Thiago Pitbull e Laureano Staropoli comentam rivalidade Brasil x Argentina antes do UFC 237

Por Gustavo Bizzo | 11/05/2019 00:00

Antecipado por muitos como possível luta da noite, o confronto Brasil x Argentina sai dos gramados, tira as chuteiras e veste as luvas. O veterano e conhecido Thiago “Pitbull” Alves, neste sábado, deve entrar em uma batalha sangrenta contra o hermano Laureano Staropoli. Além de confiar nos conterrâneos para tremer a base do adversário no UFC 237, Pitbull considera que sua milhagem deve ajudar a pesar na balança. “Ele não tem muita luta, não tem experiência, então acho que isso aqui já é um pouco intimidante pra ele. Vou capitalizar nesse erro dele, nessa intimidação dele, e cair pra dentro dele, ver como é que ele reage”, disse Thiago em entrevista ao MMA Brasil.

Apesar de ser do lado de lá do Rio da Prata, e também estar avisado do que deve recebê-lo, Staropoli vê que sua chegada e preparação no Brasil pode ganhar alguns simpatizantes na Jeunesse Arena. “Acho que a torcida vai estar do lado contrário, mas eu também acho que vai ter muita gente brasileira torcendo por mim, pois estou morando aqui em São Paulo”, disse o argentino, que não se sente pressionado. “Eu só fiz uma luta, estou lutando com uma lenda, não tenho nenhum tipo de pressão. Ele tem sua família, sua torcida, tem tudo. Ele tem a obrigação de ganhar. Eu só estou para desfrutar aqui”, completa.

A mesma energia que pode intimidar um, dá forças para o outro. Essa será a segunda luta consecutiva de Thiago no Brasil, e, por mais que o brasileiro já tenha socado rostos em diversos países ao longo da carreira, a energia é diferente na terra natal. “É diferente, diferente pra caramba [lutar no Brasil]. Já lutei muito nos Estados Unidos, no mundo todo aí, mas não lutei muito no Brasil. Lutei no começo da minha carreira, quando o MMA não era muito conhecido como é hoje em dia. Tô amarradão, acho super maneiro poder conversar com os fãs brasileiros, sentir aquela energia brasileira, o calor brasileiro. A motivação, ela vai lá em cima. Então, tô preparado pra guerra”, disse Pitbull.

Intimidados ou pressionados, o brasileiro não é conhecido por oferecer lutar monótonas ao público, enquanto “El Matador” fez sua estreia entregando a melhor luta do UFC Argentina. O gringo aposta no seu estilo ofensivo para conquistar a platéia e mais visibilidade, buscando derrotar o dono da casa. Quando perguntado se o público pode esperar uma apresentação parecida com a entregue contra Hector Aldana, Staropoli dispara: “Melhor, melhor. Pois foi minha estreia, estava muito nervoso, não sabia o que podia acontecer. Depois da minha primeira luta eu estou sentido muito mais segurança. Porque eu não sabia o que ia acontecer, primeira luta no UFC, em casa, aí sim tinha muita pressão, agora vou lutar sem pressão. Eu acho que todas as minhas lutas a partir de agora vão ser cada vez melhor”.

“MMA agora é paixão nacional também. Então, eu vim aqui pro nosso país e vou botar ele pra respeitar. Aqui é Brasil e só vai dar a gente”

Para melhorar, o argentino veio ao Brasil, mais especificamente à Chute Boxe, para afiar e criar novas armas que serão usadas contra Pitbull. “Cara, eu sabia que a Chute Boxe era a melhor equipe de trocadores do mundo, mas eu não sabia o nível do jiu-jítsu que tem. Eles têm um jiu-jítsu excelente. Eu tenho a benção de treinar com o Charles Oliveira, maior finalizador do UFC e, a partir desse momento, treinando na Chute Boxe, melhorou muito meu jiu-jítsu, meu grappling. A trocação também, com o muay thai. Estou me tornando um atleta mais completo”. Do outro lado, Thiago reforça o peso que o território local deve trazer decidir a luta: “MMA agora é paixão nacional também. Então, eu vim aqui pro nosso país e vou botar ele pra respeitar. Aqui é Brasil e só vai dar a gente”

De volta: após sair vitorioso de Fortaleza, Pitbull faz a segunda luta consecutiva no Brasil

Próximos passos

Apesar da diferença de quilometragem entre a carreira dos dois — essa não é a única luta com choque de gerações no UFC Rio 10 –,  os atletas têm objetivos parecidos no horizonte. Thiago, ainda que com 36 lutas no cartel (15-10 no UFC) não tirou o cinturão e os tops do ranking de vista. Quando questionado sobre os objetivos a seguir na carreira, Pitbull responde: “Vitória. Não tem outro jeito de olhar para esse negócio. Tô aqui para ganhar, treinando pra ganhar, e esse é o objetivo (…)  Lógico, tô aqui pra isso [buscar o título]. Acho que não faz sentido você querer competir se você não tem aquele objetivo em mente. Então é sempre vitória, acho que uma vitória atrás da outra vai me deixar cada vez mais perto”.

A experiência do veterano pode não ter desgastado a motivação primária que todo jovem atleta exibe ao entrar pela primeira vez no octógono, mas trouxe outras motivações. Pitbull, que treina na American Top Team e mora há anos nos Estados Unidos, é treinado, mas também molda os talentos do futuro. A vida dupla não tem trazido problemas. “É facinho cara, é facinho. Eu to na academia o tempo todo já, então quando eu não tô treinando, tô lá dando aula, e depois já começo a treinar de novo. Então, é uma transição bem fácil. Eu venho fazendo luta desde que eu era moleque, desde os 13 anos, então é bem natural”.

De olho no futuro e trabalhando perto no dia-a-dia de um dos maiores celeiros de talentos de MMA nos Estados Unidos, quisemos saber se Pitbull tem prospectos para chegar na organização para serem olhados mais de perto. “A gente tem muito talento na American Top Team. A gente tem mais de 50 profissionais treinando todo dia no tatame, mais de 30 lutadores no UFC. Então, é galera que você tá vendo agora chegando aí, o Pantoja que já tá aí na cabeça já, tem o Anthony Martin que tá crescendo também. Então, é só saber o final de semana, que todo final de semana tem lutador da gente lutando. A gente tá fazendo um trabalho pra desenvolver o time em si, tentar melhorar todo mundo”, comentou.

“Acho que o Thiago de hoje em dia espancaria o Thiago que lutou com o Georges St. Pierre”

Pensando no longo prazo, e considerando a idade e histórico profissional de Pitbull, perguntamos suas opiniões sobre o estado de saúde relatado por veteranos como Wanderlei Silva e Renato Babalu. “Eu acho que a geração do Wanderlei e do Babalu é bem diferente da minha geração, com outras regras, acho que eles não eram tão profissionais em termos de atletismo como a gente é. Eu acho que a informação que a gente tem hoje em dia, o nível de tecnologia que a gente tem hoje em dia pra você se recuperar, pra estar sempre no seu auge, é bem diferente. Então, é uma geração que a gente aprendeu pra caramba, mas infelizmente eles pagaram um preço pesado”, diz Thiago, reforçando que nunca se sentiu tão bem. “Acho que o Thiago de hoje em dia espancaria o Thiago que lutou com o Georges St. Pierre. Então, é trabalho pesado, fé em deus e correr pra dentro, não tem muito mistério”

Chegando agora no UFC e com uma sequência de seis vitórias consecutivas, Staropoli quer não apenas derrotar o brasileiro em sua casa, mas também impressionar o público para escalar mais rapidamente o ranking meio-médio. “Eu acho que se eu consigo ganhar, consigo nocautear, como estou sonhando, o UFC vai me dar muitas boas lutas. Eu sei que vou conseguir estar dentro do top 10 dentro de pouco tempo, pelo estilo que eu tenho. Sou um cara muito agressivo, sou um cara que vai buscar o nocaute que vai buscar a vitória sempre”, explicou El Matador.

“Essa garra, esse espírito, isso não tem em nenhum lugar do mundo. Isso não se treina na academia, com isso se nasce. Isso que tem o latino”

Mas não só do ouro vivem os sonhos do hermano. Com a recente investida que o UFC tem feito, estreando em países inéditos da América Latina, Staropoli quer contribuir para o crescimento do esporte também em seu país natal que, hoje, tem como maior estrela Santiago Ponzinibio. “O UFC está fazendo isso [crescendo na América Latina], está fazendo muito bem. Agora, em agosto, vai ter o UFC Uruguai. Tá dando importância aos lutadores latinos, está vindo muito à América Latina e isso que está fazendo crescer o esporte. Que graças a Deus estão fazendo bem, olhando lutadores latinos, pois aqui tem lutadores que tem algo que há em nenhum lugar no mundo, que é coração. Essa garra, esse espírito, isso não tem em nenhum lugar do mundo. Isso não se treina na academia, com isso se nasce. Isso que tem o latino”.