Por Alexandre Matos | 25/05/2014 04:44

Seria preciso uma atuação maiúscula para vencer um monstro como Renan Barão. E foi exatamente o que fez TJ Dillashaw neste sábado. Na luta principal do UFC 173, disputado na MGM Grand Garden Arena, em Las Vegas, o californiano da Team Alpha Male chocou o mundo do MMA com um nocaute no quinto round e tornou-se o novo campeão dos galos do UFC.

TJ Dillashaw dominou Renan Barão do começo ao fim do combate que encerrou nove anos de invencibilidade (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

TJ Dillashaw dominou Renan Barão do começo ao fim do combate que encerrou nove anos de invencibilidade (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC)

Dillashaw dominou o combate do começo ao fim com velocidade, movimentação intensa, jogo de pernas fluido, criando ângulos não só para atacar, mas também para se defender – quando Barão tentava atacá-lo, muitas vezes ele não estava mais no mesmo local. Junto a este carrossel, punhos pesados que mandaram o potiguar três vezes a knockdown. No primeiro round, Dillashaw perdeu a chance de fechar a luta ao optar por uma finalização ao invés de prosseguir no ground and pound com Barão visivelmente fora de órbita. Ainda assim, o americano tomou a dianteira da luta e não mais olhou no retrovisor.

Combinações que atingiam cabeça, corpo e pernas do brasileiro eram disparadas em quantidade e velocidade. Barão respondeu em algumas situações, deixando inclusive o rosto de Dillashaw inchado, mas, ao ponto em que a confiança do desafiante só fazia aumentar, a do campeão nunca mais voltou ao patamar mínimo necessário.

No intervalo do quarto para o quinto round, o técnico André Pederneiras definiu: “Ou você vai para nocautear, para pegar (finalizar) ou vai perder a luta”. Porém o estrago estava feito. Para piorar, que saiu para a decisão foi o americano. Um chutaço na cabeça abriu caminho para uma saraivada de socos que acabou com um gancho de direita. Com Barão novamente em knockdown, Dillashaw partiu para o ground and pound definitivo, obrigando o árbitro Herb Dean a interromper.

A vitória transformou Dillashaw no terceiro campeão do UFC revelado pelo TUF, ao lado de Rashad Evans e Forrest Griffin, mas apenas o Alpha Male não venceu o reality show – foi derrotado na final da 14ª temporada por John Dodson. Muito merecidamente, o novo campeão e o antigo foram agraciados com o bônus de melhor luta da noite e receberam US$50 mil adicionais. Mais merecida ainda foi a bonificação do novo campeão pela performance da noite, prêmio que o canandese Mitch Clarke também recebeu pela finalização sobre Al Iaquinta, na parte preliminar do UFC 173.

Daniel Cormier aplica passeio em Dan Henderson e apaga o veterano no terceiro round

As chances de vitória de Dan Henderson eram baixas antes da luta, mas poucos esperavam uma superioridade tão alarmante de Daniel Cormier na luta coprincipal do UFC 173.

Daniel Cormier ergue Dan Henderson e o arremessa contra o piso (Foto: Reprodução Instagram do UFC)

Daniel Cormier ergue Dan Henderson e o arremessa contra o piso (Foto: Reprodução Instagram do UFC)

Em pé, a velocidade e técnica de Cormier não permitiram que Hendo tivesse oportunidade de usar a Bomba-H. Na verdade, o veterano acertou apenas 12 golpes em toda a luta (contra 131 de Cormier), de acordo com o Fight Metric. Mas Cormier impressionou mesmo na luta agarrada, dominando Hendo no que um dia foi seu ponto forte.

O combate juntou dois wrestlers com duas Olimpíadas cada nas costas (Hendo em 1992 e 1996, Cormier em 2004 e 2008). Porém, a luta fez parecer que apenas um estava neste nível. Aos 43 anos, sem mais o TRT e com muitos quilos a menos que o oponente, Hendo foi derrubado de todos os modos. A facilidade era tão grande que Cormier chegou a erguer o multicampeão de MMA e cravá-lo no chão.

É verdade que havia um meio-pesado muito forte contra um peso médio lutando. A grande diferença de peso ajudou Cormier a minar a resistência de Hendo no controle posicional por cima. Mas isto não tira o mérito da técnica exibida pelo lutador da American Kickboxing Academy no chão. Passagens constantes de guarda (11 no total) e montadas em todos os rounds foram exibidas. Numa das transições, Cormier passou para as costas de Henderson, encaixou o mata-leão e fez o oponente dormir o sono dos justos quando o cronômetro apontava 3:53 no terceiro round.

Empolgado com a atuação, Cormier começou a vender sua luta contra o campeão da categoria:

“Jon Jones, você não pode fugir de mim para sempre. Eu sou o garoto que está sempre na sua chave do torneio de wrestling. Não importa para onde você for, garoto, eu vou atrás. É melhor você se preocupar porque eu vou melhorar. Eu sei que ninguém pode me encarar no wrestling. Se eu decidir derrubar Jon Jones 100 vezes, eu vou derrubá-lo 100 vezes. Este é meu octógono. Eu sou o cara.”

Robbie Lawler fecha grande atuação com nocaute sobre Jake Ellenberger

Em sua primeira luta após a derrota na disputa do cinturão, Robbie Lawler seguiu mostrando que é uma das principais forças da categoria dos meios-médios. Ele não tomou conhecimento de Jake Ellenberger e nocauteou o rival no terceiro round.

Robbie Lawler nocauteou Jake Ellenberger no terceiro round (Foto: Stephen R. Sylvanie/USA TODAY Sports)

Robbie Lawler nocauteou Jake Ellenberger no terceiro round (Foto: Stephen R. Sylvanie/USA TODAY Sports)

Mais uma vez o boxe e o kickboxing de Lawler foram suas ferramentas. Sua movimentação sempre enquadrava Ellenberger e deixava o oponente como alvo fixo de seus socos e chutes. Sem usar o wrestling, Jake não ofereceu resistência, já que seu nível na troca de golpes é inferior. Vendo que estava perdendo, ele até conseguiu duas quedas no segundo round, mas não foi capaz de manter Lawler no chão.

Com a luta na mão, o número 1 do ranking do UFC resolveu apertar o ritmo no terceiro round e colheu os frutos. Um forte jab de direita mandou Ellenberger com as costas na grade. Lawler emendou um joelhaço na cabeça que resultou em knockdown. O serviço foi fechado com um brutal ground and pound que forçou o árbitro a parar o duelo com 3:06 decorridos na parcial.

Takeya Mizugaki vence Francisco Rivera e agora tem a 2ª maior série invicta dos galos

Quando Takeya Mizugaki superou Francisco Rivera e saiu do octógono com sua quinta vitória consecutiva, apenas Barão (7) e Raphael Assunção (6) estavam à sua frente. Com a derrota do agora ex-campeão, restou apenas o pernambucano.

Takeya Mizugaki dominou Francisco Rivera no chão e ampliou sua série invicta (Foto: Stephen R. Sylvanie/USA TODAY Sports)

Takeya Mizugaki dominou Francisco Rivera no chão e ampliou sua série invicta (Foto: Stephen R. Sylvanie/USA TODAY Sports)

Enquanto os lutadores estiveram em pé, trocando golpes, o combate teve a movimentação esperada. Rivera foi superior em quase todas as trocas, mas não mostrou o poder de nocaute que o serviu em outras ocasiões. Mizugaki, por sua vez, mandou o americano a knockdown no primeiro round com uma direita atrás da orelha e tentou fechar no ground and pound, mas o oponente mostrou compostura e se recuperou.

Apesar deste bom momento, o que funcionou de verdade para o japonês foram as quedas e o controle posicional. Como Mizugaki passou boa parte dos rounds por cima, no solo, tornou fácil o julgamento da luta. Rivera só foi melhor no segundo, quando ficou menos tempo de costas para o chão. O MMA Brasil marcou 29-28 a favor de Mizugaki na luta, mesmo placar dado pelo juiz Chris Lee. Já Roy Silbert e Roy Silbert julgaram que o domínio do asiático no solo durante o segundo round foi o suficiente para dar a parcial a ele. Assim, ambos anotaram 30-27 para Mizugaki.

Jamie Varner luta quase um round com o pé quebrado na derrota para James Krause

Mais uma demonstração de coração e valentia para alguém que já foi chamado de covarde no WEC. Jamie Varner fraturou o tornozelo no começo da luta contra James Krause, mas ainda resistiu a todo o primeiro round antes que o médico decretasse sua impossibilidade de continuar.

Jamie Varner mostrou coração ao aplicar uma queda em James Krause mesmo com um pé quebrado (Foto: Stephen R. Sylvanie/USA TODAY Sports)

Jamie Varner mostrou coração ao aplicar uma queda em James Krause mesmo com um pé quebrado (Foto: Stephen R. Sylvanie/USA TODAY Sports)

Krause começou a luta melhor, acertando alguns bons golpes, inclusive um chute alto frontal. Ao sofrer um chute baixo, Varner pisou em falso e dobrou o pé, quebrando o tornozelo com cerca de um minuto passado. Mesmo sem conseguir se estabilizar sobre o pé machucado, o ex-campeão do WEC permaneceu lutando, tentando lançar golpes. Obviamente a situação era crítica e Krause controlava as ações, mas Varner ainda conseguiu uma queda para tentar trabalhar no solo, sem o peso do corpo sobre o pé contundido.

Varner não foi capaz de manter o adversário no chão e teve que se virar em pé. Visivelmente sem condições, ele frequentemente perdia o equilíbrio, tornando-se um alvo fácil. Varner resistiu até o fim do round, mas teve que desistir no intervalo, quando informou ao médico que achava que havia sofrido uma fratura. Após o combate, a organização confirmou a fratura.

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.