco Montaño e emendou duas derrotas seguidas, para Lauren Murphy e a revanche contra Modafferi. Dispensada pelo UFC, Barb não anunciou aposentadoria, mas já são quase dois anos sem lutar, além dos 40 de idade. Apesar deste fim de carreira difícil, Honchak já tinha feito o suficiente para conquistar 15 dos 17 votos possíveis neste nosso sufrágio.

Valentina Shevchenko

Títulos importantes: UFC (duas defesas)

Cartel (janeiro/2020): 18-3

De qualidade técnica impressionante, Valentina Shevchenko chegou muito perto de conquistar o cinturão peso-galo. Após perder em decisão controversa para a estrela Amanda Nunes, desceu para a recém-criada divisão dos moscas e já deixa um rastro de destruição neste peso.

Talentosa e carismática, a loirinha foi derrotada apenas por duas pessoas em sua carreira no MMA: Liz Carmouche, já devidamente vingada, e Amanda, contra quem também fez ótimo papel na revanche, embora oficialmente tenha ficado com nova derrota. Por estes feitos, Vale foi a única com todos os 17 votos da nossa equipe nesta categoria.

Menções: Roxane Modaferi, Nicco Montaño, Ilima-Lei MacFarlane, Tara LaRosa

PESO-GALO

Miesha Tate

Miesha Tate

Títulos importantes: Strikeforce e UFC

Cartel (janeiro/2020): 18-7 (aposentada)

Miesha Tate, a grande rival de Ronda Rousey, soube captar as oportunidades de conquistar os dois mais importantes cinturões do MMA feminino. Sacou o título do Strikeforce de Marloes Coenen, em exibição de gala e, em uma virada emocionante, chegou à glória máxima no UFC, contra Holly Holm.

Tate soube muito bem utilizar seu wrestling de alto nível, preparo físico exemplar e boa capacidade de finalizar lutas para ser uma das mais importantes lutadoras de seu tempo. Apesar do retrospecto negativo contra Ronda, a bela morena garantiu 15 votos em nossa enquete e seu lugar entre as grandes.

Ronda Rousey

Ronda Rousey

Títulos importantes: Strikeforce (uma defesa) e UFC (seis defesas)

Cartel (janeiro/2020): 12-2 (aposentada)

Ronda Rousey é a primeira atleta desta nossa série que já foi introduzida ao Hall da Fama do UFC. Campeã dominante de Strikeforce e UFC por mais de três anos, Ronda é a mais importante lutadora da história do MMA e, se hoje o UFC conta com três divisões femininas em suas fileiras, tudo se deve à imensa popularidade da loira californiana.

Ex-estrela do judô, medalhista olímpica em Pequim-2008, Ronda fez sua fama ao finalizar cada uma de suas onze primeiras oponentes no MMA (contando amador e profissional). O mais impressionante é que foram todas via chave de braço, dez delas no round inicial e oito destas com menos de um minuto. Depois de derrotas constrangedoras para Holly Holm e Amanda Nunes, resolveu se aposentar do esporte com apenas 29 anos de idade. Dos 17 votos possíveis, Rousey conquistou 16 nesta eleição.

Amanda Nunes

Títulos importantes: UFC peso-galo (cinco defesas) e peso-pena

Cartel (janeiro/2020): 19-4

Rainha morta, rainha posta. Amanda Nunes superou um começo de carreira irregular para trilhar a carreira mais espetacular da história do MMA feminino. Além de encaminhar as duas colegas deste top 3 para suas respectivas aposentadorias, a Leoa enfileirou Valentina Shevchenko (duas vezes), Holly Holm, Cristiane Cybog e Germaine de Randamie, totalizando sete vitórias contra campeãs da maior organização do mundo.

De força física exuberante, poder de definição inigualável entre as mulheres e um coração do tamanho de sua Bahia natal, Amanda é um verdadeiro terror para quem ousa dividir consigo um pedaço de terra cercado por grades de todos os lados. Esta trajetória sem precedentes foi suficiente para a brasileira arrebatar todos os 17 votos de nossa equipe, garantindo assim mais uma (rara, pois nocauteadora) decisão unânime em seu favor.

Menções: Holly Holm, Gina Carano

Agora é com você leitor: como é seu top 3 destas categorias? Conte nos comentários!