Tim Hague possuía ETC antes de morrer, confirma autópsia

Por Matheus Costa | 10/06/2019 17:07

Ex-lutador do UFC, Tim Hague morreu em 2017 logo após uma luta de boxe em Edmonton, no Canadá. Desde então, o caso gerou inúmeros desdobramentos polêmicos, mostrando que a comissão atlética responsável pelo confronto havia sido irresponsável ao desrespeitar inúmeras regras de sua política, como a de suspensões médicas, por exemplo. Entretanto, um novo capítulo sobre a triste história foi revelado.

De acordo com a autópsia realizada no ex-lutador, foi constatado que o cérebro de Hague estava sofrendo de encefalopatia traumática crônica (ETC), também conhecida como demência pugilística. A doença é ocasionada pela sequência de concussões, comum entre lutadores que sofreram muitos nocautes durante a carreira. Hague já tinha a doença antes de entrar no ringue e, mesmo assim, recebeu a licença da Comissão de Esportes de Combate de Edmonton (ECSC) para competir naquela que foi a última luta de sua vida.

Hague faleceu no dia 18 de junho de 2017, aos 34 anos. Ele enfrentou Adam Braidwood e sofreu três knockdowns no primeiro round, mas o confronto não foi interrompido pelo árbitro. No segundo round, Hague, que claramente não tinha mais condições de lutar, acabou nocauteado brutalmente. O lutador permaneceu deitado no ringue por alguns minutos até ser carregado para o vestiário, onde reclamou de dores de cabeça e vomitou. Ele foi transportado logo depois ao hospital.

Após exames de emergência, constatou-se um quadro de hemorragia cerebral e o atleta foi levado a coma induzido. Com dois dias respirando por aparelhos, a morte cerebral foi confirmada. Hague faleceu ao lado de sua família e amigos.

Logo após a morte do lutador, teve início uma investigação contra a comissão atlética para procurar possíveis sinais de negligência dos oficiais. Contatou-se que a comissão havia negligenciado algumas regras sobre a segurança de lutadores, como aplicação de suspensões médicas menores do que as recomendadas, aumentando o risco de traumas mais graves sobre os lutadores, especialmente a síndrome do segundo impacto.

Tim Hague somou um cartel de 21 vitórias e 14 derrotas no MMA, sofrendo oito nocautes ao longo de sua trajetória. Ele passou pelo WSOF e pelo UFC, no qual fez história ao sofrer o nocaute mais rápido da história organização, apagado por Todd Duffee em apenas sete segundos de luta. No boxe, o atleta, que tinha carreira de professor em tempo integral, possuía um cartel de uma vitória e duas derrotas. Seu último adversário, Adam Braidwood, somava sete vitórias – seis delas por nocaute – e uma derrota.