Tony Ferguson vence a nona seguida em guerra contra Rafael dos Anjos no UFC Fight Night 98

Atuação soberba de Tony Ferguson dá a vitória sobre o ex-campeão Rafael dos Anjos. O recorde de nove triunfos seguidos no peso leve é a cartada que o americano precisava para disputar o cinturão.

A luta principal do UFC Fight Night 98 nem pareceu que foi disputada a quase 2.300 metros de altitude. Na Arena Ciudad de México, Tony Ferguson e Rafael dos Anjos fizeram um duelo acirrado, em alta intensidade. A vitória do americano estabeleceu uma senhora marca e o deixou na boca da disputa do cinturão na divisão dos leves.

Aproveitando o costume que Ferguson tem de começar as lutas um pouco devagar, o ex-campeão foi muito bem na estratégia de contragolpear para quebrar a movimentação do rival, colocando dúvidas sobre Ferguson e acertando os melhores golpes, especialmente os chutes baixos.

Quando Ferguson acelerou, tomou o controle da situação e não mais a perdeu. Todo ataque de Rafael era retaliado com combinações de dois ou três socos em meio a uma movimentação sem um padrão que o brasileiro pudesse se antecipar. “El Cucuy” variou o jogo com socos rodados e cotoveladas em pé, deixando Dos Anjos em posição defensiva. O brasileiro chegou a melhorar na segunda metade do terceiro assalto, depois de acertar um belo chute alto, e acabou aquela parcial em ritmo forte. Talvez tenha sido suficiente para reverter a vantagem que Tony tinha até ali, mas foi um breve momento.

A defesa de quedas de Ferguson também funcionou à perfeição, fazendo com que Rafael ficasse sem opção de variação de jogo e fosse obrigado a encarar o desafio do striking. Confiante, o americano encaixou todos os duros golpes lançados pelo oponente e seguiu imprimindo um ritmo forte até o fim do combate.

Na contagem do MMA Brasil, Tony Ferguson venceu por 49-46, mas todos os juízes oficiais marcaram 48-47. Com o resultado, o americano se tornou o primeiro peso leve a vencer nove vezes seguidas e deixou seu nome como a principal opção para o posto de desafiante do vencedor entre o campeão Eddie Alvarez e Conor McGregor, que se enfrentam no próximo sábado.

Diego Sanchez vence Marcin Held em animado combate no chão

Depois de tantas vitórias injustas, Diego Sanchez voltou a triunfar com uma atuação consistente. O estreante Marcin Held deu trabalho, mas sucumbiu ao grappling defensivo do americano e ao seu próprio cansaço.

A conhecida sanha de Held em busca das finalizações, especialmente na perna dos adversários, se fez presente no primeiro round. Mais rápido e mais técnico, ele estabeleceu um bom domínio das ações na troca de golpes em pé para desviar a atenção de Sanchez e disparou uma sequência que começou com uma guilhotina e passou para ataques no pé e joelho. Como é um faixa-preta cascudo, Diego manteve a calma, defendeu as investidas e sossegou o facho do jovem oponente.

Held voltou com a mesma intenção para o segundo assalto, mergulhando com inteligência nas pernas de Sanchez, sem deixar que o americano evitasse o contato. Diego seguiu se defendendo muito bem, mostrando elasticidade e calma. Quando ele conseguiu escapar por cima, passou a golpear o europeu com socos e cotoveladas que minaram o gás de Held. No terceiro assalto, o experiente e incansável Sanchez maltratou o exausto Held, que não tinha mais forças para esboçar reação.

A boa vitória de Sanchez serviu para amenizar o atropelamento sofrido diante de Joe Lauzon, no UFC 200. Somado com a vitória sobre Jim Miller, em março, o resultado fez de 2016 o primeiro ano de Sanchez com duas vitórias sem presentes dos juízes desde 2009.

Ricardo Lamas impõe segunda derrota seguida por guilhotina a Charles do Bronx

Um fim de semana para esquecer foi a experiência mexicana de Charles do Bronx. Depois de bater o peso da categoria de cima, na sexta-feira, o paulista foi finalizado pela segunda vez seguida, agora pelas mãos de Ricardo Lamas.

O primeiro assalto foi muito animado e cheio de alternativas. O americano começou melhor ao derrubar, cair por cima e bater no ground and pound, mas deu espaço para Oliveira tentar uma chave de calcanhar e abrir espaço para se levantar já pegando as costas. Neste momento, a luta mudou. Charles aplicou uma linda e surpreendente queda. Desta vez por cima, o brasileiro se mostrou mais eficiente e chegou ao triângulo de mão. Lamas se safou no estouro do cronômetro.

Na segunda etapa, Lamas era melhor em pé quando Charles tentou uma queda. Porém, o americano acabou por cima e tentou trabalhar o ground and pound. Do Bronx raspou, mas deixou o pescoço exposto, no mesmo erro cometido algumas vezes no último combate contra Anthony Pettis. Lamas não perdoou: encaixou a guilhotina com uma perna pressionando a coluna do brasileiro e a outra impedindo que Oliveira usasse a grade para arrefecer a pressão. Charles ainda tentou forçar o braço do americano, mas Ricardo sustentou a posição e fez o rival batucar na marca de 2:13.

Depois de falhar várias vezes na pesagem, desta vez por ridículos quatro quilos, Charles do Bronx fica em posição vulnerável no UFC, com risco de ser obrigado a voltar ao peso leve, categoria na qual ele não tem pujança física para dar conta.

Clinch dá vantagem a Beneil Dariush contra Rashid Magomedov

Sem ligar para as vaias do público mexicano, o iraniano Beneil Dariush manteve-se firme em sua estratégia de anular as potencialidades de Rashid Magomedov e impor ao russo a primeira derrota no octógono.

Enquanto o duelo ficou na troca de golpes em pé, Magomedov usou a distância a seu favor e pegou Dariush em vários contragolpes bem mais eficazes do que as ações ofensivas do rival. Contudo, a maior agressividade do iraniano começou a render frutos quando os chutes no corpo e nas pernas permitiram que ele se aproximasse do russo. No clinch, Beneil mesclou joelhadas com dirty boxing e pressão isométrica, deixando o adversário de costas para a grade, aceitando aquela situação que lhe dava prejuízo.

Este foi o cenário dos 10 minutos iniciais. Sentindo necessidade de uma interrupção, Magomedov voltou mais agressivo para o terceiro round, mas não acertou nada de muito contundente. Para piorar sua situação, voltou a passar um tempo de costas para a grade antes de o árbitro Herb Dean mandar voltar para o centro. Magomedov teve seus melhores momentos na reta final, o que só serviu para vencer o terceiro round, ao menos na contagem do MMA Brasil, já que dois juízes anotaram 30-27 para Dariush, enquanto o terceiro ficou com o nosso 29-28.

Alexa Grasso estreia com surra em Heather Jo Clark

Uma das estreias mais aguardadas do UFC terminou como esperado. Alexa Grasso sentiu o terreno, pegou confiança e superou a resistente Heather Jo Clark.

Diante de seus compatriotas, Grasso teve um excelente momento na segunda metade do primeiro assalto, quando mostrou aos fãs do UFC o que os do Invicta já conheciam. Um chute alto abriu caminho para uma artilharia pesada de socos, chutes e joelhadas que destruiu o nariz de Clark.

Mesmo num ritmo menos intenso, Grasso em momento algum olhou para trás. Clark exibiu a conhecida coragem e seguiu avançando mesmo com o rosto prejudicado. Melhor na longa distância e no clinch, Alexa ainda cravou uma queda violenta no terceiro assalto para mostrar que a parada estava decidida. A estrela em formação venceu com dois 30-27 e um 29-28 meio sem sentido.

Outros resultados do UFC Fight Night 98

Ainda no card principal, o mexicano Martín Bravo foi melhor na troca de golpes em pé, negou a luta agarrada e nocauteou o peruano Claudio Puelles no segundo assalto e ficou com o título do TUF América Latina 3.

Na principal preliminar, o local Érik Pérez superou uma lesão no pé contraída no primeiro assalto para vencer Felipe Sertanejo. O duelo, que tinha expectativa de ser uma guerra de muay thai, foi decidida no ground and pound do mexicano, que sobreviveu a uma tentativa de finalização do brasileiro no primeiro round. Pérez chegou à terceira vitória seguida.

Outro brasileiro em ação, Douglas D’Silva conseguiu um bonito nocaute sobre Enrique Briones quando, pressionado contra a grade, acertou uma cotovelada seguida de um soco rodado que surpreendeu o mexicano no terceiro round.