Top 10 do Futuro: Peso Palha Feminino

Na estreia de nosso novo projeto, apresentamos algumas lutadoras que possuem potencial para chegar ao top 10 (ou mais longe) no UFC apesar da pouca experiência de octógono.

Por Alexandre Matos

Cards sem atrações populares não costumam chamar atenção dos fãs de MMA. Os dois eventos mais recentes produzidos pelo UFC, na Cidade do México, disputado há um mês, e em Roterdã, realizado no último sábado, foram dois exemplos de baixo interesse. No entanto, espalharam-se pelos cards diversos lutadores que provavelmente vão adentrar os rankings da maior organização do MMA mundial.

O caso de Shane Burgos disparou um alerta na equipe do MMA Brasil. Poucos, incluindo integrantes da mídia especializada, conheciam o americano que estava escalado para enfrentar Godofredo Pepey no UFC On FOX 25. O fato de não conhecerem Burgos, somado ao folclore criado sobre Pepey, fez muita gente apostar no brasileiro. Na análise interna na nossa equipe, era consenso que Pepey não faria frente, como de fato não fez. Para o MMA Brasil, Burgos é um forte candidato a alcançar a elite do peso pena.

Toda essa situação nos fez criar este especial Top 10 do Futuro. Diferentemente do Radar MMA Brasil, coluna na qual buscamos prospectos com menos de 25 anos fora do UFC que têm potencial de virar estrela no maior palco, o novo projeto foca em lutadores já contratados pelo UFC sem levar em conta a idade, que é um fator de corte no Radar. E, como diz o nome do projeto, elencamos gente longe dos holofotes que apostamos que chegarão no top 10. Em alguns casos, no top 5. Em outros, em disputas de cinturão. Acredito que temos casos de apostas bem sucedidas, como Chris Weidman, Holly Holm, Conor McGregor e Henry Cejudo, para dar credibilidade ao novo projeto. Todos eles foram apontados como futuros desafiantes pelo site. Weidman e McGregor só tinham uma luta pelo UFC. Holm e Cejudo sequer haviam estreado.

Por Anderson Cachapuz

A polonesa Joanna Jedrzejczyk tornou a categoria peso palha uma terra arrasada, tratorizando todas as desafiantes que dividiram com ela o octógono. Com a criação do peso mosca feminino, é provável que a campeã da divisão mais leve suba em busca do segundo cinturão e de um corte menos brusco de peso. A mudança destacará Claudia Gadelha como favorita entre as mais levinhas, uma vez que a brasileira está abaixo do nível de Joanna, mas acima das demais.

O vácuo que se abrirá vai abrir interessantes possibilidades para o futuro, com muitas lutadoras talentosas buscando um lugar no topo do ranking. Pensando nesse cenário e olhando para a lista das atletas fora do top 10, elencamos nomes que devem invadir a elite do peso palha no curto prazo e poderão se tornar futuras desafiantes e até mesmo chegar ao título.

Poliana Botelho

Quem é: atleta de Dedé Pederneiras na Nova União e melhor amiga de Gadelha, a mineira Poliana Botelho ainda se encontra em início de carreira, aos 27 anos. Com apenas seis lutas no cartel, ela já impressiona com cinco nocautes e apenas uma derrota, para Viviane Sucuri, também integrante do plantel do UFC. Botelho era a campeã peso mosca do XFC e estrearia no UFC 206 contra Valérie Létorneau, mas se machucou e precisou se retirar da luta.

O que fez no UFC: sua estreia no UFC ainda não aconteceu, mas está marcada para o UFC 216 contra Pearl Gonzalez.

Porque será uma top 10: Poliana é uma lutadora agressiva, com um muay thai já refinado e em processo constante de aprimoramento. Não tem medo de cara feia e parte para definir seus combates. Não sabemos se ela vai mudar essa característica no UFC, mas espera-se que não. Poliana tem treinado muito wrestling e jiu-jítsu visando melhorar os seus pontos fracos e evoluir como lutadora – já tem vigor físico, saúde e vitalidade para crescer e ganhar experiência.

Alexa Grasso

Quem é: a mexicana Alexa Grasso chegou ao UFC com muita expectativa gerada pelo cartel invicto de oito vitórias. Três lutas depois, o hype foi um pouco freado, pois, apesar de duas vitórias, a moça ainda não conseguiu entregar atuações do nível que esperávamos de uma lutadora de elite, que ela mesma teve no Invicta FC. Grasso começou no boxe, treinando na academia do pai, e depois partiu para o jiu-jítsu. Chegou a desafiar o cinturão do Invicta por duas vezes, mas não lutou nenhuma delas, pois ambas caíram.

O que fez no UFC: Alexa estreou no UFC abrindo o card principal do UFC Fight Night 98, quando deixou uma boa impressão ao derrotar Heather Clark por decisão unânime. A possibilidade do nervosismo da estreia ter atrapalhado deixou os fãs da mexicana empolgados. Na luta seguinte, caiu nas armadilhas do grappling da experiente Felice Herrig e perdeu não só a luta, mas também a invencibilidade, também na decisão. Em outra luta que chegou aos juízes, Grasso teve sua mão levantada de maneira contestável contra a iraquiana Randa Markos.

Porque será um top 10: habilidosa, a mexicana possui uma abordagem agressiva e com técnica refinada na trocação, impondo uma pressão grande, com bom volume e movimentação incansável. Possui boa visão de luta e é inteligente o suficiente para capitalizar os erros adversários, mas ainda tem dificuldade quando não consegue fazer valer o seu jogo. Alexa possui bom condicionamento cardiorrespiratório e consegue manter o ritmo durante todo o combate. Apesar de todo este talento ainda não ter dado as caras no UFC, Grasso ainda tem muito espaço para evoluir aos 23 anos, principalmente na parte defensiva. No caso da mexicana, a aposta aqui não é apenas no top 10, mas ainda mais longe, provavelmente alcançando uma disputa de cinturão.

Tatiana Suarez

Quem é: vencedora do TUF 23 pelo Time Gadelha, Tatiana Suarez é uma wrestler americana com duas medalhas de bronze nos Mundiais de 2008 e 2010 no currículo (quando ainda usava o sobrenome Padilla) e foi a primeira escolha da brasileira no programa. Aos 26 anos, Suarez está há um ano sem lutar aprimorando seu jogo. A menina tem uma história interessante para contar: ela venceu um câncer na tireoide que acabou findando sua carreira de wrestler, mas, sem desistir, começou a treinar jiu-jítsu e migrou para o MMA.

O que fez no UFC: sua estreia oficial e única luta no UFC ocorreu na final do TUF 23, contra Amanda Cooper. Muito favorita, não só por sua imensa força física que a faz parecer uma gigante no octógono, mas também pelo desempenho no programa, Tatiana não teve dificuldades para subjugar a oponente, derrubar do jeito que quis e finalizar a luta com um estrangulamento.

Porque será uma top 10: wrestler muito forte e alta para a categoria, Suarez ainda vai evoluir bastante em outras áreas, mas já possui força e habilidade suficientes para dominar fisicamente suas adversárias e manter as lutas em sua zona de conforto, até sentir segurança para se arriscar, seja na trocação ligeiramente rudimentar ou no jiu-jítsu ainda carente de refinamento, mais baseado na força bruta do que na técnica, mas que já mostra evolução, alguma habilidade e oportunismo como na vitória sobre Amanda. Sua próxima aparição no octógono será no UFC Fight Night 120, contra Viviane Sucuri.

Menção Honrosa: Alexandra Albu

Quem é: ex-competidora de fisiculturismo, ex-modelo e ex-segurança de boate (apesar da pouca altura), já seria motivo suficiente dizer que existe sangue russo correndo nas veias de Alexandra Albu. Nascida na Moldávia, naturalizada russa, ela foi contratada pelo UFC em 2013 com apenas uma luta no cartel, que era o que registrava o Sherdog na época, muito embora o UFC tenha anunciado a moça com 5-0 e quatro nocautes. Porém, Albu só apareceu no octógono dois anos depois, em virtude de uma lesão no joelho.

O que fez no UFC: Alexandra estreou no UFC em 2015, finalizando Izabela Badurek com uma guilhotina. Na segunda luta, dois anos depois, venceu Kailin Curran por decisão unânime. Agora espera-se que Albu compareça mais vezes ao serviço para tomar seu posto futuro, já que, aos 27 anos, ainda está no início de sua trajetória como lutadora profissional.

Alexandra Albu bateu Kailin Curran no UFC 214 (Foto: Gary A. Vasquez/USA TODAY Sports)

Alexandra Albu bateu Kailin Curran no UFC 214 (Foto: Gary A. Vasquez/USA TODAY Sports)

Porque será uma top 10: A russa é pequena, mas muito hábil. Faixa-preta de caratê, Albu adicionou alguns elementos do muay thai como cotoveladas e joelhadas ao seu arsenal, e utiliza isso como base da luta em pé. Ela tem um striking de muita potência e velocidade. Também tem base no judô e as boas habilidades já mostradas no jiu-jítsu a possibilitam mudar de nível conforme a oponente e jogar bem em qualquer que seja a área.