Por Alexandre Matos | 16/07/2012 11:03

Um cinturão do Strikeforce não está mais vago. Os meio-médios, que não tinham um campeão desde a saída de Nick Diaz, agora têm em Nate Marquardt seu novo líder. O ex-UFC conquistou o título em sua estreia com um nocaute espetacular sobre o então invicto Tyron Woodley, na luta coprincipal do Strikeforce: Rockhold vs Kennedy. O evento aconteceu no último sábado, no ginásio Rose Garden em Portland.

A luta principal da noite também contou com uma disputa de cinturão. O campeão dos médios Luke Rockhold manteve seu título ao bater o desafiante Tim Kennedy. Antes da luta de Marquardt, Roger Gracie estreou com vitória na categoria dos médios, batendo o veterano Keith Jardine por decisão. Pela mesma categoria, Lorenz Larkin manteve sua invencibilidade oficial ao superar Robbie Lawler também por decisão.

No card preliminar, Pat Healy deu mais um passo em direção a se tornar o próximo desafiante de Gilbert Melendez. O peso leve conquistou sua quinta vitória seguida, desta vez sobre Mizuto Hirota. Ryan Couture, filho da lenda Randy Couture, passou por Joe Duarte em luta apertada, enquanto o também peso leve Jorge Masvidal superou Justin Wilcox.

Luke Rockhold (EUA) venceu Tim Kennedy (EUA) por decisão unânime (49-46, 49-46, 49-46)

Com maior envergadura e mais habilidade no kickboxing, Rockhold buscou a trocação desde o princípio, mas Kennedy tinha intenção de encurtar e levar a luta para o clinch. Ele até conseguiu, mas mesmo assim ficou em desvantagem. O desafiante aplicou uma queda quando levava prejuízo na trocação, mas o campeão fez ótimo trabalho na meia guarda, deslocando o quadril, tirando os espaços de Kennedy, que não conseguia golpear. Rockhold ainda se viu em condições de encaixar uma kimura invertida, mas Tim se defendeu. Nos segundos finais, Luke cedeu as costas para ficar de pé, onde controlou o clinch e garantiu o primeiro 10-9.

Um chute alto de Rockhold, que acertou em cheio o rosto de Kennedy, foi a senha para o desafiante buscar o clinch nos segundos iniciais da segunda parcial. A luta foi para o chão, mas o campeão estava ligado e deixou Tim com espaço apenas para acertar uma única cotovelada para trás. Quando o combate voltou ao centro, Luke dominou a trocação, que estava mais lenta, com curtas combinações e bons contragolpes, garantindo outro 10-9 a seu favor.

Kennedy voltou melhor no terceiro. Vendo-se em dificuldades para atingir o rosto do oponente muito mais alto, o desafiante seguiu buscando o clinch, mas teve mais êxito desta vez. Kennedy manteve Rockhold dominado contra a grade por um longo tempo e ainda conseguiu levá-lo ao chão, onde rapidamente pegou suas costas. Fechou o triângulo de corpo, tentou encaixar o mata-leão, mas Luke defendeu-se e voltou a ficar de pé. Tim seguiu controlando o clinch, tentou um single-leg e o campeão trouxe o combate de volta ao centro. Ligado nos contragolpes dos segundos finais, Kennedy venceu o terceiro round por 10-9 e diminuiu o prejuízo para 29-28.

O quarto round começou lento, com Rockhold dominando o ritmo e a distância, aplicando longos socos e chutes, impedindo a aproximação do desafiante. De tanto ter que circular pela periferia do cage, sempre com as costas raspando a grade e com Luke o perseguindo, Kennedy sofreu um knockdown quando Rockhold aplicou um direto de esquerda seguido de um cruzado de direita. O campeão partiu para decidir no ground and pound, mas Tim se defendeu bem na meia guarda. A luta voltou ao centro, Luke manteve-se na distância e Kennedy conseguiu levá-lo à grade. Os lutadores trocaram esgrimas e joelhadas no clinch até que o campeão levasse o duelo para o chão. Kennedy pegou as costas, tentou um estrangulamento, mas ainda assim perdeu o round por 10-9.

A última parcial começou com Rockhold novamente ditando o ritmo e a distância, aplicando chutes e socos longos. Depois de sofrer um direto, Kennedy tentou uma queda mas Rockhold defendeu e reverteu a posição. O desafiante encaixou uma guilhotina, não conseguiu prender e Luke se levantou. O campeão seguiu perseguindo o adversário, defendeu mais uma tentativa de queda e aplicou boa joelhada na grade. O fraco round terminou com o quarto 10-9 a favor de Rockhold, que manteve o cinturão em vitória por 49-46 segundo a contagem do MMA Brasil, placar confirmado pelos três juízes oficiais.

Depois da luta, Rockhold falou ao repórter Mauro Ranallo:

“Essas guerras de cinco rounds são um saco, mas o trabalho duro é recompensado. Controlei o ritmo, eu acho. Eu o persegui na maior parte da luta e o fiz recuar. Defendi todas as quedas que ele tentou e ainda consegui as minhas. Kennedy é um ótimo wrestler, muito persistente. Quando lhe falta técnica, ele compensa com muito coração e vontade, continua avançando. Eu sabia que não podia bobear por um segundo.”

Nate Marquardt (EUA) venceu Tyron Woodley (EUA) por nocaute (1:39, R4)

Muito mais experiente, Marquardt tinha a meta de impedir o forte jogo de clinch e quedas de Woodley, mas ele não contava com o violento contragolpe que quase o mandou a knockdown. T-Wood aproveitou o oponente cambaleante para grudar, impondo seu wrestling de elite. Ele levou Nate ao chão, trabalhou joelhadas no corpo, mas não conseguiu mantê-lo na posição. Marquardt se levantou mas permaneceu dominado no clinch.

Quando o combate voltou ao centro, foi a vez de Nate aplicar um belo contragolpe. Woodley caiu sentado, levantou-se rapidamente, buscou o clinch e acabou preso num triângulo de mão. Marquardt passou a dominar o round, mesmo no clinch, disparando duros socos e cotoveladas no dirty boxing. Nate The Great ainda tentou uma última sequência no final do ótimo round, vencido por ele por 10-9.

A luta continuou movimentada no round seguinte, com T-Wood disparando um belo soco rodado. Trabalhando com jabs e violentos chutes baixos, visando minar o wrestler, Marquardt passou a controlar as ações. O domínio inclusive permitiu que Nate quedasse o oponente depois de abrir caminho com um direto de direita, algo pouco provável de se imaginar, deixando Tyron de costas para o chão. Woodley levou quase um minuto para se levantar e acabou perdendo o round por 10-9.

Disposto a reverter o prejuízo, T-Wood retornou decidido para o terceiro. Caçou Marquardt, o mandou a knockdown e tentou definir o combate no ground and pound. Mesmo no chão, o duelo permaneceu movimentado. Nate repôs a guarda, saiu com o quadril e tentou uma chave de braço, mas Tyron se defendeu e permaneceu socando por cima. Muito bem posturado, Woodley pesava em cima do adversário mas teve que se levantar a mando do árbitro Dave Hagen.

Com a luta novamente de pé, Marquardt passou a perseguir Woodley, mas nenhum golpe contundente foi lançado por algum tempo. Já no minuto final, Nate decidiu tentar jogar no clinch, mas não fez nada além de duas cotoveladas e dois socos. O gongo soou e T-Wood diminuiu a diferença para 29-28 a favor do ex-UFC.

O quarto round durou pouco, mas foi sensacional. Nate largou um direto no corpo de Woodley e emendou um direto que já deixou o oponente contra a grade. Tyron lançou uma direita para afastar o adversário mas foi punido com uma sequência de três socos em linha reta, que explodiram contra seu rosto. Vendo o rival ficar mais lento, Marquardt estabeleceu a distância com um chute frontal no abdômen, teve um chute alto bloqueado e disparou um bom cruzado de direita. Foi quando ele definiu o combate.

No clinch, Nate deixou uma cotovelada de esquerda. Um gancho curto de esquerda abriu caminho para uma violenta cotovelada de direita. Com Woodley seminocauteado em pé, Marquardt emendou rapidamente um gancho de direita e dois uppercuts. T-Wood caiu sentado e Marquardt saiu para comemorar a grande vitória e o cinturão.

Roger Gracie (BRA) venceu Keith Jardine (EUA) por decisão unânime (29-27, 30-27, 30-26)

A estreia de Roger como peso médio começou devagar, com os lutadores se respeitando e o brasileiro usando o jab para controlar a distância. Na primeira brecha que encontrou, Gracie pegou Jardine no clinch. Quando isto acontece, o futuro é claro. Roger quedou e caiu por cima da meia guarda do americano. Jardine se debateu, se moveu, mas não tinha como tirar o monstro de 1,94m de cima. Contra a guarda De La Riva de Jardine, Roger empurrou o oponente para a grade, deixou o americano se levantar e novamente conduziu o combate para o solo.

Mostrando a calma de quem sabe o que fazer naquela posição, Roger esmagou Jardine contra a grade e lançou fortes direitas contra o rosto do oponente. Num movimento tão simples quanto brilhante, Gracie rapidamente passou a guarda e partiu para a montada, mantendo Jardine na posição em que cansou de finalizar a concorrência no jiu-jitsu e submission. Posturado magistralmente, Roger disparou cotoveladas e socos que estragaram o rosto do americano. O gongo interrompeu o passeio e Gracie abriu 10-8 na contagem do MMA Brasil.

O segundo round também começou lento e novamente Roger encontrou o espaço para quedar. Os socos do brasileiro fizeram novamente abrir o chuveiro de sangue no rosto de Jardine. Gracie passou como um carrapato para as costas, encaixou o gancho direito, posicionou o mata-leão mas Jardine se defendeu bravamente. Lavado de sangue até o peito do pé, o americano viu o adversário fechar o triângulo de corpo e martelá-lo pelas costas. A luta estava tão dominada que Roger se deu ao luxo de parar (com Jardine preso em suas pernas) para prestar atenção nas instruções de seu córner. Ele então posicionou um katagatame e montou com a posição quase encaixada. Novamente Keith se defendeu e terminou o round recebendo duas cotoveladas. Se tivesse investido um pouco mais no ground and pound, Roger teria aberto 20-16, mas teve que se contentar com o 10-9 na parcial.

Com Gracie cansado e Jardine moído, o último round foi mais devagar que os demais. Apenas na metade da parcial o americano aturdiu o brasileiro, que se viu obrigado a buscar o clinch. Jardine se safou e passou a acertar os melhores golpes na lenta trocação no centro do cage. O pior round da luta terminou com vantagem para o americano. Apesar disso, Roger venceu sem dificuldade por 29-27 na contagem do MMA Brasil.

O brasileiro depois comentou o que aconteceu na luta:

“Estou muito feliz por ter sido capaz de implementar meu plano de luta. Seu sangue começou a me encharcar e eu não consegui permanecer por cima dele. Acho que meus golpes me possibilitaram ficar estável sobre ele. No terceiro round eu cansei um pouco, mas pude usar minha maior envergadura e mantive-o longe.”

Roger se provou demais para veteranos cansados como Jardine, mas ainda não é páreo para a elite como “King” Mo Lawal. Seguindo esta evolução mostrada no sábado, o brasileiro poderia encarar alguém como Lumumba Sayers ou Derek Brunson como um teste antes de partir para Lorenz Larkin e chegar ao title shot.

Lorenz Larkin (EUA) venceu Robbie Lawler (EUA) por decisão unânime (30-27, 30-27, 30-27)

Em construção

Fotos: Esther Lin/Forza LLC/Zuffa LLC

Fundador e editor-chefe do MMA Brasil. Colunista do site oficial do UFC. Prestes a se aposentar e virar colunista especial do próprio site.