The Ultimate Business: Entenda as propostas da MMAAA, associação formada por grandes nomes do MMA

Georges St. Pierre, Cain Velasquez, TJ Dillashaw, Donald Cerrone e Tim Kennedy se juntaram ao ex-presidente do Bellator para criar uma associação que pretende exigir melhores condições aos lutadores do UFC.

Com participações de Alexandre Matos e João Gabriel Gelli

Na última segunda-feira, um comunicado de imprensa chegou ao e-mail dos principais jornalistas de MMA do mundo informando sobre um anúncio que mudaria o esporte. O release citava uma lista de lutadores e um dirigente. Os nomes incluídos no anúncio eram dos ex-campeões do UFC Georges St. Pierre, Cain Velasquez e TJ Dillashaw, além dos experientes Donald Cerrone e Tim Kennedy. Quem fecha a lista é o ex-presidente do Bellator, Bjorn Rebney.

Na quarta-feira, durante uma conferência telefônica, Kennedy anunciou oficialmente a criação da Associação de Atletas de Artes Marciais Mistas (The MMAAA). Uma associação que, segundo os atletas presentes, quer mudar o panorama atual do esporte, buscar direitos para todos os 500 lutadores contratados pelo UFC.

Os objetivo da MMAAA não é derrubar o UFC. Eles mesmos deixaram claro que a associação serve para trabalhar junto da organização com o intuito de ajudar o esporte a crescer. Um dos pontos em que o grupo mais pesou foi a divisão do lucro entre o UFC e os atletas. Segundo eles, os atletas recebem apenas 8% de todo o lucro da organização. A MMAAA quer brigar para que tal número seja de 50% – na minha opinião, 50% é utopia.

Outro ponto observado pela Associação é em relação aos danos dos atletas. Os membros vão exigir planos de saúde para lutadores que se lesionaram bastante durante a carreira. Cain Velasquez, uma das principais vítimas das lesões nos últimos tempos, citou que já fez sete cirurgias desde a sua primeira luta no UFC e tem mais uma marcada após a revanche contra Fabricio Werdum, que ocorrerá no próximo dia 30.

Apesar de a intenção ser boa, acredito que a MMAAA tem alguns furos em suas ideias. Um dos principais é o foco somente no UFC. Os lutadores podem entender que não recebem o devido tratamento da organização, não recebem um salário justo. E a preocupação deles com as outras organizações? Lutadores no Bellator recebem US$1.000 para lutar no card preliminar, alguns recebem US$500 no WSOF. Atletas do ONE Championship já receberam tratamento médico precário após lutas. Esse tratamento das organizações menores não deveria ser priorizado também?

No WSOF 30, Zach Bunnell e Jeff Roman receberam US$500 de bolsa cada. Bunnell ganhou um bônus de mais US$500 por ter vencido (Foto: Dave Mandel/Sherdog.com)

No WSOF 30, Zach Bunnell e Jeff Roman receberam US$500 de bolsa cada. Bunnell ganhou um bônus de mais US$500 por ter vencido (Foto: Dave Mandel/Sherdog.com)

Em relação a este ponto, ainda há a suspeita de a Creative Artists Agency estar envolvida na criação da MMAAA. A CAA, empresa de agenciamento de atletas e artistas, é uma das maiores rivais da WME-IMG, conglomerado que comprou o UFC da ZUFFA neste ano. Somente no mês de novembro, alguns pesos pesados da indústria do entretenimento trocaram a CAA pela WME, como os atores Milo Ventimiglia, Troy Garity e Ryan Kwanten. No MMA, a CAA, que nasceu de uma dissidência da WME, já trabalha com GSP, Velasquez, Dillashaw e Kennedy. St. Pierre inclusive já declarou que as negociações para uma volta ao UFC estava bastante adiantada com os irmãos Fertitta, mas que congelaram quando os novos donos assumiram o controle do UFC.

Outro buraco na MMAAA é a participação de Bjorn Rebney. Apesar de os lutadores declamarem que são eles que estão no controle, o ex-dirigente disse que dedicará toda a sua atenção para a associação. Apesar de pedirem melhores condições aos atletas, lembramos que Bjorn foi o responsável por congelar Eddie Alvarez em seu contrato com o Bellator, além de retirar o visto americano de vários atletas russos, deixando-os sem oportunidades de lutar na América.

O último furo notável é o fato de o grupo querer melhores condições dentro do UFC, porém, declararam que ainda não iniciaram negociações com o próprio UFC e que não pretendem fazê-lo até o momento. É estranho ordenar melhores condições e não sentar para conversar com o patrão, não é?

O UFC já se pronunciou dizendo que toda associação em prol de melhorar o esporte é aceitável. Resta saber o que o futuro aguarda para o agrupamento mais notável de lutadores até o momento.