Por Alexandre Matos | 29/09/2017

Seguimos o nosso projeto Top 10 do Futuro, que aponta lutadores já contratados pelo UFC, mas ainda fora do radar, que têm potencial de integrar as áreas dos 10 melhores das respectivas categorias – ou até mesmo ir além.

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A tarefa agora é tão ingrata quanto foi apontar no peso galo masculino. O peso pena masculino é, junto com a divisão abaixo, a que mais tem crescido em termos de talento e competitividade no UFC (lembrando que o peso leve sempre é hors-concours neste tipo de avaliação). Isso significa que apontar os três e a menção honrosa não foi tarefa fácil. Inclusive até tiramos um indicado inicialmente.

Zabit Magomedsharipov

Quem é: o daguestani Zabit Magomedsharipov já vinha sendo alertado pelo MMA Brasil na coluna MMA Além do UFC pela excelente campanha feita no ACB, hoje a terceira principal organização do MMA mundial, encerrando com um nocaute brutal sobre o duro potiguar Valdines Silva. Magomedsharipov é multicampeão de wushu, tem base em diversas outras modalidades de striking, mas começou no wrestling aos 10 anos – sua terra de nascença é o maior celeiro de talentos do wrestling no planeta Terra.

O que fez no UFC: Depois de conquistar um GP e o cinturão no ACB, Magomedsharipov finalmente teve sua chance no UFC e já chegou metendo o pé na porta. Contra Mike Santiago, o sujeito deu até Showtime Kick no meio de diversas combinações de socos e chutes mirabolantes. O espetáculo acabou com um mata-leão no segundo round que lhe rendeu um dos bônus por desempenho.

Porque será um top 10: Magomedsharipov é uma mistura rara de técnica, destemor e potência – o naipe meio magrila engana os desavisados. O pacote atual já é suficiente para carregá-lo até o top 10. Se melhorar o sistema defensivo e controlar o ímpeto, tem tudo para integrar o grupo de elite da divisão. Aliás, como o russo tem 9 anos a menos que Frankie Edgar e Ricardo Lamas, 7 a menos que Cub Swanson e 5 a menos que José Aldo, talvez a elite esteja remodelada quando Zabit chegar lá. Mas vou deixar o técnico Mark Henry, que treina Magomedsharipov junto com Frankie Edgar, explicar porque ele será uma estrela:

Mark Henry:

“Ele não é um cara de nível de top 10, ele é de top 5. Poderia ser campeão hoje. Eu já vi atletas naturalmente capacitados no beisebol, futebol, boxe, mas nunca no MMA. São muitas disciplinas misturadas. Ele é o primeiro lutador de MMA natural que eu já vi. Ele consegue fazer de tudo. E tem outras características que não são palpáveis. Coração, dureza, gás, queixo, trabalho duro, tamanho, parceiros de sparring.”

Shane Burgos

Quem é: bem, posso dizer que Shane Burgos foi o responsável pelo nascimento deste projeto. Fiquei chocado quando vi que boa parte da imprensa especializada brasileira não sabia quem era ele quando enfrentou Godofredo Pepey. Por outro lado, nossa equipe praticamente unanimemente apostou que o americano espancaria o carismático cearense. O Furacão do Bronx, pupilo de Tiger Schulmann, ex-campeão do CFFC, tem um boxe de alta pressão, ótimo uso da envergadura, boa capacidade de atacar se movimentando para frente e com uma defesa de quedas sólida.

O que fez no UFC: Burgos fez três lutas no maior palco do mundo e não encarou moleza em nenhuma delas. Na estreia, passou por Tiago Trator com autoridade. Na segunda, teve luta dura contra o talentoso Charles Rosa e conseguiu nocaute e bônus de desempenho no terceiro round. No compromisso seguinte, espancou Pepey.

Porque será um top 10: Ter negado 11 de 12 tentativas de queda de Trator pode ser menosprezado por alguém que não considere o brasileiro um exímio derrubador. Porém, ele negou 7 de 8 de Rosa, um wrestler competente, e todas as 14 de Pepey. Sua capacidade de se manter de pé é uma arma fundamental para um boxeador agressivo, preciso e potente como Burgos. Caso consiga botar o wrestling para jogo ofensivamente como faz com o boxe, Burgos tem potencial para furar o top 10.

Arnold Allen

Quem é: o inglês Arnold Allen chegou no UFC depois de uma decente carreira no europeu Cage Warriors. Apesar de ser faixa-roxa da Gracie Barra de Ipswich e de ter competido no boxe amador, Allen é um lutador de MMA de verdade, que começou diretamente neste esporte. Isso fez dele um atleta versátil e sem vícios de outras modalidades.

O que fez no UFC: Allen chegou de última hora para encarar Alan Omer e saiu do octógono com um bônus de desempenho pela finalização no terceiro round. Em seguida, mostrou um jogo versátil na vitória relativamente tranquila sobre Yaotzin Meza. Na terceira apresentação, freou o hype sobre Makwan Amirkhani levando vantagem até na batalha da luta agarrada, na qual o rival tinha o favoritismo.

Porque será um top 10: de todos desta lista, Allen é o mais novo (22 anos, o quinto mais jovem no plantel atual do UFC), ou seja, é quem mais tem tempo de evoluir. E ele já possui uma característica que é mais comum nos veteranos, a capacidade de pressionar os oponentes no striking sem se deixar cair na pancadaria desenfreada. Sua inteligência tática já permite que ele seja agressivo sem se tornar descuidado. Na luta agarrada, ele aplica ótimas quedas, sabe fazer pressão na grade e trabalhar transições no chão. Nas mãos de Firas Zahabi, na Tristar Gym, seu futuro tende a ser brilhante.

Menção Honrosa: Alexander Volkanovski

Quem é: o ex-jogador de rúgbi australiano Alexander Volkanovski, campeão da Premiership pelo Warilla Gorillas (MVP da final e jogador do ano), foi campeão australiano de wrestling e de jiu-jítsu (ele é faixa-roxa de Bernardo Trekko), além de ter sido dono de cinturões de organizações regionais na Oceania. Quando jogava rúgbi, pesava 97 quilos. Hoje, depois de uma passagem no peso leve, ele é um pena muito forte fisicamente. Para desenvolver o striking como fez na luta agarrada, Volkanovski se juntou à forte Tiger Muay Thai em Phuket, na Tailândia.

O que fez no UFC: o primeiro round da estreia mostrou um Volkanovski nervoso, que chegou a se enrolar com Yusuke Kazuya até mesmo em seu ponto forte. Porém, no retorno para o segundo, o australiano botou pra jogo o bom wrestling e o brutal ground and pound. Aliás, os ataques no solo foram uma ferramenta importante no espancamento sobre Mizuto Hirota, que também foi a knockdown em algumas oportunidades, vitimado pela dura direita do australiano. Seu próximo compromisso será um teste muito interessante de suas habilidades na luta agarrada contra o canadense Jeremy Kennedy.

Porque será um top 10: Volkanovski chama atenção por ter elevadas taxas de acerto tanto no striking quanto nas quedas dentro de um jogo muito agressivo, o que favorece o erro. Ele acerta mais de 60% dos golpes (ele seria o segundo colocado em todo o UFC se já tivesse cinco lutas disputadas) dentro de um volume de mais de seis contundentes acertados por minuto (que o colocaria na sexta posição se já tivesse cinco lutas). Do mesmo modo, os 70% de acertos nas quedas o deixariam em terceiro e os 85% na defesa de quedas o aproximariam do top 10.