Por Alexandre Matos | 24/12/2017 14:57

Nossa equipe tarda, mas não falha. Com este artigo, o MMA Brasil fecha o especial Top 10 do Futuro. Ao longo de 12 matérias, nossa intenção foi mostrar ao público alguns candidatos a ocupar o top 10 dos rankings oficiais do UFC. Como esperado, já acertamos alguns, encaminhamos outros e erramos também. Agora, na categoria mais rasa de todas, o trabalho é meio fácil, meio difícil.

A dificuldade reside no histórico problema de renovação que os peso pesado tem. A média de idade do top 5 mais o campeão é de 36,8 anos – isso porque há uma “criança” de 31 no meio deles. Ou seja, logo menos a elite se aposentará e novos lutadores ocuparão seus postos. Além de Francis Ngannou, há Curtis Blaydes (#9, 26 anos e que fazia parte da nossa lista original, mas virou top 10 antes que pudéssemos publicar), Alexander Volkov (#7, 29 anos), Marcin Tybura (#8, 32 anos) e Stefan Struve (#10, 29 anos), todos em condição de se manterem entre os 10 primeiros quando os veteranos à frente começarem a parar ou cair de rendimento. Se Struve já é top 10, imagine a dificuldade de encontrar prospectos.

Contudo, há o lado do copo meio cheio. É tão difícil apontar prospectos jovens de qualidade que praticamente qualquer um com um mínimo de condicionamento físico e capacidade de produção poderá ser indicado. Marcelo Golm, por exemplo. Aos 25 anos, é muito provável que ele se aproveite do deserto da renovação para escalar o ranking, ainda que tenha muito a evoluir – e já um risco considerável de derrota no próximo combate.

Então vamos lá saber quem o MMA Brasil selecionou como futuros integrantes do top 10 do peso pesado.

Ruslan Magomedov

Quem é: Ruslan Magomedov já é conhecido de parte do público, pelo menos dos mais atentos. Oriundo do cenário local russo, Magomedov chegou a assinar contrato com o Bellator, mas foi liberado depois de faltar ao torneio da sétima temporada por problemas de visto, o que abriu caminho para chegar ao UFC em 2014. Ruslan é um striker de base, com um kickboxing defensivo de elevado nível e muita técnica nas combinações, o que compensa a falta de agressividade em vários momentos. A sólida defesa de quedas e os ataques em single e double legs são aperfeiçoados no Centro Russo de Wrestling, no Daguestão, seu país de origem.

O que fez no UFC: Magomedov cumpre suspensão imposta pela USADA desde 7 de setembro de 2016. Antes, o daguestani fizera três lutas no UFC e saiu vencedor de todas por decisão unânime, resultado de oito de seus últimos nove compromissos profissionais. No octógono mais famoso do mundo, Magomedov bateu Shawn Jordan, Viktor Pesta e Josh Copeland, todos já dispensados do UFC.

Porque será um top 10: mesmo com a longa inatividade, Magomedov é uma aposta muito segura para chegar ao top 10 e ainda mais longe. O russo voltará com 31 para 32 anos, o que é a “flor da idade” para um peso pesado. Com seu talento e a capacidade defensiva bem acima da média, somente um desvio grave de percurso (ou os euros russos) impedirá que Magomedov finque sua bandeira na elite da divisão.

Dmitriy Sosnovskiy

Quem é: Dmitriy Sosnovskiy é uma máquina de destruição nascida há 28 anos em Moscou, capital da Rússia. Criado pela extinta organização ucraniana Oplot Challenge, Sosnovskiy chamou atenção quando aniquilou Aleksander Emelianenko, irmão de Fedor, em janeiro de 2014, sob anúncio de um genérico de Michael Buffer. Em seguida, surrou dois outros bacanas e foi contratado pelo UFC em junho de 2016.

O que fez no UFC: nada. Desde que foi contratado, Sosnovskiy viu as duas tentativas de escalá-lo contra Justin Ledet irem por água abaixo. Na primeira, no UFC Fight Night 104, Ledet alegou uma lesão e saiu fora. O combate foi reagendado para o UFC Fight Night 116, quando Ledet caiu nas malhas da USADA e Sosnovskiy sofreu uma lesão.

Porque será top 10: poucos justificam tão bem o apelido quanto Sosnovskiy. O sujeito é realmente uma máquina perversa (Wicked Machine), violento em todas as fases do jogo, especialmente o clinch, de onde manda um dirty boxing de dar pesadelo na concorrência. Dmitriy derruba com facilidade e tem agilidade nos quadris para executar transições e abrir espaço para uma chuva de couro grosso no ground and pound. Como só tem 28 anos e já foi adotado pela American Top Team, o futuro tende a ser glorioso (e violento) para Sosnovskiy.

Junior Albini

Quem é: a atual geração de pesos pesados brasileiros tem quatro membros com potencial de UFC. Dois deles já estão na organização (Albini e Golm), um bateu e saiu, mas deve voltar ao fim da suspensão (Carlos Boi) e o quarto (o ex-goleiro do Chelsea Ricardo Prasel) deve estar na boca. Antes de chegar ao maior palco do MMA mundial, Albini detinha o cinturão do Aspera FC (foi sucedido por Prasel) mostrando um jogo versátil e de grande capacidade de finalização.

O que fez no UFC: Albini estreou na organização aumentando as expectativas de quem aposta em seu sucesso. Sem sentir os famosos octagon jitters, ele mostrou muita calma e talento para enterrar Timothy Johnson com um nocaute que rendeu bônus. Em seguida, foi lançado contra o experiente ex-campeão Andrei Arlovski e sofreu uma daquelas derrotas providenciais, que servem como um “freio de arrumação”.

Junior Albini duela com Andrei Arlovski no UFC Fight Night 120

Porque será um top 10: esqueça a atuação apática contra Arlovski, o fraldão ridículo que ele transformou a bermuda da luta e o naipe de quem era obeso mórbido e hoje ostenta muita sobra de pele. Albini é muito talentoso no boxe, sabe se virar no chão e tem idade (26) para crescer muito, especialmente se meter o pé do Brasil atrás de uma equipe de ponta nos Estados Unidos.

Menção honrosa: Arjan Bhullar

Quem é: primeiro lutador de origem indiana a atuar no UFC, Arjan Bhullar fez carreira no wrestling estilo livre antes de migrar para o MMA. Ele foi 13º colocado no peso pesado dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, além de ter sido apontado como o melhor wrestler canadense em 2009. Ele assinou com o UFC em maio deste ano, após seis lutas como profissional, com três vitórias por nocaute e três por decisão.

O que fez no UFC: Bhullar só atuou uma vez no octógono. Em setembro, no UFC 215, ele aplicou knockdown, queda de grande amplitude e trabalho intenso no ground and pound para superar sem dificuldade o brasileiro Luis Henrique KLB.

Porque será um top 10: Bhullar (31 anos) não é um prospecto que encha os olhos, mas tem ferramentas suficientes para escalar a montanha de poucos obstáculos dos pesados. Sua facilidade de derrubar e aplicar um potente ground and pound, ou a de manter o duelo onde quiser, além do condicionamento superior à lamentável média da divisão, fazem do canadense um forte candidato a ocupar as vagas que as estrelas deixarão.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.