Por Anderson Cachapuz | 27/09/2017 17:16

Quando Dana White se deu conta de quão estúpida era a ideia de deixar as mulheres fora do maior palco do MMA mundial, foi por Ronda Rousey que seu olhar ganhou ares de convencimento. Um verdadeiro fenômeno dentro e fora do octógono, a americana possuía todas as características necessárias para abrir caminho para as meninas, incluindo a beleza física, algo que infelizmente ainda é levado em consideração nos dias de hoje. Sua aparência vendável, escorada pelo talento devastador, serviu para mostrar ao mundo que elas têm, sim, vez no UFC.

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A lista a seguir vai elencar alguns nomes que podem chegar ao topo, não só para ter a chance de desafiar o cinturão, como também para tomá-lo para si. Ou pelo menos fazer um papel decente no top 10 da divisão.

Nota da Edição: o cronograma de publicações do MMA Brasil afetou sensivelmente este artigo. Quando a matéria foi escrita, Ketlen Vieira não havia vencido Sara McMann e Katlyn Chookagian não havia decidido baixar para o recém-criado peso mosca. Como não daria tempo de fazer uma nova escolha de candidatas e produzir um novo texto, optamos por manter o texto.

Ketlen Vieira

Quem é: pupila de Dedé Pederneiras na Nova União, a manauara Ketlen Vieira é a atual número 13 do ranking do UFC e vem da maior vitória em sua carreira. Aos 26 anos, não só bate na porta do top 10 como já caminha a passos largos rumo à disputa do cinturão. Alta, forte fisicamente, com boa envergadura para a categoria e um coração de leão, a brasileira está invicta na carreira, com uma sequência de três vitórias no UFC e nove no total. Ela ainda não se encontra no auge físico e técnico, ou seja, está em evolução e deve melhorar mais.

O que fez no UFC: Ketlen está em uma das melhores sequências no peso galo, com três vitórias. A estreia contra Kelly Faszholz mostrou um pouco de nervosismo, normal para quem chega à maior organização do mundo. Na luta seguinte, contra Ashley Evans-Smith, a brasileira já se mostrou mais solta, dominou as ações em todas as áreas e chegou à vitória em outra decisão. Eis que, numa brilhante reviravolta contra Sara McMann, depois de ser dominada no primeiro round, a “Fenômeno” fez jus ao nome e conseguiu derrubar a medalhista de prata no wrestling em Atenas e encaixou um katagatame da meia guarda que garantiu sua maior vitória até então. Não é absurdo dizer que, talvez com mais uma ou duas boas vitórias, Ketlen dispute o cinturão dependendo de quem forem as adversárias.

Porque será uma top 10: Faixa-preta de jiu-jítsu e judô, grappler desde a infância, Ketlen desenvolveu um bom jogo de solo, com muita força física, pesando bem sobre as adversárias e trabalhando transições com calma, de onde dá botes certeiros. Ela ainda possui um wrestling acima da média de seus compatriotas. Apesar da formação baseada no jogo de solo, Vieira tem boa desenvoltura em pé. O boxe não tem tanto volume, mas mostra muita precisão e certa força. A envergadura reforça seu jogo e torna a brasileira uma lutadora completa e em evolução.

Katlyn Chookagian

Quem é: faixa-marrom de Renzo Gracie e pupila de Mark Henry na mesma academia do ex-campeão Frankie Edgar, Katlyn Chookagian chegou ao UFC cercada de expectativas, endossadas pelos cinturões dos pesos mosca e galo do Cage Fury, uma das principais organizações de Nova Jérsei. Formada em Gestão e Marketing de Empresas, a americana treina caratê desde os 4 anos, além do boxe, modalidade na qual conquistou o Golden Gloves aos 16 anos.

O que fez no UFC: a “Blonde Fighter” fez três lutas no UFC, todas terminando em decisões, controversas ou não. A estreia vitoriosa contra Lauren Murphy foi unânime e não deixou muita margem para dúvidas. Na luta seguinte, ficou do lado perdedor de uma decisão dividida contra Liz Carmouche, quando sofreu o primeiro revés da carreira. A recuperação veio no terceiro combate, também em decisão dividida contra Irene Aldaña, sua nona vitória na carreira. Atual número 12 do ranking, Chookagian deve encarar um aumento no nível da concorrência visando alçar vôos maiores no UFC.

Porque será uma top 10: Katlyn é uma lutadora voluntariosa, que se vira bem em todos os ramos do jogo. O boxe é fluido, com movimentação lateral acima da média, bailando com classe pelo octógono e angulando bem para golpear. As pernas são soltas, fruto dos treinos de caratê, porém, seu jogo em pé carece de mais agressividade e definição – ainda falta aquele “instinto assassino” das campeãs. No chão, ela também mostra bom nível de wrestling, o que dá uma boa base para que a americana decida onde prefere que a luta se desenrole.

Tonya Evinger

Quem é: experiente lutadora aos 36 anos, a ex-campeã do peso galo do Invicta Tonya Evinger possui um cartel consolidado de 19-6 e vagou o cinturão da organização parceira para enfrentar Cristiane Cyborg pelo cinturão vago do peso pena feminino. Mostrou muito coração, mas foi mais uma a ser demolida pela brasileira, deixando cair uma invencibilidade que durava desde 2011. Evinger deve voltar à divisão de origem em sua próxima luta e será ranqueada em breve.

O que fez no UFC: a norte-americana estreou contra Cris Cyborg, perdeu por nocaute no terceiro round, mas surpreendeu pela durabilidade, resistência e temperança no octógono. Antes, Tonya havia participado do TUF 18, quando perdeu ainda nas preliminares para Raquel Pennington, não conseguindo assim entrar na casa.

Porque será uma top 10: Evinger não tem mais muitas ambições na carreira. A própria já declarou que vê o UFC apenas como uma oportunidade de faturar mais uma grana antes de se aposentar. Isso pode ser uma situação de dois lados, uma vez que a cautela deve ser deixada de lado e fará com que ela possa estirar corpos no octógono, como fez em oito de suas 19 vitórias, ou pode fazer adversárias batucarem, como aconteceu em outras sete oportunidades. Tonya não é muito chegada numa decisão e parte para liquidar seus combates com medo do amanhã. O boxe da americana é bem alinhado e os punhos são pesados. É claro que serão subestimados se forem comparados com o striking de elite de Cris Cyborg, mas dá conta de toda a categoria de baixo. O grappling é técnico, com boas transições e muito oportunismo. Ao menor sinal de erro da adversária, Evinger aperta um pescoço ou leva um braço para casa. O fato de ser incontestavelmente uma top 10 mundial garante a “Ameaça Tripla” no top 10 do UFC em breve. Com um pouco de sorte ou vontade, consegue até disputar o cinturão antes de se aposentar.

Menção Honrosa: Aspen Ladd

Quem é: a jovem americana de 22 anos Aspen Ladd é mais uma cria do Invicta FC, onde competiu nas categorias mosca e galo. Ladd possui cartel imaculado de cinco vitórias em igual número de lutas. Faixa-roxa de jiu-jítsu, esporte que treina desde os 14 anos, Ladd também adora se arriscar na trocação, fruto de sua paixão pelo boxe.

O que fez no UFC: Ladd ainda não estreou no UFC. Sua estreia estava marcada contra Jessica Eye, no TUF 25 Finale, mas Aspen precisou abandonar o combate na véspera por problemas no corte de peso.

Porque será uma top 10: ainda muito jovem e com muito tempo para evoluir, Ladd já dá sinais de que seu talento e ousadia podem fazê-la galgar voos altos em sua carreira. Agressiva, astuta e ousada, gosta de trabalhar o boxe, adora o clinch e impor um jogo de pressão. As mãos são pesadas e o wrestling é decente, permitindo que ela se aventure em pé sem medo de ser derrubada. E quando vai ao chão, se garante na faixa roxa de jiu-jítsu. Certamente é um nome para o futuro.

Gerente de projetos e bacharel em direito e atualmente empresário, ex-praticante de muay thai e fã de MMA. Flamenguista e natural do RJ. Pai do Nicolas, vulgo "Cachapinha", futuro campeão do UFC.