Top 10 do Futuro: Peso Meio-Pesado

O peso meio-pesado um dia já foi a divisão mais valorizada por quase todos os fãs de MMA. Com os veteranos Lyoto Machida, Maurício Shogun, Dan Henderson, Rampage Jackson e Rashad Evans todos ainda em boa forma, a divisão vivia sua melhor fase até a chegada de um jovem chamado Jon Jones, que varreu a categoria durante o seu período como campeão.

De quatro anos para cá, motivos diferentes levaram o peso meio-pesado a cair do posto de uma das melhores categorias para uma das piores do UFC. A principal causa é a dificuldade de renovação do topo da categoria, que ainda conta com Shogun e Rogério Minotouro entre os 15 melhores. A divisão se tornou tão rasa que o suíço Volkan Oezdemir, um desconhecido há menos de um ano, conquistou o posto de desafiante com somente três lutas no UFC.

Como a missão de achar novos talentos para a divisão dos meios-pesados é cada vez mais importante, a coluna Top 10 do Futuro destaca quatro nomes que devem chegar em breve para disputar com os melhores da categoria.

Dominick Reyes

Quem é: com passado no wrestling durante o colegial, Dominick Reyes foi para a faculdade totalmente focado no futebol americano jogando como defensive back no Seawolves da Stony Brook University. Por não ter conseguido oportunidade no futebol profissional, ele voltou o foco para o MMA e começou a treinar na academia de seu irmão na Califórnia, passando a competir no circuito amador em pouco tempo. Construindo um cartel profissional de 4-0 lutando em eventos regionais americanos, Reyes foi chamado pela LFA, onde ganhou notoriedade ao nocautear Jordan Powell com um chute alto. O vídeo do nocaute se espalhou rapidamente pela internet e Reyes logo recebeu o chamado do UFC.

O que fez no UFC: O “Devastador” estreou com muita expectativa em junho de 2017 contra Joachim Christensen, e demorou somente 29 segundos para mandar o dinamarquês para a vala. Reyes retornou no UFC 218, também fazendo trabalho rápido contra Jeremy Kimball, conseguindo levar a luta para o chão em pouco tempo, pegando as costas e finalizando com um mata-leão ainda no primeiro round.

Porque será um top 10: Reyes é novo para a média da categoria – vai fazer 28 anos – e seu passado como atleta tanto no wrestling quanto no futebol trazem um condicionamento atlético diferenciado no cenário dos meios-pesados. Com poder de fogo impressionante na troca de golpes, refletido em cinco nocautes em oito lutas profissionais, ele ainda expõe algumas brechas defensivas, principalmente por causa do uso de uma guarda mais baixa. Dominick também tem um bom nível na luta agarrada, mas ainda deve ser testado por um adversário de melhor nível. Caso continue a ser construído com paciência pelo UFC, Reyes tem potencial para frequentar a elite da divisão num futuro próximo.

Tyson Pedro

Quem é: filho de um dos donos do, King of the Cage na Austrália, as artes marciais estiveram presentes na vida de Tyson Pedro desde cedo. Conquistando rapidamente faixas pretas no jiu-jítsu japonês e no kempo, o australiano estreou no MMA com 22 anos de idade, conquistando quatro interrupções no primeiro round contra oposição de qualidade questionável antes de ser chamado pelo UFC, em 2016.

O que fez no UFC: Pedro estreou no octógono contra Khalil Rountree, e parecia perto de conhecer sua primeira derrota no MMA ao quase ser nocauteado, mas conseguiu uma virada impressionante ao levar a luta para o chão e encaixar o mata-leão ainda no primeiro round. Ele continuou com a sequência de interrupções no primeiro assalto ao nocautear Paul Craig com violentas cotoveladas no ground and pound, mas acabou finalmente parado pelo brucutu Ilir Latifi, no UFC 215, sofrendo com o jogo de pressão e quedas do sueco. Agora, o australiano está marcado para lutar em casa, no UFC 221, contra Saparbek Safarov.

Porque será um top 10: Pedro é um lutador com diversas lacunas ainda para preencher, mas que já demonstrou capacidade de competir com lutadores de nível. Tendo passado a se dedicar completamente ao MMA faz pouco tempo – antes ele precisava se dedicar também a outro emprego para se sustentar – ele tem tudo para se desenvolver bem caso procure bons centros de treinamento. Tyson tem ótimo nível no solo, mas ainda precisa trabalhar bastante sua abordagem na troca de golpes, pois imprime pouco volume e se movimenta mal, o que acaba sendo um dos aspectos que mais dificulta sua defesa de quedas. Pedro já é presença no top 15 e, caso melhore estes aspectos de seu jogo, tem tudo para subir ainda mais na divisão.

Gadzhimurad Antigulov

Quem é: como todo daguestani que se preze, Gadzhimurad Antigulov começou a treinar wrestling provavelmente logo após parar de ser amamentado, fazendo a transição para o MMA com 22 anos, em 2009. O começo de sua carreira foi turbulento, construindo um cartel de 6-4 lutando em eventos menores na Rússia, com derrotas para nomes conhecidos como Adlan Amagov, Abdul Kerim-Edilov e Viktor Nemkov. Porém, Antigulov se recuperou muito bem, emendando uma sequência de 12 vitórias – somente uma não foi por interrupção – e conquistando o cinturão do peso meio-pesado do ACB por duas vezes no período.

O que fez no UFC: Antigulov estreou no UFC no final de 2016, recebendo a missão de lutar contra um brasileiro no Brasil. Ele não sentiu nem um pouco a pressão, demonstrando sua habilidade ao finalizar Marcos Rogério Pezão em um minuto. Depois de ter uma luta contra Ed Herman cancelada, no UFC 209, o daguestani voltou ao octógono e passou o trator por cima de Joachin Christensen, finalizando com um mata-leão. Antigulov duelaria com Ion Cutelaba, no UFC 217, mas teve que se retirar do combate após se lesionar.

Porque será um top 10: Antigulov tem uma capacidade atlética invejável. Seu jogo de quedas, controle posicional e finalização já é praticamente suficiente para assegurar sua entrada no top 10 da categoria no futuro. Caso evolua nos treinos na American Top Team, diminuindo as brechas em suas aproximações para encurtar a distância, ele tem potencial para batalhar contra o top 5 da divisão em não muito tempo.

Menção Honrosa: Jordan Johnson

Quem é: começando sua carreira de wrestler no colégio, Jordan Johnson entrou no circuito universitário representando a Univesity of Iowa, por onde se tornou duas vezes All-American na Divisão I da NCAA. Depois de terminar a faculdade, Johnson se dedicou a outras artes marciais, tornando-se campeão mundial de jiu-jítsu na faixa azul, em 2013, e estreando profissionalmente no MMA no ano seguinte. Depois de somente duas lutas profissionais, ele chegou à RFA, onde finalizou três adversários em menos de um ano até conquistar o cinturão do peso meio-pesado, em 2016, no último evento da história da organização.

O que fez no UFC: Johnson estreou no UFC contra Henrique Frankenstein e teve um desempenho dominante, controlando o brasileiro no chão durante os três rounds. Seis meses depois, sofreu um pouco ao não conseguir impor seu jogo de quedas contra Marcel Fortuna, mas acabou levando a vitória numa decisão apertada, em julho. Desde então, está sem luta marcada pelo UFC.

Porque será um top 10: Johnson apresenta um excelente jogo de luta agarrada mesclado com um bom condicionamento físico, ingredientes importantes para formar um lutador que dará trabalho. Porém, ele precisa melhorar na troca de golpes, não só para ter a capacidade de ficar em pé contra oponentes que possam ser perigosos no chão, mas também para otimizar suas aproximações para as quedas – ele costuma se expor nestas ocasiões. Com 29 anos e treinando na MMA Lab junto com Ben Henderson, Johnson tem toda a estrutura para evoluir e, corrigindo algumas dessas falhas, se tornar um top no futuro.