Por Felipe Freitas | 12/09/2013 19:45

Uma categoria feminina no UFC foi esperada por anos. Recentemente surgiu uma foto de um UFC na década de 1990 onde duas mulheres seguravam um cartaz escrito “Mulheres no UFC”, em inglês. Em 2013, tivemos a primeira luta feminina da história da organização, quando Ronda Rousey manteve o cinturão aplicando sua temida chave de braço.

A estreia fez surgir perguntas como “Quando teremos um TUF feminino?”. Dana White respondeu no UFC 158. Não apenas um TUF feminino, mas um reality show com mulheres e homens convivendo juntos, liderados por duas técnicas. Sem dúvida, a temporada mais aguardada da história do programa. Todo mundo quer saber como será o The Ultimate Fighter 18. Teremos casais? TPM? Tá, TPM não existe, é só uma invenção, mas whatevs. Teremos uma Junie Browning? Não sei, este é apenas o primeiro episódio, mas o sangue da Rousey já está fervendo.

Let the games begin!

Nos TUFs anteriores, sempre tivemos os competidores que lutavam por pão e leite, como dizia Shane Carwin. Neste caso, não é diferente: também há mulheres que lutam por pão e leite. E, como sempre, a patrocinadora do programa presenteará os lutadores vencedores e o (no caso “a”) técnico(a) dos lutadores campeões. No TUF 18, a Harley-Davidson pode dar até quatro de suas motocicletas, visto que são duas categorias em disputa.

Ronda entra no CT esperando sua técnica rival, Cat Zingano, que ganhou a vaga de técnica e desafiante depois de nocautear Miesha Tate, mas quem aparece é justamente Tate, arquirrival da campeã. Rousey fica surpresa e lança um “Oh, fuck!”, enquanto Miesha solta um sorriso irônico. A princípio, Ronda acha que foi trocada por Tate contra Zingano. Ao saber o que realmente aconteceu (Cat se machucou e teve que ser operada, abrindo mão do TUF e da disputa do cinturão em favor de Tate), “Rowdy” fica muito aliviada: “Acho que eu e Miesha fomos destinadas a ser rivais”, disse ela.

Uma foto das pernas da Tate para descontrair (não achei em melhor resolução).

Uma foto das pernas da Tate para descontrair (não achei em melhor resolução).

“Eu já disse que mulheres nunca competiriam no UFC, mas estava muito errado. O esporte evoluiu muito. (…) As mulheres que estão aqui são merecedoras”, se redimiu o presidente do UFC. Ele fez o mesmo discurso de sempre de “blá blá blá deem tudo de si”, mas com um novo detalhe: “Rapazes, vocês agora têm mulheres para se saírem melhor que vocês nas lutas”. Esta última frase foi uma maneira de dizer “não façam lutas bostas, SEUS MARICAS!”.

Vamos falar das lutas agora.

A ex-modelo Jessamyn Duke submeteu a britânica Laura Howarth com um triângulo ainda no primeiro assalto. A primeira luta feminina da história do TUF teve arbitragem da primeira mulher a arbitrar uma luta no UFC, Kim Winslow. Duke tem 1,80m de altura, é enorme para a divisão. Laura é pequena (1,65m) e acabou sendo dominada pela envergadura da oponente até ser derrubada. Quem fez jiu-jítsu sabe como é fácil encaixar um triângulo quando você é maior que o adversário. Como é de se esperar numa lutadora com cartel de 2-0-1, Duke tem buracos no seu jogo de chão. Contra uma adversária mais esperta no chão, ela vai sofrer e apanhar mais.

Depois foi a vez de outro bretão lutar, mas agora com mais sucesso. David Grant fez o adversário Danny Martinez, pupilo de Dominick Cruz, dar os três tapinhas numa chave de braço no segundo round. Apesar da vitória, David foi criticado por golpes ilegais. No primeiro assalto, ele acertou uma cotovelada 12-to-6 na espinha de Danny, seguida de uma joelhada na cabeça. Aparentemente, a joelhada quicou no ombro e atingiu a cabeça. Grant é um cara variado, não economiza chutes nem tentativas de submissão. Só precisa de um pouco mais de caráter e leitura das regras. E, claro, de não se abrir muito quando atacar. Se ele enfrentar um lutador bom de contragolpe, vai acabar acordando com o árbitro perguntando se ele está bem.

A mãe solteira Jessica Racokzy encaixou uma omoplata em Rivelina Berto (filha de Dieusel Berto, lutador do UFC 9 e 10, e irmã de Andre Berto, boxeador ex-campeão mundial pela WBC). A edição mostrou apenas highlights da luta, mas deu para notar uma grande agressividade de Jessica no ground n’ pound.

No duelo seguinte, apenas europeus. O inglês Michael Wooten venceu o sueco Emil Hartsner por decisão. Dana White não gostou da luta, achou muito entediante. “Perdi 15 minutos da minha vida”, disse ele.

A mãe Peggy Morgan venceu a gracinha Bethany Marshall, que disputou sua primeira luta da carreira na mesma noite que seu namorado. Awn! Que fofinho. Peggy sentou a mão na cara da Bethany até o árbitro Steve Mazagatti parar a luta, ou seja, por uns trinta segundos a mais do que o necessário. Curiosidade: Peggy tem 1,85m de altura, mais alta até que Jessamyn Duke.

Depois, Roxanne Modafferi, que além de lutadora, é sósia da namorada do Sheldon, de The Big Bang Theory, liberou seu espírito de fã de Power Rangers e apertou o pescoço de Valerie Letourneau, colega de time de Georges St-Pierre na Tristar Gym.

Essa não é a Amy de "The Big Bang Theory", é Roxanne Modafferi

Essa não é a Amy de “The Big Bang Theory”, é Roxanne Modafferi

Tim Gorman venceu Lee Sandmeier por nocaute técnico via socos. Tim tem cara de psicopata, parece aquelas pessoas que você esbarra numa balada e tem medo que ele bata em você. Gorman não perdeu tempo, botou Lee para baixo e sentou a mão. Não sei como é a trocação do vencedor, mas talvez ele sofra ao enfrentar alguém com uma boa defesa de queda e trocação superior.

Raquel Pennington venceu Tonya Evinger para garantir a vaga na casa com uma guilhotina. Apesar de ser superior a Raquel na luta, Tonya cometou o erro de deixar o pescoço na lateral do corpo ao tentar quedar. Mas ela não deu moleza a Raquel, que treina boxe desde a adolscência deve ser a melhor pugilista da casa.

Chris Beal venceu Sirwan Kakai por decisão. Beal é dono de uma força incrível, mas Kakai foi resistente e não foi nocauteado. Seria Chris o Uriah Hall desta edição? Para a felicidade de Chris, espero que não.

Josh Hill foi outro que teve o triunfo decidido pela leitura das papeletas. Ele venceu o irlandês Patrick Holohan. Nada de interessante para comentar.

Shayna Baszler estragou o sonho de Colleen Schneider de entrar no TUF. Shayna submeteu sua adversária com uma chave de braço no primeiro assalto. Uma pena a Colleen ter saído, os olhos dela são lindos. No mais, Shayna é um carrapato. Tem 15 vitórias na carreira, 14 por submissão e uma por decisão.

Chris Holdsworth venceu Louis Fisette por katagatame no primeiro round. Apesar de ser neto de um campeão do Golden Gloves, o maior torneio de boxe amador dos Estados Unidos, Chris é faixa-preta na arte suave. Inclusive ele tem o logo da equipe Gracie tatuado no braço. Outra curiosidade é o fato dele treinar com Urijah Faber na Team Alpha Male. Ele pouco ataca no ground n’ pound, prefere fazer o básico de ir passando a guarda até conseguir uma posição favorável.

Chris submete Louis Fisette

Chris submete Louis Fisette

Julianna Peña venceu Gina Mazany por decisão. O que deu para perceber pelos highlights é que Julianna é uma lutadora frenética, sempre partindo para cima e sem piedade. Ela inclusive já treinou com Miesha Tate.

Anthony Gutierrez venceu Matt Munsey por decisão. Miesha Tate falou a verdade sobre esta luta: não deu para ver muita coisa de nenhum dos dois atletas. Teremos que esperar alguns episódios para saber mais sobre o jogo do vencedor.

Sarah Moras venceu Tara LaRosa por decisão e garantiu sua vaga (e de suas coxas) na casa. Tara começou bem a luta, acertando golpes contundentes, mas Sarah levou a luta para o chão com suas ótimas quedas. Moras também já treinou com Miesha.

Cody Bollinger nocauteou o brasileiro Rafael “Barata” de Freitas (nenhum grau de parentesco comigo) no segundo assalto. Cody é um atleta bem versátil e resistente, além de ter um boxe muito bom.

Definição dos times do TUF 18

A moeda caiu e Rousey teve a opção de escolher o primeiro lutador ou a primeira luta. Ela escolheu a primeira luta.

Time Tate

Mulheres: Julianna Peña, Sarah Moras, Raquel Pennington, Roxanne Modafferi

Homens: Cody Bollinger, Chris Holdsworth, Josh Hill, Tim Gorman

Time Rousey

Mulheres: Shayna Baszler, Jessamyn Duke, Peggy Morgan, Jessica Rakoczy

Homens:  Chris Beal, David Grant, Anthony Gutierrez, Michael Wootten

Rousey casou a luta entre as primeiras escolhidas de cada time: Julianna Peña e Shayna Baszlar. Menina ousada, essa Rowdy.

Shayna Baszler enfrenta Julianna Peña no próximo episódio.

Shayna Baszler enfrenta Julianna Peña no próximo episódio.

Cody Bollinger, Chris Beal e Chris Holdsworth foram os que mais me surpreenderam neste episódio. Já na categoria duplo cromossomo sexual X, Julianna, Peggy e Raquel (que venceu uma veterana do esporte) também se apresentaram muito bem. Uma pena a primeira luta de Julianna ser contra Shayna Baszler, pois este duelo poderia estar mais para o fim, numa semi ou até na própria final.

Até semana que vem. Beijos, Brittney Palmer!

Além de fã de MMA, é fã de jiu-jitsu e lutas de grappling em geral. Acadêmico de jornalismo da UFSC. Já teve o sorriso elogiado por Ronda Rousey. Tinha 1 milhão de dólares mas gastou tudo.