The Ultimate Fighter 25: Redemption estreia nesta semana com novo formato

Na busca por impedir o esgotamento completo do seu reality show, o UFC aposta em mais uma mudança de fórmula para o TUF 25, trazendo de volta participantes de temporadas anteriores do programa.

Nos Estados Unidos, quem ligou sua televisão no FOX Sports às 21:00h nesta quarta-feira, dia 19, testemunhou a estreia de mais uma temporada do reality show The Ultimate Fighter, a 25ª na TV americana, tentando mais uma vez trazer um ar fresco para o formato já um tanto desgastado do programa.

As tentativas de renovar o TUF têm sido constantes nas últimas edições do programa, passando pela definição da primeira campeã do peso palha feminino, no TUF 20; pelo duelo de academias entre a Blackzilians e a American Top Team, no TUF 21; e pelo elenco formado somente por campeões de organizações menores disputando uma eliminatória para o título de Demetrious Johnson no TUF 24. Estes formatos de certa forma ajudaram a trazer algo novo, mas não chegaram perto do sucesso comercial de temporadas como o TUF 10.

O tema de agora é um clássico dos realities shows americanos, com participantes “retornantes”, normalmente chamados de “All Stars”, voltando para disputar o programa pela segunda vez. No caso do TUF, foram chamados 16 ex-participantes – em sua maioria já fora de contrato com o UFC – para voltar a lutar por um contrato com a maior organização do MMA mundial, além das premiações menos importantes dadas pelo programa.

Apesar da mudança de formato, o que mais chama a atenção nesta temporada é a dupla de técnicos que comandará o programa. A rivalidade entre o campeão do peso galo Cody Garbrandt e o ex-detentor do cinturão TJ Dillashaw – que ainda são ex-parceiros de equipe – promete muitas tretas e discussões, inclusive dando os primeiros indícios no trailer abaixo. O programa terá ainda treinadores como Duane Ludwig, Urijah Faber e Danny Castillo, que também compartilham de uma relação conturbada desde os tempos de Team Alpha Male.

Apesar da boa aceitação do conceito do programa, muitas críticas foram levantadas contra o elenco de lutadores escolhido para retornar. Diferentemente de outros realities americanos que adotam este tema, a escolha de plantel de retornantes para uma temporada de TUF esbarra em um grande obstáculo: as categorias de peso. As temporadas do TUF alternam de divisões, fazendo com que a tarefa de juntar 16 lutadores de uma mesma categoria seja muito complicada

Ainda assim, a seleção poderia ter sido bem melhor. A categoria escolhida para a disputa do torneio foi a dos meios-médios, mas foram chamados lutadores que costumam competir desde o peso leve (70 quilos) até o peso médio (84 quilos). Veremos lutadores de compleições físicas distintas como o peso leve Ramsey Nijem, finalista do TUF 13, e o peso médio Eddie Gordon, campeão do TUF 19, podendo se enfrentar.

A lista completa de integrantes do elenco segue abaixo:

Seth Baczynski (19-14) – TUF 11
Mehdi Baghdad (10-5) – TUF 22
Justin Edwards(9-5) – TUF 13
Tom Gallicchio (19-9) – TUF 22
Eddie Gordon (8-4) – TUF 19
Hayder Hassan (6-3) – TUF 21
James Krause (23-7) – TUF 15
Julian Lane (11-7-1) – TUF 16
Dhiego Lima (12-5) – TUF 19
Ramsey Nijem (9-6) – TUF 13
Gilbert Smith (12-6) – TUF 17
Joe Stevenson (33-16) – TUF 2
Jesse Taylor (30-15) – TUF 7
Hector Urbina (17-10-1) – TUF 19

Em questão de nomes, a maioria dos lutadores que retorna ao programa não deixou saudade nos telespectadores. Podemos citar James Krause, que inclusive é o único da temporada que tem contrato vigente com o UFC, e Hayder Hassan, o nocauteador que quase virou o jogo para a ATT no TUF 21, como dois dos únicos que trazem alguma empolgação para o futuro no UFC.

A mesma coisa não se pode falar de nomes como o de Tom Gallicchio, que não mostrou a que veio no TUF 22 e não deve fazer ideia ainda de como recebeu outra chance. Outros nomes como Hector Urbina, Seth Baczynski, Justin Edwards e Ramsey Nijem chegaram a ter alguma estabilidade dentro do UFC, mas são lutadores que dificilmente trariam alguma novidade ao voltar para a organização.

Dentre os selecionados, podemos destacar três surpresas. Uma delas é o retorno do campeão da segunda edição do TUF, o veteraníssimo Joe Stevenson, cuja última aparição no UFC foi no já longínquo 2012, quando emendou a quarta derrota seguida antes de ser liberado por Dana White. Em entrevistas recentes, o “Daddy” revelou que o alcoolismo, que o assombrava desde a entrada no UFC, foi o principal motivo da derrocada em sua carreira e que a participação na série Kingdom, na qual foi responsável pelo treinamento dos atores, pela coreografia das lutas de MMA e por representar um personagem, foi decisiva para sua recuperação do vício. Finalmente livre do álcool, Stevenson é provavelmente a personificação do tema “Redenção” do programa. Ainda que tarde, com 34 anos e quase 50 lutas profissionais, acho justa a oportunidade dada a ele neste TUF, mesmo com as chances de retorno nessa altura da carreira sejam bem baixas.

O segundo destaque é Jesse Taylor, outro que representa bem o tema do programa. Taylor, no octógono, conquistou sua condição de finalista do TUF 7, mas, depois de ter sido filmado bêbado vandalizando um dos cassinos dos irmãos Fertitta – somente um dia depois do término das filmagens do programa – foi retirado da final e cortado do UFC, substituído por CB Dolloway.

Devido a seu apelo, Taylor ainda teve uma chance de lutar no UFC, mas, após perder para o mesmo Dolloway que o substituiu na final, ele passou o resto de sua carreira passeando pelas mais diversas organizações. Jesse chegou a lutar pelos cinturões do Cage Warriors, KSW e WSOF, e enfrentou Murilo Bustamante, Thales Leites e Luke Rockhold, mas não obteve sucesso na maioria das vezes, construindo um cartel bastante inconstante, que dificilmente chamaria a atenção do UFC.

A terceira e maior surpresa é a presença da lenda Julian Lane no elenco. Ele nunca foi grande coisa como lutador nem chegou a lutar oficialmente no UFC, mas foi protagonista de um dos momentos mais marcantes da história do TUF com seu “Let me bang, bro”, talvez a única memória do TUF 16 que ainda passa pela cabeça dos fãs. A presença de Lane é dificilmente justificada pela sua habilidade como lutador, mas provavelmente trará audiência e entretenimento para quem ligar a TV.

Essa parece ser a principal função do TUF 25, o entretenimento (como deveria ser sempre, aliás). Com dois técnicos mais antagonistas possíveis e lutadores com personalidades que devem criar conflitos e momentos engraçados, a intenção da montagem do elenco parece ter sido mesmo fazer confusão para chamar audiência. O objetivo do programa, que parecia ser trazer de volta nomes que mereceriam voltar ao UFC, foi tomado pela nova tendência com a qual a WME-IMG tem administrado a organização, como uma oportunidade de novamente fazer audiência pelo meio mais fácil.

Analisando o elenco, é muito difícil achar um favorito claro para vencer o torneio. Apesar da clara vantagem de momento para James Krause, ele terá desvantagem física se compararmos com brutamontes como Gilbert Smith e Eddie Gordon. Os nomes que considero mais prováveis para vencer o TUF são Hayder Hassan, Ramsey Nijem ou Gilbert Smith. Ainda assim, faço essas apostas sem nenhuma convicção.

Vale lembrar que o TUF 25: Redemption, que ainda não tem data de estreia no Combate, terá cobertura aqui no MMA Brasil, com a volta do mito Anderson Cachapuz no comando das resenhas de todos os episódios do programa, além da nossa cobertura clássica para o TUF 25 Finale, que acontecerá na véspera do confronto entre os técnicos Garbrandt e Dillashaw no UFC 213.

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